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31/8/2008

CABOVIDEO está de parabens!



A comunidade Caboverdiana nos USA regozija se com a celebração do decimo nono aniversário da estação de TV por cabo, CABOVIDEO, que por mais de uma decada tem estado levando aos televidentes da nossa comunidade as últimas novidades da nossa cultura e do mundo em geral, bem como possibilitando uma interligação benéfica entre o seu produtor e a sua audiência.Valdir e Conjunto

Para comemorar este importante marco, realizou se uma festa no Portuguese National Club em Stoughton, no Estado de Massachusetts onde os presentes tiveram a ocasião de presenciar um espectáculo que vai perdurar na memória e no tempo.

Durante a bela e inolvidável noite de Agosto 30, 2008 a cultura Caboverdiana esteve mais uma vez ao alto com musicas de meomoráveis artistas do passado e do presente, e onde o grupo teatral Terra Terra brindou aos presentes um show de recordar e uma esperança da continuação da nossa cultura.

Valdir e Conjunto De realçar o momento da noite, foi a apresentação de uma placa comemorativa ao jornalista Valdir Alves, uma homenagem bastante merecida - que ele mesmo disse não estava esperando – mas mesmo assim ele subiu ao palco para dar mais uma amostra do seu contributo cantando para os presentes a sua preferível morna “Mundo ca Cre”.

Parabéns ao produtor e realizador Valdir Alves e à sua amável equipa.



Conforme foi noticiado na Internete, Radio, TV e Jornais, aqui vai um breve sumario do alargamento da Cabovideo na comunidade.

Comunidade cabo-verdiana com tempo de antena no SPT



A System Portuguese Television (SPT) vai passar a emitir uma programação destinada à comunidade cabo-verdiana da América do Norte, a partir de 24 de Agosto. A decisão é fruto de um acordo assinado esta semana, em Brockton (Massachusetts), entre o produtor Valdir Alves e o director de programação da SPT, Carlos Brito. Iniciativa inédita, a transmissão na SPT vai levar a cultura cabo-verdiana até o Canadá onde a programação da estação televisiva sedeada em New Jersey é também vista. Ou seja, ultrapassa todos os outros projectos radiofónicos e televisivos em curso como Porton di Nôs Ilha e Cabo Vídeo.

Valdir e Conjunto Para ver a programação cabo-verdiana da SPT, que incluirá um magazine informativo, é preciso ser assinante daquela estação televisiva ou do pacote em português, (que inclui SIC, SIC notícias, Euronews e RTPi), quer através da Dish Network quer no sistema de cabo (Comcast ou Verizon FiOS).



Valdir e Conjunto Iniciativa inédita, a transmissão na SPT vai levar a cultura cabo-verdiana até o Canadá onde a programação da estação televisiva sedeada em New Jersey é também vista. Ou seja, ultrapassa todos os outros projectos radiofónicos e televisivos em curso como Porton di Nôs Ilha e Cabo Vídeo.



Para ver a programação cabo-verdiana da SPT, que incluirá um magazine informativo, é preciso ser assinante daquela estação televisiva ou do pacote em português, (que inclui SIC, SIC notícias, Euronews e RTPi), quer através da Dish Network quer no sistema de cabo (Comcast ou Verizon FiOS).

PRIMÊRO ANIVERSÁRIO DA MORTE


VITALINA FONSECA FONTES



Um sôneto pâ bô vovó


I


Ôje ê um dia triste pamode

Du tâ cômemorâ bu auséncia

Dixano nês mundo di pacéncia

Pâ bu bá fazê Nhordês vontade


II


Bu presénça, embora ausente,

Permanente nâ nôs existéncia

Na nós dia a dia, má nâ nós vivência

E na tudo qui ê nós atitude

III


Du pedi pâ djunto Jesus Cristo,

Naquel mundu di bardade, lembral

Di tudu nós nês mundu disgosto

IV


Sabendo cumó bó era na trato,

Anjus pâ bó Nhordés ês tâ papial

Pa bu ficâ quês na sês rácanto.

2008-05-12

Por, José Pedro


(Translation)

FIRST ANNIVERSARY OF THE DEATH OF

VITALINA FONSECA FONTES

A sonnet to you vovó
I
One year later Granny precious!
To fulfill God’s wishes,
You left this world of sorrow.
How deeply we’re still missing you!
II
Although so far you are
among us and our life you share
Through our children,
way of being and commitment
III
From this world of pain
We beg you in Heaven, the kingdom of true,
To ask Jesus Christ to look after us
IV
Knowing how friendly and tender
you had been in this world,
On an Angel's lap
You are certainly hold.
2008-05-12
By, José Pedro


Topicos123 e sua equipa,
congratula - se com o grande sucesso dos Mendes Brothers projectando a musica caboverdeana alem fronteiras, fortalecendo e divulgando cada vez mais a nossa cultura e fazendo com que as geracoes vindouras possam continuar a acreditar que, com uniao muito mais se pode fazer.
Parabens Mendes Brothers!

O artigo a seguir publicado no jornal asemanaonline sobre o famoso grupo musical Mendes Brother:

Trinta anos de estrada e estúdio. Dezenas de músicos que fizeram parte deste percurso. Sete discos próprios lançados, mais de trinta produzidos para outros artistas. Digressões bem-sucedidas a dezenas de países. Pré-nomeações aos Grammys, Condecorações por mérito. E toda uma multidão de fãs que durante nove anos esperou por este regresso dos irmãos Mendes à pátria. Por: Chissana Magalhães


Foi preciso perguntar um par de vezes pelos Mendes Brothers por entre os labirintos de pequenos edifícios do Parque 5 de Julho, local escolhido pela banda para os ensaios. À porta da sala de ensaios um agrupamento de meninas a carregar tambores deixa perceber que é ali que se cozinha o espectáculo que irá marcar o arranque das comemorações dos 30 anos de carreira de um dos grupos musicais cabo-verdianos mais populares além fronteiras.

Na sala exígua o espaço é apenas suficiente para os instrumentos e para os músicos. Ainda assim, o ambiente é descontraído e caloroso. Kim Alves, o multi-instrumentista, orienta o ensaio. É o director artístico do espectáculo.

A um canto, Tim Reid, companhia habitual de Ramiro Mendes nas suas recentes viagens ao arquipélago, regista em filme todos os movimentos do grupo. “É para o documentário sobre o grupo que estou a realizar”, revela.

Os músicos seguem as coordenadas de Kim (teclados) e participam com opiniões e sugestões. Experimenta-se, emenda-se, acerta-se. “Mais uma vez “, comanda Ramiro algumas vezes. É um grupo familiar para o público local. Adão Brito (baixo), Aurélio Santos (guitarra), Africano (cavaquinho), Jorge Pimpas (bateria) e as vozes femininas de Esmy e Samira nos coros. Também está presente o venezuelano Ernesto Vargas (violino). “ Vamos ter ainda o Walter Platt (trompetista) e o Tim Meyer (saxofonista) que só chegam amanhã”, diz Ramiro.

A certa altura, o ensaio é interrompido pela entrada do grupo das meninas dos tambores. São as Bawtuquinhas que vão fazer uma participação especial no show de quinta-feira. João e Ramiro aplaudem entusiasmados a batucada das meninas e reconhecem satisfeitos os ritmos das bandeiras (festas tradicionais do Fogo).

Os trabalhos prosseguem pela noite dentro. Pelo meio, há tempo para conversar com os irmãos. João revela que já não actuam em Cabo Verde como grupo desde 99, altura em que deram concertos no auditório da Assembleia Nacional e no festival de Santa Maria, no Sal. O roteiro quase se repete desta vez, só que o show na Assembleia Nacional emenda-se com o do festival da Gamboa, na Praia.

Esta digressão marca de certa forma um regresso a Cabo Verde. “A partir de agora estaremos mais presentes”, promete João que explica a estratégia do grupo em investir na divulgação da imagem de Cabo Verde nos EUA (onde vivem desde finais de 70), através do cinema e da televisão. “Nos EUA conhecem a música de Cabo Verde mas não o país. É por isso que estamos empenhados em mostrar de onde vem a nossa música.”

Mas a ideia de que os Mendes Brothers estiveram “parados” todos estes anos é falsa. Lançaram o seu último disco, Kabu Verdi, em 2005 e têm “estado a produzir discos de outros artistas e a preparar os nossos próximos trabalhos”, conta João. “Já temos temas para três álbuns. Tanto eu como o Ramiro vamos lançar discos a solo e, ainda este ano (Junho/Julho), deverá estar disponível o novo CD dos Mendes Brothers”. Será o resultado das pesquisas e experiências que os dois irmãos têm realizado pelos géneros tradicionais da sua materna ilha do Fogo.

Trinta anos de carreira são quase uma vida mas sentimos que estamos a começar”, confessa Ramiro. “O que mais me satisfaz é que ao longo do nosso percurso pudemos dar a nossa contribuição a outros artistas. Estes 30 anos também nos dão a noção da responsabilidade que temos para com Cabo Verde. Queremos colaborar no desenvolvimento sócio - cultural do nosso país”.

Expectativas

Finalmente chega o dia do concerto. É a tarde de quinta-feira e a banda encontra-se no auditório da Assembleia Nacional, na Achada de Santo António para o último ensaio e o checksound. Dias antes, os irmãos Mendes estiveram lá para assinarem o livro de honra da AN e inaugurarem uma exposição fotográfica que mostra o seu percurso.

No palco, experimentam-se as luzes e afinam-se uma vez mais os instrumentos. Na plateia, uns quantos curiosos não resistem a assistir ao ensaio. Samira e Esmy, as presenças femininas da trupe, descansam. “Estamos todos cansados. Ontem estivemos a ensaiar desde as 11 da noite até madrugada fora. Com fome e sono mas tinha que ser. É mesmo assim, para as coisas saírem bem logo mais” diz Samira bem-humorada.

Aldino Cardoso, o agente do grupo há largos anos, chega de uma das muitas missões a que se tem dedicado à medida que o countdown para o show se aperta. Confessa-se ansioso pelo espectáculo da noite. “ O meu telefone não pára. Toda gente quer vir!” O manager garante que está tudo a correr bem. “O único problema é Cabo Verde continuar sem uma sala de espectáculos de grande porte e bem equipada”.

João e Ramiro trocam impressões com Kim Alves. Um pouco antes Ramiro contou que o show seria dedicado ao irmão mais velho, já falecido. “Vai ser uma reunião de família”, revela João. “Amigos nossos, que vivem nos Estados Unidos, outros que se encontravam na China, vieram de propósito para ver esse show.”

Luzes, câmaras, som...show!

À hora marcada o auditório da Assembleia Nacional já está praticamente sem lugares livres, bancada superior incluída. Fica-se a saber que o concerto vai ter transmissão directa para a TCV, a televisão pública que com a RCV forma a RTC, parceira principal do evento. Na plateia cheia os sorrisos e comentários deixam perceber a expectativa. Expectativas que não saem goradas.

Assim que os irmãos Mendes e os seus músicos dão inicio ao seu show, cerca das 22h30, fica-se a saber que vai ser uma noite plena de emoções. A abertura faz-se em toada intimista com o tema “Sete Ano”, dedicado à mãe. Depois começa um espectáculo vibrante, uma festa de luzes, cor e sons com o carisma de João e Ramiro a encantar a todos.

O público, rendido, aplaude, canta com eles, ri-se... emociona-se. Os sucessos da banda são prontamente reconhecidos e ovacionados. Madalena, Angola Kuia, Nação Palop, Balumuka e Helena. Cor de Rosa é recebido em apoteose. É uma primeira parte mais “pop”, se é que se pode dizer que o termo pop se aplica na música cabo-verdiana. Coladeras e talaia baxu (variação da coladera folclórica da ilha do Fogo) com cheiro a semba angolano.

Na segunda parte, mais virada para as raízes, incursões pelos diferentes tipos de bandera: os tambores deram o tom para o kanizade e o tchoro. Ramiro acompanha as magnificas Bawtuqinhas, esses talentos escondidos da nossa música. Aliás a noite foi fértil em talentos revelados: Michel Montrond, um jovem músico do Fogo, abriu a noite e encantou acompanhado pelos cada vez mais seguros no domínio das cordas, Adriel e Sergey.

A direcção musical de Kim Alves prossegue afinadíssima. Alguém admira a cumplícidade entre os músicos, alguns dos quais nunca tinham trabalhado juntos. Ainda bem que assim é já que o concerto está a ser gravado para uma posterior edição em CD/DVD.

Cerca de hora e meia depois o concerto termina. A banda não atende aos pedidos insistentes da plateia para uma encore. As palmas e chamados demoram vários minutos a cessar até o público, rendido, retirar-se. Mas no lobby espera-o uma surpresa. Ramiro, João e companhia estão lá para se despedirem dele. Beijos, abraços, fotografias e emocionados parabéns sucedem-se. “ Grande espectáculo, rapazes”, diz alguém, “Amanhã vou vos ver outra vez no Gambôa”.

Os rapazes de Palonkon provaram que continuam na "Torre de Controle" da música cabo-verdiana.

Texto: Chissana Magalhães
Fotos: Eneias Rodrigues



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Ao belo ser, à mulher, à boa esposa e companheira…



G raciete, coração meu

R ainha e mãe do meu

A mor, da minha felicidade, meu

C onforto, por ti a Deus meu

I mploro do fundo do coração meu,

E steada sejas por Ele e que este apelo meu

T enha Nele eco e tenhas toda a saúde, meu

E ssencial bem, fonte do viver e sentir meu



F iel e exemplar em todas as

O casiões me tens demonstrado

N obreza de carácter és

T udo o que imaginei numa bela mulher

E nvolvido no teu

S er sou, Tu exemplo de mulher!

Por: José Pedro (COLACHO)

Vale de Milhaços, 4 de Abril de 2008


Pâ bô Cize
I
Simé bu voz du tâ obi
Di nós pâ Deus obi
Du tâ djunta nês oraçan
Pâ bu recuperaçan
II
Cu mon nâ nós rosadi
Du tâ râza pâ Nhordés
Pidil dabu saudi
Trabu dês situaçan
III
Fazêno companhia tudu dia
Bu mornas cu bu coladerâs sábi
Tâ fazêno feliz li na terra londji
IV
Du tâ ficâ sábi si nóba trazênu
Noticia más sábi de bu saudi
Pâ du librâ dês tristéza que du sinti

José Fontes, Colacho

2008-03-16



A MULHER DE "FIGUEIRA PAVÃO"

Desembarcámos no aeroporto do Sal com atraso.

Aquele corre-corre para o check-in e éramos os últimos passageiros que faltavam para entrar na sala de embarque.

Sentada numa cadeira vi uma senhora aparentando os seus setenta e cinco anos. Tinha todo o somático da minha ilha, pela maneira como estava admirando aquele aeroporto com os aviões aterrando, gente passando, cachimbo na boca e um lenço à cabeça afunilando atrás.

O seu ar era despreocupado, e à sua frente uma maleta que transbordava amarrada com uma corda.

Não resisti a perguntar-lhe o habitual nessas ocasiões embora tivessem feito o último aviso.

Disse-me que ia para América. Era a sua viagem inaugural. Que filho obriga a mãe a saltar a água do mar. Nunca tinha pensado sair de “Figueira Pavão,” onde nascera.

Despachar o quê? Ainda não tinha feito o check-in e nem sabia o que era! O meu neto na Praia embarcou-me deu-me um papel que entreguei àquela mulher bonita vestida de azul com um lenço vermelho ao pescoço. Vagarosamente procurou o seu bilhete metido no meio de tantas coisas que trazia na sua bolsa.

Chamei a senhora do balcão pedindo desculpas porque o voo já estava fechado.

Na fronteira chateou-se com um Polícia, porque era “raborbê” demais. Durante a viagem fui visitá-la disse-me que estava sob os cuidados da pessoa ao lado que a levaria à casa do filho na Mérca.

Chegamos hoje na boca da noite ou amanhã cedo na Mérca? Já havia quatro horas e meia que tínhamos deixado o Sal!

Desembarcamos em New-York depois de uma longa fila para carimbar o passaporte. Lá estava a senhora encostada num dos pilares daquele recinto- tranquilamente. Perguntei-lhe pelo companheiro de viagem e só me respondeu laconicamente:”não o vi”. Estou esperando o meu filho...

O seu passaporte? Passaporte? Enrugou a testa, procurando algo sem imagem. Mostrei-lhe o meu. Ah meu filho, espera aí.Com tanto páti-páti a minha cabeça está mariado. Teve que abrir duas bolsas e não o encontrou. E a Polícia à nossa espera!

Tinha-o num pano amarrado à cintura, juntamente com o tabaco em folha e o cachimbo.

Naquele instante preocupou-se mais com o seu cachimbo. Gerou nela de imediato o reflexo condicionado das experiências de Becherev e Pavlov. Fumou logo desculpando-se que tinha boca doce. Cuspiu num balde para papeis que estava ali num canto Preenchi o boletim de desembarque. Ela não sabia a data do seu nascimento. Repreendeu-me que a gente não deve ser curiosa. Também não se lembrava dos nomes dos pais. Só dizia que todos nasceram na Figueira Pavão antes da bexiga.

Puxou a sua saia para cima e apertou o seu pano à barriga, fazendo à frente um grande nó. Tirava e colocava o seu cachimbo na boca, cuspindo sempre! O seu bilhete de passagem era até New-York e o meu até Boston. Só me faltava meia hora para a conexão.

Tem dinheiro para pagar uma passagem até Boston onde deve estar o seu filho? Não pago mais nada porque já paguei uma vez.. Mostrou-me apenas moedas de Cabo-Verde. Onde mora o seu filho? Na Mérca.

América aonde? Na Mérca, não sabe onde é Mérca?

Ele vem buscar a senhora? Não sei, disse-me na carta que tinha carro. Não sabe o endereço? Adresso? Cuspindo no chão...

No meio daquele amontoado de maletas consegui identificar a dela, porque tinha aquele sinal peculiar.

Fomos a Boston no mesmo avião que não tinha mais que vinte lugares e todos cheios.

Agarrava-se nas costas da cadeira de frente durante as turbulências. Chamou à Hospedeira pedindo que dissesse ao chofer daquele avião que parasse com os solavancos.

Pouco minutos depois parou mesmo.

Achou que era brincadeira daqueles homens fardados que ela viu entrando. Perguntou--me se América não era onde tínhamos desembarcado. Para quê mais “fastientura pa riba, pa baxo bento ta sacotea, avião quasi ta falupa”.

Quando aterramos apontando com o dedo pediu a sua bolsa á Hospedeira e ela logo a entregou.

Olhava longamente as pessoas que ali estavam e aqueles movimentos atormentavam-na.

Disse-me que tinha “mariação na cabéça” já tinha saudades da sua casa e dos seus animais que deixou, e além disso estava confusa se era dia ou noite. Não comeu naquele avião, porque aquela comida era “mofino”com pratos e talheres estranhos.

Esperava que o seu neto de dez anos a esta hora já tenha dado um feixe de palha aqueles bichos.

Eu e ela procuramos o filho logo que desembarcamos.

Ninguém a esperava.

Fomos para a casa da minha irmã. Na última carta do filho, constava o endereço À tardinha caía o sinó as estradas e as árvores pintadas de branco.

A temperatura interior era amena e pela janela ela observava tudo o que passava lá fora meneando a cabeça. O carro de Bombeiro passava com as luzes azuis intermitentes e sirenes abertas. Logo fechou rapidamente a janela com um incessante crédo crédo crédo... crédo.

Disse-me que estava desiludida com os seus vizinhos da Figueira Pavão.. Porquê? Porque mentem com todos os seus dentes que têm na boca.

Mas porquê? Olha: meteram-me medo que Mérca fazia muito frio que até água ficava em pedra.

Também disseram-me que falam maricano. Eu acho que maricano e criolo é tudo igual. Sim, é verdade tudo que disseram à senhora.

Então porquê é que aquela americana naquele aviãozinho percebeu o que pedi?

Deu-me a bolsa e até riu-se comigo.

E não estou a sentir frio. Aqui o tempo é como lá na Figueira Pavão.

Ahhhhhh, “tcheu grandéza” quem não entende crioulo? É só falustria.

TCHITCHITI

Cheguei de conhecer este homem. Os seus traços ainda os tenho no meu disco duro da memória.

Era dos poucos prêtos da minha cidade que tinha “um bom cabelo” como era hábito ainda dizer-se quem tem cabelo liso.

Considerado o maior tamborileiro que havia no nosso país. Rufava o seu tambor com gosto e sempre com o seu avental branco, bem penteado com uma madeixa caindo pela testa, cobrindo parcialmente os seus olhos achinezados.

Com o seu tambor Tchitchiti andava pelas ruas de S. Filipe anunciando os mais diversos avisos importantes das autoridades Municipais, principalmente.

Cada acontecimento tinha o seu toque especial . Familiar a todos menos os mais novos.

Era como um jornal de grande tiragem -ambulante, que tinha mais som que palavras que todos “comprava” e ouvia-lia” .

O interesse daquele aviso sonoro despertava atenção a muitos e ele educadamente informava.

Tchitchiti, está tocando porquê?
Para irem pagar as “décimas na Fazenda antes de relaxar senão ficam sem terra e sem casa”.

E hoje, porquê.
Para os contratados buscar a farda e o dinheiro. O “falucho” que vai levá-los está na Fonte Bila. Vão até Praia e depois tomam o vapor para S. Tomé.

Quando o toque é mais “rapicado” é porque a notícia é deveras “sabi”.

Logo cedo Tchitchiti acordou toda a cidade e arredores. Alguns ainda ensonados.

Era o aviso “rapicado” de que o Presidente da República de Portugal chegava no dia seguinte ao meio dia à Ilha no barco de guerra “Almeida Carvalho”.
O Administrador do Concelho “mandou intimar” toda a gente. Tinha que ir de fato e gravata.

A concentração é na Praça da Cãmara às nove horas e dali seguem para Fonte Bila no carro “José Catchim”.

De fato e gravata?
Sim porquê?
Com este “calorzão” de Maio toda a gente vai desmaiar...

Parapam-pam-pampam-pampampam.
Era o recrutamento dos mancebos para a tropa em S. Vicente e na Praia.

Pam...pam...pam. pam. de longe a longe ouvia-se o anúncio da morte.
Tchitchiti com aquele ar triste pedia às pessoas para irem enterrar o coitado, que já esperava havia muito na Cruz dos Passos -o descanso obrigatório de todos os finados do campo.

Sabiam que era um pobre no caixão da Câmara não descartado.
Emprestado.
Cedido.
Retornável.

Era verde e apenas um, servindo a todo o tipo de finado . Não interessava a altura nem a largura.

Muitos iam com os seus alvos pés de fora baloiçando no compasso dos que carregavam o caixão nas suas quatro cordas laterais, duas à frente e duas atrás O Cabo-Chefe com uma espada ameaçadora dizendo ”vamos depressa porque há mais” .
Dividia o grupo em dois: quatro para levar o corpo e outros quatro para trazer o caixão de volta à Câmara.

Tchitchiti não tocava o seu tambor apenas nessas ocasiões.

Sem ele as festas de S. Filipe, S. João e S. Pedro não aconteciam.
Era o primeiro a ser chamado e com ele a sua Banda.
Ficava à frente desta como um Comandante na parada com os seus subordinados desfilando.

Nas grandes festas dos sobrados de Bila, Tchitchiti era convidado só para tocar.

Fazia-o com gosto e profissionalismo.

Depois dos cavalheiros molharem os pés dos seus cavalos na praia do Bocarron, vinham à missa sob o toque peculiar da cavalgada.

Na Igreja o seu tambor soava iniciando a procissão.

Depois o almoço naquelas grandes varandas e salões com a Banda do Tchtchiti rufando o tambor no quintal.

Coladeiras colando com mensagens algumas vezes abrangentes!
Incomodativas!
Talvez subtilmente picantes.

Tinham o alvo certo e cheio de pruridos.

Faziam grandes pratos para o Tchitchiti e a sua Banda comerem lá mesmo no quintal.

Nunca ele os aceitou.

Recusava a comida nem bebida tão pouco.

Dizia ele que tinha comida em sua casa e não era “nego” de quintal de ninguém.

Apenas profissional.

No meio do almoço, Tchitchiti e a sua Banda subiam até os salões cumprindo a tradição.

Ali davam três voltas à mesa repicando o seu tambor e atrás as coladeirasr colando e rebolando ao som do tambor e da tchabeta.
Não tocavam num só bolo.

Veio a fome e com ela várias pessoas foram dizimadas.

Tchitchiti não parava em casa.

O seu dia estava sempre cheio, solicitado pelo Administrador que poucas vezes pagava-lhe pelo tambor. E com a fome, o trabalho triplicou e a energia mitigou.

Por toda a cidade o tambor da morte ecoava e reverberava nos ouvidos dos vivos.

Mesmo com fome Tchitchiti fazia o seu trabalho desobedecendo a própria mulher.

Quantas vezes não teria desmaiado por causa da fome!

Não havia caixão para os mortos nem mãos para levá-los ao cemitério.

Muitos iam embrulhados em “finingue” que na hora de dar à terra era-lhes retirado para servir o próximo.

Na boca da cova dos finados, viram um “finingue” fazendo ondas mais que tantos outros que tiveram o mesmo fim.

Ficaram curiosos olhos arregalados porque aqueles movimentos chamavam a qualquer um atenção.

Não foi como muitos casos da mesma índole que deixaram passar.

Cuidadosamente e com medo, descobriram a cabeça do morto e ouviram uma ténue voz :” sou eu, Tcitchiti, só estava desmaiado e tenho fome”.

Alguém ao lado chorou e exclamou: por ele os tambores não rufaram.

Samuel Gonçalves


PARALELOS DA VIDA


Na caminhada das nossas vidas, há varias etapas. Tudo se cumpra de acordo com os designios da Natureza ou do Criador. Parece que tudo está pre - programado ou quem sabe, talvéz, tudo na maioria das vezes depende de nós mesmos!
Há etapas que são celebradas com alegria e outras com tristeza mas, todas são partes das nossas vidas. Está em nós mesmos dar a cada uma o seu verdadeiro significado, significando que, o hoje - ou o que vivemos hoje - deve ser positivamente encarado ou vivido, e que amanha, tem a sua propria preocupação.

Nesse maravilhoso ciclo da vida, há um principio e um fim para tudo o que há nela. É um ciclo natural e bem planeado por um Criador ou um principio inteligente. Portanto o que mais conta, é oscilar dentro desse siclo ou dessa ressonancia devina e contribuir o máximo de nós mesmos para que ela continua seguindo sua trajectoria. Uma das grandes vantagens que temos na vida é preservar a nossa cultura passado de geração para geração, é nela que a nossa identidade sobressai, dando nos opurtunidade de avancar e diversificar sem contudo esquecer as nossas raizes.
Este ano de 2006 perdi uma irmã que eu amava muito; foi se, sem muito sofrimento, ela apreciou a vida, viveu a vida, adaptou a vida não obstante as vicissitudes, mas, sempre conservou sua identidade cultural, ela completou o seu ciclo nesse nosso mundo, trabalhou, deixou filhos, netos, e mais familiares, em fim deu a sua contribuição nesse nosso Planeta, é uma etapa triste mas, faz parte da vida que vivemos e devemos resignar e seguir a caminhada...
Há bem pouco tempo tive a opurtunidade de ir com a familia a uma cermonia de bodas de ouro de casamento dos primos Santinho e Queta. Quando chegamos ao salão da cerimonia ou “hall” como se costuma dizer aqui na America, havia pouca gente, ainda na rua antes de entrarmos na porta principal já se ouvia no ar o som da linda musica caboverdeana e logo deduzimos onde era o lugar ou salao da festa.

Uma vez lá dentro na entrada principal encontramos com alguns familiares e amigos que cumprimentamos e depois duma breve conversa. A grande sala de gala, tinha um palco estava bem decorada ou enfeitada com luzes, flores, cores a condizer com o acontecimento da celebração pessoas trajadas a ultima moda, enfim um ar festivo e convidativo, depois de uma pausa cada um procurou o seu nome e numero para a mesa destinada. Entretanto as gentes continuaram a entrar, e depois de uma boa espera o momento principal chegou com o anunciamento da entrada dos celebrantes ou aniversariantes; um par de veteranos casados, com filhos, netos e mais familiares, todos irradiando contentamento e ar de felicidade ou alegria. Depois do anunciamento ou apresentação, tocaram uma musica bonita, sentimental e bem selecionada, o casal aproveitou a musica para uma boa dança, logo a seguir os ramos do casal também começaram a dançar.
Depois da dança tomaram assento apropriado expondo se as lusez das cameras fotgraficas que captavam as imagens e sons a cada instante e conservando virtualmente tudo, para preservar no tempo e no espaço memórias vividas.
Depois de algum tempo, pediram atenção aos convidados ou audiencia, a fim de com discursos de diferentes teor homenagearem os celebrantes, todo com o único proposito de felicitar e fazer uma resenha ou historial, das etapas dos momentos da vida vivida pelo casal, que trilharam caminhos rectos ou curvos mas que continuam a seguir com amor e preserverança.
Aos celebrantes votos de felicidade e longos anos de vida.
Quinquim

A seguir algumas fotos do casamento de Santinho e Queta.















  

OPTIMISMO NA VIDA
IDOSO ou VELHO ?

Você acha que é a mesma coisa? Então vejamos o depoimento de um idoso de 80 anos.

Idosa é uma pessoa que tem muita idade, Velha é a pessoa que perdeu a jovialidade.
Você é idoso quando sonha - é Velho quando apenas dorme Você é idoso quando ainda aprende, é Velho quando já nem ensina.
Você é idoso quando pratica esportes, ou alguma outra forma de se exercitar.
É Velho quando apenas descansa.
Você é idoso quando seu calendário tem " amanhãs" , è Velho quando seu calendário só tem " ontens" .
O IDOSO é aquela pessoa que tem tido a felicidade de viver uma longa vida produtiva, de ter adquirido uma grande experiência. Ele é uma ponte entre o passado e o presente, assim como o jovem é uma ponte entre o presente e o futuro. È no PRESENTE que os dois, jovem e idoso, se encontram.
O VELHO é aquele que tem carregado o peso dos anos, que em vez de transmitir experiências vindouras, transmite pessimismo e desilusão. Para ele, existe um fosso que o separa do presente pelo apego ao passado.
O IDOSO se renova a cada dia que começa - o VELHO se acaba a cada noite que termina.
O IDOSO tem seus olhos postos no horizonte de onde o sol desponta e a esperança se ilumina; o VELHO tem sua miopia voltada para os tempos que passaram.
O IDOSO tem planos - o VELHO tem saudades.
O IDOSO curte o que resta da vida - o VELHO sofre , o que o aproxima da morte.
O IDOSO se moderniza, dialoga com a juventude, procura compreender os novos tempos - o VELHO se emperra no seu tempo, se fecha em sua ostra e recusa a modernidade.
O IDOSO leva uma vida ativa, plena de projetos e de esperanças. Para ele o tempo passa rápido, mas a velhice nunca chega - o VELHO cochila no vazio da sua vida e suas horas se arrastam destituidas de sentido. As RUGAS DO IDOSO são bonitas porque foram marcadas pelo sorriso, as RUGAS DO VELHO são feias porque foram vincadas pela amargura.
Em RESUMO, idoso e velho, são duas pessoas qua até podem ter a mesma idade no cartório,mas têm idade bem diferente no coração.
SE VOCÊ É IDOSO, guarde a ESPERANÇA DE NUNCA FICAR VELHO.

Pensamento de um AMIGO virtual.



FREI PAULINO ANDRADE DE PINA, um marco na Igreja Católica de Cabo Verde.

Padre Tetecha, como era popularmente conhecido, faleceu no sabado dia 17 de Março de 2007, no hospital da Praia depois de uma complicada cirurgia numa perna a que foi submedito, motivada por uma doença que havia padecido desde já algum tempo, mas mesmo com essa anomalia, o Padre Paulino continuou a sua carreira evangelica nao dando nunca amostras de desanimo.

Oriundo da Ilha Brava Padre Paulino foi ordenado padre na Ordem dos Capuchinhos em 1973 pelo extinto Bispo de Cabo Verde Dom Jose Colaço. Trabalhou em muitas ilhas de Cabo Verde sempre com o seu caracteristico style: entender, explicar e aconselhar, deixado todos com uma sensação de alivio e esperança, principalmente entre os jovens. Tambem o Padre Paulino na diaspora dos USA deu sua contribuição de Pregador elevando cada vez mais a comunidade Caboverdeana.

Falar duma pessoa assim como o Padre Paulino, para a maioria das gentes não é deficil, porque ele, toda sua vida, empenhou transmitir ou semear o amor entre todos, tinha um dom especial de comunicação aberta desinteressada, gostava de conviver, das artes, desporto, música, literatura enfim de tudo o que é bom, porque viu nisso uma maneira de ajudar os jovens, e a gente grande, dando o máximo de si mesmo

Formou se padre quando ainda era jovem portanto entendeu bem a necessidade dessa classe sem contudo desviar do seu magno sentido de servir a Deus.

Deixou marcas para seguir na comunidade catolica Caboverdeana, como por exemplo de conjugar o velho e o novo num sentido de concordia, sem esquivar do verdadeiro sentido da fé cristã.

Pessolmente tive a opurtinidade de conviver e fazer amizade com o Padre Tetecha na década dos setenta em Sao Filipe, Fogo; por exémplo a dada altura quando conversavamos sobre diferentes topicos, de vez em quando ele dizia “Oh Nhordez kumode podi ser” dizia isso quando via algo que nao estava em confirmidade com o bem. Era um homem que aceitava a critica, e criticava tambem, procurando sempre filosoficamente, estabelecer o sentido da transparencia ou da verdade.

Seria bom que a sociedade Caboverdeana conjugasse força para estabelecer ou criar uma organização com fim em vista de manter a filosofia do saudoso Padre Paulino vivo dando aos jovens opurtunidade de seguir os passos andados pelo Reverendo Frei Padre Paulino. A todos os irmaos na fe e em especial a familia do Padre Tetecha TOPICOS123 deseja sinceras condolencias.
Leia e veja fotos do Padre Paulino
Quinquim



PROTEGENDO CRIANÇAS

Crianças e Gangas:

Quer pensas nisso ou nao, suas crainças podem estarem a correr risco ao juntarem a gangs. A razão que as crianças juntam se a gangs são complexos e variados. No entanto, como pais voce tem muito mais poder de evitar suas crianças a não associar com gangas do que voces pensem. O tempo para começar é agora, quer seja sua crianca é 5 ou 15 anos de idade.

Suas Crianças Necessitam Boas Habilidades Sociais

Crianças e adolescentes que tem boas habilidades para lidarem com outras gentes tem menos chance de involverem em hábitos negativos. Para ter boa confiança em si mesmo e outros. Os pais devem ensinar as crianças os seguintes:

Comunicação Honesta


Elas precisam de aprender como expressar sentimentos, como ansiedade, alegria, amor, e medo. Elas precisam acreditar que é bom ser assim sem serem redicularizados ou punidos. Como as crianças aprendem por exemplos, vocé deve mostrar seu sentimento honestamente. Seja um bom ouvinte. Isso ajuda a ensinar suas crianças a serem também todos bons ouvintes.

Cooperação


Elas devem aprender a cooperar, negociar e sentirem os lados das outras gentes. Habitua ao falar sobre qual shows de TV podem ver ou onde ir passar as ferias. Dá parabens a sua criança até mesmo quando elas nao alcancem um objéctivo que elas querem.

Responsabilidade Pessoal

Ensinem suas crainças a serem responsáveis por suas acções. Da lhe algum trabalho de familia para fazerem que elas sejam responsáveis. Procura saber se sao capazes de fazer tarefa. Gradualmente aumenta suas responsabilidades. Deixa lhes saber que mesmo se não fizerem bem da primeira vez, o que conta é que elas esão tentando duro e aprendendo da experiencia.

Habilidade para tomar decisoes


Em vez de resolver problemas para seus filhos da lhes chance para pensarem sobre como resolver o problema. Ajuda-lhes a pensar acerca da escolha que elas tem, e consequencia para cada escolha.

Habilidade de dar e receber amor incondicional


Ama suas criancas como elas são, e não a despeito do que elas fazem ou como fazem na escola, desporto ou outras actividades. Mesmo se estais zangados com elas, deixa lhes saber que mesmo assim, vocé ama e respeita lhes. Ajuda suas crianças a aprender que elas podem ficar zangados com outra gente e mesmo assim pode ama-lhes.

Suas Criancas Precisam um Equelibrio entre Amor e Disciplina


As crianças podem associar a gangas para ganharem abrigo se nao estarem satisfeitos com a familia.

Para mostrar suas crianças que elas sao amadas e valorizadas:


Passa tempo sozinho com cada criança não importa o que fazes, isso ajuda a conhecer se um ao outro.

Planeja tempo para familia

Arranja tempo para jogar, comer de juntos e viajar ( até mesmo parques locais ou actividades) continua com a tradição da familia e organiza reuniões de familia para falar acerca de planos, sentimentos e queixas.

Escuta a suas criancas e pergunta por suas opiniões


Ajuda as criancas a falarem contigo sem medo ou punição, até crianças de 5 anos tem muito a dar se vocé dá-lhes opurtunidade. Não fala com as crianças negativamente. Os adultos podem ser mais velhos mas os pensamentos e sentimentos das crianças merecem respeitos.

Fala com seus meninos acerca de como manejar as pressões de amigos

Ajuda seus meninos de como simplesmente lidar para responderem a pressão dos amigos. Por exemplo, se eles são desafiados por um amigo que diz: “Se vocé é meu amigo, voce faria....” Sua crianca pode responder: “Se voce é meu amigo não me perguntaria” Então eles devem afastar disso.

Define firme limites com suas criancas e adolescentes


Crianças precisam de saber claramente o motivo das suas obrigacões e as consequencias se acutuarem doutra maneira. Não tira as consquencias das suas crianças nas suas acções.

Ensinam Suas Criancas acerca de Gangas


Aprenda sobre as actividades das gangas na sua área. Fala com sua criança acerca das coisas negativas que gangas fazem e como pode afectar a criança, seus amigos, sua vizinhança e sua família.

Não permita suas crianças a vestirem na moda dos gangas.


Explica suas crianças que essas roupas podem pór eles em perigo e que vocé nao compra essas roupas ou permite que elas as usam.

Marca as mensssagens violentas na televisao e filmes


Violencias nao é a solução para resolver problemas. Falam com suas crianças acerca de como resolver problemas sem guerras ou violencia.

Conheça os amigos das suas crianças e os pais dos amigos.


Esteja alerta das suas atitudes sobre drogas, alchoa, e gangas.
Começa a educar suas crianças logo de nascença ou quando estão de muito pouca idade Enquanto um menino de 5 anos pode não compreeender as causas de ajuntar se a gangas eles mas podem aprender como dizer “nao” a hábitos negativos. Dá seus meninos menssagens consistentes acerca de consequencias negativas das actividades das gangas. Ensina suas criaças actividades recreacionais que elas gostam e também passatempos de interesse.



BIOGRAFIA DO PAPA JOAO PAULO II

Biografia de João Paulo II

João Paulo II, o primeiro Papa eslavo, protagonizou um dos pontificados mais longos e controversos do século XX, dominado pela influência em alguns dos acontecimentos políticos mais relevantes da história recente.
João Paulo II, Karol Wojtyla de seu verdadeiro nome, nasceu a 18 de Maio de 1920 em Wadowice, perto de Cracóvia, no sul da Polónia. Depois de manifestar algum interesse pelo teatro e literatura acabou por enveredar pelo sacerdócio, a conselho do cardeal Spiheda.
Durante a invasão nazi da Polónia, Wojtyla e um grupo de jovens polacos criaram uma universidade clandestina, como forma de resistirem ao encerramento das universidades polacas, decretado pelos alemães. O futuro Papa ainda chegou a trabalhar como mineiro.
Ordenado sacerdote em 1946, Wojtyla licenciou-se em Teologia na Universidade Pontifícia de Roma Angelica e, mais tarde, em Filosofia, desempenhando depois as funções de docente na Universidade Católica de Lublin e na Universidade Estatal de Cracóvia, onde conheceu importantes representantes do movimento católico polaco.
Em 1958, foi consagrado Bispo Auxiliar do Administrador Apostólico de Cracóvia, monsenhor Baziak, tornando-se o mais novo membro do Episcopado polaco.
Participou nos trabalhos do Concílio Vaticano II e, com a morte de Baziak, em 1964, passou a desempenhar as funções de Bispo, cargo que ocupou durante dois anos, altura em que o Papa Paulo VI elevou Cracóvia a Arquidiocese.
Três anos mais tarde, em 1967, o arcebispo Wojtyla era ordenado cardeal.
A 16 de Outubro de 1978, depois da morte de João Paulo I, 33 dias após a sua eleição como Papa, Karol Wojtyla foi eleito, aos 58 anos, como o 265/o sucessor de Pedro à frente dos destinos da Igreja Católica, interrompendo mais de 400 anos de eleição de Papas italianos.
Um defensor dos direitos humanos
Adoptou o nome de João Paulo II em homenagem ao seu antecessor e depressa se colocou do lado da paz e da concórdia internacionais, com intervenções frequentes em defesa dos direitos humanos e das Nações.
Nos mais de 2400 discursos e documentos que escreveu, promoveu sempre uma Europa do Atlântico aos Urais e foram frequentes as condenações dos conflitos, como no caso da Jugoslávia ou do Médio Oriente, do Afeganistão e do Iraque.
A Igreja Católica é, no entanto, frequentemente criticada por não ter realizado as grandes reformas que os católicos esperavam depois do Concílio Vaticano II.
O casamento dos sacerdotes, a ordenação de mulheres e os princípios tradicionais da Igreja Católica no domínio da moral sexual, nomeadamente quanto ao uso de contraceptivos (num mundo em que a epidemia de Sida faz milhões de vítimas) e ao direito ao aborto, são matérias em que o Vaticano permaneceu irredutível durante o pontificado de João Paulo II, criando um fosse de incompreensão e afastando da Igreja muitos católicos.
Lutou contra o comunismo na sua Polónia natal e ajudou a derrotá-lo no mundo, mas também criticou o Ocidente opulento e egoísta, dando voz ao Terceiro Mundo e aos pobres.
Visita histórica a Cuba Durante a sua visita a Cuba, em Janeiro de 1998, que marcou o fim de 39 anos de relações tensas entre a Igreja Católica e o regime de Fidel Castro, o Papa condenou o embargo económico dos Estados Unidos ao país, declarando que tais medidas eram «condenáveis por lesarem os mais necessitados».
Promotor de uma aproximação às outras grandes religiões monoteístas do mundo, João Paulo II enfrentou no entanto acusações de «proselitismo agressivo» feitas pelo mundo Ortodoxo.
A reconciliação com os judeus marcou a sua viagem à Terra Santa, em Março de 2000, e uma "viragem" nas relações entre as duas religiões.
João Paulo II pediu perdão
João Paulo II pediu perdão, a 12 de Março de 2000, pelos erros e crimes cometidos pela Igreja no passado, especialmente contra os judeus, pedido repetido junto ao Muro das Lamentações, em Jerusalém, o lugar mais sagrado do judaísmo.
As comemorações do Jubileu do ano 2000 representam outro marco deste pontificado, tendo a Igreja Católica assinalado os 2000 anos do nascimento de Jesus Cristo com mais de 30 dias festivos consagrados às diferentes categorias de fiéis, iniciados com o Jubileu das crianças e terminados com o do mundo do espectáculo, e uma Carta Apostólica indicando o caminho a seguir no «Novo Millennio Ineunte» (novo milénio que agora começa).
A imagem de João Paulo II a fechar a Porta Santa da basílica de São Pedro no Vaticano, a 6 de Janeiro de 2001, ficará para a história de um Jubileu em que o Papa apelou a uma «nova evangelização».
Histórica foi também a viagem que João Paulo II fez à Ucrânia entre 23 e 27 de Junho de 2001, a primeira a um país da ex-União Soviética, apesar da oposição do patriarca ortodoxo de Moscovo, Alexis II, que acusou a Igreja Católica de «proselitismo» nos territórios tradicionalmente ortodoxos e impediu o Sumo Pontífice de encontrar-se com os chefes das comunidades religiosas ucranianas, maioritariamente ortodoxas.
Nesta deslocação, o Papa homenageou a Igreja Católica grega (dita uniata, fiel ao Vaticano mas de rito oriental), duramente perseguida durante o regime comunista, que confiscou muitos dos seus bens, e apelou à unidade entre católicos e ortodoxos, envolvidos desde a independência do país, em 1991, em disputas muitas vezes violentas por paróquias, bens e fiéis.
João Paulo II pediu também perdão pelos «erros» cometidos contra os ortodoxos, garantindo que os católicos «perdoam as torturas sofridas», e efectuou, pela primeira vez segundo o rito bizantino, a beatificação de 27 ucranianos, 26 vítimas da repressão comunista e uma vítima do genocídio nazi.
Papa surpreendeu todos
Em Novembro de 2001, o Papa surpreendeu todos quando decidiu fazer uma peregrinação de comboio a Assis (Itália), convidando todos os líderes religiosos mundiais a rezarem pela paz na Basílica de S. Francisco, numa altura em que as tensões entre as religiões eram grandes, devido ao agravamento do conflito no Médio Oriente e à intervenção norte-americana no Afeganistão, originada pelos atentados de 11 de Setembro nos Estados Unidos.
Esta Oração Mundial Pela Paz, que se realizou a 24 de Janeiro de 2002 e foi presidida por João Paulo II, reuniu em Assis líderes de 48 confissões de todo o mundo (à semelhança do que acontecera em 1962 e 1986), que se comprometeram a «não utilizar o nome de Deus em altares de violência» e a trabalhar em conjunto pela paz.
Noutro plano, João Paulo II expressou a sua «tristeza e vergonha» pelos abusos sexuais de menores cometidos por padres em várias partes do mundo, que afectaram seriamente em 2002 a credibilidade da Igreja Católica e, em particular, a hierarquia eclesiástica dos Estados Unidos, acusada de encobrir actos pedófilos de sacerdotes seus.
João Paulo II e Fátima
Fátima ficará para sempre ligada a João Paulo II, já que, de acordo com fontes da Igreja, o chamado «terceiro segredo de Fátima» terá sido a revelação aos três pastorinhos do atentado de que o Papa foi vítima na praça de São Pedro em Roma, a 13 de Maio de 1981, quando o turco Ali Agca o atingiu a tiro na mão esquerda, abdómen e braço direito.
Foi também em Fátima que o padre espanhol Juan Fernandez Khron atentou contra João Paulo II a 14 de Maio de 1982, mas desta vez sem consequências para o Papa.
Esteve hospitalizado várias vezes em consequência do primeiro atentado e foi submetido a seis operações, nomeadamente a uma fractura do colo do fémur em 1994.
A este quadro clínico, somava-se a doença de Parkinson, de que também sofria, sequelas dos ferimentos do atentado e de um cancro no intestino e uma hemiplegia facial que visivelmente lhe dificultava a fala.
Apesar da debilidade física que marcou a fase final do seu pontificado, e que suscitou, em várias ocasiões, rumores sobre a sua morte, nunca perdeu a capacidade missionária.



Manuel Lopes o Homem da cultura morreu.


A seguir um artigo tirado no jornal Asemana on line
ACTUALIDADE - Manuel Lopes morreu
25/01/2005
Último sobrevivente de Claridade
O escritor cabo-verdiano Manuel Lopes morreu hoje em Lisboa, onde vivia há mais de 40 anos. Último sobrevivente dos fundadores da revista Claridade, o autor de “Flagelados de vento leste” e “Poemas de quem ficou”, entre outros vários títulos, contava 97 anos de idade.
Ficcionista, poeta e ensaísta, nos últimos anos pintor também, Manuel Lopes morreu hoje em Portugal, onde vivia desde 1959. Fundador com Baltasar Lopes da Silva e Jorge Barbosa da revista Claridade, Manuel Lopes integra por isso a galeria dos fundadores da moderna literatura cabo-verdiana. Os seus romances “Chuva Braba” e “Flagelados do Vento Leste” são ainda hoje exemplos da definição dos contornos dessa ficção nascida nos anos 40 com a publicação de “Chiquinho”, do seu colega Baltasar Lopes da Silva.
Manuel Lopes publicou também, entre outros títulos, “Poemas de quem ficou” (1949) e mais recentemente “Falucho ancorado” (1997) que reúne alguma da sua poesia dispersa. Nalguns dos seus poemas estão patentes a típica inquietação claridosa: “Nunca parti deste cais/ e tenho o mundo na mão! / Para mim nunca é de mais / responder sim / cinquenta vezes a cada não”, escreveu no poema “Cais” inserto no livro “Crioulo e outros poemas”, de 1964.
A propósito da morte de Manuel Lopes, figura com quem não se entendia politicamente, o embaixador cabo-verdiano em Lisboa, Onésimo Silveira, afirma: “Podemos discordar dele politicamente, mas não há dúvida que era um prosador de fino recorte literário. Cabo Verde deve-lhe muito”.
Ainda que a sua obra narrativa mais significativa seja de temática santo-antonense, Manuel Lopes era na verdade natural de São Vicente, tendo nascido em 1907 nessa ilha. Jovem ainda conheceu o caminho da emigração. A família fixa-se em 1919 em Coimbra (Portugal) e em 1923 ele regressa a Cabo Verde como funcionário de uma companhia inglesa. Em 1944 – portanto já depois da fundação de Claridade – , é transferido para os Açores, onde vive até fixar-se novamente em Portugal em 1959, mais concretamente em Lisboa, onde passa a viver até a sua morte.
Ao longo da vida Manuel Lopes foi contemplado com vários prémios literários tanto em Portugal como em Cabo Verde. O seu romance “Flagelados do vento leste” foi Prémio Meio Milénio do Achamento de Cabo Verde, em 1968. Antes, por duas vezes, ganhou o Prémio Fernão Mendes Pinto – “Chuva Braba (1956) e “Galo cantou na baía” (1959). Em Cabo Verde, em 1986, portanto depois da independência e por ocasião do cinquentenário da Claridade, foi-lhe atribuído o Prémio Claridade, ex-aequo com Baltasar Lopes da Silva.

JVL


EMIGRANTE

A tendência de deixar a Terra Natal para aventurar noutras terras é, um desejo caprichoso que muita gente tem. Vão àprocura de sonhos sonhados ou de uma sobrevivência mais condigna das suas aspirações que eventualmente pode ser melhor ou não.
Desde os primórdios dos tempos da vida do Homem neste Planeta a emigração tem estado presente na sua mente, praticamente em todas gerações. As causas desse fenomeno são diversas e depende geralmente da situação ou conceitos de cada um. Para muitos, a aventura de emigrar, é um desejo muito forte; fala com a familia, amigos, arruma as malas, apronta-se os documentos de viagem, ou muitas vezes quase sem nenhuma documentação legal, ponham tudo em prespectiva e decidem ir para uma longa jornada Com tudo isso, pode se dizer que todo emigrante, tem um denominador comum ou seja: VIAJAR, para outras paragens onde o destino ou a vida pode ser melhor.
O emigrante viaja não importando a hora, a temperatura a dificuldade e o perigo que pode aparecer no caminho, deixa tudo a trás: a terra natal, a familia, amigo/a, namorado/a levando os na sua memória . O emigante desafia o desconhecido sem saber certo o que irá encontrar ou como fazer sua vida noutros lugares onde vai encontrar uma cultura diferente da sua, tem de procurar adaptar – se ao meio ambiente e acostumar a outros jeitos, visto, até a maneira de saudar &eaucte; desigual da sua terra.
Pode suceder se e tornar seu sonho em realidade mas, infelizmente as vezes seu sonho, pode ser como uma pisadela; quando assim suceder, tudo ao seu redor torna se deficil, as vezes desanima, perde a esperança não sabendo como solucionar o inesperado ou equilibrar sua vida de acordo com o sonho que sonhou. Tem de ter coragem e esperança e não desanimar, procurando viver um dia de cada vez, arranjar maneira de como solucionar as adversidades de varias ordens que vão surgindo ao longo do caminho ou da sua vida.
Nessas circunstancias, ás vezes o emigrante, no intuito de encontrar uma saida facil, deixa levar por promessas falsas ou turvas, actuando a margem da lei, tornando a situação cada vez mais pacata.
Entretanto, o sonho sonhado, embora continua um pouco na sua mente já é posto num plano mais baixo, torna se mais deficil de alcançar e conforma com o que vier.
De vez em quando lembra da sua familia, a sua terra que já parece mais distante na sua mente ou no espaço, recorda alguns bons e amargos momentos vividos no seu país, nessa istancia então ele/a toma consciencia da sua vida, reconsidera, ganha algum ánimo procura algo para dar volta à situação. Trabalha o que poder ou que vier, não tem escolha, trabalha para ter uma sub existencia mínima mas digna, at&eaucte; estar em posição de poder escolher e quem sabe !... viver o sonho sonhado.
Há que usar a memória e informar ou saber onde pode encontrar recursos para solucionar a crise adversa que a aventura ou o destino o colocou.
Praticamete em todos os paises do mundo, há centros sociais oficiais ou privados que podem ajudar o emigrante, como por exemplo: organizações religiosas, embaixadas, consulados, livrarias, escolas, grupos de amigos, associacoes desportivas, diversas agencias etc. Deve ponderar e nunca desanimar, procurando viver e apreciar o dom da vida e saber que Ela não é uma garantia.

Quinquim

ILHA DO FOGO

A Ilha do Vulcão foi descoberta a 1 de Maio de 1460 e foi inicialmente designada por S. Filipe. A ilha tem forma circular, e uma área total de 476 km2 sendo a quarta em dimensão, em relação as outras ilhas de Cabo Verde e conta com cerca de 37.000 habitantes. São Filipe na Ilha do Fogo é uma cidade historica. A superfície da Ilha encontra se sobre um Vulcão ainda activo, cuja altitude máxima atinge os 2.829 metros. Este Vulcão é o ex-libris da Ilha pela sua imponencia, proporcionando paisagens de rara beleza e é um importante polo de interesse turístico. Em Chã das Caldeiras, aldeia instalada dentro da cratera dese Vulcão ainda activo, é também um local de grande interesse turístico. Actualmente e apesar das escassas chuvas, o Fogo é uma ilha espantosamente fertil, o que lhe confere caracteristicas contrastantes entre o negro da lava solidificada e as diversas tonalidades de verde dos campos de cultivo. Cabo Verde tem 10 ilhas, 6 no Barlavento e 4 no Sotavento; tambem tem 4 ilheus ou ilhotas, Branco e Raso no Barlavento, Rei e Rombo no Sotavento.

Os dados a seguir foram tirados no INE do censo ralizado em Cabo Verde no ano 2000

  • Santo Antão
  •     População 47.170 e uma área total de 779Km2
  • São Vicente
  •     tem 67.163 habitantes e uma área de 227Km2
  • Santa Luzia
  •     so frequentada pelos pescadores e turistas ainda não é habtada
  • São Nicolau
  •     tem 13.661 pessoas e uma área 346Km2
  • Sal
  •     população 14.816 e tem uma área de 216Km2, aqui fica o aeroporto internatcional    Amilcar Cabral
  • Boa Vista
  •     4.209 habitantes e 620Km2 de extensão
  • Maio
  •     população de 6.754 e área 260Km2
  • São Tiago
  •     população 236.627, área 991Km2. Praia é a capital de Cabo Verde
  • Fogo
  •    37.421 habitantes, area 476Km2
  • Brava
  •     a Ilha das flores tem uma população de 6.804, com uma área de 64Km2.


    VOCE SABIA QUE...

  • Em 10 de Janeiro do ano 1949 foi apresentado o primeiro disco de 45 rpm por RCA.
  • Agatha Christie morreu em 12 de Janeiro de 1976.
  • Em 13 de Janeiro de 1888 foi fundado o National Geographic Society.
  • Martin Luther King Jr nasceu em 15 de Janeiro de 1929.
  • 22 de Janeiro do ano 1939 o átomo foi devidido e o Computador Macintosh foi introduzido.
  • 24 de Janeiro de 1935 a primeira lata de cerveja foi inventada.

  • Jogos Olimpicos de Inverno foi realizado em 4 de Janeiro de 1932.
  • Gary Kasparov inicio a partida de xadrez contra o computador Fundo Azul “Deep Blue,” em 10 de Fevereiro de 1996.
  • Calendario Gregoriano, apareceu em 22 Fevereiro de 1637.

  • 1 de Março de 1692, Julgamento das Feiticeras de Salem em MA, USA.
  • Sam Cole, abre o primeiro Bar em Boston, Ma, USA em 4 de Marco de 1634.
  • 5 de Março de 1770, O massacre de Boston, Ma, USA

  • Dr Jonas Salk, inventou a vacina contra polio em 26 de Marco 1953
  • . Coca-Cola, aparece em 29 de Março 1886.
  • 14 de Abril 1912, Titanic começou a quebrar e entrar agua.
  • Disturbios sobre Pão em Richmond, VA, USA em 22/5/186.
  • John Wayne, nasceu em 26 de Maio 1907.
  • Massacre de Tinanmen Square 4 de Maio 1999.
  • Afundado o terrivel navio de guerra alemão Bismarc em 27/5/1941.
  • 29/5/1550 Descoberta do Cabo da Boa Esperança por Bartalomeu Dias.
  • O dia D, 6 de Junho 1944
  • 28/6/1832 Epedemia de Colera em New York.
  • Primeiro voo de balão a solo a volta do mundo em 2/7/2002.
  • Desenhos Animados “Cartton” Bugs Bunny exebido em 27 de Julho 1940.
  • Canal de Cape Cod, aberto em 29/7/1914
  • 8 de Agosto de 1974, Presidente Nixon resignou a presidencia dos USA.
  • Em 21 de Agosto de 1959, Hawaii tornou se o 50 estado dos USA.
  • 28 de Agosto de 1936, Discurso de Martin L. King Jr “I have a dream”.
  • Chiang Kai-Shek, tornou se presidente da China em 13/9/1943.
  • Criado a policia Scotland Yard em 29/9/1829.
  • Ataque terrorista nos Olimpicos de Munich em 5/9/1972
  • Havard College, fundado em 28/9/1636.
  • 16/11/1959 O Som da Musica “The Sound of Music” abra em Broadway.
  • 23/12/1986 - O primeiro voo non stop a volta do mundo sem recarregar combustivel foi dado pelo avião Voyager em 1986.
  • 29/12/1845 - O Estado de Texas foi anexado em 1845 e tornou se o vigessimo oitavo estado.
  • 12/2/1804 Napoleão foi coroado Emperador.



  • PONTO DE REFLEXÃO!


    Chegamos a um ponto tal, na nossa sociedade onde devemos ponderar e procurar encontrar uma alternativa para esse flagelo que está destroçando a nossa comunidade! Uma comunidade que sempre foi respeitada e respeitadora das gentes.
    Antes de mais é bom reconhecer que esse fenomeno não é exclusivo de alguns, mas de todos; porque duma maneira ou outra afecta a todos...embora para alguns, dificil de acreditar! Quando uma sociedade perde a força energética dos jovens é muito mais deficil prosseguir para um desenvolvimento no caminho do progresso.

    Nos últimos vinte anos temos visto um aumento galopante de crimes nunca dantes visto, e isso esta a roubar nos o melhor de nós mesmos. Somos praticamente uma minoria entre as outras comunidades aqui, mas o procedimento de muitos de nós iguala ou ultrapassa mesmo as outras em relação ao negativismo. Agora pode se perguntar quem tem a culpa, e qual e a soluçã. Especificamente ninguém tem a culpa; talvez a própria sociedade tem a culpa; mas quem faz a sociedade, é o povo, e o povo forma se com pessoas e famílias, e produzem membros para sociedades ou comunidades. Podemos minimizar o factor negativo, sabendo onde estão as falhas. Sabemos que as substancias que alteram o funcinamento normal do cérebro ou “drogas” quando ingeridos sem controle provocam na maioria dos casos nefastas consequencias; portanto a educação, a informação a explicação sobre esses efeitos nunca é cedo de começar. Para isso temos de aproveitar o melhor em nós e os nossos recursos, para pensar e agir contra essa calamidade que a todos afecta duma forma ou doutra.


    Os pais quando informados, devem começar logo no início explicando aos filhos o lado negativo ou efeitos dessas malignas substancias, assim com conhecimentos logo do início, poderão enfrentar o perigo e sair ileso disso. As familias, os jovens, os intelectuais ou formados, as autoridades, as organizacoes politicas ou partidos, os orgaos da comunicação social ou informação, os artistas,credos religiosas, em fim, todos, - e até mesmo, incluir outras comunidades que já tiveram esse mesmo flagelo - tem o dever moral de procurar uma solução e por um freio a crise que a todos afecta ou vai afectar.
    As famílias nao devem esconder ou esquecer os problemas, porque fazendo assim, nao ajuda a encontrar a solução, devem dedicar muito mais atenção aos filhos e procurar recursos disponível e a maneira de como ajudar os filhos ou filhas a encarar a vida com mais optimismo.
    Os jovens devem ponderar e acreditar em si mesmos, sabendo que no futuro eles serão a continuação de nós mesmos. A motivação, o trabalho, a educação, sao caminhos que conduzem a conquista dos objéctivos traçados e consequentemente elevando a vós mesmos e a comunidade em geral.

    Os vícios, como a droga, a preguiça, os maus pensamentos levam sempre a caminhos obscuros e não produtivos.


    Os intelectuais ou formados como se diz, devem dispensarem melhor e contribuirem com informações sobre fonte de recursos disponível e facilitar –los aos outros . Há uma frase americana de u grande filosofo que diz: "Uma memória ou um cérebro é uma coisa muito grande para deixar perder".
    As autoridades podem incentivar e trabalhar com a comunidade e combinar esforços para detectar os pontos negativos dando assim cara, e control real do que está passando.
    Os partidos políticos devem por antes de tudo as diferenças a parte, e ponderar que somos iguais com diferentes necessidades, mas que a única maneira de sobreviver, é cultivar a paz e harmonia entre nós mesmos, promovendo debates exclusivos sobre o assunto de como ajudar os nossos jovens a produtividade.
    Os orgãos da comunicação social ou informação podem contribuir mais difundindo comentários, criticas, debates entrevistas e passar referencias onde encontar recursos ou programas apropriados e elucidativos para a comunidade.
    Aos artistas cabem um papel importante de divulgar a mesnagem concernente a essa violencia e procurar encentivar os jovens a fazerem e aproveitarem o melhor de se mesmos.
    Os religiosos podem contribuir melhor partindo do princípio e acreditar que somos da mesma raça, e que todos somos irmãos, nao obstannte as diferenças, mas temos um denominador comum, e por isso devemos promulgar a harmonia entre todos e ajudar a encontrar uma solução a fim de acabar com este mal na nossa comunidade.



    POEMA DE UM EMIGRANTE

    Parabéns Cabo Verde
    
    	
    Neguei o mundo pelo teu olhar
    Por que  te quero perto de mim
    Combati a luta para te conquistar
    Com cada grito que  dei por ti.
    
    Escrevo teu nome nas nuas rochas
    Com carga de emoção que  perdura
    Gravando a colorido nas pedras tuas
    O sangue rubro da minha  candura.
    
    Do sonho que vivi neste espaço
    Dei um mais distanciado  passo
    Para ti alcançar, para ti beijar.
    
    Longe dos píncaros da  história,
    Dos sagrados templos da memória
    Meu coração te invoca, deste  altar.
    
    Domingos Barbosa da Silva
    Noruega, 5 de Julho de 2005
    


    FORTE E FRACO !

    Um proverbio Chinés pergunta: “Quem é o mais forte?” Agora vejamos o que diz esse conhecimento oriental. Num determinado dia muito bonito cheio de sol, as pessoas que viviam numa cidade estavam desfrutando dum bom clima, bronzeando nas praias, passeando nas ruas, fazendo compras etc. E as que viviam no campo, estavam fazendo preparativos, para passarem uma noite tranquila, pondo tudo em perspectiva para o novo dia que ia começar.
    Um homem já de certa idade, saiu na rua para ver o horizonte e viu que o ceu começava a ficar nebulado, começou a soprar uma brisa fresca, e logo o sol desapareceu entre umas nuvens cinzentas que continuavam aumentar de volume; os elementos colidiram, começou a chover, de inicio uns chuviscos, com um vento soprando com rajadas fortes que continuaram aumentando, dando lugar a uma cargada de chuva que desabou como um temporal ou igual a um furacão tão forte que as pessoas dessa regiao fugiram a procura de abrigos.
    A maioria das casas sofreram grandes danos e praticamente todas as arvores da floresta foram derrubadas, deixando ver um panorama desoladora e arrazadora.
    Depois de passar algum periodo, o tempo voltou a acalmar e as pessoas começaram a sair dos refugios. Entretanto o homem idoso, pegou o seu filho na mao e mostrou os campos destruidos e lhe disse: filho, veja aqui, debaixo dessas arvores derrubadas, como essas palhinhas no chão ficaram quase intactas e não foram destruidas, como essas arvores que foram arrancadas das suas raises. Essas palhinhas tão frageis e pequenas, aguentaram muito mais bem, toda a forca destruidora da Natureza, como rajadas de ventos, chuvas, cheias, ficando frescas e suaves, enquanto as grandes e robustas arovores, nao ficaram nehuma de pe, cairam todas perante essa grande calamidade.
    Esse proverbio mostra que a questão do “forte e fraco” é relativa. Há gentes que confiam que com a força fisica ou bruta se pode resolver qualquer problema mas, não é assim, a força mental pode dominar sobre outras forças e conjugar com elas para que o resultado seja positivo e menos destruidara . Neste ano de 2005 que já está quase no fim, a humanidade presenciou grandes calamidades naturais e humanas, muita gente perderam suas vidas, as que sobreviveram, ficaram marcadas para sempre, devidas aos danos que sofreram. Os desastres naturais, as guerras, as bombas de alto poder de destruição que o homem empenha em não deixar, são resultados de forças negativas fisicas não conjugadas com força mental positiva que continuam a fazer danos até que um dia chega a uma conclusão ou um ponto definitivo e reconhecer que somos tão frageis e que algum dia, podemos autodestruir nos se nao tomarmos consciencia que Nos e nosso Planeta estamos sofrendo a cada instante que a força negativa e bruta é usada...
    Quinquim






    CLÁUDIO VEIGA: FALA DE ALGUMAS FIGURAS DE SANTA CATARINA DO FOGO

    Em honra à festa da Santa Catarina que se comemora no dia 25 de Novembro, um dia após o dos meus aniversários
    Dedicatória:


    À memória do meu pai, Cândido Henriques Veiga, que ensinou-me a amar e a ver o lado positivo nas pessoas, nas coisas e na vida e, àà minha mãe Catarina Crisanta Fontes Veiga que, junto com o meu pai, foram os meus melhores contadores de estórias.

    §


    Para o meu filho, Bruno Marques Henriques Veiga que, na hora de fazer o “soninho”, pede-me, sempre, para lhe contar estórias do Baluarte.

    §


    Para os filhos e amigos de Santa Catarina do Fogo.

    RECORDAÇÕES, SOLTAS, A PARTIR DE UMA CONVERSA DE BARBEARIA

    I PARTE



    No outro dia, na barbearia do tio Dadinho, aí em Washington Street, encontrei o Anibal Alves, mais conhecido por Nhô Tónéco, comerciante do Fonte Aleixo de Santa Catarina, do Fogo. Após os cumprimentos, e um curto diálogo como que, de aquecimento, ele pegou, com paixão, a descrever as fronteiras do nóvel Concelho de Santa Catarina dizendo, que do lado da Baleia as duas pontes ( Scoral e Ribeira Nha Lena) aí construidas são de Santa Catarina e, do lado do Saltos, o “madjôn” (fronteira) com Nossa Senhora de Conceição situa-se, para quem vai de Cova Figueira em direcção a S. Filipe, um pouco antes de se chegar à casa do Nhô Trúca, mais precisamente na casa do Miguel que fica em cima da quemada que vai da serra até ao mar. E, claro, como é normal nestas conversas ele, aí resvalou, com redobrada paixão, para o que ele chama de medições de terrenos, quem são os especialistas neste dominio em Santa Catarina e, como é que aprenderam este oficio. Ia ouvindo e tentando prestar a atenção mas, nomes de gente que conheço bem, como o José di Bilótchi, citado como um dos homens que conhece bem essa (hi)estória de medidores de terreno, acabaram por levar-me a questionar afinal quantas figuras viu, o meu Concelho de Santa Catarina do Fogo, nascer (?) e, assim, acabar, também, por transportar-me para um mundo de recordações.

    Com um certo prazer, a minha memória foi puxando pelas personagens, uma a uma, e os feitos, as (hi)estórias, ou, os caracteres que lhes garantiram as minhas distinções.

    Num ápice e, talvez porque acabara de ouvir o nome de José di Bilótche, - José Vieira Fontes de seu nome próprio - apareceu esse homem de noventa anos de idade, nasceu em 1917, mas, ainda aparentando jovialidade e, possuindo energia o suficiente para ir à reunião do Grupo de Apoio ao Concelho de Santa Catarina ou, procurar sempre os mais novos, nas festas e/ou visitas nas casas mortuárias ou, em casas de familiares e engajar em discussões sobre a politica e a (hi)estória da ilha do Fogo. Admirável! José di Bilótchi é conhecido pelo seu espirito polémico e, por, nas suas discussões, ir ao bolso e retirar daí pedaços de jornais dobrados, bem recortados e bem conservados, para sustentar as suas argumentações.

    Com ele, veio o Guilherme Vieira Fontes ou Djémi di Nascimento mais conhecido por Djéme Fontes, (1917-2002), já falecido, mas, homem de “espirito grande”, desproporcional ao local que o viu nascer e ao próprio Cabo Verde que o veio a conhecer. Pois é, Djéme Fontes, também, ele, polémico mas, um pouco mais autoritário, fazia-me lembrar a figura do famoso Sinhô Zinho Malta da novela brasileira “ A Viúva Porcina”, se bem me recordo o nome e, que retrata um dos grandes proprietários do Brasil. Possuidor de um terreno de cultura de vindima em Chã das Caldeiras, Djéme Fontes foi um médio proprietário da ilha do Fogo que, entretanto, pela sua forma de ser – extrovertido e “mãos abertas” - passou a ser conhecido a nivel de Cabo Verde não só, como o primeiro produtor do vinho nacional, o “Manécon”, como, também, aquele homem que convida(va) Governadores, Presidentes da República e Primeiros Ministros para seus hóspedes em sua casa, em Cova Figueira.Lembrei-me menino em Cova Figueira, quando ouvindo o Djéme a contar estórias da América e do seu Presidente, de que ficava convencido que ele, não só conhecia o John Kennedy, como eram amigos pessoais. Lembrei, ainda, de uma vez, em 1992, ele ter-me mandado parar o carro aí na Prainha, para ir cumprimentar o ex-Presidente Aristides Pereira que, a pé, passeava com a mulher tomando a fresca briza do mar, no final de uma tarde. Eu fazia parte do elenco governamental do MPD na altura e fui apanhá-lo em casa da filha, Maria Jesus, para dar-mos uma volta pela Praia, por onde ele estava de passagem por uns dias. Lembrei de ter ficado deslumbrado com a resposta que ele deu-me ao inquirir-lhe, em geito de brincadeira e de provocação, logo após ter cumprimentado o casal Pereira e ter regressado ao carro, ...afinal, o que era aquilo(?) e, então... o apoio a Mascarenhas Monteiro? Já sentado dentro do carro, ele, agarrando o chapéu com a mão esquerda em cima do joelho, levou a mão direita à cabeça, meio calva, escorregando-a da testa pra trás, como que a acentar o cabelo e, respondeu-me com a maior descontração e simplicidade: “’Nááá!!! nôs é amigo! ‘N mandal un monti di uva cando el era Presidente! El é nha amigo e, é un homi bom.”(1)

    Como que num passe mágico, acudiu-me a figura do Xáxi de Nascimento, de nome próprio Alexandre Vieira Fontes (1929, 1980), irmão do Djéme Fontes. Ele é (ou, foi) mais lendário no meio Figueirense apesar de ser menos conhecido pelas gerações mais novas, posto que emigrara para Senegal e, depois, para Costa de Marfim nos principios dos anos sessenta do século passado e, de, lá não ter regressado, senão após a independência de Cabo Verde. Contam, os mais velhos, que Xáxi, em desacordo com a justiça, na altura, Portuguesa, por causa de uma briga familiar, “falou contra a nação” e, fugiu para Abidjan, aonde ele veio a filiar-se como um grande militante e apoiante do PAIGC no tempo da luta, pondo a sua casa, naquela cidade, à disposição desse Partido. Ele foi, também, um grande amigo da liberdade e, atesta-o, o facto de ter dado ao seu quarto filho, no ano de 1966, o nome de John Kennedy Fontes. Infelizmente, ele faleceu, em Abidjam, poucos anos após a independência de Cabo Verde, em 1980. Mas, conforme o seu desejo, foi sepultado, pela familia, no cemitério da Cova Figueira, terra que o viu nascer e, que, ele nunca tirou do coração nos longos anos que esteve na emigração. Xáxi di Nascimento tem muitas estórias que os mais velhos que a minha geração, nomeadamente, o meu primo Goméry (1947-1972) costumava contar nas horas de humor. Entretanto, há uma, que o meu irmão Candinho relembra sempre nas ocasiões próprias, que me veio logo à memória junto com a figura de Xáxi. Conta o meu irmão que, por volta de 1976/77, (eu estava na Argélia, a estudar), Xáxi, de visita a Cabo Verde, estava aí, sentado à porta da nossa casa na Rua Madragoa da Praia, junto com o nosso pai, Cândido, a conversarem. Xáxi, então, virou-se para o pápá e disse-lhe: “Cumpadri, nu sta li entre nôs, dixam frabu: es cusa di Unidadi Guiné cu Cabo Verde gô... ca ta da!” Pápá, perguntou-lhe “pamódi, cumpadri?” Xáxi respondeu-lhe: “Ah... cumpadri, li na Cabo Verde, nu ta fazê curral pa guarda animal pa nu podê simia tudo padjigá e, la na Guiné, ês ta simia na curral ês ta larga animal solto pa tudo padjigá...”(2). Dei comigo a sorrir ao de leve e, então, fingi prestar mais atenção ao nhô Tónéco perguntando-lhe como é que aprenderam afinal esse oficio de medições de terrenos? Eu aprendi com o Néné di nha Branca, respondeu e, prosseguiu: O Artur di Milia aprendeu com o Nhônhô di nhô Antoninho. O Xalé di Nhaí, (1914-1983), ele, não(!), ele tinha boa quarta classe e aprendeu sósinho. Estou a dizer-te estes nomes assim, se um dia resolveres escrever esta (hi)estória, para ai os colocares, retorquiu. O tio Dadinho respondeu: o nome de igreja do Artur di Milia é Artur de Andrade, pai do Manél Socorro. Fiz-lhe sinal com a cabeça que sabia e, ele prosseguiu: O nome de igreja do Nhônhô di nhô Antoninho é Frascisco António Fontes, ele deve ter nascido ai por volta de 1870, porque casou com 25 anos e, foi, quando o meu pai nasceu! O nhô Tónéco tentou esclarecer: Sabes, naquele tempo não havia registro civil; só havia registro na igreja. E tio Dadinho prosseguiu: E o nome de Néné di Nha Branca é Manuel da Veiga. Ele morreu, há uns dois ou três anos, em Cova Figueira , parece-me em 2004. O nhô Tónéco respondeu: o Néné di nha Branca viveu muitos anos, quase quarenta, aqui na América. Quando sentiu que já não podia mais, pediu à filha para o levar para Cova Figueira porque ele queria morrer na sua terra. A filha levou-o e, passados doze dias depois de ter chegado, morreu. Morreu com 98 anos... Desliguei de novo das divagações do Nhô Tónéco e chamei às minhas recordações, as figuras de Santa Catarina.

    José di Bilótche, Djémi Fontes e Xáxi de Nascimento, homens de opinião própria, que nunca deixaram suas vidas e destinos serem tricoteados por mãos alheias tendo, pelo contrário, assumido sempre o papel de protagonistas, representam a maneira de ser, o espirito livre e os anseios da plena cidadania das gentes de Santa Catarina do Fogo...

    Notas (tradução literal do crioulo para o Português):

    (1) Como!!! Nós somos amigos! Mandei-lhe muita uva, quando ele era Presidente. Ele é meu amigo e, é um homem bom.

    (2}Estamos a sós compadre, portanto, deixa-me dizer-te: A unidade entre a Guiné e Cabo Verde não vai dar certo, não! Pápá, perguntou-lhe: Porquê? Compadre. Xáxi respondeu-lhe: Ah compadre, nós, em Cabo Verde, fazemos um cerco para guardar os animais para podermos aproveitar todo o mato para semear enquanto que, lá na Guiné, eles abandonam os animais solto pelo mato e semeiam apenas o cerco.

    II PARTE



    Gente digna, de carácter e de bom humor! Exclamei, quase que em suspiro.

    Com naturalidade e, sem esforço da minha parte, a figura do Djonsinho Nhô Chiquinho tal como o conhecia na minha meninice em Cova Figueira -magro, sorridente e pronto para contar mais uma estória – apareceu à minha frente.

    João Monteiro Fontes, mais conhecido por Djonsinho Nhô Chiquinho, foi um dos melhores humoristas que tive o privilégio de conhecer. Natural de Cova Figueira, nasceu em 1919 e veio a falecer, em 2002, aqui nos Estados Unidos, para aonde emigrou, já com 57 anos de idade, com toda a sua familia no ano de 1976. Em Cova Figueira, vivia humildemente, passando por necessidades materiais várias mas, possuia dignidade, integridade e sorrisos para distribuir com quantos cruzasse. Djonsinho, um homem franzino e sorridente, detinha um manancial de anedotas e estórias mas, ele previlegiava mais as que diziam respeito a ele e à vida dele. Ele gozava com a vida dele e com as necessidades por que passava, o que é próprio de um homem superior, como ele o foi. Para o meu deleite recordei duas dessas estórias, que passo a registar para o caro leitor e, que ele próprio relatava aos amigos e conhecidos entrecortados pelas suas gargalhadas estridentes.

    Contava, quando vivia em Cova Figueira, que um dia embrulhou-se com a mulher, Quina d’Inês, (que é muito mais forte do que ele) em luta. E, que, não sabe como, o que é certo é que tropeçou numa mala e, caiu e, a mulher caiu-lhe em cima e, gritou: “ACADIRÊÊÊÊ!!! E, que, então, ele voltou para a mulher e disse-lhe: “Pa cusé bu sta grita acadirêêê... si bu tênê rê di baxo?” (3).

    Esta outra, foi já nos Estados Unidos a viver e... com o seu ar sorridente, de sempre, contava que, após um ano nesta terra, o filho mais velho o Orlando levou-o ao hospital para uma consulta. No fim, o Orlando, a pedido do Doutor, traduziu-lhe em crioulo que o Doutor tinha dito que ele tinha açucar no sangue. Então, quando regressou à casa, foi logo ter com a mulher, Quina, para lhe dar a noticia: “Quina, odjâ cumo ês terra ê abençoado! Na Cabo Verde, ‘n ta djobêa açucar pa tudo banda pam pôba na café, ‘n ca ta atchá. Ali nês terra, cu apenas um ano, ‘n tênê açucar na sangui. Mi, dján sôna!”(4)

    Em cascata e, como numa fita de cinema, apareceram mais duas figuras ligadas ao humor; o António Joaquim Fontes, tio Antoninho, mais conhecido por “Lópa” (1929-2002) e, o Antoninho d’Inês, de seu nome próprio António da Veiga (1911-1997), conhecido, também, por P A I. Ambos falecidos aqui nos Estados Unidos, eles são sempre chamados ou relembrados quando nós que os conhecemos vemos o famoso actor Mexicano Cantinflas a actuar ou, então, o não menos famoso Dom Francisco do Sábado Gigante do canal da TV, em Espanhol, a UNIVISION.

    O Antoninho d’Inês era fisicamente aparecido com o Dom Francisco e, também, tinham, nos gestos e nas marotices com as coisas da vida e, em especial, com as mulheres, uma semelhança admirável. Nenhuma mulher e, não só, levava a sério uma conversa com o Antoninho d’Inês. O semblante e o tom da voz dele davam sempre a impressão, mesmo quando o assunto era sério, de que ele andava a conquistar, a brincar ou a zombar. Era a forma nata, dele... Aí, nos finais dos anos setenta e, durante os anos oitenta, sempre que ouvia falar do PAIGC ou, simplesmente, Partido, ele virava e, apontando com o dedo indicator para o peito do interlocutor , dizia: “PAIGerBÓ”. O, que, valeu-lhe o nominho de P A I. E, com aquele ar de... zombando, retrucava sempre, quando se lhe ameaçava de que a milicia e o tribunal popular lhe iam prender: “Mi ê Mercáno; ês ca podê cú mi” (5).

    O tio Antoninho (Lópa) era práticamente o sósia do Cantinflas tanto nos traços fisicos, como nos gestos com as mãos, nos tics no rosto e, sobretudo, nos exageros. A minha irmã Estefânia costuma relembrar, quando falamos do tio Antoninho, (Lópa ), que, depois de adulta, foi ver o filme de Orféu Negro, na Praia. E, que, o filme que viu tinha muito pouco a ver com o filme de Orféu Negro que o tio Antoninho viu em Dakar e, que, nos tinha contado num dos serões que costumavamos ter, quando meninos, em casa dos avós Quina e Xalé na Cova Figueira. Ela diz que ficou mesmo decepcionada com o filme e, que, prefere o Orféu Negro do tio Antoninho, porque tinha muito mais estórias e mais sal...

    Fiquei a pensar nestas três personagens: Djonzinho Nhô Chiquinho, Antoninho d’Inês e tio Antoninho. Três figuras possuidoras de talentos natos e, que, bem poderiam ter conquistado multidões e feito milhões, se o destino não lhes tivesse pregado a partida de lhes ter reservado a América, que tanto sabe apreciar os seus dotes, como leito da velhice e da partida para a eternidade, em vez de berço de nascimento e de criação.

    Sim, pode até ter sido uma partida do destino! Mas, que seria de nós em Santa Catarina do Fogo sem essas figuras, de espiritos livres e autênticos fazedores de bom humor? Quem mais nos teria dado lições tão preciosas sobre como ser integro, como ser digno, como ser livre, como ser criativo e como... sermos nós? Gente vaidosa e orgulhosa por ter-se feita a si própria; gente lutadora; gente trabalhadora; gente empreendedora; gente honesta e de respeito; gente de carácter e que não se deixa comprar; gente de uma só palavra; gente de cara levantada; enfim, gente que quer ser gente, simplesmente. Que desçam os espiritos dos nossos antepassados e nos ajudem no resgate desses valores, vezes sem conta vilipendiados pela cultura da mediocridade e do desenrasque, pelo aniquelamento do que é óptimo, melhor e maior versus pelo nivelamento por baixo e, pela luta desenfreada pelo poder... Que desçam pois!

    Notas (tradução literal do crioulo para o Português):

    (3). Aqui d’el Rei!!! E, então, ele voltou para a mulher e disse-lhe: Para que é que estás a gritar aqui d’el rei, se tens o rei por baixo?

    (4) Quina, olha o quão abençoado é esta terra! Em Cabo Verde, durante a minha vida toda, eu não tinha açúcar para pôr no café. Com apenas um ano a viver nesta terra o Dr. disse ao Orlando para me dizer em crioulo que já tenho açúcar no sangue. Já sou um abençoado!

    (5) Eu sou cidadão Americano. Eles não podem fazer nada comigo.

    Cláudio A. Henriques Veiga, cveiga2@hotmail.com , Boston.


    III PARTE

    Ouvia, sem prestar muita atenção, o NTónéco a falar das terras do meu avô Xalé, dos “madjons” da Enseada Lena e o tio Dadinho a responder. Então, com os dois a dialogar, senti-me mais livre e dei asas às minhas recordações com o Vovó Xalé.

    Vovó Xalé ou Xalé di Mamá, de seu nome próprio Joaquim Vieira Fontes nasceu em 1895 e faleceu em 1982. Casado com Matilde Monteiro Fontes, mais conhecida por Quina, (1901-1981), foi o maior comerciante da freguesia de Santa Catarina, dos anos vinte a cinquenta do século passado, chegando a possuir nove lojas de uma assentada e a importar directamente da Europa - Alemanha e Inglaterra - nos anos trinta, para o porto de Alcatraz, na ilha do Fogo. Sobram, ainda hoje, ruínas de armazéns do Vovó Xalé nesse porto, como que a testemunhar o seu empreendedorismo e a sua coragem. Foi, também, um dos maiores proprietrios, agricultor e criador de animais da freguesia. O extermínio ou desaparecimento de certos animais a que se chegou hoje em Santa Catarina do Fogo, torna-se difícil de acreditar porque, ainda na minha meninice, nos princípios dos anos sessenta, fui testemunha do fabrico de cobertores (mantas) com a lã dos carneiros do Vovó Xalé. Estas mantas, diga-se de passagem, eram bem apreciadas porque Santa Catarina do Fogo é uma região fria, relativamente ao clima geral de Cabo Verde. No entanto, as estruturas arcaicas, feudais e rígidas da sociedade foguense que não facilitaram o desabrochar do capitalismo, a crise de quarenta, a seca do final dos anos sessenta e seguintes, e a emigração, concorreram para levar, praticamente, ao estado da destruição, o pequeno reino que Vovó Xalé, por mérito próprio, soube construir. Ou melhor, convém, talvez, realçar que, tal como para os outros proprietrios e comerciantes da ilha do Fogo, o reino de Vovó Xalé foi vítima, em particular, da predominância da parceria nas relações socio-económicas da ilha que emperrou e vem continuando a emperrar, a monetarização da sua economia, a circulação do dinheiro entre os seus agentes económicos e a introdução de novas técnicas e/ou tecnologias na agricultura. Vóvó Xalé deixou, todavia, herança, em terras e outras propriedades, que est ainda por ser dividida, o que é sintomtico da persistência dessas relações.

    Homem cantado por cantadeiras de “ratórco”: “Xalé di Mm, di Cova Figueira; Mudjêr qui spibu, ta ‘nguli cuspínhu; Sê spibu di frenti, ê ca tem qui pô; Sê spibu di trs, ê ca tem qui trâ....”(6 CD de Linkin Nona), Vovó Xalé não teve fama de mulherengo e, pode-se até dizer, destacou-se de uma tendência cabo-verdiana dos homens do seu tempo, por não ter tido filhos fora do casamento. Homem de família, teve nove filhos com a mulher que escolheu para juntar os troços na vida. E também, na morte! Pois, após a morte da mulher, que foi a enterrar em Cova Figueira, recusou determinantemente a regressar para América com a justificação de que esperava também o seu dia para ser enterrado junto daquela que escolheu para sua esposa e companheira durante a vida. Morreu um ano e poucos meses depois e, desde então, jazem juntos na mesma campa, no cemitério da Cova Figueira.

    Vovó Xalé foi, também, conhecido por generoso e bondoso tendo ajudado a muitos nas horas mais difíceis. Deixou marcas indeléveis nas pessoas (muitos deles “afilhados”, como ele os chamavam) que o procuravam, para um simples conselho muitas das vezes, e nos netos, (teve cerca de meia centena) e, em especial, aos meus primos Amaral e Alcides que com ele privaram praticamente até a idade adulta.

    Recordei, com saudade, alguns ditados que ele usava, quando eu era ainda um menino, para corrigir os primos ja quase adultos: “Distância di obido pa ôdjo ê di apenas quatro dedos; Si bu ca obí, bu ta odjâ” (7). Ou, então: “Arranjar Maria não é nada, tratar Maria é que é tudo!” Ou, ainda: Un ê pôco, dôs ê tchêu (8). São frases conhecidas mas, que Vovó Xalé, pela sua experiência, sabia, quando bem empregues, de seu grande efeito na educação de crianças porque carregadas de simbologia e, em forma de equação, despertadoras de curiosidade.

    Não pude deixar de recordar a Vovó di Baluarte.

    Maria Medina Henriques Veiga, mais conhecida por Mam di Nhô Cândido, ou Vovó di Baluarte, nasceu em 1896 e faleceu em 1978. Apesar de ter convivido relativamente pouco tempo com ela, foi, contudo, a figura de mulher que mais me marcou na minha vida toda. Para o meu regozijo, tenho encontrado outras pessoas, inclusivamente, não familiares, que me revelaram a mesma opinião. Senhora distinta e respeitada pela sociedade era uma pessoa afvel, carinhosa, e generosa. Ela e o marido Pedro Veiga ou Pedro Nha Socorro, ou Pap di Baluarte como lhe chamvamos, (1896-1982), moravam em Baluarte, localidade situado a cerca de um a dois quilómetros de Cova Figueira. Um lugar que, para nós, os netos que ao todo somamos cerca de meia centena, era um pequeno paraíso na terra e, hoje, é um local para conservar como um bem comum e testemunho das nossas mais belas recordações de infância e adolescência. Com Vovó viva, Baluarte era um autêntico lugar de encontro, reunião e convivência de familiares e amigos. Havia tempos, especialmente, durante as férias escolares e nas “azguas” que, em grupo de cinco, dez ou até de vinte chegvamos a Baluarte praticamente à hora das refeições ou j à noitinha. Vovó tinha sempre a porta aberta e o acolhimento de mãe - sentíamos mais do que em casa. Ainda hoje, guardo saudosamente a recordação do calor da sua bênção, sempre com um beijo na testa e a admiração de como ela fazia para dar-nos a todos de comer. Os manjares da Vovó eram os mais gostosos que alguma vez experimentara, fosse a cachupa, o xérén, a djagacida, o cozido de carne acompanhado de couve e mandioca, o cúscús com leite ou, então, as suas famosas especialidades em pastéis de milho, pastéis de batata doce os quais demos o nome de “batanguinha di Baluarte” e, o seu não menos famoso, cúscús di mandioca. Desconheço frequentador de Baluarte que não tenha apreciado e não tenha elogiado a “comida di Baluarte”. E devo lembrar aqui o nome de duas pessoas que muito ajudavam a Vovó na preparação destes manjares, a Ana e a Noquinha.

    Todavia, essa admiração pela Vovó di Baluarte estende-se a outras facetas que enformavam o carcter dela: a justeza e as boas maneiras. Lembrei-me de uma vez em que soubemos, em Cova Figueira, j com o manto da noite a cair sobre a tarde, que a Lena, a Idil e a Lidiana estavam em Baluarte, acabadas de chegar da Bila. Eram elas três lindas menininhas, filhas da Méry di Féfa, que também gostavam de passar as suas férias em Baluarte e pelas quais todos nós nutríamos paixões platónicas. Então, foi uma correria, com os primos mais velhos a quererem fazer-nos voltar para casa, acabamos por desembocar, uns atras dos outros, em número de dez a quinze ao todo, em Baluarte. Aí, os irmãos e primos mais velhos continuaram a tentar escorraçar os mais novos, mandando-nos regressar para a casa em Cova Figueira. Vovó apercebeu-se da manobra e fez logo a sua justiça: “A ter de regressar alguém para Cova Figueira, que sejam os mais velhos! ... Mas... não, não é preciso irem!” Acalmou-nos: “Podem ficar... todos! Mas, sem fazer muito barulho!”. Não raras vezes e, sobretudo, à hora das refeições, na mesa, ao lado esquerdo de Pap di Baluarte, onde se sentava Vovó di Baluarte, com paciência, ensinava-nos como estar à mesa, pegar o garfo ou o copo ou como servir-se, ou que mentir é feio e que não se deve falar mal de alguém que não esteja presente ou, ainda, que devemos ser solidrios entre nós, “um por todos, todos por um”, etc, etc... O que era diferente nela é que ela respeitava-nos a nós crianças conversando connosco como se fossemos adultos – com paciência, dando atenção mas, sem fingimentos, com amor, mas sem falsos mimos, e com respeito, mas sem intimidar...

    Embalado pela recordação de uma figura com uma personalidade tão ímpar que soube conquistar a estima, o respeito e a admiração dos que privaram com ela, apareceram, todas de uma vez, vrias outras figuras que conquistaram o respeito pela autoridade que exerceram sobre a sociedade Santa Catarinense. Cristiano nhô Lino (1877-1973), Pedro nhô Lino (1898-1975), Quinquin de Carolina (1910-1948), Artur di Venâncio, Djédjé di Santa (1912-1997), Yay di Maria (1913-2005), Antoninho Nhô Lópi (1871-1966), Semeano Montrond (?-1981), Amaro Montrond (?-1996), Pedrinho Nha Sandjon (1919-1980), Djédjé di Pedro (1919-1996), Lim di Sandjon (1913-1997), Néné di Nica (1914-2005), Manél Reis Di César, Néné di Baí (1906-1982), Josésin di Pépa (1931-1997), Augusto Nhamina, Djédjé di Cum (1923-1975), Djoné di Arséni, entre outros senhores, são figuras que se impuseram e influenciaram positivamente os Catarinenses do Fogo, nas décadas de quarenta, até princípios dos anos setenta do século passado. Uns foram regedores ou figuras ligadas ao regedor, com poderes delegados pela autoridade Municipal e Administrativa da ilha, na altura. Outros foram proprietrios de terras. Estiveram ligados, ou não, à autoridade daquele tempo mas, são figuras que, pela postura exemplar que tiveram, em termos de comportamento na família e na sociedade, granjearam um alto nível de estatura moral e influência positiva da população de Santa Catarina. Exerciam a autoridade pública, fazendo justiça local, mas, também, não se coibiram de educar, chamar a atenção e transmitir os bons usos e costumes e as boas maneiras, especialmente, aos mais novos, para uma vida regrada em sociedade. São figuras que marcaram indelevelmente, e pela positiva, o carcter e a vida social dos santacatarinenses, assim o reconheci, quase que em suspiros, e concluí: Ter sido, talvez, o melhor modelo de administração, com mais impacto positivo na convivência comum, no respeito pelo outro, em especial os mais velhos, e no respeito à propriedade alheia, que a sociedade Santa Catarinense conheceu.

    De repente acudiram às minhas recordações o Béto Tarêxa, do seu nome de igreja Adelino Andrade e o Francisco Fernandes Lopes, mais conhecido por Francisco di Maninha; o primeiro faleceu no princípio da década de setenta e, o secundo, na década de oitenta. Eles foram dois funcionrios públicos locais que bem exemplificam a boa organização da sociedade santacatarinense, nas décadas de quarenta a setenta. O primeiro tinha por tarefa de manter as ruas de Cova Figueira limpas e o segundo era encarregado da venda de gua às populações, da guarda dos animais presos por invasão à propriedade alheia e da cobrança das respectivas multas e/ou coimas. Foram duas figuras da minha meninice que, pelo zelo que punham no cumprimento das suas missões, marcaram-me com as melhores referências que podia ter de bons profissionais e de bons servidores públicos. Hoje, com os problemas de higiene pública e de justiça que temos um pouco por todo Cabo Verde, recordo, com admiração, não só o empenho no cumprimento da missão, por parte dessas figuras mas recordo, sobretudo, que uma povoação rural, constituída por membros com apertados laços familiares, como foi a Cova Figueira, soube gerir, com asseio, a sua ruralidade, e com justiça, os seus conflitos de propriedade.

    Notas:

    (6) CD de Linkin Nóna, música Talaia Baxo, interpretado por Quirino do Canto

    (7) A distância que vai do ouvido até o olho é de apenas quatro dedos; Se não ouvires hs de ver.

    (8) Um é pouco, dois são muitos.


    IV PARTE

    Encontrava-me quase em estado de letargia, absorvido que estava pelas saudosas recordações de personagens e histórias que marcaram determinantemente várias gerações da sociedade santacatarinense com os princípios de coragem e da procura constante do melhor e, com os valores de família, do respeito e da honestidade, ouvi, fundo, uma música de violino entrando pela porta dentro da barbearia. Curioso, pelo ritmo que não me parecia desconhecido, levantei-me, agarrei a porta, não deixando que o cliente que ia de saída a fechasse e, olhei para o carro parado na luz vermelha, à frente da barbearia do tio Dadinho, de onde vinha aquele som de... morna! Não, não reconheci a pessoa que ia a conduzir mas, pelo aspecto físico poderia ser do Fogo ou da Brava, se bem que fiquei mais convencido de se tratar de alguém do Fogo porque a morna que saia do carro era instrumental, tocada ao estilo de violino da ilha do Fogo. Fechei a porta e regressei ao meu lugar. Antes de me sentar, uma chuva de figuras e de histórias preencheram as minhas recordações.

    Ntóni di Néco, Dénda, (1933 - 2007), Frank Tina, (1927 - 2006), Manêzinho di Nhabina, conhecido por Scáda, (1928 - 2004), Arlindo Nhánha, (1935 - 2004), e Frank Lotinha, músicos que marcaram a sociedade Catarinense e, em especial, Figueirense da minha meninice, na década de sessenta, disseram presente. A precedê-los, a minha recordação trouxe, todavia, o grupo do Cândido Mámá di nhô Cândido, (1918 - 1999), no violino, Cantilhano Noquinha, (1918 - 1996), na viola, Moisés de Lúlú, (1919 - 1996), na viola, Tio Djédjé, (1919 - 1996), na viola, Tio Parromano na viola e, também, como exímio intérprete de mornas, Tio Pedrinho, (1923 - 1999), no violino, e, Tio Xalêzinho, (1928 - 2005), no violino. Eles são mencionados como os animadores das festas de Cova Figueira e de toda a freguesia de Santa Catarina, nos finais dos idos anos trinta, até à primeira metade da década de cinquenta do século passado. Recordei o tempo em que eu era menino, junto com os meus irmãos, e a minha mãe que costumava contar-nos estórias, à noite, com um ar saudoso e olhos a brilhar, à luz do candeeiro, de como o meu pai fazia o violino “chorar” nas festas desse tempo, ora em casa da Nhánha Nhô Cândido (1901 - 1951), ora em casa da Nhánha Bia ou, ainda, em casa da Vina Santa (1899-1981) com o Administrador da ilha como convidado de honra. Ela contava, ainda, das serenatas que se faziam em Baluarte, da bela voz que tinha o Tio Parromano e, até, cantava para nós a morna “Moreninha sem par” ou, “Pombinha esquiva” ou, ainda a “Fodegosa”... que o Tio Parromano trouxe da Praia, quando regressou da tropa, no ano de 1943. Já sentado, relembrando este cenário, repetidas vezes vivido na minha infância, cogitei que, se calhar, fora naqueles momentos de expressão de cultura e de amor que a minha mãe plantou fundo as raízes da minha caboverdianidade...

    Depois do grupo do Cândido, Moisés e Cantilhano Noquinha, a minha recordação trouxe de novo o grupo do Ntóni di Néco, Dénda e companhia e os grandes marcos que imprimiram na música catarinense nos anos sessenta. Recordei que aí, pelo início da década de sessenta, por volta de 1962, período marcado pelo início das secas que vieram a transformar todo Cabo Verde, o grupo ganhou notoriedade e, elevou Santa Catarina a um outro patamar, ao ganhar um concurso de música a nível da ilha, organizado em S. Filipe, com a coladeira “Agú tem, agú ca tem”. Esta coladeira, compositada pelo Pedro Fonseca Fontes, mais conhecido por Pedrinho di Vitalina, e orquestrada pelo Dénda, uma sátira ao poder de então que não conseguia resolver os problemas na canalização já desgastada da água para Cova Figueira, chegou de ser tocada na estação de rádio da Praia para o auditório de todo o Arquipélago. Recordei ainda que, na mesma altura, o grupo passou a divulgar mais uma outra canção que enchia de orgulho os Figueirenses porque toda ela é um hino a Cova Figueira, em língua Portuguesa, e que foi compositada no início dos anos cinquenta, (50/52), também, pelo Pedro Fonseca Fontes. O nome desta canção é “ Cova Figueira, povoação popular”. Por fim, recordei que, por volta de 1968, num momento de inspiração, aí, na “Cruz di Maria da Cruz”, de onde se vê todo o “mar di casinha” até a linha do horizonte passando pela ilha de Santiago, Frank Lotinha, com a dor da saudade a apertar pela partida para América que se aproximava, compõe e musicalisa os versos de uma das mais lindas mornas daquele tempo e que veio a tornar-se, sobretudo, a partir do início dos anos setenta, uma sina dos catarinenses: “América ê nha terra longe” (9). Interpretada, pelo grupo do Ntóni di Néco e do Dénda e pela bela voz do Eurico Veiga, mais conhecido por Eurico di Nênêzinha, e gravada em cassete, esta morna, América ê nha terra longe, fez parte das preferências dos santacarinenses, nos bailes e nas serenatas, por largos tempos. Lembrei-me, com saudades do tio Djédjé, José Henriques Veiga (1919 - 1996), de seu nome próprio, que, com o sorriso estampado no rosto nos fazia ouvir, a mim e aos meus irmãos, a cassete no seu mini-autocarro em que nos transportava da Bila para Cova Figueira, quando íamos de férias da Praia, por aquelas alturas. Lembrei-me de ter pensado, naquele tempo, que ele, o meu tio, ao passar para nós a cassete com músicos só da Cova Figueira, queria passar-nos o testemunho da nossa capacidade e do nosso orgulho enquanto comunidade.

    Ntóni di Néco, um grande violinista, e o Frank Lotinha, um exímio tocador do violão e também compositor, são os dois únicos sobreviventes deste grupo.

    O Ntóni di Néco encontra-se emigrado nos Estados Unidos com toda a família, desde 1976. Continua igual a si próprio e é um animador frequente das noites cabo-verdianas, nos restaurantes criôlos de Brockton, fazendo-se acompanhar, ora pelos filhos Láu e Nhônhô e pelo neto Zé di Láu, ora por Mário di Vera e por João de Deus di Artinina, dois outros rapazes filhos de Cova Figueira.

    O Frank Lotinha regressou a viver em Maria da Cruz, Cova Figueira, deixando para trás família e amigos, para reviver o seu “amor-perfeito” roubado pelos anos passados na emigração. Diz-se por aí que arranjou novos amigos em Maria da Cruz e, também, uma nova cretchêu que até já lhe deu novos filhos mas que ainda hoje, a Cruz di Maria da Cruz, seu local predilecto de inspiração, dá-lhe aquele aperto de sodádi e um nó na garganta que só acabam com o choro...

    é a saudade que já não tem poiso é, isto mesmo!!! Murmurei, pensando no Frank Lotinha. É o sonho guardado, recalcado e não realizado...é a dor do passado e, a responsabilidade do presente... é a constante separação de familiares e de amigos... é o desencontro com a realidade... é a triste sina do emigrante... é a nossa sorte; ter saudades...saudades do passado; saudades do presente e do futuro; saudades de lugares conhecidos e imaginados; saudades do amor perdido; saudades dos amigos; saudades dos que nos deixaram; saudades, saudades, saudades sem poiso! Será castigo ou previlégio?

    Nota:

    (9) Morna; América ê nha terra longi. Composição de Frank Lotinha (letra recordada com a ajuda do Amaral Veiga).

    Nun tardinha na sol di calada, Ami na cruz di Maria da Cruz ‘n spia pa mar di casinha, sodadi Pertam, quêl fazem tchora América ê nha terra longi Cabo Verde ê nha amor-perfeito Terra nha mãe, nha crêtchêu, nhas amigos Qui ta fazem tchora, sodadi Son dês morna ê un cavaquinho Trazen um violão tão perdido Frank na Mérca ta tchora sodadi Cu sperança d’el torna volta América ê nha terra longi Cabo Verde ê nha amor-perfeito Terra nha mãe, nha crêtchêu, nhas amigos Qui ta fazem tchora sodádi

    Cláudio A. Henriques Veiga, cveiga2@hotmail.com , Boston.

    IV.2 PARTE



    Ouvi, então, o tio Dadinho a dizer ao NTónéco que “os valores matriciais que estão a dar às propriedades em Cova Figueira, são muito elevados”...e NTónéco a responder que... “esses meninos de agora que andam a trabalhar nestas coisas não sabem como fazer esse trabalho”... E, de repente, e a propósito de meninos, como que acordei das minhas divagações poéticas sobre saudade sem poiso e, então, acudiu-me a figura do Amadeus Fontes.

    Um jovem de 45 anos de idade, Amadeus Fontes deve, por mérito próprio, aparecer na lista das figuras não só de Santa Catarina e do Fogo, mas de todo o Cabo Verde, como um dos grandes do nosso mundo artístico. Filho de Cova Figueira, mais propriamente de Frank di Tina que foi, também, tocador, Amadeus encontra-se emigrado nos Estados Unidos desde 1984. É com o seu grupo um dos grandes animadores dos bailes “criôlos” e que integra, entre outros, o violinista Linkin de Nóna e é, também, um dos fazedores das noites cabo-verdianas, pelos restaurantes “criôlos”, em Boston, nos fins-de-semana.

    Amadeus Fontes é um artista versátil: é compositor, faz arranjos musicais e interpreta, quer como instrumentista (é multi-instrumentista), quer como cantor, para além de ter um pequeno studio de produção. Contudo, é antes de mais um trovador, das pessoas, da vida de Cova Figueira e do mundo. Duas belas composições dele, muito apreciadas a nível nacional – Antoninho Bódi, interpretado por Djosinha e “Mar qui panham nha bóti”ou (Michell), cantado pelo próprio - são o retrato fiel de estórias vividas em Cova Figueira, com personagens reais e, talvez por isso, de selecção obrigatória nos bailes dos Figueirenses, aqui na América.

    “Antoninho Bódi”, conta a estória, passada em 1983, de uma guerra, motivada por traição amorosa, envolvendo Antoninho Bódi, Maninha e Náná di Tchico Nhaí, em que, Pinto Veiga, na qualidade de juiz do tribunal popular, é chamado a fazer justiça. “Mar qui panham nha bóti”, conta a estória triste de Michell, um rapaz de 20 anos que se afogou e morreu no mar, na baía di Fajã, em 2006, ao ir apanhar a lagosta para festejar com a noiva, que tinha ido da América para ir buscá-lo.

    Amadeus Fontes é ainda compositor de vários outros temas, como: “Cumpádri Francisco” (1984); “Pádri qui casam” (1991); “Ana cú Maria” (1996); todos interpretados por Bana, sendo o primeiro e o terceiro, também, retratos de estórias reais passadas em Cova Figueira. Tem ainda composições em carteira como a bandeira “Grandéza di Djarfogo” (1999) que estava previsto ser gravada pelo malogrado Ildo Lobo; “Cabra di Rótcha” (2000); “Telefone, telemóvel, telecriolo” (2004), os quais Amadeus pensa lançar no seu próximo CD. Fruto da tradição musical da sociedade catarinense, Amadeus Fontes é, agora, o seu expoente máximo a nível nacional. Estilizou o ritmo das mornas e coladeiras da região catarinense do Fogo e vem fazendo o mesmo com o ritmo das suas bandeiras. Acreditamos, pois, pelos pergaminhos artísticos a que já nos habituou, que muito mais fará para a música de Santa Catarina, continuando a cantar e a retratar os catarinenses no seu ritmo e lá onde estiverem.

    A figura de trovador de Amadeus Fontes trouxe-me as imagens de Ana Mamá di Luísa, Xóti Mané di Xêpa, Nênê di Arcanja, Mamá di Mília, Maria di Dina e Lim di Dimingo, figuras ligadas às festas das bandeiras, em Santa Catarina, nos anos cinquenta e sessenta. Acudiram-me recordações da minha meninice e contos da minha mãe, de que a Avó Quina, tinha a tradição de festejar todos os anos o San Djôn e o San Pedro, nos dias 24 e 28 de Junho, fazendo dias seguidos de festas que, às vezes, duravam uma semana ou mais, e envolvia a chamada matança de animais – porcos, carneiros, cabritos, cabras, vaca - muita comida e muito grogue. Com a morte do filho Guíguí, (1937 - 1962), em acidente de moto em S.Vicente, precisamente no dia de San Djôn, ela deixou definitivamente de festejar as ditas bandeiras para passar a realizar missa em memória do defunto durante os sete anos seguintes. Assim, as bandeiras de San Djôn e de San Pedro deixaram de ser festejadas em Cova Figueira durante todo esse tempo e fiquei sem memória se depois foram retomadas por outras famílias. Recordei a festa de Santo António que era tradicionalmente festejada em Baluarte pela Julieta.

    Lembrei-me de algo que me fez esboçar um sorriso... Na minha meninice, cheguei a pensar que só a Julieta podia festejar o Santo António. É que o sogro dela, na casa de quem ela morava, chamava-se António Grandi (1886 - 1970). Ela era casada com o António Piqueno (1926 - 1984). E tem um filho chamado José António… Mas parei logo de rir, para não ser apanhado pelo NTónéco que estava sentado no meu lado esquerdo.

    Acudiu-me então uma outra estória que o meu primo Amaral me contara aqui na América, a propósito da “grandéza”(10) da nossa gente na organização de festas. Aí pelos anos de 1971 ou 1972, ele (o Amaral) estava ainda a viver em Cabo Verde e, foi à festa da bandeira de Nhô S. Filipe, em Cova Figueira, festejado, tradicionalmente, no dia 11 de Maio pelo Gonçalvi da Enseada Nha Lena. Nessa festa estava, também, o Armindo Fontes Barbosa, que vivia na Praia por aquelas alturas mas, que tinha ido em missão de serviço para o Fogo. O Gonçalvi um homem simples, coveiro de profissão, tinha providenciado a matança de uma vaca para a festa, aí à frente de todos os festeiros. Então, o Armindo Fontes Barbosa emocionado e, estupefacto com tal cena e com tanta fartura e festança, tomou a palavra e, disse, entre outros: ... Ês quê pôvo di coraçon grandi! Tão grandi cumó burcan di Djarfogo... (11). E, não é que é! Retorqui para comigo.

    Todavia, lembrei-me, ainda, dessa impressão que a festa das bandeiras causava em mim na flor da minha meninice: O tambor e os “gritos” das cantadeiras davam-me a sensação de algo de estranho, que nada tinha a ver com a Cova Figueira... O Xóti Mané di Xêpa que era o tamborileiro naquela altura era, por acaso, uma figura que me era estranha pois, ele não era da Cova Figueira. Mas, à medida que fui crescendo, habituei-me ao ritmo das cantigas e às figuras ligadas às bandeiras e passei a admirar o Lim di Dimingo a rufar os tambores e a entrar com o seu assobio que lhe é característico – fino e comprido - no momento certo, como que a dizer à Cova Figueira que a festa é rija e vai durar. Assim, vim a atribuir aquela impressão da minha tenra idade, à figura do Xóti Mané di Xêpa e/ou, ainda, ao facto das manifestações das bandeiras acontecerem talvez um bocado espaçadas no tempo... Recordei também a capacidade de improvisação da Nené di Arcanja que a cantar ia fabricando estórias consoante as personagens com as quais cruzava. Pena, não conseguir lembrar, senão de nomes de pessoas que a Nênê di Arcanja cantou nesses momentos de inspiração!!!

    Nota: (10) Vaidade
    (11) Que povo de coração grande! Tão grande como o Vulcão do Fogo...
    Cláudio A. Henriques Veiga, cveiga2@hotmail.com, Boston.


    V PARTE

    Perguntei ao tio Dadinho se por acaso sabia em que ano a Nenê di Arcanja nasceu e, também, o ano em que ela faleceu. Ele respondeu-me que n ão e, que, quem poderia dar-me essas informações podia ser a Tia (Avó) Canquinha que completou os cem anos neste mês de Novembro, com uma grande festa no “Hall” (salão de festas). NT ón éco retorquiu que ela, a tia Canquinha, está lúcida ainda e que pode contar-me muita coisa sobre gente antiga, donde é que vêm... Tio Dadinho respondeu que ela está rija, sim, mas, que está a ouvir mal e, que, quem é bom mesmo com as informações sobre gente antiga é o Nhôlá, José Malaquias Monteiro Fontes, de seu nome próprio. O Nhôlá, quando menino, aprendeu com a Nha Mariquinha (1863 - 1964), avó dele pelo lado da mãe, ent ão, ele conhece todas as famílias de Cova Figueira e donde é que vêm, completou.

    Fiquei a pensar no Nhôlá que, por acaso, não tive a oportunidade de encontrar desde que passei a viver na América, mas, que sempre me fora recomendado como um conhecedor da genealogia das famílias de Cova Figueira. Uma vez mais, prometi a mim mesmo que tiraria um desses dias para o ir visitar, pois que, para além do mais, foi muito amigo do meu pai, e assim, satisfazer um dever e, porque não, também, um pouco da minha curiosidade e demonstrar-lhe, ainda, a minha admiração pela dedicação que teve, quando menino, para aprender com a avó a genealogia das famílias de Cova Figueira. Com naturalidade, às minhas recordações, acudiram outras figuras, curiosos e autodidactas, que tive, e tenho, o privilégio de conhecer e que se impuseram em Santa Catarina do Fogo.

    Apareceu, primeiro, o Pedro Fonseca Fontes ou, Pedrinho di Vitalina como é mais conhecido. Ele é uma dessas figuras que se impôs no meio Catarinense; um amante do bem falar, das letras, da cultura e da intelectualidade. Um autodidacta de fazer inveja! Ele nasceu em Cova Figueira nos idos anos de 1929 e emigrou para América já adulto no ano de 1970.

    Um homem dinômico e activo na sociedade, Pedro Fontes esteve envolvido em várias actividades.

    Para além das composições “Cova Figueira povoação popular” (1950/52), “Agu tem, agu ca tem” (1962), e que atrás citamos, compôs ainda a morna “C ú nha disgosto, n’ ta sufri” (1940) e a coladeira “Primera bez q’um bá pa Bila” (1964/65).

    Esteve na organização e encenação do teatro em Cova Figueira nos princípios dos anos cinquenta, em companhia de colegas e amigos como o Arnaldo Barbosa, conhecido ainda por Arnaldo Nha C ôndida (? - ?); o Sabino Lopes Gonçalves, mais conhecido por Sabino Lotinha (1914 - 1993); o Eugénio Fontes, também conhecido por Eugénio Nhaí; o José Santos Fontes, conhecido por Santinho; entre outros. A geração dos meus pais recorda saudosamente uma das peças teatrais encenada por este grupo nos princ ípios dos anos cinquenta, no local que chamavam de Igreja e que fica na parte traseira da casa dos meus avós Xalé e Quina e à frente da casa do Rúja e de Nhaí de Ntónha. Nesta pe ça participaram como artistas o Pedrinho di Vitalina, o Tio Santinho, a Quéta di Tina, o Tio Parromano, a Niquinha di Cúca, o Arnaldo Barbosa, a Codé di Nascimento, o Zezé di Ita, a Antónia di Ita, a Baizinha di Linda entre outros(as).

    Esteve, também, com alguns dos amigos já citados, na organização de grupos carnavalescos em Cova Figueira, isso, nos anos cinquenta a sessenta. E, no mesmo per íodo deu um contributo inestimável para a construção do campo de futebol do “Monti P êládo,” ao mobilizar e dispensar os seus homens, enquanto capatazes de obras.

    Apesar de ter apenas a quarta classe escolar, Pedro Fonseca Fontes escreveu n ão s ó letras para a música, como versos e peças jornal ísticas que chegou de publicar no jornal “O Arquipélago”, em Cabo Verde e, mais tarde, no “Portuguese Times”, em New Bedford, MA EUA, contando e cantando sobre a sociedade de Cova Figueira. Tem guardados contos em crioulo, uns referentes a Eduardo Monteiro Fontes, conhecido por Dadinho di Páchi, avô dele e meu bisavô e gentes desta gera ção e, também, em Português que nunca chegou de publicar. Relíquias, que acabei de descobrir!

    Trespassaram, depois, pelas minhas recordações, vários outros nomes que precederam a figura de Pedro Fonseca Fontes. O José Cristiano Fontes, Sr. Fontes, como lhe chamavam ou, ainda, Nhonhô di Fidjinha, (1912 - 1983), como foi conhecido por próximos; o Pedro Vieira Fonseca, conhecido por Néco di Bia (1904 - 1972); o António Pedro Fonseca também chamado por Bêlógiou, ainda, por Antoninho di Bia, (1910 - 2001).

    Os três frequentaram o liceu no antigo Seminário de S. Nicolau e exerceram a actividade de professorado, por vários anos, em diversas localidades de Cabo Verde. O Nhonhô di Fidjinha, um “quinto-anista” como dizia o povo em Cova Figueira, foi um professor afamado nesta povoação, tendo leccionado ainda em Forno e em S. Filipe e, também, foi prosador de renome; o Néco di Bia e o Antoninho di Bia foram dois irmãos, filhos do padre Ambrósio, um homem culto e amante da escola. Eles foram professores de várias gera ç ões na Cova Figueira, entre as quais a minha; o Néco foi ainda professor em Achada Grande/Corvo dos Mosteiros e o Antoninho di Bia leccionou o ensino primário, também, em Calheta de Santiago de 1941 a 1952 e, em Juncalinho e Queimadas de S. Nicolau, de 1952 a 1959.

    Recordei, ainda, o Sabino Lopes Gonçalves ou Sabino Lotinha (1914 - 1993) como era chamado por todos. Irreverente, bem-falante, amante da música e dos cavalos. Sabino foi um grande activista cultural, desportivo e, tamb ém,político.

    Todos eles foram figuras dos anos trinta a sessenta e por serem originários de Cova Figueira e parentes, todos eles contribuíram enormemente para transmitir-me, ainda na minha infôncia, aquele sentimento de orgulho de pertença à comunidade catarinense.

    Lembrei-me ainda de outro autodidacta exemplar de Santa Catarina do Fogo, um companheiro predilecto de “troca de impressões” aqui na Am érica, um amigo de infôncia, o Joaquim Fontes, mais conhecido por Quinquin di Canquinha.

    Natural de Cova Figueira, nasceu no ano de 1949, sofre de distrofia muscular, uma doen ça que começou a atacar-lhe as células dos m úsculos, tinha ele os sete anos de idade. A pouco a pouco, viu reduzir-se a locomo ção pelos seus próprios meios até que, aos dezasseis anos de idade, viu-se obrigado a socorrer-se da cadeira de rodas.

    Homem de carácter forte, determinado e inteligente, Quinquin, por causa da doença, não pôde ir além dos estudos primários na escola formal. Contudo, por iniciativa e esforço próprios, em 1963/1964, fez um curso de Inglês pela rádio, através da famosa estação da BBC e, entre 1970 e 1973, fez um curso de electrónica por correspondência. Assim, por largos anos, Quinquin foi o único dotado de um certificado ao qual se recorria para traduções de documentos do Inglês para o Português e, particularmente, para concerto e reparação de aparelhos de rádio e de relógios, na ilha do Fogo.

    Foi o primeiro, tamb ém, a captar as emissões televisivas na ilha do Fogo, isso nos anos de 1974/1976. Captou em Cova Figueira, nesse per íodo, os Jogos Olímpicos de Canadá que, várias pessoas, vindas de quase todas as localidades do Fogo, puderam assistir.

    Depois de ter emigrado para os Estados Unidos, em 1978, aprendeu como preparar o imposto sobre os rendimentos deste Pa ís (o Income Tax), aprendeu os of ícios de Notário Público e tirou a respectiva licen ça, assim como a licença de Juiz de Paz. Há anos que vem ajudando a comunidade cabo-verdiana, entre outras, de língua portuguesa, com os serviços ligados a casamentos, emigração, preenchimento de impostos, procurações, etc...

    Quinquim é uma figura de se tirar o chapéu e Santa Catarina do Fogo deve-lhe a divulgação destacada das suas informaç ões através do portal criado na internet, sob o endereço WWW.Topicos123.com todo concebido e executado por ele. Foi um apoiante incondicional da elevação de Santa Catarina a Concelho e é um lutador incansável para o seu desenvolvimento.

    Pensar em Quinquim fez-me lembrar que ainda tinha de ir at é Randolph, a cidade onde ele mora, à casa da minha irm ã Estef ônia. Levantei-me e despedi-me do NT ón éco dizendo-lhe que da pr óxima haver íamos de continuar esta conversa sobre os peritos de marca ções de terrenos porque a havia achado interessante e, com outro aperto de mão, despedi-me do Tio Dadinho, formulando um... vemo-nos no próximo fim de semana.

    E despeço-me, também, dos leitores, marcando o nosso derradeiro encontro, com essas recorda ç ões, para a próxima 5.ª Feira.

    Cláudio A. Henriques Veiga, cveiga2@hotmail.com , Boston.


    VI PARTE



    Já no carro, a caminho de Randolph, dei comigo a questionar-me se as minhas recordações sobre as figuras de Santa Catarina do Fogo teriam ingredientes para constituir uma boa crónica. Decidi que o prazer que as recordações de tais personagens me proporcionam é tal que, certamente, encontrarei os melhores ingredientes. O meu maior problema, pensei, ser´ talvez seleccionar os ingredientes que melhor caracterizam as personagens, as histórias e as estórias. Mas ingredientes e personagens não me hão-de faltar. Preocupei-me, também, se não acabaria por fazer injustiça, passando ao lado de figuras que talvez até desconheça, ferindo susceptibilidades e criando indesej´veis conflitos. Decidi, não se pode censurar a inspiração com demasiadas preocupações. O melhor que posso fazer, concluí, é deixar esta estória em aberto, e esperar que, de forma igualmente fraterna, surjam outras figuras e/ou outras histórias e estórias.

    Não obstante, enquanto chegava a estas conclusões, j´ a minha cabeça fervilhava à busca de figuras que porventura tivesse esquecido. A pouco a pouco, não sei se por estar na “Estrada 28”, a conduzir em direcção a Randolph, veio-me à lembrança a imagem da estrada que leva ao “Monti Pêl´do”, nome do campo de futebol da Cova Figueira. Então, em catadupa, sucederam-se uma série de recordações de figuras e de histórias e estórias, todas ligadas ao futebol da Cova Figueira. Na verdade, antes do “Monti Pêl´do”, as partidas de futebol realizavam-se na “Quem´da B´xo” em Cova Figueira, à frente da casa do Branquinho.

    Tio Santinho, um grande amante do futebol, ferrenho adepto do Santos do Pelé, do Brasil e do Sporting de Portugal não consegue, ainda hoje, assistir pela televisão nem ouvir o relato pela r´dio dos jogos da equipa que apoia, tal é a emoção que se apodera dele. Ali´s, todas as vezes que uma dessas equipas de que ele é adepto joga, ele arranja sempre desculpas para se isolar (tem sempre um pequeno aparelho r´dio na mão ou, no bolso) e reaparecer com o golo da sua equipa ou, como é mais frequente, com a vitória final.

    Acompanhando a figura do Tio Santinho, apareceram figuras que nos finais dos anos cinquenta e princípios dos anos sessenta jogavam futebol em Cova Figueira, à frente da casa do Branquinho, e que a minha memória, um a um, foi recordando: Manuel di Tarêxa, Frank Lotinha (Yaúca, era como lhe chamavam), Tio Pedrinho (Pedrinho di Mam´ di nhô Cândido), Lim di Dimingo, Pedrinho Lim (Léléca), X´xi Nascimento, Sabino Lotinha, (um ferrenho adepto dos Belenenses de Portugal que chegou a jogar no Sporting dos Mosteiros), Jorge Maurício, Maninho di Mano Tchôtchô, Nhônhô di Panôta, António Chimento, João di Mamanzinha, (1940 - 1969), Valdimiro Maria Dina, Orlando Nogueira, Tio Búrbúr, Arlindo Nh´nha, João di Djéca, Tio João, como ´rbitro ou fiscal de linha, e gente mais nova como o Guédes di Micia, Frank Moisés, Eurico Nenêzinha, José Pedro di Djédjé, Nhônhôzinho di Catrina (Cuquinha) entre outros.

    Arlindo di Nh´nha e João di Djéca eram dois esquerdinos que a minha lembrança guardou como dois homens de pontapés forte, sobretudo quando bombeavam a bola. Tio João, também conhecido por Féré, (1927 - 2004), marcou-me com aquela imagem, hoje saudosa, do ´rbitro parcial que pendia com a cabeça, e inclusive, com o corpo todo, para o lado que ele queria que a bola fosse.

    A esta geração de homens, jogadores e amantes do futebol, devemos não só a tradição da pr´tica desta modalidade, no meio Figueirense, como o campo de “Monti Pêl´do”, em Cova Figueira. Todos eles, entusiasmados pelo Jorge Maurício que na altura era professor em Cova Figueira, conseguiram o terreno cedido por Pedro Veiga e Maria Medina Henriques Veiga. Depois o terreno foi ampliado com uma parcela colocada à disposição pelo casal Pedro Vieira Fonseca, (Néco Bia) e Guilhermina Vieira Fontes Fonseca (Nhamina Sandjon) (1910 - 2003), aí em “Monti Pêl´do”. Mais tarde, obtiveram apoio em equipamentos e homens junto das autoridades respons´veis pelas construções de estradas. O Pedrinho di Vitalina, que na altura era capataz num dos troços de estrada ai perto, deu um apoio inestim´vel. Em regime de trabalho a tempo parcial, e algum trabalho volunt´rio, andaram por mais de um ano a construir o campo “Monti Pêl´do”.

    Não pude deixar de recordar os jogadores de futebol da Cova Figueira na companhia dos quais experimentei momentos inolvid´veis na pr´tica desta modalidade: Luther Veiga, Nélinho Lilim, César Maninha, Amaral Veiga, Caló Fontes, Alcides Veiga, Salvador, Walter Veiga, César Lubrano, Pedro Paulo Veiga, Xóti Pires, Zito Veiga, Pedrinzinho Veiga, Daniel Fonseca, Pinto Veiga, Xalé Fontes, José Luís (Kar´), Luís Veiga, Candinho Veiga, L´u Fonseca, Gregório Pires, Distéfano Veiga. De todos guardo profundas recordações mas assaltam-me duas lembranças: a primeira, o grande faro e sentido da baliza do Distéfano, um pequerucho naquela altura, mas, oportuno a marcar golos como jamais presenciara. Mais tarde, Distéfano só não foi ao Alvalade, para integrar a equipa do Sporting porque o cunhado Virgílio, com quem vivia nos primeiros anos em que emigrou para os Estados Unidos, assim não quis; Sporting chegou a convid´-lo, numa das deslocações que fez para os Estados Unidos para jogar contra a selecção da LASA (12) de que Distéfano era um jogador destacado; a segunda lembrança, a segurança que sentia na equipa quando tinha a jogar o Walter (13) e o Pedrinzinho, na defesa, o Xalé e o Candinho, no meio campo. Esses quatro jogadores eram autênticos tampões, a bola não passava e, ao mesmo tempo, grandes armadores de jogo. Durante toda a primeira metade dos anos setenta, o Xalé, o Candinho e eu íamos regularmente da Praia, passar as férias grandes escolares, a Cova Figueira, e então, integr´vamos a equipa local para disputar jogos com outras equipas e localidades do Fogo.

    Orgulha-me recordar que, de todos os jogos em que participei, durante esse tempo todo, Cova Figueira não perdeu senão contra o Botafogo, em S. Filipe, um jogo em que and´vamos desfalcados de alguns dos nossos melhores jogadores, e que também muito me marcou, porque joguei com uma distensão muscular na perna direita, uma dor que jamais consegui apagar da minha memória. Ganh´mos sempre nos jogos disputados em casa, no “Monti Pêl´do”, onde dispúnhamos do apoio total do povo de Cova Figueira e de Santa Catarina. Crianças, jovens, adultos, mais velhos, homens e mulheres, todos rumavam ao “Monti Pêl´do” nos dias em que recebíamos advers´rios vindos de outras localidades. Era um apoio incondicional, de todos, sem distinção nem divisão... O povo e a alegria do povo dava-nos mais energia e o brio de jogar bem. Eu sentia um enorme contentamento e uma motivação extra quando via senhoras como a Nenêzinha di Pinina carregar ´gua para o “Monti Pêl´do” para distribuir para os jogadores. Sentia-me apoiado e em comunhão com a minha gente. Momento algum em minha vida conseguiu apagar recordações tão alegres e tão reconfortantes, junto com a minha gente. Festej´mos muitas vitórias. Juntos, em comunhão com as nossas recordações e figuras, com a nossa história, com as nossas gentes, conseguiremos outras vitórias, e construiremos outras figuras e outras estórias, para o melhor porvir de Santa Catarina.

    Para todos os filhos e amigos de Santa Catarina do Fogo, votos sinceros de Boas Festas de Santa Catarina! Cantemos, então, em uníssono o nosso hino, Cova Figueira povoação popular (*) legado por Pedro Fonseca Fontes (Pedrinho di Vitalina).

    I


    Cova Figueira, povoação popular
    De lindas cores e tudo o mais
    No seu seio a todos há-de encantar
    Moças bonitas coisas banais

    Refrão

    É terra de encanto e de luz
    É terra que tudo seduz
    Risonha e modesta
    Em dias de festa


    II


    Cova Figueira povoação popular
    De lindas flores e tudo o mais
    No seu seio a todos há-de encantar
    Moç as bonitas coisas banais


    Refrão

    É terra de encanto e de luz
    É terra que tudo seduz
    Risonha e modesta
    Em dias de festa


    III


    Amanhã é dia de festa
    Nesta terrinha com esplendor
    Raparigada dançai, dçnçai que há-de brilhar a nossa festa
    Rapaziada cantai, bailai com alegria e com amor

    Refrão

    É terra de encanto e de luz
    É terra que tudo seduz
    Risonha e modesta
    Em dias de festa
    (*) Inserida neste espaço graças à amável colaboração do filho do autor, o José Pedro Fontes, Colácho.

    Notas:

    (12) Luso American Soccer Association: Associação Luso-Americana de Futebol

    (13) Walter é o pai do Zico que integrou a equipa de Cabo Verde dos sub-19, nos Jogos Lusófonos em Macau, e que foi o melhor marcador da nossa selecção nestes jogos.

    Cláudio A. Henriques Veiga, cveiga2@hotmail.com , Boston.

    FIM

    COMENTÁRIO

    Passei durante esses dias que o amigo e primo Claudio contou o passado vivido pelo nossos antepassados, e o presente que estamos vivendo, conclui, e com razão, que os que dizem que a fé move montanhas, é mesmo um dito verdadeiro. Eu de tudo o que é positivo gosto, mas não gosto do lado negativo das coisas, especialmente quando complica ainda mais a probabilidade da perfeição das coisas “se é que a perfeição existe”. Depois de muita comparação, meditação, e realização cheguei a uma conclusão - que para mim acho satisfatoria – de valorizar sempre o lado positivo das coisas ou das pessoas. No mundo político, adoro todo o que ha de positivo nos partidos politicos. No campo religioso, todo de positivo que ha nas religioes ou seitas religiosas, evidentemente tambem adoro. Porque o bem encontra se naturalmente no positivo.

    Ha pessoas que naturalmente vejam o positivo ou negativo duma forma diferente ou duma óptica desigual a minha o que é logico, mas no resultado final, na maioria das vezes, quando se aproveita o lado positivo todos nos beneficiamos.

    O grande pensador Norte Americano Martin Luther King Jr., disse uma vez, falando do valor das pessoas e do resultado final. Ele disse: “Se um cantoneiro ou um varredor de rua, fizer o seu trabalho duma boa maneira, ele fica degnificado e está contribuindo com sua parte para o avanço da comunidade, pode até mesmo não dar conta disso, mas para os que apreciam o valor das coisas, o trabalho dele ficou degnificado.”

    Quando pensamos em nós mesmos ou na nossa cultura, devemos saber apreciar o positivo e procurar sempre não fazer o negativo, e se fizermos algo de mal, não devemos perdurar o negativo, dessa forma ficamos com mais energia para enfrentar a realidade.

    Voltando ao conto do amigo Claudio que me deleitou nessas últimas semanas, recordei de uma passagem que escrevi no site Santacatarinafogo, principalmente sobre a freguesia de Santa Catarina e suas gentes, eu disse, lá praticamente somos todos relacionados, até citei muitos nomes e apelidos, é uma comunidade que toda gente conhece um ao outro e todos estão interligados duma forma ou outra, isso veio de alguns séculos passados, todos alegramos e todos sofremos e todos beneficiamos, mas o que não devemos fazer é fazer demarcação.

    A nossa comunidade precisa de todos nós, principalmente quando ainda estamos sendo alvos de criticas negativas; com mais compreensão, tolerancia, integridade e bom trabalho, poderemos fazer com que a nossa Freguesia seja cada vez mais um lugar digno para todos.

    Claudio um obrigado pelo conto e trabalho iniciado.
    Quinquim


    Artur de Venâncio, Nhô Regedor, um homem bom, justo e exemplar


    Trigéssimo dia da morte de Heitor de Andrade


    Costuma-se dizer que não há pessoas insubstituíveis, o que é uma grande verdade, visto que o tempo ou as circunstâncias se encarregam de executar tal tarefa. Também, não é menos verdade que há pessoas que, sobressaem numa sociedade pela forma como se relacionam com os outros e pelo trabalho que realizam em proveito da mesma, muitas vezes, com tanta paixão e entrega sem que se apercebam dos prejuízos que causam a si e aos seus familiares, tal é a sua envolvência!

    Artur de Venancio É por essa razão que, cientes de que estamos a ser justos, queremos homenagear a pessoa que toda a Freguesia de Santa Catarina do Fogo conheceu, o qual deu de si o melhor que possuía. Trata-se de Heitor de Andrade, vulgo Artur de Venâncio, de 91 anos de idade, falecido em 27 de Dezembro de 2007, deixando viúva D. Jesuína Andrade. Era pai de 5 filhos. O mais velho, António Andrade, faleceu em combate em Angola.

    Cabo-chefe e professor do ensino primário em Achada Furna, onde vivia, foi nomeado, nos finais dos anos cinquenta do século passado, Regedor da Freguesia de Santa Catarina do Fogo. Para cumprir a sua missão, mudou, deixando lá toda a família, para Cova Figueira, onde funcionava a Sede da Regedoria, com todas as consequências possíveis e imagináveis. Visitava a família aos fins-de-semana, fazendo-se transportar numa mula sua pertença. Exerceu as suas funções num período de grande dificuldade em que a seca e a fome estavam presentes. Lembremos que em 1959, morreram de fome em Cabo Verde, 10.000 pessoas.

    De carácter simples, humilde, respeitador, justo, tolerante, afável, atencioso, Nhô Regedor, granjeou desde o início, a simpatia, o respeito, admiração e a amizade de toda a Freguesia e por ela dedicou toda a sua inteligência, o seu trabalho e dedicação contribuindo decisivamente para atenuar o sofrimento das pessoas mais necessitadas. Estava em toda a parte e sempre que a sua presença fosse necessária, nomeadamente no tocante ao abastecimento de água, a partir de Chã das Caldeiras, passando por diversas localidades, onde além de roturas normais havia violações das condutas e tanques, na distribuição de rações de alimentos aos mais necessitados, no apoio alimentar aos alunos de zonas mais afastadas, no alistamento das famílias nos trabalhos de estradas, etc.

    A regedoria funcionava num anexo à Aguadinha, junto à Casa Escola, local onde as pessoas iam buscar água, todos os dias à tarde, gerando imenso barulho, coberto de telha lusalite, um espaço exíguo, húmido, pouco iluminado pelo sol e sem nenhum conforto. Tinha uma mesa, uma máquina de escrever, um carimbo, algumas desconfortáveis cadeiras e pouco mais. À noite, quando era necessário trabalhar até mais tarde, dispunha de uma lanterna tipo petromax. Também lá funcionava o registo de trabalhadores de estradas e escrituração das folhas de pagamento, feito por uns quantos apontadores escolhidos dentro das pessoas de famílias menos necessitadas, demonstrando com a sua acção uma vez mais o respeito que todas as pessoas lhe mereciam.

    Na Casa Escola, proferiu, por ocasião da visita do então Presidente da República, Almirante Américo Tomáz, em 7 de Fevereiro de 1968, um comovente, vibrante e eloquente discurso, tendo sido aplaudido vigorosamente por todos os presentes.

    Quanto aos meios de comunicação, dispunha de um telefone de indução, a partir do posto dos Correios, para comunicar com a Administração, que raramente funcionava porque normalmente estava avariado. Qualquer assunto urgente era tratado através de uma ordenança, normalmente pago com o correspondente a um dia ou dois de trabalho na estrada conforme a hora do dia em que o seu trabalho fosse requerido.

    Heitor levantava-se muito cedo e iniciava o seu dia de trabalho, normalmente, com uma breve passagem pela loja do Djédjé, trocando impressões com as poucas pessoas que a essa hora lá se encontravam, interrompia para o almoço e retomava por alturas da distribuição de água. Que desolação quando essa distribuição não se podia fazer pelas razões atrás apontadas !

    Vibrava sempre que o pluviómetro, situado no canto esquerdo da Aguadinha, instrumento destinado a medir a quantidade de chuva, em milímetros ou litros por metro quadrado, durante um período de tempo, estivesse com a caneca com bastante água, pois melhor que ninguém ele sabia o que significava um ano de boas as-águas. Também o fazia quando chegavam boas notícias acerca das chuvas noutras localidades da Ilha.

    De um trato irrepreensível, Nhô Regedor, como todos nós o tratávamos, sempre bem disposto, firme no seu posto, agradava a todos, mesmo aqueles que tinham algumas razôes de queixas, aos quais nunca deixava sem a promessa de resolver ,e resolvia, os seus problemas.

    Mais tarde, nos anos 70 a regedoria mudou para um local menos desconfortável, hoje sede da Polícia local.

    Além de toda a sorte de trabalhos que as suas funções lhe exigiam, Heitor de Andrade voltou a leccionar em Cova Figueira e, os seus discípulos, garantem, que superaram sem dificuldades os concursos a que mais tarde se sujeitaram.

    Pelo exposto, consideramos ser justa a homenagem que aqui prestamos ao último regedor de Santa Catarina do Fogo, um homem bom, justo e exemplar.

    Deus lhe dê o eterno descanso ! Deus dâ Nhô iterno discansu ! Deus dá bocê itern discónse ! Deus dâ Nhu iternu diskansu ! Rest in peace , Nhô Regedor !
    JOSE FONTES (COLACHO) / MORGADO FONSECA





    Rizumu di regras di alfabetu kabu-verdianu ofisial‏
    From: MFP / GMF - Marciano Moreira (MarcianoM@gov1.gov.cv)
    Sent: Mon 12/17/07 5:01 PM
    ======================

    ORTOGRAFIAS   

    por Manuel Mendes de Carvalho (1990, com algumas notas de actualização, 1996)



    O conteúdo desta página é o seguinte:



    Introdução

    O Acordo Ortográfico de 1986 era um bom acordo. Apesar de moderado, era um bom passo em frente no caminho da reunificação ortográfica com o Brasil. Mas sucumbiu à histeria ignorante e exibicionista de uns quantos e à cumplicidade doutros. Como consequência, fez-se este ano nova tentativa, bastante pior, e menos coerente. E o curioso é que já há quem, sem pudor, critique no Acordo de 1990 defeitos que resultaram das cedências às críticas de 1986. Receio mesmo que de novo se desencadeiem violentas reacções às ligeiríssimas modificações agora propostas, e, por isso, julgo que talvez valha a pena chamar a atenção para um certo número de factos. Pode ser que assim contribua para reduzir a emissão de disparates e para evitar que a discussão desça abaixo de níveis aceitáveis.

    Primeiro facto. O objectivo do Acordo de 1986 não era modificar por modificar, mas apenas alterar o indispensável para conseguir a quase unificação da ortografia nos países de língua portuguesa. Se não houvesse pronunciadas diferenças entre as ortografias de Portugal e do Brasil, as reformas poderiam, então sim, considerar-se escusadas.

    Segundo facto. Em questões de ortografia, é falso que Portugal tenha uma história de cedências ao Brasil. O contrário é que é verdadeiro.

    Terceiro facto. Mexer na ortografia não é mexer na língua. Todas as palavras continuarão a ser pronunciadas (mal ou bem) como até aqui e a sintaxe continuará, sem mudança, sujeita aos mesmos pontapés de antes.

    Quarto facto. Mudar a ortografia não implica mudar instantaneamente todos os livros de estudo, nem mesmo os dicionários. Essa mudança será gradual, feita ao longo de anos.

    Quinto facto. A evolução da ortografia é sempre feita de cima, por especialistas, e, quase sempre, por decreto ou portaria.

    Sexto facto. Tem havido, e continua a haver, reformas ortográficas em numerosos países, incluindo Portugal, algumas delas muito mais radicais que as tímidas propostas que agora nos fazem.

    Sétimo facto. A demagogia, às vezes, é castigada. O que se segue ajudará a documentar estes factos.


    História da ortografia em Portugal e no Brasil

    A história da ortografia da língua portuguesa pode dividir-se em três períodos:

    • fonético, até ao século XVI;
    • pseudo-etimológico, desde o século XVI até 1911;
    • moderno, desde 1911 até hoje.

    Quando a língua portuguesa começou a ser escrita, quem escrevia procurava representar foneticamente os sons da fala. Esta representação, no entanto, nunca foi satisfatória. Por um lado, não havia norma e, assim, por exemplo, o som /i/ podia ser representado por i, por y, e até por h (1); a nasalidade por m, por n, ou por til, etc. Por outro lado, a ortografia conservou-se em certos casos antiquada em relação à evolução da pronúncia das palavras, como em leer (ler) e teer (ter). Nos documentos mais antigos, de qualquer modo, o que se observa é a procura de uma grafia fonética. Com o decorrer do tempo, esta simplicidade foi desaparecendo por causa da influência do Latim. Assim, começaram a aparecer grafias como fecto (feito), regno (reino), fructo (fruito), etc. Realmente, uma das características do Renascimento foi a admiração pelos tempos clássicos e, em particular, pelo Latim. Isso consolidou, por assim dizer, e levou ao extremo a influência daquela língua na escrita do Português. Daqui resultou o aparecimento de inúmeras consoantes duplas, o aparecimento dos grupos ph, ch, th, rh, que antes praticamente ninguém usava. Por outro lado, já nesse tempo, tal como hoje, a ignorância e o pretensiosismo se aliavam para produzir os maiores disparates, tais como, por exemplo, lythographia, typoia, lyrio, etc. (2)(3). É por esta razão que se chama pseudo-etimológico ao período em que esta tendência se impôs. Isto é, queria-se pretensiosamente fazer etimológica a ortografia, mas a ignorância não deixava ir além da pseudo-etimologia. Além disso, segundo J. J. Nunes (4), "por este processo [o da procura da grafia etimológica] recuavam-se bastantes séculos, fazendo ressurgir o que era remoto, e punha-se de lado a história do nosso idioma...".

    Deve-se dizer que cedo começou a haver reacções simplificativas. Por exemplo, Duarte Nunes de Leão, um dos primeiros gramáticos portugueses, reprova a pseudo-etimologia nascente em "Ortographia da lingoa portuguesa", livro de 1576. Outro gramá- tico que se opôs a esta ortografia complicada foi Álvaro Ferreira de Vera, no seu livro "Ortographia ou arte para escrever certo na lingua portuguesa" (1633) (5). Também D. Francisco Manuel de Melo (século XVII) usou, pelo menos na sua obra "Segundas três musas do Melodino", uma ortografia simplificada em que quase não havia consoantes dobradas, o ph era substituído por f, e o ch com som /k/ era substituído por qu (pharmacia -> farmacia, Achilles -> Aquiles) (3).

    No século seguinte, o XVIII, o célebre Luís António Verney apresentou também a sua proposta de ortografia simplificada e, mais do que isso, publicou nessa ortografia a sua grande obra "O verdadeiro método de estudar".

    O que é certo, porém, é que, na quase totalidade dos escritos, principalmente a partir da publicação em 1734 da "Ortographia ou arte de escrever e pronunciar com acerto a lingua portugueza" de João de Morais Madureyra Feyjó, se procurava a grafia mais complicada. Note-se, no entanto, que, apesar de tudo, o número de acentos era bastante restrito e empregue em casos e para fins algo diferentes dos actuais.

    No princípio do século XIX, também Garrett defendia a simplificação ortográfica e criticava a ausência de norma. Nesse mesmo século proliferaram os pretendentes a reformadores da ortografia. Além de Garrett, pode-se mencionar, por exemplo, Castilho, como um dos mais conhecidos.

    No decorrer do século XIX, começou a compreender-se a falta de justificação de muitas das grafias complicadas que então se usavam, mas, por outro lado, caiu-se no extremo de, mesmo aqueles sem quaisquer habilitações para tal, desatarem a simplificar disparatadamente. O resultado foi que, no fim do século XIX, a desordem ortográfica era total. Cada um escrevia como lhe parecia melhor.

    Assim, em 1911, o Governo nomeou uma comissão para estabelecer a ortografia a usar nas publicações oficiais. Desta comissão fazia parte o insigne foneticista Gonçalves Viana, que já em 1907 apresentara um projecto de ortografia simplificada. O trabalho da comissão consistiu praticamente em adoptar o que propunha Gonçalves Viana e a nova ortografia foi oficializada por portaria de 1 de Setembro de 1911. Esta reforma da ortografia, a primeira oficial em Portugal, foi profunda e modificou completamente o aspecto da língua escrita, aproximando-o muito do actual. Foi, pode dizer-se, uma mudança verdadeiramente radical e feita sem qualquer acordo com o Brasil. Ao fazer desaparecer muitas consoantes dobradas, e os grupos ph, th, rh, etc., a reforma, afinal, fazia desaparecer os exageros do período pseudo-etimológico e promovia um "regresso" ao período fonético. Por isso, é que, a propósito das muitas reacções adversas que houve na altura, escrevia J.J. Nunes (6), em 1918: "Pena é que a ortografia nova, que, em rigor, é velha, não seja compreendida por todos, ou antes, que se não queira ver a sua justeza, acabando-se de vez com os desconchavos que ainda perduram, quase sempre resultantes da ignorância...". Como estas palavras continuam actuais !

    O essencial da reforma ortográfica de 1911 foi acabar com o despotismo da etimologia, aproximando a ortografia oficial de uma escrita fonética. Aproximando, apenas, note-se, dado que, apesar de tudo, se fizeram vastas concessões a hábitos anteriores, como era o caso de manter inúmeras consoantes mudas, com um ou outro pretexto (homem, directo, sciência, etc.).

    Um ponto em que a reforma foi incoerente e em que se afastou da tradição dos primeiros tempos do Português escrito foi a introdução profunda de acentos. Em particular, passaram a ser acentuadas todas as palavras esdrúxulas, o que não acontecia antes.

    A seguir à reforma de 1911, houve vários ajustamentos efectuados por portarias de 19.11.1920, 23.09.1929, e 27.05.1931. A grande reforma seguinte foi a resultante do acordo ortográfico Portugal-Brasil de 1945, a qual, ligeiramente alterada por um decreto de 1971, deu origem à ortografia oficial que até agora se usou em Portugal. Note-se, de passagem, que o acordo de 1945 anulou algumas modificações introduzidas em 1911 e 1931.

    Vejamos o que entretanto se passava no Brasil. No século XIX, a ortografia no Brasil estava no mesmo estado que em Portugal. Pode-se dizer que havia unidade... no caos.

    Em 1907, a Academia Brasileira de Letras tivera em estudo um projecto de reforma análogo ao de Gonçalves Viana, que, como vimos, levou à reforma portuguesa de 1911. Neste projecto, embora baseado no do foneticista português, colaboraram vários brasileiros ilustres, como Euclides da Cunha, Rui Barbosa e outros (7). Isto mostra que, em ambos os países, há muito se sentia a necessidade de modificar a ortografia. O mesmo, aliás, se passava noutros países e tinham sido e viriam a ser feitas reformas em vários deles, como se verá mais à frente.

    O projecto da Academia Brasileira de Letras de 1907 acabou por não ir por diante e, por outro lado, Portugal cometeu o absurdo erro de avançar sozinho para a reforma. Assim, e apesar de a reforma portuguesa ser defendida sem alterações, para uso no Brasil, por filólogos brasileiros do calibre de Antenor Nascentes e Mário Barreto, o certo é que, durante alguns anos, ficaram os dois países com ortografias completamente diferentes: Portugal com uma ortografia moderna, o Brasil com a velha ortografia pseudo-etimológica.

    Foi em 1924 que as duas Academias, a Brasileira de Letras e a das Ciências de Portugal, resolveram procurar uma ortografia comum. Claro que, para isso, o Brasil teria que se aproximar de Portugal, que, na altura, caminhava na frente. Houve em 1931 um acordo preliminar entre as duas Academias, em que se adoptava praticamente a ortografia portuguesa. Assim se iniciou o processo de convergência das ortografias dos dois países com um reconhecimento quase total, por parte do Brasil, da superioridade da ortografia portuguesa. Contudo, os vocabulários que se publicaram, em 1940 (Academia das Ciências de Portugal) e 1943 (Academia Brasileira de Letras), continham ainda algumas divergências. Por isso, houve, ainda em 1943, em Lisboa, uma Convenção Ortográfica, que deu origem ao Acordo Ortográfico de 1945. Este acordo tornou-se lei em Portugal pelo Decreto 35 228 de 08.12.45, mas no Brasil não foi ratificado pelo Congresso; e, por isso, os Brasileiros continuaram a regular-se pela ortografia do Vocabulário de 1943.

    Em 1971, novo acordo entre Portugal e o Brasil aproximou um pouco mais a ortografia do Brasil da de Portugal. Tratou-se de cedência brasileira, mais uma vez. O acordo teve a sorte de ser oficializado sem burburinho. Note-se aqui que, do ponto de vista absoluto, ambas as grafias eram nesta altura perfeitamente razoáveis e sua única desvantagem era apresentarem ainda algumas diferenças. Não fosse isso, seria, de facto, inútil "mexer" mais.

    Em 1973, recomeçaram as negociações e, em 1975, as duas Academias mais uma vez chegaram a acordo, o qual "não foi contudo transformado em lei, pois circunstâncias adversas de vária ordem não permitiram uma consideração pública da matéria" (8).

    Em 1986, o Presidente José Sarney tentou resolver o assunto, que há longo tempo se arrastava, e promoveu o encontro dos sete países de língua portuguesa no Rio de Janeiro. Deste encontro, mais uma vez saíu um acordo ortográfico e mais uma vez o acordo não foi por diante, devido a um surpreendente alarido que se levantou em Portugal. Este alarido, longe de ser resultado de defeitos do acordo, deveu-se sobretudo a uma confrangedora ignorância do assunto por parte dos pouco ponderados adversários da união ortográfica. Mas a verdade é que o acordo foi suspenso.

    O pior é que se concluiu este ano novo acordo, dito "mais moderado", mas na verdade mais incoerente, e exposto, este sim, a críticas com fundamento. Os responsáveis portugueses pelo Acordo de 1986, que garantia uma unificação quase total da ortografia da língua, cederam aos auto-proclamados donos da Cultura Nacional e, agora, em 1990, produziram um acordo imperfeito, que não unifica, cheio de grafias duplas, defeitos estes que são deslealmente aproveitados pelos detractores que os causaram. É o castigo da demagogia. Enfim, se encarado como transitório, como mais uma pequena dose de mudança sem dor para não assarapantar o profanum vulgum, este acordozito é um passo na direcção certa. Para mim, no entanto, o método correcto seria fazer a unificação total de uma só vez e liquidar definitivamente o problema.


    Reformas e acordos ortográficos noutras línguas

    Contra o que tem sido afirmado, não têm faltado reformas ortográficas na historia das principais línguas civilizadas. Percorramos algumas dessas línguas.

    Espanhol. "A ortografia do Espanhol medieval é uma descrição fidedigna da língua, tal como ela era falada nos círculos culturais de Toledo por volta de 1275. Essa representação gráfica começou a ser defeituosa pelos fins do século XV...[O gramático] Nebrija [séculos XV e XVI] reafirmou o princípio fonético de que a língua se deve escrever como se pronuncia. Por esta época, os humanistas tinham começado a insistir na etimologia... Nos séculos XVI e XVII, tendo-se produzido mudanças consideráveis de pronúncia, a ortografia espanhola apresentava diversas anomalias, o que levou a Academia da Lingua a começar a adoptar um controle oficial da língua no século XVIII" (10). Sucessivas reformas, a última das quais em 1815, acabaram por conduzir à ortografia actual, que é praticamente fonética. Os países de língua espanhola usam, de um modo geral, a mesma ortografia, mas a união ortográfica está longe de se poder considerar definitivamente resolvida. Tem havido acordos, princi- palmente com a Argentina, que participa activamente nas discussões, e o Chile, que de 1822 até 1938 já apresentou 18 propostas de reforma ortográfica. Por seu lado, a Espanha, preocupada com a manutenção da unidade da língua espanhola no mundo, vai retardando as decisões. Em vários casos, a Espanha tem aceitado propostas de uma das suas antigas colónias, como foi o caso em 1952, em que certas tolerâncias propostas pela Argentina foram adoptadas pela Espanha e outros países de língua espanhola (11).

    Italiano. O italiano moderno (e a correspondente ortografia) são obra, algo artificial, por assim dizer, de Alessandro Manzoni (1785-1873), que escreveu, na forma que recomendava e que vingou, o célebre romance I promessi sposi, considerado uma das mais notáveis obras da literatura italiana. Com a língua italiana praticamente concentrada num só país, não há necessidade de acordos internacionais.

    Alemão. A escrita actual, baseada em Lutero, com a sua célebre tradução da Bíblia, em Freyer (1722) e Adelung (1788), é o resultado de acordos oficiais de 1876, 1901, 1920, 1954, etc., entre os países de língua alemã. Apesar destes acordos, também nada ainda é definitivo. As reuniões internacionais têm continuado: 1958 (Wiesbaden Empfehlungen), 1973 (Wiener Empfehlungen), 1978, 1980. Na última reunião internacional de que tenho conhecimento, em 1986, em Viena, participaram a Bélgica, a RFA, o Tirol italiano, o Liechtenstein, a Áustria, a Suíça, a RDA, o Luxemburgo e a Alsácia. As discussões têm sido agitadas e ainda não se alcançou a estabilidade. Como exemplo de pontos em discussão, anotem-se as numerosas e complicadas regras do uso da vírgula, as maiúsculas dos substantivos, a eliminação de consoantes mudas e de vogais duplas, etc. Ficou prevista para este ano nova reunião. [Nota em 1996: Em Julho de 1996, firmou-se em Viena um acordo entre os países de língua alemã sobre as novas regras de ortografia, as quais devem entrar em vigor em 1 de Agosto de 1998. Consultar página de actualização sobre ortografia alemã].

    Holandês. Na Holanda, por volta de 1900, a ortografia sofreu uma reforma radical, mexendo mesmo com a própria gramática. Até nomes de localidades foram revistos. As discussões sobre ortografia, que, tal como entre nós, têm por vezes sido acaloradas, nunca pararam. Os Flamengos, da Bélgica, cuja língua é o Holandês, adoptaram a ortografia da Holanda, mas as reuniões e as propostas de reforma ainda não terminaram.

    Russo. A Academia das Ciências Russa preparou em 1912 um projecto de reforma da ortografia que acabou por ser adoptado em 1917, a seguir à revolução. Esta reforma envolveu simplificações profundas, tendo sido eliminadas várias letras do alfabeto. Desde 1939, ano em que foi nomeada uma comissão de linguistas para o estudo de certos problemas da língua, que são regularmente actualizados os prontuários ortográficos. Felizmente, tal como para o Italiano, não há problemas internacionais.

    Turco. O caso mais espantoso de reforma ortográfica parece ser o da Turquia. Aí, o presidente Mustafá Kemal Atatürk, em 1928, aboliu pura e simplesmente o alfabeto até então usado, o árabe, e substituiu-o pelo latino. Todas as pessoas, apesar dos protestos dos reaccionários, tiveram que reaprender a ler. Esta cataclísmica reforma ortográfica vingou e, para as novas gerações, o alfabeto árabe é tão estranho como para a população europeia em geral.

    Chinês. Depois da última guerra, o Governo da China Popular simplificou um grande número dos caracteres que se usam para escrever as línguas da China, no que não foi seguido, nem pelas autoridades da Formosa, nem pela maioria das comunidades de chineses do estrangeiro. Assim, mantêm-se até hoje nas duas regiões diferenças ortográficas significativas. O próprio nome do país se escreve de modo diferente nas duas ortografias.

    Japonês. Os caracteres chineses simplificados foram também adoptados no Japão, a partir de 1947 (12).

    Grego. Em 1986, o Grego libertou-se finalmente do pesado sistema de acentos que por desgraça lhe caíra em cima nos tempos da civilização helenística. Uma pesada herança de Aristófanes de Bizâncio, bibliotecário de Alexandria e filólogo do século II AC.

    Francês. A ortografia do Francês tem variado ao longo dos séculos, quase sempre por saltos bruscos. No século XVI, a escola de Ronsard levou a grande maioria dos escritores a adoptar uma ortografia reformada, despojada das numerosas letras mudas inúteis. Foi nesse século, no entanto, que Francisco I decretou a célebre regra da concordância do particípio, por imitação do Italiano (regra, aliás, cuja eliminação está na mira dos reformadores actuais). A primeira edição do dicionário da Academia, no século XVII, sob a influência de Corneille, introduziu novas reformas. No século seguinte, a edição de 1740 do mesmo dicionário dava ortografia nova a nada menos de 2000 palavras das 3000 que o compunham. A ortografia actual do Francês fixou-se na forma actual por volta de 1830. A norma foi fixada na 6ª edição do Dicionário da Academia, de 1836. Desde o princípio deste século, porém, já em três ocasiões se iniciaram movimentos de reformas ortográficas: em 1901, em 1965 e em 1988. Em 1901, a reforma foi patrocinada por escritores como Anatole France, Georges Leygues e Ferdinand Brunot e teve um apoio de tal forma amplo que o Ministério da Instrução chegou a publicar uma portaria com as mudanças propostas. No entanto, esta portaria acabou por não ser aplicada, devido à campanha contra a reforma feita pela imprensa. Em 1965, uma comissão presidida por M. Beslais, ex-Director do Ensino Primário, apresentou um relatório com nova proposta de reforma. Nela, defendiam-se transformações do tipo

      théatre -> téatre

      pharmacie -> farmacie

      etc.

    Este relatório não teve seguimento, embora em 1975 uma nova portaria determinasse mudanças ortográficas menos ambiciosas. Esta portaria teve a sorte da do princípio do século, isto é, o total esquecimento. Apesar de aparentemente continuarem em vigor, ninguém as cumpre. O debate recomeçou em fins de 1988, desencadeado por uma sondagem na revista do Sindicato Nacional dos Professores e foi animado por numerosas tomadas de posição e publicação de artigos e livros. Dentre as tomadas de posição mais relevantes note-se a do chamado Manifesto dos dez linguistas, publicado em "Le Monde" de 07/02/1989, que defendia a necessidade de uma reforma, e a publicação em fins de 1989 de três livros sobre o assunto ("Le livre de l'orthographe", de Bernard Pivot, "Les délires de l'orthographe", de Nina Catach, e "Que vive l'ortografe!", de Jacques Leconte e Philippe Cibois). O assunto foi pelo Governo julgado suficientemente importante para justificar a nomeação, por decreto de 02.06.89, do Conseil supérieur de la langue française (CSLF), com o objectivo de "rectificar" a ortografia. Em fins de 1989, o Governo encarregou o CLSF de se pronunciar sobre um certo número de pontos concretos. Ao fim de uma dezena de reuniões, conseguiu-se um acordo, de que participaram a Bélgica, a Suíça e o Canadá, acordo que foi aprovado pela Academia Francesa. Em 19.06.90, foi apresentado o relatório do CSLF, a que se seguiram ainda negociações informais entre a Academia e os serviços do Primeiro Ministro. Finalmente, em Outubro passado, o CSLF recebeu e aprovou a versão definitiva da reforma. Pretende-se que seja publicada oficialmente ainda antes do Natal e que entre em vigor nas escolas a partir do Outono de 1991, embora haja a intenção de tolerar a antiga ortografia por mais alguns anos. Tudo leva a crer que, desta vez, a reforma terá destino diferente das que a antecederam neste século.


    O que deve ser a ortografia ideal ?

    Há a ideia generalizada de que uma ortografia é tanto mais perfeita quanto mais fonética for. Ora isto só é verdade até certo ponto. A ortografia fonética (*) tem vantagens e inconvenientes e, para cada língua, é preciso fazer a ponderação dessas vantagens e inconvenientes.

    Se se trata de uma língua restrita a poucos falantes e a uma região relativamente pequena e com boas comunicações, essa língua terá poucas variantes (ou marcas tópicas, como se diz). Será falada de igual modo por todos. Então, a escrita fonética é o que mais convém, porque é lógica e permite, mais do que qualquer outra, ler e escrever sem erros, mesmo aos menos cultos e aos estrangeiros.

    Se, porém, se trata de uma língua mundial como o Português, com um grande número de falantes e abrangendo enormes territórios com algumas dificuldades de contactos, já o caso muda de figura. De facto, então, há certamente variantes na linguagem falada, há inúmeros sotaques regionais, há, enfim, as chamadas marcas tópicas. E, neste caso, se se vai para a escrita fonética, que variante, que sotaque, se há-de representar? É que, uma vez escolhida essa variante, a escrita será fonética para ela, mas não o será para as outras.

    Assim, no caso do Português, para escrever foneticamente, por exemplo, o número 20, poderiam eventualmente usar-se as escritas bint, vint, vintchi, conforme fosse escolhida a pronúncia do Minho, de Lisboa, ou do Rio. Isto mostra que, para uma grande língua, a escrita totalmente fonética é inviável.

    Deve-se, então, ir para uma escrita ideográfica, como a chinesa, ou como a que usa algarismos? No caso dos números, realmente, a escrita com algarismos é totalmente ideográfica. 20 é entendido por todos os falantes de Português (e de outras línguas), lendo cada um a palavra correspondente com a sua pronúncia própria. Esta é uma vantagem da escrita ideográfica; ela é "supratópica". Usar tal escrita para a linguagem corrente, porém, tem enormes desvantagens, visto que é colossal o número de símbolos necessários (caso do Chinês).

    Por isso, o que há a fazer, para uma língua como o Português, é usar um meio termo. Devem representar-se as palavras de um modo, não completamente fonético, mas aproximadamente fonético. Cada palavra terá, então, além das suas componentes fonéticas (letras e grupos de letras), que correspondem a sons que podem ser diferentes de região para região, uma individualidade visual, um aspecto, próprios, que terão de ser reconhecidos por todos. Isso não impedirá que cada palavra escrita, reconhecida imediatamente por todos os falantes da língua (os não analfabetos, evidentemente), seja pronunciada de modo diferente em cada região.

    Aceites estes princípios, compreende-se que, em face das grafias do género de Antônio (Brasil) e António (Portugal), os negociadores do Acordo Ortográfico de 1986 se tivessem decidido pela grafia unificadora Antonio, como, aliás, se escrevia antes de 1911. Mas não adiantou. As emoções boçais levaram a melhor.

    (*) Por ortografia fonética entende-se uma ortografia em que a cada som corresponda uma letra ou grupo de letras únicos e a cada letra ou grupo de letras um som único, e, ainda, em que, pelo menos no caso das línguas indo-europeias, seja assinalada de algum modo a sílaba tónica.


    REFERÊNCIAS
    • (1) - Nunes, José Joaquim - Compêndio de gramática histórica portuguesa, Livraria Clássica Editora, Lisboa, 1945, p. 193
    • (2) - idem, p. 196
    • (3) - Fonseca, Fernando - O Português entre as línguas do mundo, Livraria Almedina, Coimbra, 1985, p. 326
    • (4) - Nunes, José Joaquim - Compêndio de gramática histórica portuguesa, Livraria Clássica Editora, Lisboa, 1945, p. 196
    • (5) - Cuesta, Pilar Vasquez - Gramática da língua portuguesa, Edições 70, Lisboa, 1980, p. 338
    • (6) - Nunes, José Joaquim - Compêndio de gramática histórica portuguesa, Livraria Clássica Editora, Lisboa, 1945, p. 198
    • (7) - Carmo Vaz, Álvaro - Código de escrita, Livros técnicos e científicos, Lisboa, 1983, p. 112
    • (8) - Protocolo de Acordo Ortográfico de 1986
    • (9) - Lausberg, Heinrich - Linguística Românica, Fundação Gulbenkian, Lisboa, 1974, p. 14
    • 10) - Entwistle, William - Las lenguas de Espana, Ediciones ITSMO, Madrid, 1973, p. 194
    • (11) - Catach, Nina - Les délires de l'orthographe, Plon, Paris, 1989.
    • (12) - O'Neill, P.G. (1978) - Essential Kanji, p.13.


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