26 Junho 2014
Alberto Nunes

                             SANTA CATARINA DO FOGO – KENHA QUI DABO ES CASTIGO!?

“A CM em momento algum cedeu a viatura ao PAICV para transportar os seus membros, mas, sim, a CM prestou um serviço a uma organização
mediante pagamento. ” Aqueleu Amado

Uma das atribuições da oposição é, sem dúvida, a de fiscalizar o uso legal, adequado e correto dos bens públicos. É esta árdua e ingrata tarefa
que a oposição em Santa Catarina do Fogo tem vindo a exercer ao longo desses, quase nove anos, da instalação do Município. Disso ninguém,
de bom senso, duvida! A oposição, todavia, é uma posição ingrata. Pois, é sabido que - as pessoas têm tendência de ficar ao lado de quem se
encontra no poder, mesmo sabendo que quem se encontra no poder esteja errado ou a praticar corrupção. Pois, é mais fácil e benéfico estar ao
lado da situação! Só que isso tem o seu preço! É esta realidade que, de certa forma, vigora no nosso concelho. Pois, muitos estão ao lado da
situação não por UMA CAUSA JUSTA ou em abono da verdade, ou por falta de provas das denúncias, ou por desenvolvimento, mas sim - por
uma questão de “oportunidade”, comodismos, benefícios, expediente, fanatismo, etc. A CONFISSÃO que o atual vice-presidente e responsável do
PAICV no concelho fazia alguns meses antes da campanha autárquica de 2012 alusivo ao presidente é a prova evidente do exposto. Doí a
verdade, mas liberta e salva o homem!

Lemos hoje um comunicado da camara municipal de Santa catarina do Fogo, pelos vistos, escrito pelo seu presidente – Sr. Aqueleu Amado - no
dia 16/06/2014 e enviado ao presidente da APSCF e seus membros.

Ao responder ao presidente da referida Associação - o Sr. Presidente da camara, como sempre, confundiu tudo. Aliás, de acordo com as suas
práticas não teria outra saída - citamos “não concordamos com a vossa comunicação porque, por um lado, a gestão pertence a CM e dentro dos
parâmetros da lei, isto é, ela é feita de acordo com legislação autárquica, regulamentos internos de funcionamento da edilidade.” Percebe-se
que o autocarro adquirido com financiamento tripartido (Camara, APSCF e uma parceira portuguesa) é agora da gestão exclusiva da camara
municipal sem que os “sócios” tenham - sequer o direito de opinar, mesmo tendo conhecimento do uso indevido e ilegal da referida viatura. Pois,
segundo os documentos normativos mencionados a gestão é da competência exclusiva da edilidade. Em seguida - o Sr. Presidente confirmou a
nossa denúncia: Uso do autocarro para fretes desleal e para fins partidários. Citamos: “A CM em momento algum cedeu a viatura ao PAICV para
transportar os seus membros, mas, sim, a CM prestou um serviço a uma organização mediante pagamento”. Faltava - o senhor presidente da
camara, por uma questão de honestidade e transparência, dizer que a referida organização é - o partido - PAICV. Dizendo assim tudo ficaria
consumado e cristalino. Palavras para quê? Que dizer desta trapalhada, senhor presidente e amigo Joaquim Fontes e os outros membros da
APSCF?

No parágrafo seguinte - o Sr. Presidente da camara partiu, como sempre, para o insulto e inverdades com a vã tentativa de enganar quem não o
conhece. Citamos: “ lamentamos que se deem créditos ao senhor Alberto Nunes, o Betinho que está desorientado e para se poder mostrar diz o
que lhe vem a cabeça com o único objetivo, isto é, confundir as pessoas. O senhor Alberto Nunes se diz hoje coordenador do MPD em Santa
Catarina não trabalha politicamente para mostrar os objetivos concretos à população do município, mas apenas diz coisas que não
correspondem a verdade e nunca apresenta prova do que diz”. Aqui no nosso concelho há uma única pessoa desorientada e que escolheu
inverdade como forma de vida e que pelas suas práticas não merece crédito de pessoa de bom senso – esta pessoa é o Sr. Presidente –
Aqueleu Amado. Sr. Presidente - Alberto Nunes, Betinho como é conhecido – sabe o que diz e não diz, por enquanto, tudo que sabe por motivo de
prudência e responsabilidade. Tudo que afirmamos temos provas e é confirmado pelo próprio Sr. Presidente – Aqueleu Amado.

Vejamos alguns exemplos recentes: no dia 04 de Junho proferimos uma conferência de imprensa em Cova Figueira onde denunciamos:
Nepotismo - isto é, o senhor presidente - de forma ilegal e imoral colocou a sua esposa com habilitação inferior a 9º ano de escolaridade - como
sua secretaria - num concelho com quadros com 12º ano e licenciados desempregos; o senhor presidente não sabe que está prática é
condenável no Estado de Direito? Promoveu concursos públicos viciados – em função das promessas de campanha - favorecendo os pares do
seu partido; Não sabe - o Sr. Presidente que o favorecimento no Estado de Direito é encarado como corrupção e crime e é por isso condenável?
Houve desvio de recursos públicos na camara por parte de um tesoureiro e o funcionário em causa foi promovido para cargo de Diretor de
Recursos humanos; uma pena! O Sr. presidente assinou documentos administrativos no dia 03 de Julho de 2012 na camara municipal antes da
sua tomada de posse como presidente; Não sabe o Sr. Presidente que essas práticas constituem ilegalidade e imoralidade? Arquitetou
despesas de fachadas nas diversas contas de gerências e justificou-as com construção de Jardins infantis, pocilgas, curral concelho, etc.
enquanto no terreno não há essas obras. Podíamos citar dezenas de exemplos, mas julgamos que os munícipes residentes e na diáspora já
estão informados de todos os desmandos levados a cabo pelo presidente e seus pares com conivências e fretes de alguns quadros do
concelho - uns residentes e outros na diáspora todos movidos pelo fanatismo partidários e interesses pessoais.

Queríamos lembrar ao Sr. Presidente que no dia 04 de Junho de 2014 na conferência acima referida denunciamos os seus desmandos e o
senhor apareceu acompanhado do seu vice e de mais um vereador a confirmar tudo - na rádio e na televisão. A notícia da reação saiu - no dia 06
de Junho de 2014 às 13 horas. Como foi motivo de TROÇA a nível nacional – alguém, não se sabe quem mandou cancelar a peça. Pena
acontecer facto deste género no Estado de Direito! Havia – senhor presidente, pessoas em fila para ver, ouvir e ler a tal notícia que infelizmente
foi cancelada. Aproveita, senhor presidente - a oportunidade para explicar as pessoas o real motivo do cancelamento! Recebemos – senhor
presidente - dezenas de chamadas de pessoas a perguntarem-nos a sua área de formação. Todavia, o que nos interessa é que as matérias –
objetos da denúncia foram confirmadas pelo senhor e seu vice na rádio e televisão nesse dia. Essas são provas! Aliás, denunciamos no dia 11
deste mês - o uso indevido do autocarro do Estado – no seu comunicado - o senhor acabou por confessar isso. Tudo isso - senhor presidente é
prova que as pessoas devem continuar a dar crédito ao Alberto Nunes pela sua honestidade em denunciar os factos ilícitos e imorais praticados
pela camara presidida - infelizmente pelo senhor. Uma vergonha! Uma pena!!!

Mantenha a todos os santa-catarinenses residentes e na diáspora.

É caso para parafrasear os senhores - Amaral e Alcides Veiga – Santa Catarina do Fogo - Kuenha qui dabo es castigo!?

São Filipe, 18 de Junho de 2014
Alberto Nunes

PS: No dia 11 de Junho – dia da divulgação da nossa conferência de imprensa havia na cidade de Cova Figueira pessoas bem identificadas e
instruídas a tentarem descredibilizar a notícia mas foram surpreendidas quando viram na TCV e ouviram na Rádio o presidente e o vice-
presidente a confirmarem os factos. Pena! Muito triste.
10 Setembro 2014

ILHA DO FOGO E SANTA CATARINA – AS TÁTICAS DOS ALIMENTADORES DE UM SISTEMA

“Honestidade é um presente muito caro. Não espere isso de pessoas baratas.” Warren Buffet

A ilha do Fogo e Santa Catarina vêm assistindo, nos últimos anos, à existência de um grupo de indivíduos bem identificados - com uma
mentalidade rígida, fechada, mal instruída (parafraseando o Dr. Casimiro de Pina) e sobretudo perigosa a querer a todo custo e em vão
descredibilizar alguns cidadãos da ilha e do concelho que vêm batalhando incansavelmente, pondo em causa a sua paz social, para denunciar
algumas práticas lesivas - levadas a cabo pela situação (local e nacional) que põem em causa a democracia e as coisas públicas. Quando, ao
menos, se esperava um comportamento diferente e sobretudo responsável da parte de alguns homens desta ilha e deste concelho - eis que
aparecem esses indivíduos desarticulados da realidade e da verdade e sem dados – entolhados - num fanatismo e cegueira sem paralelo - a
deixar transparecer resquícios de analfabetismo funcional - a produzir discursos vazios, espalhando ódio e desespero numa vã tentativa de
defenderem a situação (local e nacional) e ludibriar a mente dos idiotas. O desespero para mantar o partido no poder é tão evidente que não
falam dos graves problemas que afetam a ilha e o concelho, mas sim, só falam exclusivamente do partido. Uma doença. O grupo permanece
com a estratégia do sistema do qual pertence que é a de tocar pessoas pelo lado emocional/sentimental e não racional. Este tipo de
mentalidade secundariza ou melhor terciariza a ilha apesar das potencialidades existentes (turismo, agricultura, emigrantes, etc.) em benefício
do partido e seus clientes, como também tem jogado a ilha no sexto lugar em termos de desenvolvimento, e alimenta ainda dois dos três
concelhos mais pobres do país: Santa Catarina com 59% de pobres e Mosteiros com 51,7 % (censo 2013). Esta mentalidade retrógrada,
fechada, rígida e perigosa, é também geradora de uma das câmaras que mais gasta com indemnizações no país. A Câmara de São Filipe que
já gastou, aproximadamente, 100 mil contos em indemnizações. Oh meu Deus!

Certo é que a oposição na ilha e no concelho de Santa Catarina fazem afirmações graves provenientes das práticas graves cometidas pela
situação local e nacional. Disto ninguém duvida. Pois ninguém da situação – nem quem governa (local ou nacional) nem quem os fiscaliza
(deputados municipais e nacionais) nem quem os defendem (clientes) - conseguem desmentir o cidadão e Deputado Nacional Jorge Nogueira
sobre denúncias relacionadas com as falcatruas do “anel rodoviário”. Ninguém consegue desmentir a oposição de Santa Catarina sobre os
assuntos denunciados. Pois são graves, ou melhor, são muito grave as falcatruas relacionadas com a obra do “anel rodoviário”. Esta obra ficará
como símbolo da maior corrupção na história deste país. Senão vejamos:
No dia 22 de Janeiro de 2008 saiu no jornal A Semana online que a Ministra  Cristina Duarte deslocou-se ao Sudão para assinar um acordo de
crédito com o BADEA para a construção do “anel rodoviário” do Fogo. O projeto estava avaliado em 29,4 milhões de dólares (2,2 milhões de
contos) e a obra na altura era de 100 quilómetros da estrada. O anel ligava São Filipe - Cova Figueira – Vila da Igreja – Atalia – Campanas e
Ponta Verde.

No dia 6 de Novembro de 2008 em São Filipe Fogo o Primeiro-ministro garantiu aos jornalistas e ao público presente que o financiamento para
a execução do “anel rodoviário” já estava mobilizado na totalidade.

Do total do dinheiro destinado para a construção do “anel rodoviário” do Fogo, 150 mil contos foram usados para construir uma aldeia para os
amigos e camaradas do partido no poder; um milhão e dez mil contos foram usados para pagar indeminizações à empresa construtura;
milhares de contos foram usados para comprar 15 carros de alta cilindrada e de topo da gama para a empresa de fiscalização: três desses
carros foram levados para cidade da Praia; um milhão de escudos foram usados diariamente para pagar à empresa construtora sempre que as
obras fossem paralisadas, etc. Em suma, dos 100/80 quilómetros de estrada que deviam ser construídas - construíram apenas 31 quilómetros
faltando por contruir 69 ou 49 quilómetros, etc. SOCORRO!

Os deputados da situação (local e nacional), os presidentes das três camaras e os clientes não viram e nem ouviram nada disso. Que pena!
Aliás, os deputados nacionais da situação têm em mãos o mesmo relatório sobre o “anel rodoviário” que contém os dados vergonhosos
denunciados pelo cidadão e deputado Jorge Nogueira, só que por questão de fidelidade ao partido preferem ficar surdos e mudos. A ilha foi
ignorada como sempre por esses senhores e senhoras que estão bem da vida à custa desta ilha e deste concelho. Pena! Como fica a
consciência desses deputados da situação que deviam assumir-se como deputados da ilha e de Cabo Verde e que, no entanto, assumem-se
como deputados do partido e como tal viajaram nestes últimos dias juntamente com os três presidentes das câmaras da ilha para representar
o Fogo nos EUA? O discurso poético e lírico do Sr. presidente da Câmara Municipal de São Filipe no ato da inauguração do “anel rodoviário” não
foi mais do que uma mera tentativa de branquear a maior corrupção da história do nosso país. Haja paciência e tolerância!

Em Santa Catarina houve, ao longo destes últimos anos, a denúncia sistemática que recai sobre os dirigentes da câmara municipal, que
colocam nas contas de gerência despesas efetuadas em obras que não existem no terreno. Tais como: Na conta de gerência de 2008 há uma
despesa de 324.578$00 usada na construção de dois currais no concelho; em 2009 uma despesa de 267.600$00 usada na construção de um
curral no concelho; no mesmo ano ainda uma outra despesa de 52.000$00 usada na construção de um centro multiusos de Estância Roque;
na conta de gerência de 2010 uma despesa de 666.590$00 usada na construção de um jardim infantil e centro multiusos em Monte Vermelho;
em 2011 uma despesa de 48.400$00 usada na construção de jardins de Dacabalio e Monte Vermelho; no mesmo ano uma outra despesa de
2.259.940$00 usada na requalificação do Centro Multiusso de Estância Roque. Todas essas despesas pagas, mas no terreno não há essas
obras. Sério? Só conferir! Em 2012 há uma despesa de 870.400$00 usada para pagar subsídio de reintegração e ninguém recebeu essa
quantia no gabinete do presidente; ainda no mesmo ano há uma despesa de 232.620$00 usada para comprar uma banheira para a casa do
presidente.
Na sequência das eleições autárquicas de 2008 e 2012 a câmara cortou subsídios de estudos aos munícipes/estudantes que votaram na
oposição; questionado o presidente da camara sobre essas práticas antidemocráticas numa das sessões de Assembleia Municipal ele
respondeu que enquanto presidente não apoia ninguém que não o apoia. Desde início da instalação do município implementou no concelho o
nepotismo, onde o caso mais gritante é a esposa do presidente com apenas 6ª classe a ocupar o cargo da secretaria do edil; na sequência das
eleições autárquicas a câmara paga uma indemnização de 110 contos/mês por um período de 10 meses, fruto da vingança e perseguição
politica; a câmara mandou impedir os privados de explorar discotecas e boates nas festividades do Município de Santa Catarina em 2012. Uma
atitude absurda e sem nenhum fundamento legal.

São essas e outras práticas gritantes que a oposição da ilha do Fogo e do concelho de Santa Catarina tem vindo a denunciar, cumprindo,
assim, escrupulosamente o seu dever de fiscalizar que não lhe é exclusivo, mas também de todos aqueles que conscientemente usam o seu
estatuto de cidadania. Todavia, muitos demitiram-se desse estatuto e assumem-se como clientes do partido, ao ponto de pedirem
publicamente nas redes sociais aos cidadãos para venderem os seus votos como forma de manter o partido no poder a todo custo. É o cúmulo
da falta de ética, do desnorte, da desonestidade, da insinceridade, é tudo, inclusive o maquiavelismo no seu mais elevado grau.
Esses indivíduos (não cidadãos) clientes do partido são especialistas em desviar do essencial; normalizam, comparam e naturalizam o
absurdo; fingem ser vítimas, etc., praticam aquilo que o filósofo brasileiro Olavo de Carvalho chama de “princípio da acusação invertida”, numa
vã tentativa de enganar homens prudentes, mas no entanto, manipulam só e exclusivamente a mente dos idiotas.   
Enquanto esses clientes tentam em vão deturpar a verdade, desviar do essencial, normalizar, naturalizar e comparar o absurdo, trazendo
discursos ofensivos, baratos e sem fundamentos, a oposição da ilha do Fogo e de Santa Catarina recebe dezenas de mensagens e
telefonemas de pessoas ligadas à academia, de pessoas idóneas e responsáveis, de autores de grandes obras, de intelectuais conceituados
a parabenezarem-na pela atitude, desprendimento e ousadia em enfrentar um sistema perigoso que alimenta ódio, mentira, crime e sobretudo
desonestidade. Em abono da verdade, a oposição no Fogo e em Santa Catarina faz todo este abnegado trabalho porque aprendeu a conquistar
tudo na vida à base do mérito e da competência e nunca conquistar algo à base de bajulação, expedientes, ou usando o cartão de militância
partidária. Eis a diferença.

Esta oposição vive livre, dorme tranquila e anda de cara levantada, consciente das conquitas que a ilha e o concelho alcançaram, dos atrasos
provocados e dos obstáculos que tem de enfrentar para pôr a ilha e o concelho num patamar equiparado às suas potencialidades. Difícil,
todavia possível.

Bem-haja oposição!
São Filipe, 09 de Setembro 2014
Alberto Nunes
14 Setembro 2014

Ilha do Fogo e Santa Catarina – as táticas dos alimentadores de um sistema

Este tipo de mentalidade secundariza ou melhor terciariza a ilha apesar das potencialidades existentes (turismo, agricultura, emigrantes, etc.)
em benefício do partido e seus clientes, como também tem jogado a ilha no sexto lugar em termos de desenvolvimento, e alimenta ainda dois
dos três concelhos mais pobres do país

“Honestidade é um presente muito caro. Não espere isso de pessoas baratas.” - Warren Buffet

A ilha do Fogo e Santa Catarina vêm assistindo, nos últimos anos, à existência de um grupo de indivíduos bem identificados - com uma
mentalidade rígida, fechada, mal instruída (parafraseando o Dr. Casimiro de Pina) e sobretudo perigosa a querer a todo custo e em vão
descredibilizar alguns cidadãos da ilha e do concelho que vêm batalhando incansavelmente, pondo em causa a sua paz social, para denunciar
algumas práticas lesivas - levadas a cabo pela situação (local e nacional) que põem em causa a democracia e as coisas públicas. Quando, ao
menos, se esperava um comportamento diferente e sobretudo responsável da parte de alguns homens desta ilha e deste concelho - eis que
aparecem esses indivíduos desarticulados da realidade e da verdade e sem dados – entolhados - num fanatismo e cegueira sem paralelo - a
deixar transparecer resquícios de analfabetismo funcional - a produzir discursos vazios, espalhando ódio e desespero numa vã tentativa de
defenderem a situação (local e nacional) e ludibriar a mente dos idiotas. O desespero para mantar o partido no poder é tão evidente que não
falam dos graves problemas que afetam a ilha e o concelho, mas sim, só falam exclusivamente do partido. Uma doença. O grupo permanece
com a estratégia do sistema do qual pertence que é a de tocar pessoas pelo lado emocional/sentimental e não racional. Este tipo de
mentalidade secundariza ou melhor terciariza a ilha apesar das potencialidades existentes (turismo, agricultura, emigrantes, etc.) em benefício
do partido e seus clientes, como também tem jogado a ilha no sexto lugar em termos de desenvolvimento, e alimenta ainda dois dos três
concelhos mais pobres do país: Santa Catarina com 59% de pobres e Mosteiros com 51,7 % (censo 2013). Esta mentalidade retrógrada,
fechada, rígida e perigosa, é também geradora de uma das câmaras que mais gasta com indemnizações no país. A Câmara de São Filipe que
já gastou, aproximadamente, 100 mil contos em indemnizações. Oh meu Deus!

Certo é que a oposição na ilha e no concelho de Santa Catarina fazem afirmações graves provenientes das práticas graves cometidas pela
situação local e nacional. Disto ninguém duvida. Pois ninguém da situação – nem quem governa (local ou nacional) nem quem os fiscaliza
(deputados municipais e nacionais) nem quem os defendem (clientes) - conseguem desmentir o cidadão e Deputado Nacional Jorge Nogueira
sobre denúncias relacionadas com as falcatruas do “anel rodoviário”. Ninguém consegue desmentir a oposição de Santa Catarina sobre os
assuntos denunciados. Pois são graves, ou melhor, são muito grave as falcatruas relacionadas com a obra do “anel rodoviário”. Esta obra
ficará como símbolo da maior corrupção na história deste país. Senão vejamos:

No dia 22 de Janeiro de 2008 saiu no jornal A Semana online que a Ministra  Cristina Duarte deslocou-se ao Sudão para assinar um acordo de
crédito com o BADEA para a construção do “anel rodoviário” do Fogo. O projeto estava avaliado em 29,4 milhões de dólares (2,2 milhões de
contos) e a obra na altura era de 100 quilómetros da estrada. O anel ligava São Filipe - Cova Figueira – Vila da Igreja – Atalia – Campanas e
Ponta Verde.

No dia 6 de Novembro de 2008 em São Filipe Fogo o Primeiro-ministro garantiu aos jornalistas e ao público presente que o financiamento para
a execução do “anel rodoviário” já estava mobilizado na totalidade.

Do total do dinheiro destinado para a construção do “anel rodoviário” do Fogo, 150 mil contos foram usados para construir uma aldeia para os
amigos e camaradas do partido no poder; um milhão e dez mil contos foram usados para pagar indeminizações à empresa construtura;
milhares de contos foram usados para comprar 15 carros de alta cilindrada e de topo da gama para a empresa de fiscalização: três desses
carros foram levados para cidade da Praia; um milhão de escudos foram usados diariamente para pagar à empresa construtora sempre que
as obras fossem paralisadas, etc. Em suma, dos 100/80 quilómetros de estrada que deviam ser construídas - construíram apenas 31
quilómetros faltando por contruir 69 ou 49 quilómetros, etc. SOCORRO!

Os deputados da situação (local e nacional), os presidentes das três camaras e os clientes não viram e nem ouviram nada disso. Que pena!
Aliás, os deputados nacionais da situação têm em mãos o mesmo relatório sobre o “anel rodoviário” que contém os dados vergonhosos
denunciados pelo cidadão e deputado Jorge Nogueira, só que por questão de fidelidade ao partido preferem ficar surdos e mudos. A ilha foi
ignorada como sempre por esses senhores e senhoras que estão bem da vida à custa desta ilha e deste concelho. Pena! Como fica a
consciência desses deputados da situação que deviam assumir-se como deputados da ilha e de Cabo Verde e que, no entanto, assumem-se
como deputados do partido e como tal viajaram nestes últimos dias juntamente com os três presidentes das câmaras da ilha para representar
o Fogo nos EUA? O discurso poético e lírico do Sr. presidente da Câmara Municipal de São Filipe no ato da inauguração do “anel rodoviário”
não foi mais do que uma mera tentativa de branquear a maior corrupção da história do nosso país. Haja paciência e tolerância!

Em Santa Catarina houve, ao longo destes últimos anos, a denúncia sistemática que recai sobre os dirigentes da câmara municipal, que
colocam nas contas de gerência despesas efetuadas em obras que não existem no terreno. Tais como: Na conta de gerência de 2008 há uma
despesa de 324.578$00 usada na construção de dois currais no concelho; em 2009 uma despesa de 267.600$00 usada na construção de um
curral no concelho; no mesmo ano ainda uma outra despesa de 52.000$00 usada na construção de um centro multiusos de Estância Roque;
na conta de gerência de 2010 uma despesa de 666.590$00 usada na construção de um jardim infantil e centro multiusos em Monte Vermelho;
em 2011 uma despesa de 48.400$00 usada na construção de jardins de Dacabalio e Monte Vermelho; no mesmo ano uma outra despesa de
2.259.940$00 usada na requalificação do Centro Multiusso de Estância Roque. Todas essas despesas pagas, mas no terreno não há essas
obras. Sério? Só conferir! Em 2012 há uma despesa de 870.400$00 usada para pagar subsídio de reintegração e ninguém recebeu essa
quantia no gabinete do presidente; ainda no mesmo ano há uma despesa de 232.620$00 usada para comprar uma banheira para a casa do
presidente.

Na sequência das eleições autárquicas de 2008 e 2012 a câmara cortou subsídios de estudos aos munícipes/estudantes que votaram na
oposição; questionado o presidente da camara sobre essas práticas antidemocráticas numa das sessões de Assembleia Municipal ele
respondeu que enquanto presidente não apoia ninguém que não o apoia. Desde início da instalação do município implementou no concelho o
nepotismo, onde o caso mais gritante é a esposa do presidente com apenas 6ª classe a ocupar o cargo da secretaria do edil; na sequência
das eleições autárquicas a câmara paga uma indemnização de 110 contos/mês por um período de 10 meses, fruto da vingança e perseguição
politica; a câmara mandou impedir os privados de explorar discotecas e boates nas festividades do Município de Santa Catarina em 2012. Uma
atitude absurda e sem nenhum fundamento legal.

São essas e outras práticas gritantes que a oposição da ilha do Fogo e do concelho de Santa Catarina tem vindo a denunciar, cumprindo,
assim, escrupulosamente o seu dever de fiscalizar que não lhe é exclusivo, mas também de todos aqueles que conscientemente usam o seu
estatuto de cidadania. Todavia, muitos demitiram-se desse estatuto e assumem-se como clientes do partido, ao ponto de pedirem
publicamente nas redes sociais aos cidadãos para venderem os seus votos como forma de manter o partido no poder a todo custo. É o cúmulo
da falta de ética, do desnorte, da desonestidade, da insinceridade, é tudo, inclusive o maquiavelismo no seu mais elevado grau.

Esses indivíduos (não cidadãos) clientes do partido são especialistas em desviar do essencial; normalizam, comparam e naturalizam o
absurdo; fingem ser vítimas, etc., praticam aquilo que o filósofo brasileiro Olavo de Carvalho chama de “princípio da acusação invertida”, numa
vã tentativa de enganar homens prudentes, mas no entanto, manipulam só e exclusivamente a mente dos idiotas.   

Enquanto esses clientes tentam em vão deturpar a verdade, desviar do essencial, normalizar, naturalizar e comparar o absurdo, trazendo
discursos ofensivos, baratos e sem fundamentos, a oposição da ilha do Fogo e de Santa Catarina recebe dezenas de mensagens e
telefonemas de pessoas ligadas à academia, de pessoas idóneas e responsáveis, de autores de grandes obras, de intelectuais conceituados
a parabenezarem-na pela atitude, desprendimento e ousadia em enfrentar um sistema perigoso que alimenta ódio, mentira, crime e sobretudo
desonestidade. Em abono da verdade, a oposição no Fogo e em Santa Catarina faz todo este abnegado trabalho porque aprendeu a conquistar
tudo na vida à base do mérito e da competência e nunca conquistar algo à base de bajulação, expedientes, ou usando o cartão de militância
partidária. Eis a diferença.

Esta oposição vive livre, dorme tranquila e anda de cara levantada, consciente das conquitas que a ilha e o concelho alcançaram, dos atrasos
provocados e dos obstáculos que tem de enfrentar para pôr a ilha e o concelho num patamar equiparado às suas potencialidades. Difícil,
todavia possível.

Bem-haja oposição!

São Filipe, 09 de Setembro 2014

Alberto Nunes | albertonunesia@gmail.com
15 Out 2015
        O GOVERNO ESTÁ SEM SOLUÇÃO PARA AS FAMILIAS DE CHÃ DAS CALDEIRAS

É preocupante a situação das famílias de Chã das Caldeiras, dez meses e dezanove dias, depois da última erupção vulcânica. O governo, as
câmaras municipais da ilha do Fogo, algumas instituições públicas e ONGs receberam donativos (dinheiro, portas, madeiras, cimento,
verguinhas, TV palmas, etc.) cujo objetivo, é resolver os problemas dos desalojados na sequência da última erupção vulcânica.

Aproximadamente, dez meses e dezanove dias se passaram, muito pouco, a população de Chã, o povo de Cabo Verde sabem sobre o
paradeiro dos donativos. Os responsáveis, ao receberem, os primeiros donativos, prometeram, publicamente, o apoio aos empreendedores de
Chã que havia perdido bens, prometeram, também, a construção, em tempo record, da Adega provisoria do Vinho (inclusive o governo lançou
com pompa a primeira pedra), prometeram divulgar trimestralmente a quantia dos donativos, prometeram ser transparente, prometeram enfim
tudo, na verdade, não passou de promessas. Aliás, este governo habituou-nos às promessas incumpridas. Pena é que muitos continuam a
acreditar neste governo e no primeiro-ministro! Há ainda quem os defendem, mesmo sabendo das promessas falsas.

Com os parcos recursos, após a erupção, a população de Chã das Caldeiras construiu o acesso à Portela e Bangaeira. Muitos estão a
construir, com recursos próprios, suas novas habitações. A empreendedora - Mariza de Pina, sem pensar nas promessas do Primeiro-Ministro,
resolveu em tempo record, construir o maior empreendimento turístico de Chã das Caldeiras, no período pós erupção vulcânica, de 23 de
Novembro de 2014. Há sim, forte engajamento da população de Chã das Caldeiras na reconstrução dessa localidade e no Auto realojamento.
O governo, as câmaras locais e as ONGs que detêm os donativos destinados aos habitantes desalojados mostram-se indiferentes e menos
preocupados. Esta atitude de desleixo por parte de quem deveria ter uma atitude proactiva é, no mínimo, grave e induz às pessoas do bem a
desacreditarem nas instituições.

O governo de Cabo Verde com todos os donativos recebidos não conseguiu, até este momento, dar uma resposta cabal em termos de
realojamento definitivo a essa população. Mas, meu Deus do céu, como as famílias de Chã conseguem fazer construções com parcos
recursos e o governo com tanto dinheiro e material arrecadados não conseguiu construir uma moradia inda sequer!?
Os fóruns realizados não passaram de teatro para gastar os donativos e trazer amigos para ilha do Fogo sem que houvesse um resultado
positivo para a população de Chã das Caldeiras.

O gabinete da reconstrução da ilha do Fogo não passa, também, de expressões bombásticas, do nosso primeiro-ministro que resultam
sempre em NADA. Os seus membros estão espalhados, outros de férias a aproveitarem o bom da vida e o povo de Chã a sofrer e esperar pelo
bel-prazer desses senhores. Ao aproximar as eleições aparecem como “milagrosos” com esses donativos alheios a chantagear, manipular e
perseguir pessoas, em troca da manutenção de poder. Aqui, nesta ilha, tudo é medido pelo poder. Tudo é feito para manter-se no poder.

Para entender os reais problemas das pessoas de Chã das Caldeiras, ao longo deste período, urge a necessidade de se colocar na situação
delas. Pessoas que viviam com muita independência, a trabalhar sistematicamente garantindo assim a sua auto-suficiencia, e de um
momento para outro, perderam tudo que possuíam, e passaram ao desemprego, dependência prolongada e sobretudo humilhadas.   
Ontem tive a oportunidade de ouvir de novo os clamores dessas pessoas é, deveras preocupante. Pena é que muitos perderam a
sensibilidade humana em troca de interesses pessoais e partidários! É necessário, nesta ilha, a união de vozes para bradar pelo respeito para
com as pessoas, bem como, perguntar aos responsáveis que detêm os donativos dos desalojados, onde estão esses donativos?

São Filipe, 12 de Outubro de 2015
Alberto Nunes
                                                          UM NOVO PARADIGMA NA POLÍTICA

1.Ministros nas campanhas com recursos do Estado
No dia 28 de Março de 2016, o Dr. Ulisses Correia e Silva, na qualidade do Primeiro-Ministro recém-eleito, fez a sua primeira
visita à ilha do Fogo para agradecer a população pela vitória conseguida e sobretudo reforçar o compromisso com a
população de Chã das Caldeiras. No final do dia houve um encontro no Presidio com a população. No encontro, o deputado
Jorge Nogueira pediu ao recém Primeiro-ministro para trabalhar afincadamente no sentido de impedir, de uma vez por todas,
que haja Ministros nas campanhas com recursos do Estado a viciarem os resultados eleitorais.

2. Despartidarização da sociedade cabo-verdiana
Penso que é necessário, a partir deste momento, trabalhar com muita inteligência e aproveitar os recursos humanos
existentes no País e na diáspora, bem como outras potencialidades endógenas para criar as condições necessárias e fazer
o País crescer e avançar no sentido de combater o desemprego, a insegurança e resolver eficazmente os diversos
problemas dos deslocados de Chã das Caldeiras, entre outras muitas mazelas que afetam os cabo-verdianos.
Sei e tenho a certeza que o Dr. Ulisses Correia e Silva e a sua equipa do Governo irão fazer de tudo para despartidarizar a
sociedade cabo-verdiana, preparando um ambiente saudável, de mérito e da competitividade em detrimento da militância
partidária.
Para a concretização deste último aspeto os militantes e os apoiantes do MpD e do Dr. Ulisses, nesta última eleição, têm de
colaborar, abdicando, deste modo, de interesses pessoais, priorizando compromissos estruturantes e de abrangência maior
e coletivo.
A ideia de que o maior partido deste País, propalado nestes últimos meses, é Cabo Verde deve prevalecer, pois, parece-me
que ao longo destes últimos anos uma franja significativa deste País cansou-se com os partidos e a partidarização da
sociedade.

3. O País precisa de um bom Governo e bons Presidentes de Câmaras
Ulisses defendeu que Cabo Verde e ilha do Fogo em particular só podem desenvolver com um bom Governo e bons
Presidentes de Câmaras. É claro que um Presidente de Câmara que nas segundas-feiras, logo após as eleições, começa a
vingar-se e a perseguir cidadãos que não votaram nele e no seu partido não pode ser visto como um bom Presidente.
Esta atitude de vingança, perseguição, ódio, etc., é arcaica, nefasta, dificulta sobremaneira a consolidação da democracia e
viola grosseiramente a Constituição da República.

4. Política só faz sentido se for para servir as pessoas
Apelo no sentido de haver um novo paradigma de fazer política neste País e nesta ilha em particular. Uma política centrada
nos problemas que afetam o País e as pessoas, bem como, no encontro das soluções concretas para cada um dos
problemas no sentido de promover a felicidade das famílias cabo-verdianas.
Como diz o Papa Francisco, a política é a forma nobre de servir as pessoas. Tem toda a razão o Papa Francisco desde que
o espirito dos políticos seja de servir o país e não de servir-se do país.
Cidade de São Filipe, 08 de Abril de 2016
Alberto Nunes

                  BASTA Á POLÍTICA DE VINGANÇA E PERSEGUIÇÃO NO MEU CONCELHO!

Os Investigadores, inclusive cidadãos atentos, têm vindo a observar uma evolução e sobretudo maturidade na esfera política
cabo-verdiana. Porém, reconhecem também algumas fragilidades que precisam ser ultrapassadas, com brevidade, a bem da
nação. Essa evolução e maturidade estão espelhadas na participação ativa dos cidadãos nas eleições, na aceitação dos
resultados eleitorais, na fiscalização do cumprimento das plataformas, nas denúncias de algumas irregularidades, etc. A par
desta realidade, nota-se também determinadas práticas levadas a cabo por alguns homens que detém o poder e que põem
em causa algumas das conquistas do povo cabo-verdiano, principalmente a liberdade e a democracia.

Em Santa Catarina do Fogo, a câmara municipal tem vindo a praticar atos que perigam a liberdade, a democracia e sobretudo
a Constituição da República. Normalmente, após a cada eleição assistimos um desencadear de vinganças e perseguições
contra os cidadãos que tiveram uma opção diferente da dos líderes municipais.

Em 2008, o atual professor/geografo - António Andrade Gonçalves (Moniz) viu o seu subsídio de estudo cortado pela câmara
municipal na sequência da sua participação no grupo independente que se candidatou naquelas eleições em Santa Catarina.
Duas funcionárias (Nilda Fontes e Gordinha Marcelino) viram seus contratos, com a câmara, anulados por terem estado ao
lado do grupo independente.

Em 2012, dezenas de jovens viram seus subsídios de estudos cortados porque optaram por fazer campanha e votar na
candidatura contrária a apoiada pelos líderes da câmara municipal, entre estes estudantes, encontravam-se o hoje advogado
Nilton Nunes, a emigrante Denise Andrade, Sra. Juliana Monteiro, etc. Na sequência dessas mesmas eleições, Amílcar de Pina
foi despedido das suas funções do condutor do presidente e José Vieira de Pina (Chéché ki fra) viu a sua renda de casa
cancelada por alguns meses. O primeiro porque disse em alta voz que não votava no candidato do MPD, no entanto,
reconhecia que ele era bom candidato. O segundo fez a campanha para o MPD. Estes dois últimos ganharam o caso no
tribunal contra a câmara municipal e com direito a indeminização.

Nestas últimas eleições de 20 de Março estamos a assistir, por parte da câmara, o desencadear de um conjunto de vinganças
e perseguições contra os funcionários que alegadamente votaram MPD ou simplesmente não quiseram votar. Os casos mais
gritantes são: Melissa Teixeira, tesoureira da câmara de Santa Catarina que foi transferida para contabilidade e sob o pretexto
de estar a prestar mau serviço aos munícipes; Iva, funcionária de saneamento. A câmara recusou justificar as suas faltas
desvalorizando o documento médico; Adilson, empreendedor, viu seu bar/restaurante fechado pela câmara sob o pretexto de
documentação e posteriormente por se localizar perto de um estabelecimento de ensino, etc. Essa atitude que já faz escola
nesta intuição e no município em geral e que viola grosseiramente a Constituição da República deve acabar. Li algures, bem
como, vi a imagem do Paços do concelho onde o autor do texto enalteceu a beleza do edifício, porém, lamenta as práticas de
vinganças e perseguições que acontecem ali dentro. Li também alguns comentários. Uma jovem universitária, sim
universitária, tentou vãmente ignorar essas práticas abomináveis e, de forma desumana, enalteceu o trabalho material do belo
Palácio. Para essa jovem, a beleza do Paços do concelho justifica essas vinganças e perseguições. O maquiavelismo a
funcionar. Uma pena! Quando as universidades não conseguem mudar a mentalidade dos estudantes é porque não cumprem
as suas funções essenciais. Quando o estudante não contribui para a sua mudança de mentalidade é porque perdeu tempo.
Pode até transportar canudos, porém, não se vislumbra um contributo positivo para a sua sociedade. Tenho dito que o maior
problema que Cabo Verde enfrenta hoje não é divida – 120% do PIB, mas sim, a mentalidade.

Como trabalhar para fazer esses senhores que lideram a Câmara de Santa Catarina entenderem que os cidadãos são livres
para apoiarem ou votarem no partido e no candidato que quiserem sem consequências assim como manda o artigo 24 da
nossa Constituição?

O que fazer para que esta jovem que ignore um conjunto de vinganças e perseguições contra os chefes de famílias e prioriza
uma beleza de uma construção e faz marketing de quem pratica tais vinganças e perseguições?

O meu ex-professor Wilson Barbosa Nascimento dizia-nos sempre na Universidade de São Paulo (USP) que as pessoas do
tipo desta estudante teriam que passar por uma situação idêntica a que estes outros estudantes e chefes de famílias
passaram para que possam tomar a consciência desses males. Há quem é insensível aos problemas dos outros.

Por uma sociedade solidária, coerente, inclusiva e promotora de um bom ambiente económico, da democracia e da liberdade
torna-se necessário um novo paradigma na política. Precisamos de políticos que respeitem a decisão/escolha dos cidadãos,
que não obriguem os técnicos a se militarizarem nos partidos, que promovem concursos públicos transparentes, que não
favoreçam alguém, que privilegiem o mérito e a competitividade. Precisamos de políticos sérios, com espírito democrático e
dialógico.
Em síntese, precisamos de novos políticos e novas políticas para Santa Catarina.  

São Filipe, 04 de Maio de 3016
Alberto Nunes
27 Maio 2017
                                                    NOVA ATITUDE PRECISA-SE!

Em Cabo Verde fala-se hoje e muito sobre o ambiente político e de negócios. Na verdade ao viver na ilha do Fogo e em
Santa Catarina percebe-se, sem muito esforço, a necessidade de imperar um bom ambiente quer político e quer de
negócios. Um bom ambiente político é condição “sine qua non” para que haja um bom ambiente de negócios e por
conseguinte o crescimento da economia, emprego, rendimento e paz social. Esses ingredientes que, aparentemente
parecem simples, são sim, necessários ao desenvolvimento.

A ilha do Fogo, a segunda a ser povoada, ainda no século XV, alberga no seu “seio” potencialidades adormecidas
alberga também dois dos concelhos que estão mais pobres no país. Afirmamos que estão mais pobres porque realmente
não são pobres, mas sim, estão pobres. Pois, a ilha toda é um mar de oportunidades desperdiçadas. É percetível, a olho
nu, que de entre outros fatores que contribuíram para esta pobreza, principalmente, nestas últimas décadas, têm a ver
com o mau ambiente político vivido na ilha e no concelho e que consequentemente proporcionou um mau ambiente de
negócios e outros males advenientes desta cadeia e/ou sistema.

A política praticada nestes últimos anos nesta ilha e em Santa Catarina contribuiu e muito para o desperdiço de
oportunidades já que quem esteve no local da decisão acabou por partidarizar tudo inclusive a amizade e a família.
A criação do concelho de Santa Catarina a 09 de Maio de 2005 e a tomada de posse dos membros da Comissão
Instaladora no dia 25 de Julho de mesmo trouxeram para o concelho um ambiente político nunca visto. O favorecimento e
a partidarização que fizeram escola no concelho a partir dessa data contribuíram para a crispação de tudo e inclusive o
rompimento de amizade entre os munícipes e membros de famílias. Tudo ficou diferente no concelho! É necessário repor
a normalidade. O concelho precisa de um ambiente político e económico diferente propiciador de progresso e de
desenvolvimento. Para atingir este desiderato é necessário mudar os autores políticos e o sistema por eles criado a fim de
implementar um novo programa no concelho que crie um novo ambiente político e económico.

A ilha e o concelho precisam de um novo paradigma e uma nova atitude na política. A criação de um bom ambiente
político onde os elementos da situação e da oposição se convivem num espirito de confiança, responsabilidade e
sobretudo de debates salutar de ideias é importante para a ilha e o concelho.

Os atos públicos de recolhas de ideias e contribuições devem ser abertos a todos e não como vêm acontecendo nestes
últimos anos preferindo militantes da situação e excluindo cidadãos e/ou militantes da oposição. Muitos quadros
residentes e na diáspora que poderiam ter dado seu contributo no desenvolvimento da ilha e do concelho foram
simplesmente ignorados. Eles precisam de uma oportunidade para pôr em prática seus conhecimentos.

Defendemos nesta perspetiva um ótimo ambiente político e de negócios onde os recursos humanos são aproveitados em
função da sua qualificação de forma a dinamizar a economia local, promover emprego e rendimento para as famílias bem
como estabelecer a paz social na nossa sociedade. A ilha e o concelho precisam!

Bem-haja!

Cidade de São Filipe, 25 de Maio de 2016

Alberto Nunes