3 Mar 2013
A SOCIEDADE E A JUSTIÇA EM CABO VERDE, QUE FUTURO?

‘‘Não concordo em nenhuma palavra que dizeis, mas defenderei o vosso direito de dizê-la até à morte’’. (Voltaire)

Vivemos hoje numa aldeia global, onde devemos tirar o máximo proveito das coisas boas mas, ignorámo-las fingindo que tudo está bem quando
temos uma sociedade num caos. É triste saber que estamos vivendo numa sociedade dita DEMOCRÁTICA, quando na verdade é uma autêntica
fachada. Que tipo de democracia essa, em que a justiça funciona somente para alguns? Que tipo de sociedade essa, em que o GOVERNO não
preocupa com as pessoas, mas sim, pelo bem-estar dos seus membros? Essa é a sociedade igualitária que toda gente almejava!!! Com certeza
que não. Para aqueles que estão no comando não se esqueçam que, estão aí ‘‘por alguns dias”. O povo está vendo e, de certeza, vai querer
cobrar depois com juros. Não consigo entender como é possível um Governo passar à margem de uma sociedade, como nossa, frágil, com
parcos recursos, sendo tão indiferente.
A democracia surgiu na Grécia, em Atenas no Século V a. C., onde, apesar das suas limitações, houve um reformista chamado Péricles, que
passou 45 anos no poder não porque ele era um ditador, um tirano ou até mesmo um déspota, mas sim, porque as políticas postas em práticas
por ele iam de encontro com as necessidades e aspirações das camadas mais vulneráveis da sociedade.

Hoje, dezasseis séculos depois, em pleno século XXI, após termos herdado essa nova forma de Governo, que entendemos ser o melhor para
qualquer sociedade, aliás, a democracia pressupõe que o poder esteja nas mãos do povo, visto que não podendo ter uma democracia directa,
temos uma indirecta onde nós elegemos os nossos representantes para nos representar na Assembleia Nacional (o parlamento). Este órgão é
uma autêntica vergonha na medida em que, em vez de discutirem assuntos relacionados com problemas que cada concelho vem enfrentando no
seu dia a dia, ficam ai ‘‘lavando roupa suja’’ de ambos os lados. Basta! basta! basta!

Como é possível, um Governo não conseguir controlar uma ‘‘cidadezinha’’ como a capital – Praia, com apenas 124 mil pessoas, onde elas já não
se sentem mais seguras, nem de dia, quanto mais à noite. Toda gente sabe que Cabo verde é um país insular constituído por dez ilhas, sendo
uma não habitada e nove habitadas. Por conseguinte, na prática não é o que parece na medida em que, Cabo verde é somente a Ilha de Santiago
ou a de São vicente, que aliás já ficou para trás há muito tempo, sem fazer referência às outras ilhas onde o desenvolvimento não chega e quando
chega é quase à força e à gota d´água. Do meu ponto de vista, quando falamos de desenvolvimento de Cabo Verde devemos falar somente das
ilhas de Santiago, São Vicente, Sal e agora Boa vista, visto que, o resto das ilhas é um ‘‘ verbo estar’’, não fazem parte do bolo que é Cabo Verde e
como tal, não deveriam constar no mapa. Outrossim, é um tanto quanto, absurdo total em tempo de crise encontrarmos carros do Estado a rodar
altas horas da noite e final de semana, fora do horário normal de expediente, que na verdade é o nosso dinheiro, que não temos e que estão a
‘‘torrar’’ à torto e a direita mas ninguém faz nada. O mais caricato ainda é que houve deputados municipais algures, aqui em Cabo verde, que
tiveram a falta de ética e a pouca vergonha de aumentar a senha de presença nas secções da assembleias em plena crise …é essa a sociedade
que queremos? De certeza que não. A maioria dos cidadãos irão comungar comigo de certeza com todas essas inquietações…

Estamos fartos deste tipo e forma de fazer política, onde a nossa sociedade caminha cada vez mais para um abismo entre os ricos e os pobres,
quando na verdade o Governo não quer ver e nem está interessado em saber nada sobre a real sociedade que nós temos… Dizem que somos um
País de rendimento médio. Será verdade? Não sei!! Contudo, se é um país de rendimento médio, não deveria faltar água canalisada em nenhuma
casa dos concelhos do País, não deveria faltar energia, até agora o acesso à saúde não é para todos e o atendimento é simplesmente lastimável,
quanto à educação muita coisa já foi feita, mas ainda está aquém daquilo que já se poderia ter conseguido. Quando na verdade o Ministério da
Educação e Desporto, quer uma educação por competência e de qualidade, tendo em conta que os investimentos são escassos, e quando
investem, são nas ilhas que representam as nove (Santiago e São Vicente). O Primeiro-ministro, numa das suas entrevistas tinha dito que todas
as escolas secundárias do país iriam ter duas vias de formação: via técnica e via geral, mas até agora nem metade das escolas foi contemplada.
Falando da reciclagem dos professores é insignificante, e aquele pouco que é feito, é somente nas disciplinas de matemática e português que é
enviado todos os anos para formação de reciclagem no Brasil, visto que as outras disciplinas são esquecidas. Porque não tentar ser mais justo,
que cada ano enviasse ao Brasil um grupo de professores de área diferente? É de realçar que quem forma a sociedade somos nós, os
professores, deveríamos receber um pouco mais de respeito e consideração por parte dos órgãos competentes, que nunca visitam as escolas e
quando o fazem, aproveitam uma outra ocasião para fazê-lo, sem sequer marcar na sua agenda para aquele fim. Uma outra coisa é a informação
e falando disso no nosso Ministério, é falar realmente de contra informação, porque quando ela chega aos concelhos da semiperiferia já não dá
para fazer nada a não ser para lamentar… Já houve concurso no nosso Ministério em que quando a informação chegou na nossa escola, era
exatamente o último dia de entrega dos documentos, mas para quê? É triste e difícil um representante do nosso mistério dizer: ‘‘irei visitar todas
as escolas secundárias de Cabo Verde, para que, numa conversa informal com a classe, saber dos seus anseios, das suas dificuldades, e em
que condições reais estamos à trabalhar’’. Nós sentimos um vazio e desmotivados, quando infelizmente não há esse feedback entre ambas as
partes, mas mais para o lado do patronato do que para o outro.
Com efeito, ainda encontramos preconceito e ‘‘expediente’’ no que se refere à atribuição de bolsas de estudos aos alunos mais carenciados, pois
enquanto os filhos das famílias de classe média alta e não só, continuam beneficiando de bolsa de estudo do estado, se continuarmos neste
ritmo, não se sabe onde iremos parar.

Que futuro para esta sociedade e consequentemente para este país?

Infelizmente, os líderes africanos, todos sem excepção, falharam naquilo que era um dos vários ideais de Amílcar Cabral ‘‘Nós queremos
democracia, paz, progresso e justiça social no nosso país…’’

Para terminar, gostaria de deixar um apelo aos governantes, no sentido de verem Cabo Verde com olhos de ver, visto que, infelizmente, ou estão
cegos ou fingem de cegos para a real situação que o País se encontra. Outrossim, ganham mais que deviam e gastam mais do que recebem,
num país sem recursos como o nosso.

Portanto, é de lamentar… a democracia está só no papel, a paz está ameaçada, o progresso muito pouco se vislumbra e a justiça social encontra-
se em ‘‘banho maria’’, na medida em que, lamentavelmente estão mais preocupados com o seu bem-estar pessoal do que na real situação das
camadas com menos rendimentos, que aliás, se não fosse essa quota-parte da sociedade mais vulnerável, talvez não estariam onde estão e que
são a maioria da sociedade cabo-verdiana.
                                                                          GRITARE!
BERRAREI!
                                                                          MATAREI!
NÃO VOU PARA PASÁRGADA
(Ovídio Martins)


Ademiro do Rosário
                                                                                                                                                   São Filipe


6/13/13O

         CÚMULO DA POUCA-VERGONHA

‘‘NÃO DEVEM NUNCA OS HOMENS PENSAR NO SEU EXCLUSIVO INTERESSE. SE TODA AGENTE PENSASSE DESSA
FORMA, NÃO HAVERIA SOCIEDADE; PORQUANTO, EM LUGAR DE TROCAR VANTAGENS PARTICULARES PELO BEM
COMUM, SE SACRIFICARIA O BEM COMUM ÀS VANTAGENS PARTICULARES.’’

Frederico II, O Anti-Maquievel.

‘‘Cabo Verde a caminho do abismo’

Sentado a corrigir testes, quando descuidei-me por um minuto, e deparei-me com uma notícia que dizia o seguinte:
‘‘o jornal A Nação escreve que os deputados propõem no anteprojecto dos novos Estatutos dos Titulares de Cargos Políticos a redução da
idade de reforma, a isenção de direitos aduaneiros na aquisição de viatura própria e um subsídio de renda de casa.’’

Com esta notícia, fiquei pasmado não querendo acreditar na mais pura verdade. A pergunta é: Será que aqueles ditos deputados estão a
sério? Eu não acreditei até agora porque a verdade dói, a mim me doeu muito, visto que nós não temos nada, vivemos da boa vontade do
‘‘resto do mundo’’ e ainda por cima numa época de crise, para ‘‘esses deputados’’ virem com a pouca vergonha para pedir mais regalias
para além daquelas que já usufruem. Por isso, o título não poderia ser melhor do que a supramencionada. Para começar, todas aquelas
regalias deveriam ser revistas. Auferem um salário além daquilo que deveriam ter e com pompas e circunstâncias; infelizmente em Cabo
Verde não existem políticos, mas sim ‘‘políticos de nome” que querem enriquecer à custa dos cidadãos. É que se não tomarmos cuidado  
caminhar-nos-emos para a Idade Média, uma época em que a sociedade era constituída por três classes sociais, onde cada uma tinha a
sua função específica:

Classes sociais        
Classe
Senhorial               
Nobreza        
Classe dos que combatem
Clero        Classe dos que rezam
Classe produtora         Camponeses
Vilãos ou colonos        Classe dos que trabalham
Servos        

Com efeito, se se isso continuar se aqueles que dizem deputados da Nação, que no entanto encontra-se todos os dias a lavarem roupa suja
no Parlamento, deveriam pôr a mão na consciência e pensar com cabeça e não com os pés. Contudo, chamo atenção aos cabo-verdianos
que ainda têm esperança neste país para que não sejam estúpidos a mais, a ponto de deixar ‘‘esses deputados’’ a fazerem da Assembleia
Nacional suas casas. Cada um a ‘‘puxar brasa para a sua sardinha’’ ainda que para isso tenham de passar por cima dos interesses do
país. Que raça é essa que quer viver do ‘‘bem bom’’ sem trabalhar?  Chega!!!!, Chega de nepotismo, descaramento, pouca vergonha e falta
de respeito para com o povo cabo-verdiano. São realmente um bando de oportunistas/individualistas que pensam somente em “venha a
nós”… e o  “vosso reino” que é bom… nada!!. Aliás, foram eleitos, mas não são vitalícios, é por apenas cinco anos, e se houvesse
possibilidade de os tirar daí agora por mim já estavam fora há muito tempo. Isso já ficou claro nenhum deles está  a pensar em Cabo Verde
mas sim, nos seus bolsos, quanto mais têm, mais QUEREM TER…que o ‘‘zé-povinho paga’’. Cabo-verdianos e cabo-verdianas acordam
desse sono dogmático, porque amanhã poderá ser tarde de mais.
Ademiro do Rosario
O GRITO DE DESESPERO EM CHÃ DAS CALDEIRAS

‘‘O povo! Pois não é ingrato e não se põe sempre do lado que triunfa, especialmente quando este deslumbra?’’
(Napoleão, Comentários a Maquiavel.)

A Ilha do Fogo é pequena. Basta ver sua extensão territorial (476 km²). Pode-se dizer que o ‘‘coração’’ desta Ilha é a localidade de Chã das
Caldeiras. Quem não a conhece - Chã das Caldeiras é uma pacata comunidade que fica aproximadamente vinte e nove quilómetros (29 km da
cidade de São Filipe e aproximadamente 1 hora e vinte minutos de carro. Por isso, quem tiver oportunidade de passar por esta Ilha sente-se na
obrigação de fazer uma paragem nessa localidade. Em Chã das Caldeiras há deliciosas uvas, bem como, pêssegos, romã, maçã, figo, etc. e é aí
também que se produz o melhor vinho de Cabo Verde e quiçá do mundo.

Tomemos como nosso foco - essa localidade e classificamo-la como ‘‘coração’’ da ilha porque ela apresenta características peculiares no
espaço geopolítico cabo-verdiano. Aí existe um vulcão ativo que é, sem sobra de dúvida, um património natural e - faz dessa localidade - uma das
regiões mais lindas e importantes de Cabo Verde. Essa paisagem negra de vulcão e jorra contrastando com a do verde das videiras e das demais
árvores frutíferas fazem desta localidade um espaço “sui generis” no contexto nacional. Trata-se de uma localidade, onde se produz quase tudo.
Senão vejamos: ali produzem-se vários tipos de vinhos, nomeadamente tinto, branco, rosé, passito, e o famoso “MANECON”; produzem os
digestivos como a bagaceira que é uma mistura de várias ervas entre outros. Existe ainda ali uma SEDE de transformação de frutas em
derivados: geleias e doces diversos; produzem queijo excelente qualidade. Quanto às suas gentes, são pessoas afáveis, doces, meigas, com
cabelos loiros, olhos verdes e/ou azuis e muitos hospitaleiros.

O vinho produzido nessa zona já deu provas a nível nacional e internacional, sendo considerado pelos peritos, como um dos melhores do mundo
pela sua qualidade e com uma Adega de Vinho de excelência com reconhecimento internacional.

No entanto, podemos perguntar: o que o Governo tem feito para melhorar a qualidade de vida nessa localidade? Pouca coisa. Começamos com a
estrada asfaltada e financiada pelo governo de Cabo Verde, que vai desde de Salto até Curral D´Asno. Realmente é uma excelente infraestrutura,
mas pela importância de Chã das Caldeiras esta infraestrutura é insignificante na medida em que, de Curral D´Asno até Portela e Bangaeira a
estrada é simplesmente um autêntico caos. Esta estrada constitui entraves enormes para os condutores, visitantes e comunidade existente.
É de realçar também que, não existe água canalizada e energia elétrica nessa localidade. Na campanha de 2012 foi prometido aos moradores que
no mês de julho e agosto do mesmo ano esses dois bens básicos seriam uma realidade na localidade. Tudo não passou de conversa fiada para
angariar votos.

O ex-Presidente da República – Pedro Verona Pires, aquando da inauguração da expansão da referida Adega de Vinho, foi posto esse problema
ao presidente e ele disse que ‘‘iria procurar junto do Governo qual melhor piso para a estrada, ou seja, se será asfalto ou uma calçada nova, mas
para isso será necessário fazer um estudo de viabilidade atendendo as características dessa paisagem e por fazer parte do parque natural e
nacional, para não agredir o meio ambiente’’. Mas uma vez somos vítimas de promessas infundadas para tentar atenuar os problemas
existentes. Quanto ao poder local, perguntamos ao Presidente da Câmara Municipal e as suas equipas desde 2005, o que fizeram em Chã das
Caldeiras durante esses anos todos? Simplesmente construíram uma delegação que só ultimamente veio a funcionar enquanto o posto da polícia
contínua de portas fechadas. Quem tem olhos poderá ver claramente que já passou a hora desta zona ter alguns dos bens de primeira
necessidade, principalmente energia e água canalizada. Durante a campanha o presidente prometeu energia elétrica através de painéis solares e
os materiais foram levados à localidade e ainda a população continua a espera deste bem precioso. Mesma coisa pode se dizer da água.
Para quando estes bens preciosos, Sr. Presidente? A estrada que vai desde Curral D´Asno até Portela está esburacada, pior ainda, está outro
troço que vai de Portela até Bangaeira. Como podem ver até então não tem feito nada para o seu arranjo, que aliás, é um direito que os
condutores têm, porque afinal pagam para manutenção das estradas mais infelizmente o Sr. Presidente finge não ver ou não quer ver. Seria bom
arranjarmos uma lupa para que possa ver melhor. Se as estradas não têm data de dias melhores, imagina agora, a energia elétrica!? Haja
paciência! É vergonhoso e lamentável trabalhar com esses tipos políticos, porque realmente de políticos têm apenas nome. O Poder local sabe,
que o ‘‘coração’’ da Ilha do Fogo (Chã das Caldeiras) está sendo desprezado, no entanto contribui e muito para não só prejudicar o crescimento e
a dinâmica da economia local como também da economia Nacional.

Muitos turistas vêm a Cabo verde, e muitos preferem a Ilha do Fogo, mais concretamente o seu ‘‘CORAÇÃO’’ por causa da singularidade da
paisagem. Até quando nós da periferia ficaremos à mercê da nossa sorte? Se depender do Governo estamos tramados. Se for do poder local
acontece a mesma coisa, pois, este realmente tem só nome. Um presidente que não é capaz de sair do gabinete para procurar recursos para
responder as demandas dos seus munícipes. Neste caso entendemos que devíamos ter uma Delegação em Santa Catarina do Fogo, ao invés, de
uma câmara que funciona só para os seus funcionários. O que é que os órgãos competentes estão à espera? Que rastejemos aos seus pés para
lhes dissermos do sufoco que as famílias estão passando? Somos sim, da periferia e com muito orgulho. Perguntamos, se não sentem vergonha
quando fingem vir a Ilha do Fogo em missão de trabalho…o primeiro destino é o ‘‘coração’’ da Ilha – dos vinhos e dos produtos produzidos
localmente. Esses como é óbvio, nunca são esquecidos. Aliás, são comprados com o dinheiro do Estado que na verdade é dos cabo-verdianos
sem descriminação. A discriminação está moda em Cabo Verde, visto que as periferias não fazem parte desse bolo que é o Arquipélago. Somos
cidadãos chorando amargamente lágrimas de indignação, que almejam dias de ilusão, mas na verdade o que temos encontrado até agora é só
desilusão. É lamentável ver os actos políticos lesando propositadamente as ditas ilhas periféricas, nesse caso específico, a nossa Ilha do
Fogo…BASTA! É preciso ser cego para não ver tamanha fraqueza e estupidez do povo cabo-verdiano, a penar em interesses pessoais, em vez de
pensar Cabo Verde no colectivo, e particularmente nós na ilha do Fogo, visto que, temos experiências dessas em São Filipe: vinte anos de poder
local, mais treze deste novo Governo. O que fizeram por essa ilha até então? Que Governo é esse, que juntamente com o poder local passa por
cima de zonas com potencialidades de desenvolvimento, como a de Chã das Caldeiras? O povo de Chã das Caldeiras almejam dias melhores e
isso só será possível se realmente o Governo criar sinergias para tal, assumindo inteiramente as suas responsabilidades. Alguns exemplos
simples e práticos: uma família pode vir para cidade de São Filipe fazer compras, mas em vez de comprar dois, três ou até mais quilos de peixe,
carne, assim como frutas, legumes etc., que requer conservação para dois, três, ou mais dias, não podem, visto que sem uma arca ou um
frigorífico não conseguem fazer absolutamente nada. Pois, lhes faltam um dos bens essenciais: eletricidade! Temos o caso da Adega de Vinho
que gasta todos os meses centenas de contos em combustíveis para poder fazer funcionar um EXEMPLO DE COOPERATIVA DE VINHO, que é,
aliás, o melhor de Cabo Verde. Poderíamos passar dias citando vários entraves que dificultam e de que maneira toda a população residente,
interferindo diretamente nos seus rendimentos e na sua qualidade de vida. Eles também têm o direito de comer peixe, carne frescos, assim como
nossos políticos que ‘‘vivem no bem e do bom’’, todavia, não pagam nada a não ser alimentação, que aliás, é absurdo tendo em conta o salário
que auferem sem produzir nada. Pior é como está sendo utilizada a coisa pública em Cabo Verde! Nada é feito no sentido de criar soluções nesse
caso específico para as famílias viverem também com um pouco de dignidade assim como os nossos governantes.  
São Filipe, Outubro de 2013
Ademiro do Rosário