


| Cabo Verde – Intrigas e Confusões Sobre Figuras e Aspectos Nobres “A maior necessidade do mundo é a de homens – homens que não se comprem nem se vendam; (…) homens que não temam chamar pecado pelo seu nome exato; (…) homens cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao pólo”. Ellen G. White Após a independência, Cabo Verde passa a comemorar de, entre outras datas, Cinco de Julho, Treze e Vinte de Janeiro. Cinco de Julho é o dia da independência nacional, Treze de janeiro o da liberdade e da democracia e vinte o da morte de Cabral e dos heróis nacionais. Essas datas passaram a ser históricas e, infelizmente, partidarizadas. Cinco de julho e Vinte de janeiro são datas, eminentemente, ligadas à figura de Cabral e, sendo assim, em Cabo Verde são, infelizmente, vistas como do PAICV quando, na verdade, deviam ser encaradas como de todos os cabo-verdianos. Treze de janeiro, Dia da Liberdade e da Democracia, marca, também, a realização das primeiras eleições pluripartidárias que deram vitória ao MPD. É, também, visto, infelizmente, como data do MPD. Acompanhando as suas comemorações nestes últimos anos, pensamos que ainda iremos conviver com intriga e confusão por alguns anos por culpa dos dois partidos (situação e oposição) e também da sociedade civil que ainda não assume e tampouco desempenha o papel que lhe cabe. Cinco de Julho e Vinte de Janeiro têm como maior referência Cabral. Um intelectual de renome no mundo e na África em particular; promotor incansável da luta de libertação da Guiné-Bissau e Cabo Verde; político, intelectual e idealizador de toda a luta da independência nacional; combatente, não de gabinete, pois, esteve na linha de frente junto dos compatriotas; com arma na mão, pondo a sua vida em risco por uma causa não pessoal/partidária, mas sim, justa e colectiva; co-fundador do PAIGC/CV; elaborou um programa dentro do partido para salvaguardar os soberanos interesses da Guiné e Cabo Verde. E, por causa das independências desses países perdeu a sua primeira conquista como homem – a vida. Obrigado Cabral por não ter poupado o que lhe era de mais importante a favor de uma causa nobre. Considerado, por muitos, como maior intelectual africano, foi um homem altruísta, batalhador, determinante, com idéias claras e objectivas sobre o futuro da Guiné e de Cabo Verde. Assumiu uma postura clara e determinante contra o regime colonial e, sobretudo, contra o sistema instaurado por António de Oliveira Salazar a partir da década de 30 do século XX. Nessa época, Portugal fazia passar em Cabo Verde, assim como, em outras latitudes que o sistema colonial era o melhor. Salazar, através dos seus discursos, tentava convencer as pessoas que era um homem de bem. Dizia que o negro não apresentava condições para autogovernar e que, não cedendo independência estaria a nos fazer um grande favor. Neste contexto conturbado, confuso e, sobretudo, perigoso, Salazar legitimava o colonialismo e o seu sistema através de discurso retórico e demagógico. É também, neste contexto que surgiu Cabral contrapondo todo o sistema colonial e o regime salazarista aliando-se aos compatriotas da Guiné e Cabo Verde numa luta contra qualquer tipo de dominação, da injustiça… Cabral era um homem altruísta e com visão do futuro. Pensava sempre nas crianças e no futuro delas. Por isso, arriscou e perdeu a vida por causa justa – a da libertação da Guiné e Cabo Verde. Aliás, lutou não só para tornar esses territórios livres da metrópole, como também, visava, sobretudo, a libertação desses povos de Portugal. Cinco de Julho marca, apenas, o fim do colonialismo português e o início da liberdade da pátria cabo-verdiana. O fim do colonialismo português e o início da liberdade da pátria custaram a vida de Cabral e de muitos heróis nacionais. Esse homem que perdeu a vida, deixando sua esposa viúva ainda cedo, deixando, também, filhos por criar, foi considerado por muitos nessa época, de terrorista. As idéias de Cabral punham, evidentemente, em causa o conforto e a mordomia de muitos homens e por esses e outros motivos era altamente odiado, criticado, vilipendiado, perseguido… pelos defensores do sistema. Hoje, hipocritamente, muitos que se militam no partido fundado por Cabral falam desse génio intelectual, altruísta e defensor dos direitos humanos. Falam de um homem que combateu a injustiça, que lutou contra qualquer tipo de discriminação, que lutou para pôr fim à exploração do homem pelo homem etc. Mas esses falsos seguidores de Cabral combatem, sistematicamente, todos aqueles que hoje se identificam realmente com Cabral. Treze de Janeiro é, sem sombra para dúvidas, uma data complementar a Cinco de Julho. Com esses dois momentos, Cabo Verde é hoje o que é. Se, por um lado, com os governos da Primeira e Segunda República, o país deu passos significativos rumo ao progresso e acreditamos que o cabo-verdiano de bom-senso, imbuído de dados históricos se congratula com a independência em detrimento do colonialismo como, também, deve ver no dia Treze de Janeiro um momento crucial que marca o início do novo rumo para o país. Com Treze de Janeiro, Cabo Verde é, indubitavelmente, um país diferente. Apesar de muitas conquistas materiais e humanas alcançadas nestas três décadas a sociedade cabo-verdiana produziu uma conduta e, ao mesmo tempo, implementou um sistema que, ao nosso ver, não estavam na génese de libertação nacional como, também, na de instauração do regime pluripartidário. Hoje, não temos presos políticos, não temos tortura física, não temos campo de concentração, não temos milícias, não temos tribunal de zonas, não temos perseguição contra a Igreja Católica e nem contra os padres etc. Essas medidas e instituições coercivas da época colonial e do período do partido único foram substituídas pela perseguição disfarçada, pela promoção da mediocridade em detrimento do mérito e competência, pelo ódio, pela inveja, pela maldade, pela mentira, pela calúnia, pela difamação... Muitos falam, hoje, de Jesus Cristo, de Sócrates, de Cabral, de Che Guevara, de Mandela, de Ghandi, de Obama... Outros até, hipocritamente, usam objectos, marcas dessas figuras, esquecendo-se que esses homens nunca distribuíram cimento, nunca deram verga, casa de banho, pensão social, envelope com dinheiro para comprarem consciência dos pobres; nunca intimidaram os pobres, nunca perseguiram cidadãos pelo facto de pensarem diferente. Como citar ou usar essas figuras se, hoje, os que realmente se identificam com elas são maltratados, odiados, invejados, vilipendiados, perseguidos, sonegados direitos, condenados e julgados injustamente, como Jesus o foi pelo povo e Pôncio Pilatos e Cabral pelos, ainda, confusos, assassinos!? Cabo Verde alberga hoje, na sua sociedade, povo e vários Pôncio Pilatos. Acreditamos que enquanto as instituições de ensino, mormente as Universidades, continuarem a privilegiar conteúdos em detrimento de pesquisa, análise, interpretação… continuaremos com intrigas e confusões sobre a nossa realidade. Não somos mais que um simples e humilde cidadão a exercer seu direito da cidadania. Cidade São Filipe, Janeiro de 2009 Alberto Nunes |
| Treze de Janeiro é, sem sombra para dúvidas, uma data complementar a Cinco de Julho. Com esses dois momentos, Cabo Verde é hoje o que é. Se, por um lado, com os governos da Primeira e Segunda República, o país deu passos significativos rumo ao progresso e acreditamos que o cabo-verdiano de bom-senso, imbuído de dados históricos se congratula com a independência em detrimento do colonialismo como, também, deve ver no dia Treze de Janeiro um momento crucial que marca o início do novo rumo para o país. |
| Cabo Verde – Uma Visão Crítica e Pedagógica Sobre as Práticas Sociais e Politicas “Os homens precisam se unir para fazer renascer o gosto pelo questionamento, mesmo sabendo que é uma tarefa difícil e pouco valorizada actualmente. Pois, vivemos numa sociedade satisfeita consigo mesma. Uma sociedade que já se convenceu que o material é superior ao espiritual…” José João N. B. Vicente Na aprendizagem, a sociedade é um livro aberto, ou se calhar, escola para os habitantes. Estes são leitores, estudantes e professores permanentes. A sociedade é heterogénea. Nela encontramos crianças, adolescentes, jovens, adultos e velhos; Indivíduos, uns irresponsáveis, outros responsáveis e com responsabilidades elevadas. Todavia, tomando a sociedade como livro ou escola, os sujeitos que nela vivem, aprendem e ensinam muitas vezes, sem querer, como também, aprendem ou ensinam sem escolher o que aprender ou ensinar. Há, como é lógico, nestas circunstâncias, perigos diversos. Pois, trata-se de uma aprendizagem diversificada a partir da realidade e da experiência quotidiana, onde os indivíduos convivem com todas as castas de pessoas. Deste livro ou escola ninguém escapa. Portanto, refletindo assim, podemos concluir que somos professores e alunos permanentes. Assim, o cidadão, por mais comum que seja acaba por ter responsabilidade na sociedade. Os sucessos ou insucessos são consequências das nossas atitudes como cidadãos. Nesta lógica, os professores não são apenas os que passaram pela escola de formação ou que estão em sala de aula, mas sim, todos os cidadãos conscientes ou inconscientes. Os alunos não são, apenas, os que frequentam uma instituição escolar. Assim sendo, podemos dizer que há dois tipos de professores e alunos: os professores que abraçam o professorado como profissão e os que no quotidiano directa ou indirectamente, consciente ou inconscientemente ensinam; os alunos que frequentam as aulas e aprendem nas escolas e os que aprendam com atitudes dos outros na sociedade. Assim sendo, todos os cidadãos são professores/alunos e responsáveis pela e na sociedade. Longe de igualarmos essas figuras, podemos tomar como exemplos paradigmáticos Jesus Cristo e Sócrates: Jesus era grande professor, sobretudo um educador. Não preparava as aulas como também não tinha sala de aula específica. Ensinava em todos os lugares: praias de mar, foz dos rios, desertos, praças públicas etc. Seus alunos eram indivíduos simples, humildes, honestos …. Escolheu indivíduos que a priori Lhe exigiam enorme tarefa. Todavia, soube em pouco tempo transformá-los em grandes pescadores de homens e condutores da humanidade. Seu ensino é, na verdade, transformador, significativo e, sobretudo útil no passado, presente e futuro. Para materializar seus ensinamentos usou como material didáctico exemplos da sua própria vida. Sócrates era, também, à semelhança de Jesus um excelente professor/educador. Não tinha sala de aula e tão pouco turmas específicas. Direccionava seus ensinamentos para esclarecer a juventude grega. Trata-se de ensinamento útil à sociedade. Jesus e Sócrates foram figuras pragmáticas, úteis, com ensinamentos significativos e que ajudam muito na construção de uma sociedade sadia, harmoniosa e igualitária. Todavia, ambos foram julgados e condenados à morte por causa da verdade. Entre enganar, mentir e defender a verdade, ambos preferiram a verdade e por ela morreram. É diveras uma convicção árdua! As sociedades modernas precisam, urgentemente recuperar e produzir homens desse calibre. As escolas precisam ter professores reflexivos, brilhantes e, sobretudo fascinantes (Augusto Cury, 2003) responsáveis e comprometidos com a profissão. As outras instituições devem instruir os funcionários a prestarem serviços, sobretudo serviços de excelência como acto de dever. Afinal ensinamos às crianças a serem amanhã maus cidadãos, maus profissionais e maus professores com o comportamento que temos hoje na sociedade, nas escolas e noutras instituições. Devemos ter sempre em mente que quando vemos ou ouvimos indivíduos assumidamente responsáveis a mentir na televisão, na rádio ou a desvirtuar a verdade em função dos seus interesses ou interesses confusos, nada mais estarão a fazer do que ensinar uma criança a mentir ou a desvirtuar uma verdade amanhã, em função dos seus interesses; sempre que vemos/ouvimos indivíduos com responsabilidades acrescidas a fazerem promessas falsas estarão a ensinar as crianças a não cumprirem com as suas tarefas/ obrigações no futuro. Tomemos a consciência, sejamos responsáveis, freemos os nossos interesses a favor de uma sociedade justa, fraterna, harmoniosa e equilibrada para que amanhã não venhamos a criticar e condenar a sociedade que hoje construímos! Jesus e Sócrates são figuras importantes a seguir, mas para tal é preciso conhecê-Los através da Bíblia (Jesus) e livros de filosofia (Sócrates), pois, o mundo precisa cada vez mais de cidadãos desse calibre; precisa de cidadãos com visão clara e objectiva; precisa de homens reflexivos, transformadores, altruístas e práticos; precisa de ensino prático e fundamentado na vivência quotidiana… Como esperar uma sociedade sadia, justa, harmoniosa, equilibrada… se hodiernamente o homem vive em função do presente, do imediato e dos seus próprios interesses abdicando dos aspectos colectivos/comuns que constituem Pedras Basilares na construção da sociedade ideal almejada pelos homens que ainda defendem valores!? É o que pensamos de momento como simples e humilde cidadão. Cidade São Filipe, Fevereiro de 2009 Alberto Nunes |
SANTA CATARINA DO FOGO, HISTORICIDADE “Estai, pois, vigilantes e recordai-vos de que durante três anos, de noite e de dia, não cessei de exortar (…) cada um de vós”. Actos dos Apóstolos- Cap- 20 V- 31 Documentos históricos rezam que Santa Catarina foi o último espaço a ser povoado na óptica de Freguesia/Concelho na ilha do Fogo. Indicam também que, o micro-clima da regiao, agricultura, pesca e pecuária foram elementos incentivadores à fixação dos seus primeiros habitantes na Orla marítima da planície das Praias Casinha e Bombardeiro. Entretanto, devido aos ataques de piratas e, sobretudo, a partir do momento em que os habitantes procuravam regiões mais férteis e aráveis para a prática de agricultura passaram a fixar-se nas arribas de Domingos Lobo e Maria da Cruz. Todavia, o povoamento de Cova Figueira, segundo os documentos, surgiu na sequência da erupção vulcânica de 1799. Três anos mais tarde, 1802 o Feitor João de Araújo Gomes pediu de arrendamento a Fazenda real de Cova Figueira com o compromisso de fazer o seu povoamento com 150 famílias vindas da Freguesia de Nossa Senhora de Ajuda, vítimas da referida erupção. Trata-se de uma região eminentemente rural onde a agricultura, a criação de gado e a pesca prevaleceram durante muitos anos como actividades predominantes. Em termos de agricultura cultivavam-se milho, feijão, vinha e algodão; no que concerne à criação de animais priorizavam o burro e a cabra a nível da pesca praticavam-se pesca rudimentar. Seus habitantes viveram, quase que exclusivo, à base dessas actividades pouco rentáveis durante vários anos, o que significa que a população foi habituada ao sacrifício desde seu povoamento. Durante todo o século XIX e início do século XX surgiram novos povoados na sequência da expansão de zonas agrícolas e pastoricias - Estância Roque e Chã-das-Caldeiras são exemplos das regiões mais altas e na Orla marítima sugiram novas zonas piscatórias como Tinteira e Monte Vermelho. Em Cova Figueira, seu povoado mais expressivo, emergiu uma elite económica que cedo se demarcou das demais surgidas nos novos povoados e contribuiu para a criação de uma mentalidade que há muito entrou em declínio e que hoje muitos se aproveitam para criar uma nova revanche política cujo objectivo é obscuro. Além das elites de Cova Figueira, verificam-se nos povoados mais recentes alguns vestígios dos primeiros moradores que, segundo os dados recolhidos, eram homens e mulheres que dentro desta esfera geopolítica possuíam grandes prestígios económicos e sociais. O evoluir do tempo dita novas actividades aos seus moradores, sem, no entanto, deixarem de praticar as já existentes. O pequeno comércio foi-se juntando às outras actividades, a emigração e, consequentemente, as remessas dos emigrantes deram um novo e grande impulso à vida económica de Santa Catarina. A partir das décadas de 60 e 70 do século XX, Padre Antoninho (capuchinho Italiano), José Joaquim Fernandes Lopes (Josezinho de Pepa) e José Henrique Veiga (Djédjé de Pedro) em Cova Figueira cederam “crédito” para financiar passagem a muitos pais/chefes de famílias que, na altura, queriam encontrar novo rumo de vida em Portugal. Hoje, graças a essas iniciativas, muitas famílias de Santa Catarina vivem das remessas de seus emigrantes radicados naquele país e outras de pensão já adquirida. Também deve ser realçada a emigração para os EUA que, nestas últimas décadas, tem estado a resolver os problemas económico/financeiros das famílias em Santa Catarina, através das remessas e pensão adquirida. Entretanto, com a dinâmica da economia de mercado e a fomentação do turismo em Cabo Verde, a aldeia de Chã das Caldeiras, as outras limítrofes e a Vila de Cova Figueira conheceram, embora poucos, alguns investimentos privados e públicos. Hoje, pode dizer-se, e se bem aproveitados, que a agricultura, pesca, pastoricias, pequenas indústrias, turismo e as remessas dos emigrantes constituem a base da sobrevivência/vivência, do progresso e desenvolvimento de Santa Catarina. Os maiores investimentos começaram a ser feitos a partir da década de quarenta do século XX. A partir daí, Santa Catarina passa a dispor de algumas infra estruturas e equipamentos de saúde, educação, Correios, Telecomunicações, Energia elétrica (1994 em Cova Figueira a tempo parcial) e água, transportes rodoviários e estabelecimentos comerciais, religiosos e alberga alguns serviços públicos, nomeadamente, Delegação Municipal, Posto Policial, Posto de Saúde, Matadouro Municipal e Delegação do Ministério do Ambiente, Agricultura e Pesca (MAAP). Cova Figueira, centro histórico da Freguesia, foi elevada à categoria da Vila pelo Decreto-Lei nº 101/97 de 22 de Dezembro. Pouca sorte teve, principalmente por parte dos governantes locais e central após esse acontecimento histórico. A luta pela elevação da Freguesia à categoria do Concelho remonta aos anos 90. Entretanto, na aurora desta década as motivações aumentaram. Essa questão foi motivo de discórdia entre seus habitantes como também de gentes que não faziam parte da Freguesia. Uns defendiam que ela não tinha mínimas condições para ser Concelho, outros defendiam que sua elevação à categoria de concelho poder-se- ia servir para criar as condições. É de se realçar, também, que muitos santacatarinenses, foguenses e não só, não se preocupavam com tal questão. Incrivelmente são estes últimos os seus primeiros governantes e assumem hoje hipocritamente como maiores defensores de Santa Catarina e suas gentes. Enquanto homem de história este facto não é nos estranho, pois, conhecemos tantos casos similares na história da humanidade. No final de 2004 e início de 2005, o Governo e os grupos com assento parlamentar conceberam, apresentaram, apreciaram e aprovaram o projecto do Concelho de Santa Catarina. Assim, a Freguesia foi elevada à categoria de Concelho a 09 de Maio de 2005, pela Lei nº 66/ VI, do mesmo ano, publicado no B.O. nº 19, I Série, da República de Cabo Verde. O Concelho é delimitado numa área de 125,9 Km2 e com uma população de 5.500 habitantes. Com a elevação da Freguesia ao Concelho, o Governo, através do então Ministro da Administração Interna, nomeou o presidente para presidir a Comissão Instaladora. Cumprindo os preceitos legais, os dois partidos (PAICV e MPD) nomearam, também, cada um dois vogais para formar a equipa. Ao todo, cinco elementos – um presidente quatro vogais. A 25 de Julho de 2005 a equipa tomou posse e, ao mesmo tempo, recebeu o Projecto/programa da instalação do município. A Comissão tinha dois anos e dez meses para implementar o Projecto/programa de instalação com um Orçamento de 386.500.000$00 (Trezentos e oitenta e seis milhões e quinhentos mil escudos) para contemplar o seguinte: Construção de Paços do Concelho (1), construção de Residência Oficial (1), Construção de blocos de residência para funcionários (1), construção de Unidade Sanitária de Base (2), Construção de Jardins infantis (2), Eletrificação rural, construção de equipamentos colectivos (desportivos) (2), construção de sistema de abastecimento de água, construção do mercado municipal, aquisições de terrenos, construção de centro de saúde (1), construção de estrada e caminhos vicinais, construção de blocos de habitação social, instalação do Gabinete Técnico Municipal, elaboração de Plano Director Municipal, elaboração do Plano de desenvolvimento urbano, elaboração do plano urbanístico detalhado, equipamentos informáticos, mobiliários de escritórios, veículos ligeiros e equipamentos pesados (camião-sistema/recolha de lixo (2). Também a Comissão Instaladora em parceria com o Governo devia enveredar os esforços para trazer os serviços desconcentrados do Estado para o novel Concelho. O Governo assumiu a responsabilidade de fazer as transferências das verbas do Orçamento de instalação para a Comissão Instaladora. Para o investimento no Município foram transferidos em 2006 o montante de 85.100.000$00 e 2007 127.407.000$00 e a Operação Esperança transferiu o montante de 2000.000$00 perfazendo num total de 214.507.992$00. Não temos os dados das transferências efectuadas (se foram) do segundo semestre de 2005 e do primeiro semestre de 2008. Do Orçamento Geral dos cinco Municípios criados em Maio de 2005 que era de 1.821.500.000$00, Santa Catarina do Fogo ficou com 386.500.000$00, Ribeira Grande Santiago com 353.500.000$00, São Lourenço dos Órgãos com 368.500.000$00, São Salvador do Mundo com 361.500.000$00 e Tarrafal de São Nicolau 351.500.000$00 para a materialização dos programas de instalação. No caso de Santa Catarina, esse Orçamento e os programas deviam ser implementados a partir de 25 de julho de 2005 (tomada de posse) até 18 de Maio de 2008 – Inicio e fim da missão da Comissão Instaladora. Como se pode perceber essa Comissão recebeu, de acordo com os dados, algumas verbas do Governo. Na ausência de uma infra estrutura pública adequada para instalar o serviço da Comissão, a equipa nomeada foi obrigada a arrendar um espaço privado para criar as condições de arranque. Muitos investimentos foram feitos na criação dos departamentos e aquisição dos mobiliários. Que a verdade seja dita, a equipa ficou muito bem instalada e com condições de trabalhar. Durante a “vida” da Comissão Instaladora a equipa deu início aos trabalhos de instalação. Houve eletrificação de alguns meios rurais, construções de algumas habitações sociais (questiona-se o critério usado na atribuição dessas habitações aos necessitados), algumas zonas beneficiaram de rede de água (questiona-se o momento e objectivo da instalação da rede de água no domicílio), alguns instrumentos municipais foram concebidos, construíram algumas estradas e caminhos vicinais em algumas localidades, construção de um jardim infantil e um outro em andamento, ultimaram e concluíram alguns polivalentes que se encontravam em construção e em parceria com o governo realizaram algumas obras como foi o caso da Esquadra da Polícia Nacional na vila de Cova figueira; já foram adquiridos alguns veículos ligeiros, equipamentos pesados (camião-sestema/recolha de lixo) etc. Muitos projectos/programas ficaram apenas no papel. Muitos ainda não arrancaram e outros estão em andamento após o prazo estabelecido. Isso significa que a Comissão e o próprio Governo não cumpriram o papel de instalação, facto inquestionável. Entendemos que a Câmara saída de 18 de Maio é que irá implementar os projectos da Comissão. Pois, nenhum serviço desconcentrado do Estado, à excepção do (MAAP) existe no Concelho. Não foram construídos Paços de Concelho, residências oficiais, Blocos de residências para os funcionários, Unidade Sanitária de Base, Mercado Municipal, Centro de Saúde…; não existe ainda no concelho nenhuma agência bancária. O Concelho continua ainda a depender do Concelho de origem-São Filipe. Santa Cataria é, deveras, um Concelho pobre, o mais pobre do país. Segundo os dados do Instituo Nacional de Estatística (INE) este Concelho alberga 59% de pobres. Entretanto, é um concelho com muitas potencialidades naturais, materiais, humanas... Estas potencialidades existentes do/no e fora do concelho devem ser conhecidas, estudadas, aproveitadas e, sobretudo, equacionadas para resolver os constrangimentos existentes a favor do Município e dos munícipes para garantir o crescimento, progresso e desenvolvimento harmonioso, justo e sustentável. Todavia, é necessário combater afincadamente os males que já afectam o município desde o primeiro momento da sua existência e que está à vista de todos. Tudo isso é possível desde que abdiquemos dos interesses pessoais e partidários e lutemos juntos “Gregos e Troianos” para que haja boa vontade, abertura e, sobretudo humildade para que os interesses de Santa Catarina sejam colocados como prioridades. Os governantes locais, os munícipes (não só, militantes, amigos e simpatizantes) precisam sentar-se para diagnosticar, identificar os problemas, estabelecer metodologia, definir prioridades, estabelecer critérios claros e objectivos que servem ao município e aos munícipes como um todo. Deve haver espaço para debater idéias e projectos com quadros de Santa Catarina residentes e na diáspora. Basta, mas basta mesmo de confundir os santacatanrinenses de que o concelho não tem quadro! Deve haver diálogo e negociações, vezes necessários, entre os governantes e os proprietários dos terrenos, principalmente na Vila de Cova Figueira. Pois, analisando a situação da Vila de Cova Figueira hoje, se percebe com clareza que a postura dos governantes locais e dos proprietários dos terrenos constitui sérios problemas que podem mudar o rumo, adiar ou estagnar o progresso e o desenvolvimento da Vila e do município como todo. Pois, a partir de 1992, com o municipalismo em Cabo Verde o terreno passa a ser uma questão de difícil consenso. No caso específico de Santa Catarina, os governantes devem assumir uma postura responsável e credível para transmitir confiança aos proprietários que adquirindo terrenos (comprando-os nos proprietários), a Câmara fará o seu uso para o bem do Município e dos munícipes. Pois, nestes últimos anos muitas denúncias foram feitas, a nível nacional, de governantes locais que distribuíram/venderam lotes de terrenos do município nas vésperas de campanhas/eleições aos apoiantes como forma de angariar votos. Por outro lado, os proprietários terão de se mostrar abertos às negociações de terrenos com os poderes locais como forma de desbloquear o progresso e desenvolvimento. Na vila de Cova Figueira, os proprietários dos prédios em ruínas devem sentar-se à mesa de negociação com a Câmara Municipal ou vice-versa a fim de chegarem a um consenso para remodelarem os que devem ser remodelados e demolir os que devem ser demolidos para puderem dar lugar à construção de edifícios modernos. Pois, Santa Catarina acarreta, neste momento, um ónus pesado que comprometerá fortemente o seu futuro. Interesse pessoal, imediato e partidário, intrigas e confusões estão a bloquear seu progresso, crescimento e desenvolvimento. Trata-se do Concelho mais pobre do país e paradoxalmente paga-se o arrendamento mais caro de Cabo Verde para instalar a Câmara Municipal. Os melhores salários são das pessoas que não estão e nem vão, certamente, investir aqui. Aproximadamente 1.000.000$00 são destinados a pagar salários às pessoas que nem se quer tomam um sumo em Santa Catarina. Vive-se aqui, a partir de 2005, um autêntico colonialismo, isto é, os nativos, principalmente os quadros sentem-se estrangeiros em sua casa. Em Santa Catarina, o poder local e não só tem de mudar urgentemente o conceito de forças vivas e da população. Elas devem ser entendidas não como simples apoiantes de quem está no poder e que no momento de aprovação de quaisquer documentos importantes para o futuro do município são chamadas para darem um aval positivo às idéias preconcebidas dos governantes, mas devem ser entendidas como sujeitos pensantes e reflexivos dentro de um quadro teorico-prático, sustentado na imparcialidade das decisões importantes que servem o Município, os munícipes e o país como um todo. Ao circular em Santa Catarina ouvem-se queixas provenientes de pessoas que reclamam que no ano transacto havia trabalho, dinheiro e artigos diversos a circularem no Concelho e desde 30 de Maio de 2008 muitos chefes de família não sabem o que é ter um salário, porque simplesmente o trabalho não existe. Os jovens, à excepção de um grupo que se encontra preste a concluir a formação profissional, estão a perambular no concelho sem saber o que fazer. Foram deixados ao Deus dará. Ouvem-se expressões do tipo: “es homi engananu”, es homi engana tudo argúem”, “ Hoje tinha discussan na Cambra”, “ninguém sta ta trabadja”, “antes de eleição tinha trabadju pa tudo argúem, gosim Ca tem pa ninguém”. “Du benden Santa Catarina na um stranho”... Os realmente pobres e sem alternativa sofrem calado, agüentando a dor e fingem que tudo está bem. Triste, mas é realidade. Entretanto, apesar desta realidade estampada à vista de todos, muitos, dentro e fora do concelho, com muita táctica e manobra pintam-na de colorido e tentam, sobretudo desviar a nossa atenção destes reais e sérios problemas que afectam o município e os munícipes. Vila de Cova Figueira, Março de 2009 Alberto Nunes OBS: Este texto é resumo de um trabalho maior em curso. BIBLIOGRAFIA/FONTES Programa de Instalação do Município de Santa Catarina- Elaborado pelo Ministério da Administração Interna, através da Direcção Geral de Administração Local. BARCELOS, José Christiano de Sena, Subsídios Para História de Cabo Verde e Guiné, Vol II, Parte III, 2ª Edição Boletim Oficial. Nº 19, I Série, da República de Cabo Verde. Decreto-Lei Nº 101/97 de 22 de Dezembro REVISTA, Ilhas Série 02 nº 01 Abril/Maio de 2008 RIBEIRO, Orlando, A Ilha do Fogo e as Suas Erupções, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, LISBOA, 1997 |
HOMEM DA CULTURA Sr. VALDEMIRO DIAS Introdução Há pessoas que pelo contributo dado à sociedade permanecem eternamente na memória colectiva das sucessivas gerações. Destarte, as figuras ligadas à cultura, mormente tradicional, só desaparecem fisicamente do nosso meio. Pois, as suas experiências, vivências e práticas da vida transformam-nas em quase imortais. Na ilha do Fogo, a história tem resgistado as práticas (contribuições) de muitas figuras simples e humildes na produção, preservação e enriquecimento da Cultura Tradicional. Assim, penso não estar a exagerar afirmando que, aqui, não se pode falar das festas de Romaria sem se falar dos Senhores, Sangolé, Nhonho Corcobada, Alexandre Andrade (TCHITCHITI), Pedro de Amélia e Vlademiro Dias. Os quatro primeiros já não fazem parte deste mundo. Todavia, pelas suas contribuições, na produção, preservação e enriquecimento da nossa Cultura Tradicional, persistem no nosso meio, através da memória colectiva. O último, o Sr. Vlademiro Dias (conhecido entre nós como homem da Cultura Tradicional) que ainda labuta e vive entre nós, contínua a nos brilhantar nas Festas de Romaria e com muita ênfase nas de São Filipe. É sobre Vlademiro Dias e suas contribuições na Cultura Tradicional do Fogo que vou Falar. Vida Vlademiro Dias nasceu a 10 de Novembro de 1937, na Cidade de São Filipe, ilha do Fogo; filho de António Dias e de Ana Lopes Dias; casou- se em 1960 com Isabel Souto Barbosa Dias; pai de sete filhos; avô de dez netos e bisavô de dois bisnetos. Vlademiro revelou-se muito cedo como pai, homem, chefe de família e profissional exemplar Católico, Vlademiro apaixonou-se, muito cedo, pelo tambor e pelas festas de Romaria. Aliás, aos 14 anos já praticava os toques de tambor. Nos anos cinquenta, Vlademiro jogava futebol. Foi colega do Sr. Zuca e Tuné de Comazinha; Foi também braçal durante 11 anos (1957-1968) no Porto de Fonte Vila, onde transportou sacos às costas para carregar e descarregar os barcos que entravam e saíam desse porto. Em 1970 trabalhou como magarefe na cidade de São Filipe. Abatia os animais como cabra, vaca, porco para a venda na cidade e no interior da ilha. Com a criação do porto de Vale dos Cavaleiros em 1968, Vlademiro, tendo como chefe Nhô Nelinho de Bia, na qualidade de estivador, passou a trabalhar ali. Foi, tal como muitos outros braçais, também pescador em pequenas embarcações de boca aberta na orla marítima desde porto de Vale dos Cavaleiros até Baia do Corvo, no Concelho dos Mosteiros. Em 2006, a morte arrebatou-lhe a esposa Isabel Souto Barbosa Dias, após 46 anos de vivência matrimonial. Hoje, Vlademiro é um homem viúvo. E assim, nos garante que irá morrer. Vlademiro, Homem da Cultura Tradicional do Fogo Como homem da Cultura Tradicional ligado às festas de Romaria na ilha, com incidência nas de São Filipe, Vlademiro iniciou a sua carreira como tamboreiro aos 19 anos como aluno e admirador do tamboreiro mestre - Alexandre Andrade (1906-1984). Hoje, apesar de introduzir novos toques e estilos próprios, Vlademiro continua a praticar os toques criados e desenvolvidos pelo seu mestre, Tchitchiti, que são conhecidos, genericamente, por “briais” (“brial”, no singular): o “brial” do almoço dos cavaleiros, o “brial” das corridas de perícia, o “brial” das cavalhadas, da tomada de bandeira etc. Apesar do sucesso conseguido na sua carreira como tamboreiro ele continua a nutrir forte respeito pelo o seu mestre (Tchitchiti). Vlademiro Dias é, hoje em termos de tamboreiro, fruto de uma vivência intensiva junto de tamboreiros experimentados da ilha como mestre Tchitchiti e Pedro de Amélia, seus antecessores directos. Com o desenterro da Bandeira de São Filipe pelo Grupo de sete Estrelo em 1917, Alexandre Andrade (NHO TCHITCHITI) passou a ser o chefe principal dos tamboreiros nas festividades de Romarias em São Filipe. Nho Tchitchiti permaneceu como chefe principal até 27 de Junho de 1984, altura em que faleceu, na noite do canizade de São Pedro. Tendo desfalecido cerca das 9 da noite enquanto tocava, Tchitchiti foi transportado ao hospital onde faleceu horas depois. Após a morte desse mestre, Pedro de Pina, mais conhecido por Pedro de Amélia passou a ser o novo chefe dos tamboreiros nas festividades de Romaria em São Filipe até 1996, altura da sua morte. A partir daí, Vlademiro Dias assumiu a chefia principal dos Tamboreiros até a actualidade. Com a mediatização das Festas, Vlademiro Dias e a Cultura Tradicional do Fogo conheceram uma nova dinâmica. Na qualidade de tamboreiro principal, tem levado as festas das Bandeiras da ilha para outros cantos do arquipélago nomeadamente, São Vicente, Cidade Velha, Assomada e Praia, como também no estrangeiro, em particular, Holanda e Bélgica em parceria com a Câmara Municipal de São Filipe e com o grupo PBS, através do Sr. João Rodrigues Pires. Vlademiro Dias tem enveredado esforços no sentido de fazer com que os jovens de hoje também comecem a aprender a tocar o tambor. Diz- nos sempre: “Minó di Mámá moreu e a gaita ficou guardada no Fogo, mas quando Vlademiro Dias morrer alguém irá continuar a tocar tambor na ilha do Fogo”. Ele defende que a nossa cultura tem de ser cultivada, tem de ter continuidade. Como homem da cultura e chefe nº 1 do grupo Estrelas do Fogo tem já, para o próximo mês de julho, um convite do Sr. Markus Leukel, percussionista e investigador dos ritmos de África e do Brasil (alemão) para efectuar uma digressão à Alemanha e Áustria onde o grupo irá divulgar e promover as festas das Bandeiras ligadas à cultura tradicional do Fogo. Actualidade Além de exercer as actividades ligadas à Cultura Tradicional da ilha do Fogo, Vlademiro Dias desempenha a função de contínuo na Escola Secundária Dr. Teixeira de Sousa desde 25 de Fevereiro de 1995. Trabalhador exemplar que respeita os funcionários e que assim conquista o seu respeito. Reconhecido pelas sucessivas Direcções, professores, alunos, auxiliares administrativos e colegas como homem assíduo, pontual e cumpridor de horário e de seus deveres. Como contínuo, exige sempre que os professores sejam pontuais e assíduos. Exerce e faz os outros exercerem suas funções com responsabilidade, honestidade e competência. Composição do Grupo Estrelas do Fogo 2009 1. Vlademiro Dias (1º Taboreiro Chefe) 2. Roosevelt Lopes Correia (2º Taboreiro Chefe) 3. Nilson Lopes (3º Tamboreiro e Colecheiro) 4. Lici Sequeira (4º Tamboreiro e Colecheiro) 5. João Pedro Rodrigues (5º Tamboreiro e Colecheiro) Coladores 1. Américo Sequeira (Natanael) 2. Daniel Alves (Nho Sopa) 3. José de Maria (residente em Velho Manuel) Coladeiras 1. Catarina de Pina Brandão (Idalina) 2. Maria Lopes (Maria Tchuneta) 3. Joaquina Dias (Budjodja) 4. Maria Socorro Teixeira (Domingas) 5. Lucinda Mendes (Mama de Rompe) 6. Manuel Pina Cabral (Mané Bispo) Vlademiro, que tenha vida longa e muita saúde! O professor Alberto Nunes |
“Como podia um discurso corajoso influenciar homens cuja mente está predisposta e profundamente imbuída de objectivos contrários”. Thomas More A autarquia local foi instituída em Cabo Verde em 1992, logo após a mudança do regime monopartidário para o pluripartidário. Nessa data, chegou ao fim o sistema de Delegado de Governo nos concelhos, sendo que esta estrutura em pouco diferia da que tinha sido implementada desde época colonial ( os regedores e cabos-na altura, era um concelho. Nessas, que foram as primeiras eleições autárquicas, a ilha teve dois candidatos - João do Rosário (MPD) e Eugénio Miranda Veiga (PAICV). Os resultados eleitorais deram vitória ao Eugénio Veiga. Com vitória alcançada instalou-se, no Fogo, “o paternalismo político” e, em simultâneo, a “política de assistencialismo”. O “paternalismo político” e “política de assistencialismo” foram formas/estratégias encontradas e montadas pela equipa no pódio para empobrecer e, sobretudo, dominar politica e economicamente os desempregados. Entretanto, alguns assalariados, proximos dos vencedores, perceberam a estratégia montada e aproveitaram-se dela para ascender politica, económica e socialmente. A partir de 1992, no Fogo, o presidente da Câmara passou a ser visto, pelos desempregados, como a única solução dos seus problemas económicos. Estes desempregados foram colocados, propositadamente, em situação de extrema pobreza, por forma a serem dominados e usados em função do interesse de quem estava e ainda está no poder. Entretanto, os referidos homens assalariados, conscientes desta real situação vivida por esses pobres, lutaram e ainda continuam a lutar em prol da manutenção de tal poder e “status quo”, em troca de alguns privilégios e/ou mordomias, pondo assim de lado, os princípios, valores morais e éticos que sempre nortearam/norteiam os homens na sociedade e caindo, deste modo, no individualismo, na satisfação pessoal e no despudor. Após as primeiras eleições autárquicas, a equipa vencedora passou a identificar, “a pente fino”, seus apoiantes e oponentes, usando pessoas afectas ao partido e ao poder local (um tipo de PIDE). Esses individuos trabalham afincadamente na identificação das pessoas residentes e de outras que entram na ilha para saberem se apoiam ou se são “contra” a equipa no poder. Feita esta segregação, comunicam aos homens do poder que passam a praticar em relação aos “contras” a “discriminação negativa”. Os apoiantes passam a ter tratamento e oportunidade especiais, por quanto, os oponentes são ignorados e, muitas vezes, atropelados seus direitos consagrados na Constituição da República e noutros documentos normativos. A prática vivida leva-nos a entender que para os pobres, o emprego no seu verdadeiro sentido deixou de existir, pois, esta camada só passa a ter um “trabalho” alguns meses antes das eleições. Esta estratégia/situação montada pelos homens do poder, coloca esses pobres em situação vulnerável, frágil e dependente de quem está no poder. Os homens do poder ao coloca-los em situação difícil aparecem sempre às vésperas das eleições como salvadores, com a solução milagrosa para os seus problemas. É por isso que, na altura das campanhas eleitorais, ouve-se expressões do tipo: “el é pápá; sima el ca tem; ali é el é que ta manda ba um bés; el é insusbstituivel, quenha qui du ta pô na se lugar?…” Como se pode perceber, a situação imposta aos pobres pelo poder, obriga-os a ver a câmara municipal e o próprio presidente como únicas entidades empregadoras e de apoio. Sem surpresa, pois pertencem á mesma escola ideológica, as outras câmaras, criadas 1992 (Mosteiros) e 2005 (Santa Catarina), tem seguido a mesma cartilha da câmara- mãe. Observando o comportamento de cidadãos de outras ilhas ou de outros países, percebe-se, com clareza, que as pessoas labutam para criar o auto-emprego libertando-se das teias partidárias e do poder local. Presencia-se homens e mulheres a trabalhar, incansavelmente, em diversos sectores da sociedade para garantir o auto-sustento com dignidade. Esta luta para conseguir o emprego e auto-emprego contribui para que essas pessoas sejam livres e independentes das teias politico-partidárias. Entretanto, no Fogo, ao amanhecer é possível encontrar, nas portas das câmaras municipais, dezenas de pessoas carenciadas à espera de apoio, esquecendo-se, quer o povo quer o poder local, que sem o trabalho de todos nós, cada um na sua área, não podemos crescer e tão-pouco desenvolver. Há que combater afincadamente e com muita urgência esta atitude de empobrecer o povo e de torná-lo dependente, pedinte e ocioso, pois com este tipo de comportamento e mentalidade, o discurso é vazio e, visa, sobretudo, manipular consciência dos inocentes e dos incautos/interesseiros. No Fogo é preciso a união dos diversos sectores, dos partidos e, sobretudo da sociedade civil para dizer um basta ao “paternalismo político” e à “política de assistencialismo”, pois esta prática tem contribuido fortemente para a manipulação/coacção e compra de consciência de muitos pobres e de muitos outros que se aproveitam desta situação/estratégia implantada no Fogo após a mudança política. Houve, sem dúvida, uma mudança política, a partir de 1991, mas no Fogo, a lógica e a prática continuam sendo, as do partido único. A ilha ganharia muito, independentemente do partido A, B ou C, se houvesse sempre concertação e diálogo entre os homens no poder e a sociedade civil (não nos referimos ás reuniões de militantes, amigos e simpatizantes do partido e do grupo no poder, como tem sido pratica). Reconhecemos, com apreço, as obras estruturantes em curso, as primeiras pedras lançadas e outras que irão ser lançadas em breve; entendemos que contribuem significativamente para a modernização e, sobretudo transformação das infraestruturas na ilha; entretanto, voltamos a sublinhar que essa modernização e transformação devem atingir a mentalidade dos governantes locais, dos partidos políticos e da própria sociedade civil para que o cidadão foguense possa viver livremente e em pé de igualdade como os demais cabo-verdianos. Cidade de São Filipe, Junho de 2009 Alberto Nunes |
| Apresentação do Livro “ Ganância & Poder e Cidadania “ (de costas voltadas) da autoria de Adriano Gonçalves Rodrigues Pires Data: - Sexta-feira 18 de Setembro de 2009 Local: – Casa das Bandeiras – Cidade São Filipe – Fogo Apresentador - Alberto Nunes Esboço de Apresentação Boa tarde Sr. Adriano Rodrigues Pires Chefes dos serviços desconcentrados do Estado Ilustres convidados Antes de falar sobre o livro, permitam-me, em primeiro lugar, agradecer o Sr. Adriano Gonçalves Rodrigues Pires, pelo privilégio que me concedeu para estar aqui na qualidade de apresentador desta que considero ousada, magnífica e singela obra. Na minha modésta opinião, o presente livro constitui uma obra-prima e uma fonte histórica que doravante pode ser usada pelos historiadores e outros estudiosos para melhor compreensão dos aspectos sócio-politico-militares cabo-verdianos. A meu ver, constitui ainda, um desafio aliciante aos cabo-verdianos não contagiados pelo conformismo e que se querem demarcar dos discursos oficiais, tradicionais, rígidos e dogmáticos. Em Cabo Verde, fomos habituados a um discurso oficial, tradicional, rígido e dogmático. Este tipo de discurso induz-nos a acreditar que não há outro diferente, na medida em que, são poucos os cabo-verdianos que têm acesso à televisão ou outros meios de comunicação social para apresentarem seus estudos, seus trabalhos académicos ou ideias sobre quaisquer aspectos da nossa sociedade. Normalmente, a televisão e outros meios de comunicação social são diariamente invadidos com discursos propagandísticos dos membros do governo, presidentes e vereadores das Câmaras Municipais, chefes de instituições e organizações, sobretudo públicas. Efectivamente, neste tipo de discurso tudo é rosa sem espinho, tudo foi cumprido com rigor a 100%, nada ficou por fazer, o balanço é sempre positivo. Habitualmente, aparecem indivíduos ligados a este tipo de cidadão e de discurso para bater palmas e aplaudir, independentemente do conteúdo ou da credibilidade do discurso. Fomos habituados a discursos de líderes partidários, de chefes do Governo, de membros do Governo, de chefes das instituições públicas e de certas organizações. Discurso, muitas vezes parcial, desarticulado da realidade, discurso produzido, na maioria das vezes para ludibriar mentes desprevenidas. Todavia, para os que ainda não tiveram oportunidade de ler este livro devo dizer-lhes que não vão encontrar este tipo de discurso, pois, Adriano Rodrigues Pires de forma corajosa, descomplexada, inteligente e “sem papas na lingua” fez um levantamento de factos ocorridos no nosso dia-a-dia em Cabo Verde, em diversos sectores e em algumas organizações como, por exemplo, nas Forças Armadas, nos partidos políticos e no Governo; com análise desapaixonada (ferisse a quem ferisse) publica-o com recursos próprios a fim de proporcionar aos cabo-verdianos dados e factos substanciais de modo a que possam reflectir sobre uma realidade bem diferente da produzida e reproduzida pelos líderes partidários, membros do Governo e chefes dos serviços. Todo este esforço e trabalho empreendido visa, no meu entender, ajudar os cabo-verdianos a tomar consciência da verdadeira realidade e, ao mesmo tempo, agir em conformidade, no sentido de, provocar mudança no status quo da nossa sociedade. Com estilo académico, sobretudo intelectual, Adriano Rodrigues Pires apoiou-se em dados e factos observados, como também em consultas documentais credíveis para, em seguida, reconhecer os avanços e ganhos conseguidos por Cabo Verde durante os 34 anos da independência. Reconhece, ainda, através do mesmo procedimento, as fragilidades e pontos fracos de Cabo Verde. Procurou, no entanto, identificar as causas dessas fragilidades e, ao mesmo tempo, propor as possíveis soluções como forma de solucionar estas fragilidades e aspectos menos bons. Um posicionamento que, a meu ver, é louvável, na medida em que o autor trabalha com dados objectivos, sobre factos que ele conhece muito bem. Penso que com esta atitude, Adriano Pires está a cumprir o seu direito e dever como cidadão. Pois, segundo ele a maior crise que afecta Cabo Verde reside na crise da cidadania. O homem, segundo ele, foi relegado para o segundo plano no sistema político cabo-verdiano. O egoísmo, interesse pessoal, oportunismo, ganância no poder e no bem-estar promovidos pelos homens do poder secundarizaram o homem em Cabo Verde. Adriano Rodrigues Pires teve uma postura ousada, singular, nesta singela e magnifica obra ao abordar assuntos pertinentes e diversificados e que, muitas vezes, são considerados intocáveis, pois na óptica de muitos, estes assuntos constituem “tabus” na sociedade cabo-verdiana. Abordou factos importantes que estão intimamente relacionados com o progresso e/ou atraso de Cabo Verde, dependendo da perspectiva de analise. Daí que prognostico, através da experiência vivida, que para os acríticos, conformados e oportunistas, certamente, Adriano Pires será interpretado como um pessimista, um frustrado, um cidadão que gostaria de chegar o topo das Forças Armadas, que no entanto, por motivos A ou B não conseguiu. Assim sendo, resolveu através deste livro manifestar ou publicitar a sua frustração. Contudo, sabemos que em CaboVerde, cidadão do tipo de Adriano só é bem visto após a morte, a partir do momento que já não pode incomoda alguém. Aliás, Amílcar Cabral, hoje venerado por tudo e por todos foi considerado terrorista na época da luta de libertação nacional. Por esta razão, pessoas do tipo de Adriano Pires não são bem vistas numa sociedade do tipo cabo-verdiano onde o conformismo contagiou o homem quase na sua totalidade. Da leitura deste livro depreende-se que Adriano constitui alvo a abater, pois incómoda e, sobretudo, põe em causa interesses pessoais e egoístas de alguns dirigentes desta terra. Mas, afinal, pode-se falar em genuíno intelectual que não incomoda os corruptos, os violadores da lei, os que fazem das coisas públicas suas propriedades? Pode-se falar em genuíno intelectual, se este não se disponibiliza para combater as injustiças e os males que afectam a sociedade? Pode-se falar em genuíno intelectual que não faça balançar o sistema montado sobre a égide da desigualdade, perseguição, injúria, calunia e difamação? Por outro lado, prognostico, também, que para os críticos e inconformados com injustiça, perseguições, proteccionismo, calunia, difamação… certamente, Adriano Pires será interpretado como um cidadão que exerce a sua cidadania com veemência e sem hipocrisia, como intelectual descomplexado que mesmo estando na periferia do poder e da chefia contribui de forma crítica, altruísta e construtiva a bem de Cabo Verde e do seu povo. Ao ler este livro, fui obrigado ou, se calhar, induzido várias vezes a parar, pensar e reflectir um pouco sobre o seu conteúdo e, ao mesmo tempo, estabelecer comparações com aquilo que vejo e vivo todos os dias em Cabo Verde. Depois de pensar e reflectir sobre o seu conteúdo recuei ao passado para chegar à filosofia platónica sobre o mundo sensível e o mundo inteligível: concluí que o mundo sensível de Platão aplica-se muito bem aos discursos feitos diariamente em Cabo Verde pelos políticos, líderes partidários e governantes, pois segundo Platão o mundo sensível é o mundo das sobras, das inverdades, das irrealidades, das coisas falsas. Enquanto que, o mundo inteligível ligado à verdadeira realidade, ao objecto concreto, à imagem real se coaduna com o discurso feito nesta obra por Adriano Pires. Como se pode perceber não tive e nem tenho pretensão de analisar, resumir ou fazer resenha deste livro para os leitores; deixo tudo isso ao livre arbítrio dos leitores para que cada um segundo a sua faculdade tirar as suas ilações e ver de que modo o mesmo pode ser útil para si e para Cabo Verde. Entretanto, ao ler cuidadosamente este livro, pude perceber que se trata de um trabalho muito bem elaborado, fruto de uma observação e vivência crítica de um cidadão que quer dar seu contributo à sociedade onde vive sem, por isso, esperar louros ou qualquer outra coisa em troca, como, infelizmente, tem sido prática em Cabo Verde. O Livro, Ganância & Poder e Cidadania (de costas voltadas) espelha uma ousadia e uma ciragem tremenda face aos factos ocorridos no nosso país que muitos entendem e sabem, mas que, entretanto, fingem não entender, fingem não saber para não se pronunciar, por causa de medo ou conveniência. Adriano Pires soube muito bem escolher o título desta magnífica obra. Soube, ainda, de forma muito inteligente, fazer corresponder todo o conteúdo do livro com o título. Mérito muito pouco conseguido hoje, pois vivemos num mundo com muitas produções intelectuais onde, muitas vezes, os títulos atribuídos ao trabalho têm pouco a ver com o conteúdo, mas não é o caso de Adriano Pires. Por todo esse esforço intelectual, pela coragem, ousadia, modéstia, hombridade, aceite Sr. Adriano os meus parabéns e faço votos que nunca se deixe ser corrompido ou contagiado pelos gananciosos e poderosos desta nossa terra que precisam de cidadãos da sua estirpe. Este precioso livro deve ter um espaço especial na nossa Bibliotecal, pois, aborda questões pertinentes que despertam em cada um do seu leitor novos horizontes e novos caminhos para abandonar o egoísmo, a perseguição, a injúria a calunia, a difamação a promoção da mediocridade, a deixar de fazer o outro tapete, a deixar de atingir o direito do outro, a evitar atingir fim independentemente do meio. Por outro lado, convida-nos ao altruísmo, a escolher o caminho certo, a respeitar a inteligência do outro, a promover o mérito e a competência, a não ter medo da verdade, a enfrentar a realidade de frente, a incomodar os gananciosos e poderosos, a ser cada vez mais cidadão, a colocar o homem no seu devido lugar, a eleger o homem como ser importante na nossa sociedade, enfim a ver no homem um ser de direito e dever e que merece o seu devido respeito. O livro e o seu autor merecem ser destacados no nosso meio pela imparcialidade, pois vivemos numa sociedade onde dificilmente o indivíduo consegue frear a si próprio ou a instituição onde ele está inserido. Adriano Pires adoptou uma postura invejável, coerente durante toda a sua analise, pois, abordou temas de cariz nacionail e internacional sem, no entrando, deixar de reconhecer os ganhos alcançados por Cabo Verde em todos os domínios, como também os aspectos fracos, propondo, ao mesmo tempo, caminhos a seguir. Postura de um cidadão digno e que merece respeito. Adriano Pires, tenha coragem e sapiência e que seja sempre iluminado nos seus caminhos e que este livro seja mais um entre vários outros que poderá produzir nos próximos tempos. Conte comigo, mesmo à distância na dignificação, humanização e consciencialização do homem cabo-verdiano e na construção de uma cidadania responsável embora saibamos que é uma tarefa difícil e nunca impossível. Que continue a desempenhar a sua função de cidadão! Ânimo! Muito Obrigado a todos e uma boa leitura. Alberto Nunes |
Educação e Cidadania – Uma Reflexão Necessária “Não há uma forma única nem um único modelo de educação; a escola não é o único lugar onde ela acontece e talvez nem seja o melhor; o ensino escolar não é a sua única prática e o professor profissional não é o seu único praticante”. Carlos Rodrigues Brandão A verdadeira educação é, sem dúvida, aquela que constiui a chave mais importante do crescimento, desenvolvimento e progresso de qualquer sociedade. Todavia, para que ela atinja este objectivo terá de ser liderada/conduzida por recursos humanos preparados e capacitados em termos científico, técnico, pedagógico e humano. Tendo como dados adquiridos que ninguém se escapa da educação, na medida em que ela é praticada na família, na sociedade, na rua, nas escolas etc. deve-se primar para que ela seja de qualidade para poder constituir um factor de crescimento, progresso e desenvolvimento. Na sequência desta premícia conclui-se que o educador é um cidadão de excelência e constitui, por sua vez, um elemento imprescindível na organização harmónica e saudável de qualquer sociedade. Mas, o educador que constitui elemento imprescindível para o progresso, crescimento e desenvolvimento da sociedade é o preparado, capacitado científico, pedagógico e humano e que está comprometido com os desafios da sociedade; é o que tem a consciência da cidadania activa e que aje em função do interesse comum. Tomando estes dois preceitos ( verdadeira educação e educador) como baluarte de crescimento, desenvolvimento e progresso de qualquer sociedade, pensamos que, tudo se deve primar pelo realismo, pelo concreto, objectivo e prático. Entretanto, sabemos que na nossa sociedade os que primam pela realidade, objectividade e práxe são apelidados de teóricos. Pois, assim pensam muitos que já se convenceram que a teoria nunca poderá corresponder a prática, que a lei não foi feita para cumprir, mas sim, para estar no papel, que a verdadeira realidade e objectividade não existem… Aliás, muitos já se conformaram com o possível, o facil, o de lucro fácil. Todavia, a verdadeira educação e o verdadeiro educador não podem/devem compactuar com esses devaneios que caracterizam a sociedade actual. Pois, a educação é um sector de excelência e o educador é, também, um cidadão de excelência. A educação e o educador são incompatíveis com tudo aquilo que deixa transparecer mediocridade. Nesta linha de reflexão devemos dizer e, sobretudo alertar que no sector da educação a escolha para a composição dos orgãos centrais deve recair sobre cidadãos com competência e mérito comprovados na área e nunca, nunca mesmo sobre indivíduos que espelhem confiança ideologica de quem está no poder. Tendo os orgãos centrais compostos na base de mérito e competência comprovados na area, estes devem primar pelo rigor prático e redobrar a atenção às mudanças e transformações efectuadas nas estruturas de bases no sentido de evitarem o descompasso entre o centro e as bases da educação espalhadas nos diversos centros do país. As competências educativas já estão definidas. Aliás, estão bem claras: quais as competências dos orgãos centrais e quais as dos diversos subsectores espalhados pelo territorio nacional. No entanto, vê-se interferência de certas instituições em competências educativas reservadas aos orgãos centrais. Neste momento, percebe-se com nitidez a tentativa de muito poder local transcender o âmbito da sua competência, tomando decisões no sector da educação de acordo com interesses meramente confusos. Muitas decisões que devem ser tomadas pelos órgãos competentes credenciados para tal são tomadas pelo poder local não em função das necessidades locais. É perigoso quando na educação as decisões são influenciadas por interesses omissos! Quando assim é, o professor/educador, a sociedade civil, as famílias, as outras instituições públicas e privadas têm um papel importante na fiscalização de todo o processo que prima para a qualidade da educação no país. Afinal, a fiscalização do processo de crescimento, desenvolvimento e progresso da sociedade constitui um dever inalienável de todo e qualquer cidadão independentemente de estar ou não inserido nesta ou naquela instituição ideologica. O cidadão deve adoptar uma postura crítica em relação a tudo que não é justo, que não é transparente, que não abona a sociedade; a tudo que visa resolver capricho de indivíduos gananciosos que nunca tiveram iniciativa de se prepararem para assumir determinada responsabilidade. O sector da educação não deve ser visto como lugar de “ganha pão” ou de promoção pessoal e nem o educador/professor deve procurar o professorado como profissão. Educador/professor é vocação. Pois, quando assim é entendido e praticado, há sempre trabalho e trabalho eficaz, há responsabilidade, há competência e não há mediocridade. Muitas vezes, em conversas informais com colegas já dissemos, em função da postura de certas instituições que já começamos a perder confiança em algumas instituições e que no entanto, temos forte fé e convicção na igreja e Universidade, instituições que por essência devem ser imparciais e justas. Pois, no dia em que estas duas instituições entrarem na corrupção e mediocridade devemos, também, como cidadão desistir da crítica e de lutar, pois será o fim de tudo – (caos.) A história da educação mostra-nos que no passado, alguns países, como, por exemplo, o Japão, adoptaram a educação como estratégia de desenvolvimento e foi um sucesso. Na verdade, Japão é, hoje, um país bem sucedido económico e tecnicamente. Promoveu, desde final do século XIX, uma educação baseada no mérito e na competência, capacitando seus recursos humanos internos e, ao mesmo tempo, pô-los ao serviço do crescimento, progresso e desenvolvimento do país. Convêm realçar que Japão só conseguiu tal sucesso devido ao uso racional dos recursos naturais que eram escassos e dos recursos humanos internos bem preparados. Só assim, a educação pode, como frisamos no início, promover crescimento, desenvolvimento e progresso. Mas, a educação que promove crescimento, progresso e desenvolvimento é a verdadeira e sofisticada; inovadora, inventora, ousada, criativa … conduzida por recursos humanos preparados em termos cintificos, tecnicos, pedagógicos e humanos. Relativamente ao nosso país, apesar de laicização da educação, ela não surtiu os efeitos esperados porque, nestes últimos anos, tudo fica bipolarizado, tudo funciona em função de interesse ideológico de quem tem mais poder e, assim, o cidadão não preparado que quer algo que o leve ao destaque aproxima-se ao poder, pondo de lado princípios que norteiam o equilíbrio social e consegue ser destacado independentemente de requisitos, resolvendo, deste modo, seu capricho e passa, por faltas de requisitos necessários, a atropelar o crescimento, progresso e o desenvolvimento do país. Os orgãos competentes do sector da educação, cidadãos, as instituições públicas e privadas, as famílias etc. devem assumir uma nova atitude em relação à educação tornando-a um factor chave de progresso, crescimento e desenvovimento da sociedade. Devem ainda, orientá-la no sentido de incomptabilizá-la com tudo que é mediocre, estupido e violento. Ela é cautelosa, humilde e dialógica. Por conseguinte, o educador/professor não deve agir em função da violência, estupidez ou insensatez. Na educação não deve haver espaço para impor seja lá o que for. Nela tudo deve ser decidido a base do diálogo. Nela, a responsabilidade deve ser assumida pelo cidadão de forma democratica. Esta responsabilidade não pode ser de confiança partidária. Pois, a educação é, por essência, um espaço de mérito e compentência. Nela, o mérito e a competência devem sobrepor toda e qualquer tipo de confiança e subterfúgio dos gananciosos. Ninguém, deve assumir responsabilidade na educação na base de troca de favores ou de intimidação com uso de violência. A verdadeira educação e o verdadeiro cidadão educador devem ser sensatos . Por estas razões e a bem de uma sociedade sádia, harmónica, desenvolvida, progressiva e justa, defendemos que na Educação as decisões devem ser ponderadas, estudadas antes de serem tomadas pelas entidades competentes, pois, uma escolha, uma decisão errada, pode afectar grandemente uma geração e quiçá comprometer o futuro de uma sociedade. A não ser que almejamos uma sociedade perversa à aquela que publicamente manifestamos. Cidade de São Filipe, Novembro de 2009 Alberto Nunes |
| Feb 5, 2010 Cabo Verde – Partidos Políticos, Sociedade Civil e Dignidade Humana A pobreza oprime milhares de pessoas no mundo “ Bento XVI O homem é, por natureza, um ser livre. Em Cabo Verde, não obstante, ele precisa empenhar-se para enfrentar e ultrapassar a pobreza, a ganância e o desconhecimento, pois estes três males têm estado a condicionar fortemente a liberdade humana. Deste modo, ele precisa conquistar a sua independência económica, imbuir-se de valores éticos e morais e, ainda, conhecer as normas que regulam a vida na sociedade, de forma a evitar a lesão á sua liberdade, direitos e garantias. A independência económica, a aquisição dos valores, o conhecimento (saber) e o cultivo dessas normas são condições sine qua non para que ele possa desfrutar da verdadeira liberdade. Como é sabido, nesta sociedade nem todos têm autonomia financeira, cultivam valores e possuem conhecimento dos seus direitos, liberdades e garantias. Por causa da pobreza, ganância e desconhecimento, muitos não usufruem da liberdade. Em síntese, pode concluir que estes três males constituem, por um lado, impedimentos para muitos cidadãos viverem na verdadeira liberdade e, por outro lado, constituem meios para muitos conseguirem ser e ter alguma coisa. A liberdade é, aqui, entendida como um valor inerente e, sobretudo, inalienável ao homem. Trata-se da combinação e interacção entre as normas jurídicas, morais, éticas, sociais e religiosas e destas com a consciência sã do próproio. A consciência sã significa que o homem está em condições cognitivas de distinguir o bem, o bem comum e o mal. Tendo conhecimento da sua liberdade, o homem deve nortear e viver a vida em função de interesses comuns superiores e deve distanciar-se de tudo que privilegie o egoísmo ou interesse mesquinho do “grupinho”. Assim procedendo, de certeza, fará corresponder liberdade com as demais regras que norteiam a sociedade. Liberdade, normas que regulam a vivência na sociedade e consciência sã constituem, por um lado, pedra basilar de um Estado de Direito Democrático e, por outro, a condição necessária para uma vivência sadia entre os homens. Entendemos que a liberdade, moral e ética têm em comum, entre outros pilares, a transparência. Nelas não deve haver espaços para obscurantismo. Assim, num país, como nosso, onde constitucionalmente é consagrado o Estado de Direito Democrático, o governo, os partidos políticos, a sociedade civil, as instituições públicas e privadas devem trabalhar incansavelmente na edificação e manutenção de um Estado liberal, democrático, ético e moral. Os ingredientes, característicos de um Estado de Direito democrático, devem ser vividos e saboreados pelos cidadãos. Vividos e saboreados na prática e não ditos através de discursos líricos e poéticos como tem sido prática neste país. É muito perceptível em Cabo Verde que os partidos políticos e a sociedade civil estão aquém das vivencias, das práticas, dos valores e normas que regulam ou, pelo menos, devem regular, a sociedade. Entendemos que, os partidos políticos devem assumir uma postura clara e objectiva que visa, exclusivamente, resolver os reais problemas do país e dos cabo-verdianos. É necessário e, sobretudo, urgente para o bem do país que os partidos políticos façam coincidir os objectivos e estratégias anunciados nos meios de comunicação social com os objectivos e estratégias traçados no seio do partido evitando, o quanto possível, a manipulação da consciência daqueles que não tiveram sorte e oportunidade de cultivar o seu intelecto ou daqueles que uma determinada circunstância da vida (pobreza, por exemplo) os obriga a concordar e, sobretudo praticar algo que os inquietará pelo resto da vida. Em Cabo Verde, muitos vêem o poder como meio e não como fim. Meio para muitos serem e terem algo. Algo que fora do quadro partidário seria quase impossível. Nesta tentativa de ser e de ter algo, dentro do quadro partidário, muitos acabam colocando de lado os valores supramencionados, a Constituição da República e as normas que regulam o Estado de Direito Democrático. Quantas famílias já foram destruídas porque o partido ou candidato teria de chegar ou manter-se no poder? Quantas famílias estão de relações cortadas porque o partido ou candidato teria de manter-se ou chegar ao poder? Quantas boas amizades já foram destruídas porque partido ou candidato teria de manter-se ou chegar ao poder? Quantos crimes comprovados já foram cometidos porque o partido ou candidato teria de manter-se ou chegar ao poder…? Preocupante é que os partidos ou candidatos beneficiados com estas práticas não têm o peso na consciência, pelo menos não o demonstram, que estão no poder devido à destruição ou tentativa de destruição de muitas famílias, de uma boa relação de amizade, de um bom nome e, consequentemente, dos valores e principios já mencionados… É muito perceptível que muitos não se incomodam com práticas erradas para chegar, manter-se ou pôr o partido/candidato no poder. Aliás, percebe-se aqui que a desonestidade, falta de carácter, imoralidade, indignidade, crime… passam a ser vistos, dentro do quadro partidário, como coisas normais. Por isso, vê-se muitos cidadãos que cultivam valores a afastar-se dos partidos políticos e, por outro lado, vê-se muitos que não foram educados dentro de um quadro de valores a aproximarem-se dos partidos políticos para conseguir ser e ter. Em síntese, os partidos políticos devem adoptar uma postura mais séria, responsável e, sobretudo uma atitude que coadune com o Estado de Direito Democrático consagrado na Lei Máxima do país. É muito perceptível que Cabo Verde não possui, ainda, uma sociedade civil organizada, forte e consciente dos seus direitos e deveres. Temos ainda, “grosso modo”, uma sociedade que funciona a reboque dos partidos políticos e estes, por sua vez, aproveitam-se, como estratégia de silenciar os cidadãos, esta fragilidade para camuflar os críticos/activos no partido A ou B consoante o posicionamento individual de cada um. Os cidadãos conscientes devem estar atentos às estratégias e atitudes dos partidos políticos. Devem ter a capacidade e prudência necessárias para congratular-se com tudo que é bom e que beneficie Cabo Verde e os cabo-verdianos, mas também, devem ter a mesma postura para repudiar tudo aquilo cujo fim devia ser de todos mas que é usado para o interesse meramente pessoal ou partidário. A sociedade civil cabo-verdiana precisa organizar-se, não em função dos partidos políticos, mas em torno dos reais problemas que afectam Cabo Verde e os cabo-verdianos e, ao mesmo tempo, ser parte da solução desses problemas. É imperiosa a necessidade da criação e cultivo, em Cabo Verde, de uma consciência fora do âmbito partidário que possa contribuir para contrabalançar o sistema pernicioso, bipartidário, já montado. Esta sociedade tem de ser forte, competente e, sobretudo altruísta. Deve primar não para resolver a ganância de quem quer se eternizar no poder ou de quem quer chegar lá a todo custo. Ela deve ser prudente, inteligente, interessada para o bem comum e desinteressada em relação a tudo que vise resolver caprichos pessoais e partidários. Entendemos, entretanto, que não será fácil ter uma sociedade civil organizada, competente, altruísta e conhecedora dos seus direitos e deveres; uma sociedade civil em que os cidadãos têm uma certa independência económica, conhecimento sistematizado e dispostos a servir Cabo Verde e os cabo-verdianos dentro de um quadro legal e imbuído dos valores já mencionados; uma sociedade que prima para labutar no intuito de resolver os reais problemas que afectam o país. Acreditamos, no entanto, que se cada cidadão individualmente, as famílias, as instituições públicas e privadas, as igrejas, as universidades… começarem a trabalhar seriamente cumprindo escrupulosamente as suas funções, tê-la-emos, de certeza. Dizia que não será fácil porque, como é sabido, vivemos numa sociedade onde impera o imediatismo, o lucro fácil, o enriquecimento rápido, o oportunismo, o parasitismo; onde tudo é quase visto como meio e não como fim; onde muitos querem ter sem trabalhar; onde muitos querem ser sem se prepararem; onde quase tudo que é errado é visto como certo. Impera, deste modo, a necessidade do surgimento de cidadãos conscientes, corajosos e determinados a frearem ganância de alguns homens e lutar incansavelmente a favor da dignificação humana. É claro que, estes cidadãos defendidos aqui têm de ter em mente que não se trata de uma tarefa fácil, mas, entretanto, possível, mas para tal devem peregrinar um caminho espinhoso. O pensador brasileiro Milton Santos que experimentou e venceu esta caminhada afirmou que “ um homem que pensa, e que por isso mesmo frequentemente se encontra isolado no seu pensar, deve saber que os chamados obstáculos e derrotas são a única rota para as possíveis vitórias, porque as ideias, quando genuínas, unicamente triunfam após um caminho espinhoso”. Entendemos que, o cidadão cabo-verdiano precisa interiorizar e praticar essa experiência desse pensador a bem de um Cabo Verde de todos e para todos. Caminhamos para o ano das eleições em Cabo Verde: que vença o candidato/partido que a maioria escolher num quadro da verdadeira democracia e não o imposto à maioria pela fraude ou pela manipulação e compra de consciência! Motivados pelo futuro, estamos aqui. Cidade de São Filipe, Janeiro de 2010 Alberto Nunes |
| Set 29, 2010 Ilha do Fogo: Conquistas e Desafios É escandaloso o modo como assistimos à morte do mérito e da competitividade de igual para igual entre candidatos a concursos e postos públicos. Abraão Vicente A partir de Dezembro de 1999, decidi dedicar-me ao estudo da História de Cabo Verde e do Fogo em particular. Decidi, desde então, incidir os meus estudos sobre os problemas políticos, económicos e sociais. Está a ser, para mim, uma experiência agradável. Depois de alguns anos a vasculhar algumas fontes, a ler alguns documentos/livros e acompanhar, minuciosamente, algumas práticas relacionadas a esta problemática, resolvi, a partir de 2004, produzir alguns artigos resultantes desse exercício intelectual empreendido desde 1999. Neste exercício intelectual baseado em documentos pude enquadrar a ilha do Fogo no contexto nacional e conclui, a partir de dados fiáveis que, até o final do século XVIII ela ocupava o segundo lugar em termos de desenvolvimento a nível nacional. Nessa altura, a ilha de São Vicente já estava a receber os seus primeiros habitantes, a do Sal teve, ainda, de esperar alguns anos para que, no início do século XIX, passasse a receber também os seus primeiros habitantes. A partir do final do século XVIII e o início do século XIX com o povoamento, principalmente de São Vicente a ilha do Fogo começou a conhecer o seu declínio em termos de progresso. Vários factores estiveram e estão na sua origem entre os quais o conformismo. O desenvolvimento do Fogo a partir de então passa a ser natural e explica com o andar do tempo, isto é, o tempo passa algumas coisas foram feitas – gestão corrente. Os pequenos investimentos que explicam, de certa forma, algum crescimento não foram provocados, aconteceram no desenrolar dos tempos. No pós-independência, enquanto muitas ilhas conheceram alguns investimentos a do Fogo foi abandonada e esquecida pelos sucessivos governos, embora na década de 90 viesse a receber três infra-estruturas – Um Liceu, um Aeródromo e um pequeno Cais. Ao estudar critica e desapaixonadamente a situação política, social e económica do Fogo preocupei-me muito principalmente com várias práticas que têm contribuído significativamente para o seu atraso e estagnação durante vários anos e resolvi como disse produzir alguns artigos dando à estampa a situação aqui vivida e, ao mesmo tempo, reivindicar o direito que o cidadão do Fogo tem no contexto nacional. Reivindiquei também a nível do Fogo a JUSTIÇA SOCIAL. Chamei atenção aos partidos políticos, à sociedade civil e a alguns dirigentes relativamente aos direitos, deveres e responsabilidade que cada um tem na construção de uma sociedade fraterna e justa onde cada cidadão independentemente do seu credo, ideologia, raça e origem possa usufruir do seu direito, baseando no mérito e na competência de acordo com a Constituição da República e Declaração Universal dos Direitos Humanos. Depois de ter escrito vários artigos relacionados com o atraso e abandono da ilha, em Dezembro de 2008, na sequência de concretização de algumas obras, do lançamento de algumas pedras para o arranque de novas obras e do arranque de outras obras escrevi um artigo e mandei publicá-lo no semanário A Semana com o seguinte título “ Fogo: O Prelúdio De Uma Nova Era”. Na altura, referia-me ao hospital dos Mosteiros, Gare marítima, obra de remodelação e ampliação do Aeródromo de São Filipe, Liceus de Cova Figueira e de Ponta Verde, Centro de Formação Profissional para a região do Fogo e Brava, início de asfaltagem da estrada Salto à entrada do Parque Natural, arranque do Anel Rodoviário, remodelação e ampliação do Posto Sanitário na então Vila de Cova Figueira, electrificação rural nos três concelhos etc. Naquele artigo falei de alguns postos de trabalhos criados pelas empresas; falei de forma apartidária de aquisição dos trabalhadores por parte das empresas; falei da movimentação que a realização dessas obras provocava na ilha dando a sensação do arranque do desenvolvimento e crescimento de uma ilha que há séculos andava abandonada e adormecida e por último falei dos benefícios que as obras podiriam trazer para ilha. Hoje, no Fogo relativamente a estes aspectos ouvem-se comentários diferentes dos que têm sido antes de 2008. Eu, da minha parte, nestes dias, relativamente à electrificação rural fiquei satisfeito com a chegada de energia eléctrica aos povoados de Baluarte Cima, Monte Preto, Mãe Joana (minha aldeia natal) e Estância Roque. Dou os meus parabéns ao Governo de Cabo Verde, à Câmara Municipal de Santa Catarina e aos parceiros envolvidos no financiamento e na execução do trabalho. Hoje, estes bairros são diferentes e proporcionam novas oportunidades aos seus habitantes. Hoje, no bairro que me viu nascer já posso usar meu portátil e escrever, já posso dormir noites necessárias sem medo ou receio de perder o telejornal, sem medo ou receio de assistir um bom programa televisivo etc. Sinceramente, tudo isso é para mim, uma sensação agradável. Já não tenho mais pressa de sair do meu bairro natal. Penso também que os outros conterrâneos que habitam lá ainda têm o mesmo sentimento. Este sentimento e esta minha atitude de reconhecer publicamente estas iniciativas provam, de certo modo que, quando as coisas funcionam e bem, os cidadãos de bom senso que acompanham a dinâmica e o progresso sentem e reconhecem esses feitos. Se nestes sectores houve ganhos significativos à vista de todos, noutros ainda precisam de uma intervenção profunda, revolucionária de modo que possamos edificar uma sociedade sobre o alicerce da Justiça, do mérito, da competência, em suma, uma sociedade alicerçada na Constituição da República e noutros documentos normativos do nosso país e não só. A Constituição da Republica de Cabo Verde no seu art. 23º diz que “Todos os cidadãos têm igual dignidade social e são iguais perante a lei, ninguém podendo ser privilegiado, beneficiado ou prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de raça, sexo, ascendência, língua, origem, religião, condições sociais e económicas ou convicções políticas ou ideológicas”. O texto é realmente lindo e rico de conteúdo. Entretanto, sabemos que na prática não funciona assim. Quantas vezes já assistimos os governantes a não respeitarem a opção política e partidária de um cidadão? Quantas vezes assistimos, na nossa sociedade, cidadão perseguido, excluído, ignorado por motivo da sua opção? Vejam o que passou com David Lima Gomes, candidato do MpD às últimas eleições autárquicas na ilha Brava… A ilha do Fogo podia estar num patamar bem diferente do que se encontra neste momento: se houvesse mais respeito pelas opções de cada cidadão; se houvesse menos injúria às pessoas que pensam de forma diferente daquelas que estão no poder; se houvesse democracia; se houvesse promoção de mérito, competência e excelência; se houvesse mais… Como cidadão cabo-verdiano e foguense, fico orgulhoso com a construção do centro de saúde dos Mosteiros; com o arranque do anel rodoviário; com o arranque da construção do Liceu em Cova Figueira; com a construção do Centro de Formação Profissional para a Região do Fogo e Brava; com asfaltagem da estrada Salto a entrada do Parque Natural… Todavia, como cidadão cabo-verdiano e foguense não me orgulho ao ver estudantes reprovados com subsídios para estudarem dentro e fora do país; ao ver apoios canalizados numa só família, porque os pais são do partido no poder e ver bons estudantes sem subsídios e excluídos porque os pais têm uma opção política diferente; não me orgulho ver indivíduos sem competências técnicas e sem requisitos a ocuparem cargos de alta responsabilidade e com salário exorbitante (superior a de um técnico superior) sem ter passado pelo menos pelo Liceu só porque é militante; não me orgulho ver indivíduos ocupando determinados postos sabendo de antemão que nada vai fazer a não ser ganhar um óptimo salário só porque é militante ou os pais o são; não me orgulho ver jovens “play boy” trabalhando em empresa e outros funcionários de instituições públicas com pensão social; não me orgulho ver e ouvir esses jovens a “bazofiar” na rua da minha ilha dizendo aos velhos e vulneráveis sem pensão social que estes não a têm porque votaram “torto” etc. É lamentável, é injurioso, é um atentado à intelectualidade ver os nossos governantes descarados e propositados a distribuírem trabalhos públicos, sem concursos e sem fiscalização aos amigos e militantes contribuindo para enriquecer determinados indivíduos, em curto prazo com recursos públicos, deixando bons e honestos trabalhadores de fora conduzindo-os à miséria extrema só porque estes últimos têm opção política diferente de quem está no poder ou na linguagem de muitos porque votaram “torto”. É Triste! Aos prejudicados/vítimas deste sistema vergonhoso, arcaico… peço-lhes coragem, paciência e determinação, pois Jesus Cristo e Nelson Mandela são exemplos a seguir com o espírito de perdão. Jesus no alto do madeiro da Cruz pediu ao Pai para perdoar aqueles que O crucificaram injustamente e Nelson Mandela depois de cumprir vinte sete anos de prisão injustamente ao sair da prisão concedeu perdão aos que o condenavam e proclamou uma África do Sul livre e sem vingança. Assim governou durante um mandato. Não me orgulho com a injustiça . Cidade de São Filipe, Setembro de 2010 Alberto Nunes |
| 7 Maio 2011 Historial da Ilha do Fogo – Cabo Verde - Por Alberto Nunes - Historiador Aspectos Gerais A ilha do Fogo é a quarta maior ilha de Cabo Verde com uma superfície de 476 km2. Segundo o modelo da administração adoptado da época colonial a ilha foi dividida religiosamente em quatro freguesias e ou Paróquias: Nossa Senhora da Conceição, São Lourenço, Nossa Senhora de Ajuda e Santa Catarina. Em termos políticos e administrativos, mais recentemente, foi dividida, em três concelhos: São Filipe, Mosteiros e Santa Catarina. E, actualmente, a ilha possui três cidades: cidade de São Filipe - em S. Filipe, cidade da Vila de Igreja - nos Mosteiros e cidade de Cova Figueira - em Santa Catarina. Trata-se de uma ilha circular, localizada no Sudoeste do arquipélago, com uma topografia que apresenta formas de relevo saliente, diferente das demais ilhas que compõem o arquipélago. Na região central da ilha existe um vulcão ainda activo, com 2.829m de altitude. Pode dizer-se que o vulcão constitui o seu cartão postal. Aspectos Históricos A ilha do Fogo foi “achada” no dia 1 de Maio de 1460, juntamente com a de Santiago pelos navegadores António de Noli, italiano, ao serviço do rei de Portugal, e Diogo Gomes, português, no reinado do Infante D. Henrique. Alguns documentos mostram indícios de que Cabo Verde já havia sido visitado por povos da costa ocidental africana, mormente os jalofos. Mostram também que o arquipélago já teria sido conhecido por outros povos antes dos portugueses. Todavia, o que prevalece oficialmente, - e que é possível provar - é que foram os portugueses, os primeiros a descobrirem-no (achamento - 1460) e os primeiros a ai fixarem (povoamento - a partir de 1461/62). Relativamente à ilha do Fogo o documento mais antigo que se conhece é o de 03 de Dezembro de 1460 em que o então rei de Portugal D. Afonso V doou ao Infante D. Fernando as ilhas do Atlântico, identificadas na altura, onde estava incluída a de Sam Felipe, o primeiro nome da ilha do Fogo. Mais tarde, mesmo no início do século XVI, devido à erupção vulcânica, a ilha passou a ser chamada de ilha do Fogo (Valentim Fernandes, 1508). O povoamento do arquipélago começou pela ilha de Santiago. De acordo com a Carta Régia datada de 12 de Junho de 1466, o povoamento de Santiago iniciou-se a partir de 1461/62 com povos vindos da Europa e da Costa Ocidental africana. A ilha do Fogo foi a segunda a ser povoada e o seu povoamento situa-se entre 1480 a 1493. Aceitamos essa data tendo em conta que em 1480 o mercador francês Eustache de la Fosse tinha passado por Cabo Verde e diz-nos que as ilhas são dez e apenas uma era habitada, referindo-se obviamente à de Santiago. Já em 1493 foram enviados objectos do culto divino e uma parte era destinada à Igreja de São Filipe na ilha do Fogo. De acordo com Ilídio Cabral Baleno “a iniciativa do povoamento do Fogo parte livremente dos moradores de Santiago”. O povoamento da ilha do Fogo processou-se em quatro etapas: 1ª São Filipe, hoje cidade de São Filipe, no final do século XV e inicio do século XVI; 2ª São Lourenço do Pico, actual freguesia de São Lourenço, no inicio do século XVI; 3ª Mosteiros, a partir do século XVII e 4ª Santa Catarina, século XIX. De acrescentar que, no povoamento da ilha participaram povos vindos de Santiago, da Costa Ocidental Africana e da Europa. Seu povoamento iniciou-se pela região de São Filipe e acredita-se que as primeiras construções edificadas no Fogo sugiram no espaço onde foi construído o cemitério denominado “cemitério de baixo”, ao lado da ribeira de Nhô Jerónimo, na sobrancelha da praia de Fonte-vila (1º porto da Cidade de São Filipe). Hoje, para se encontrar as ruínas das primeiras construções exige-se dos interessados um trabalho redobrado. Todavia, há que destacar o meritório trabalho da investigadora Gilda Barbosa que tem batalhado incansavelmente com objectivo de colocar à disposição dos estudiosos documentos e dados que nos permitem trabalhar com mais segurança e desmitificar mitos e inverdades construídos no e sobre Fogo ao longo da história. O primeiro núcleo foi se expandindo, atravessando a Ribeira de Nhô Jerónimo chegando ao Fortim Maria Carlota, à pracinha da actual Igreja Matriz, dedicada à Nossa Senhora de Conceição, alargando até ao espaço hoje denominado praça do presídio. Com o andar do tempo, criou- se um espaço populacional denominado “Bila Baixo”, ou centro histórico da Cidade de São Filipe.” Bila Baixo” é uma expressão usada, porque com a expansão do povoamento dentro de São Filipe criou-se um novo espaço com características diferentes das do centro histórico denominado “Bila Riba”, separados por um paredão no Alto São Pedro. No início do século XVI com o desenvolvimento do comércio entre Portugal, ilha de Santiago e Costa Ocidental da África e, no intuito de incrementar a actividade agrícola começou a ocupação das regiões agrícolas em São Lourenço do Pico, o primeiro espaço agro-pecuário da ilha do Fogo. As regiões de Monte Tabor, As-hortas, Pico Pires, Serrados, Pico Gomes… começaram a receber os primeiros cultivos de algodão, urzela, vinha etc. Ainda no início do século XVI, de acordo com os apontamentos de Monique Widmer, a ilha do Fogo “apresentava-se como grande produtora de algodão, com fabrico artesanal de panos, produção agrícola, gado, criação de cavalos… muitos navios estrangeiros por ali passavam… comércio activo, sobretudo com a Costa da Guiné, onde, em troca, adquiria-se mão-de-obra escrava para as lavouras”. Depreende-se que, a partir do século XVI, a ilha do Fogo passou a ter dois espaços bem definidos: São Filipe, encarado como espaço político- administrativo e São Lourenço do Pico como espaço agro-pecuário. Graças aos produtos agro-pecuários produzidos na região de São Lourenço do Pico, a ilha do Fogo manteve uma forte relação comercial com a ilha de Santiago, Costa Ocidental da África e Portugal. Nessa relação comercial Fogo, Santiago Costa Ocidental Africana e Portugal a ilha do Fogo não teve a mesma sorte que a sua vizinha ilha de Santiago. Se não Vejamos: Enquanto para Santiago os lucros dessa rede comercial era investido na ilha, no Fogo o lucro revertia-se a favor de Santiago e da Coroa portuguesa. Essa medida afectou grandemente o progresso da ilha nos seus primeiros momentos de povoamento. Entretanto, apesar desse constrangimento verificado, a ilha do Fogo deu passos significativos ao estabelecer relações comerciais com Santiago e Costa Africana, utilizando como mercadoria principal algodão, e com o Brasil embora, em menor escala, o comércio do vinho. Até meados do século XVIII o vinho do Fogo era exportado para o Brasil. Foi também nesse século que Marquês de Pombal, com objectivo de proteger as vinhas do Alto Douro, mandou ordenar, primeiro, a proibição de exportação do vinho para o Brasil e, no geral, para o estrangeiro, e depois, a pura e simples destruição de todas as cepas na ilha. Escusado dizer que essa medida brusca mexeu, sobremaneira com a dinâmicada economia do Fogo e de Cabo Verde. A situação sócio- económica do Fogo complicou-se ainda mais nesse período com o povoamento das ilhas de São Vicente e do Sal. Pois, o povoamento de São Vicente e a forte dinâmica do Porto Grande atraíram a atenção do então governo e a ilha do Fogo foi, simplesmente, abandonada. Com a introdução do café no final do século XVIII, na região do Monte Queimado, no Concelho dos Mosteiros e com o restabelecimento do comércio de vinho com o Brasil nos meados do século XIX a ilha começou a ressurgir em temos económicos. Entretanto, a primeira metade do século XX foi marcada por vários períodos de fomes e seca como por exemplos: 1903-1904; 1941-1943 e 1947-1948 etc. Trata-se de uma ilha com forte tradição cultural ligada às festas de romaria tais como as de: São Sebastião (20 de Janeiro); São João (24 de Junho); São Pedro e São Paulo (29 de Junho); São Filipe (1 de Maio) entre outras. Reconhecida também como ilha dos sobrados a partir de 1910. BIBLIGRAFIA ALVES, Miguel, Cabo Verde, Ilha do Fogo, São Filipe, Sua evolução até à categoria de Cidade, Sobrado que sobrou, Edição do Autor, 1992 PEREIRA, Daniel A., Apontamentos Históricos da Ilha do Fogo,@ Alfa-Comunicações Lda. Praia Cabo Verde SEMEDO, José Maria & TURANO, Maria R., Cabo Verde: O Ritual das Festas das Bandeiras da ilha do Fogo,IIPC,2007 VÁRIOS Autores, História Geral de Cabo Verde, Volume I 2ª Edição, Lisboa 2001 WIDMER, Monique, Apontamentos Casa da Memória |
| 28 Dez 2012 Ilha do Fogo e o “XUXALISMO” “Não acredito duas vezes em quem já me enconou uma vez”. Immanuel Kant A ilha do Fogo, segundo fontes históricas, foi a segunda a ser povoada (depois de 1480 e antes de 1493) logo após a de Santiago (1461/62). Foi durante três longos séculos a segunda ilha do arquipélago em termos de participação no BIP. Com o enceramento dos ciclos de povoamento do arquipélago no século XIX, Fogo começou a perder o seu lugar no contexto nacional. Nesses últimos anos foi jogada para periferia, num lugar muito aquém das potencialidades e recursos que possui. Poucas vozes se bradaram em seu favor. Muitos se aproveitaram dela como forma de autopromoção e, sobretudo, para o enriquecimento pessoal. Todavia, na hora que a ilha precisa desses senhores e senhoras ao invés de a defenderem, eles defenderam/defendem o partido de que são militantes e/ou simpatizantes. Aqui, o partido sempre foi mais valorizado do que a ilha e as suas gentes. Duro para dizer e triste para ouvir. Aqui, por partido, alguém pode ser caluniado, difamado, deturpado, vilipendiado, perseguido… mas quando o problema é da ilha e das suas gentes todos ficam em silêncio; ninguém fala, ninguém denuncia, ninguém faz manifestação, ninguém faz greve, ninguém faz nada. Triste. Mas é aqui que nascemos e escolhemos para viver. Sofrem os altruístas e os que compreendem o funcionamento das coisas. O Estádio de Monte Pelado em Santa Catarina do Fogo e o anel rodoviário são dois exemplos que mostram aquilo que o nosso ex- professor de história da cultura da Universidade de São Paulo chamava de “XUXALISMO“. Não precisam ir ao dicionário para encontrar esta palavra, pois, ainda não faz parte da academia. Ela foi inventada pelo professor Wilson Barbosa Nascimento para designar coisas absurdas e que só acontecem numa determinada região e com determinado povo. A nós, nos parece que esta expressão se encaixa muito bem na nossa ilha, tendo em conta a postura dos nossos deputados, municipais e nacionais, dos nossos governantes a nível local e nacional. Aqui em Santa Catarina do Fogo há três anos e alguns meses o presidente da câmara - Aqueleu Barbosa, sem projecto e financiamento (ver acta da Assembleia Municipal 2009) decidiu fazer a intervenção no Estádio de Monte Pelado. Mandou destruir toda a estrutura dessa infraestrutura, alegando a sua remodelação, impedindo deste modo, a pática do desporto no concelho. Monte Pelado era o único espaço que apresentava as condições normais para a prática de futebol - treino e jogos. Tal atitude contribuiu para que os jogadores deixassem de ter campo para treino e jogos. Consequentemente o Desportivo Clube de Cova Figueira que representava o nosso concelho na primeira divisão de futebol foi parar na segunda divisão. Hoje corre sérios riscos de desaparecer. A equipa de Baixada subiu para primeira divisão e sem campo de treino e de jogos não durou mais do que uma época. Subiu para a primeira divisão e desceu para a segunda no mesmo ano. Neste momento, pouco se fala de futebol no concelho. As equipas de Achada Furna e Cabeça Fundão sem campo de treino estão a afundar-se para o desaparecimento. A questão de fundo é: porquê fazer intervençao numa infraestrura existente sem projecto e sem financiamento? O presidente viajou aos EUA nesses últimos meses, para tentar enganar alguns emigrantes mandou colocar a máquina no Estádio para poder dizê-los que o trabalho já tinha sido retomado, com prepósito de ser bem recebido. Depois da visita voltou e mandou parar o trabalho. Triste, nê? Não sabemos se este facto é do conhecimento dos emigrantes. Triste e vergonhosa esta atitude. Nenhum outro povo aceitaria essa atitude. Admiramos muito como ainda existem pessoas que acreditam no Aqueleu. Lamentável mesmo! Ontem assistimos, tristemente, na televisão pública de Cabo Verde, o nosso primeiro-ministro ”zagzeagando” a tentar justificar a paralisação da obra do anel rodoviário do Fogo. A paralisação desta obra jogou no desemprego 176 chefes de famílias, deixou as vias quase incirculável, os pisos com buracos excessivos (convidando os condutores ao acidente), as poeiras sujam as viaturas, os pneus têm de ser trocados em dois em dois meses, as molas e a suspensão têm de ser tocadas com frequência, as oficinas estão cheias de carros com problemas derivados da intervenção feitas nas estradas. Esta é realidade nua e crua, vista por todos nós que escolhemos a nossa querida ilha para a nossa morada. Os argumentos apresentados só servem para enganar os que querem ser enganados, os que não entendem e os fanáticos do sistema. Esses argumentos são iguais que ele apresentou para não pagar IUR, 13º mês; para não implementar o salário mínimo; para não aumentar o salarial; para justificar as promessas dos 2 helicópteros para Brava; para não aumentar o salário para os professores do ensino secundário não inferior a 10% para junho de 2011; para não implementar o PCCS em janeiro de 2012 etc. A oposição e os sindicatos já fizeram o que tinham para fazer. A sociedade civil tem de fazer a sua parte. A sociedade precisa se despir da capa partidária, tirar o medo e abdicar das promessas eleitoralistas e juntar-se a oposição e sindicatos e fazer valer as promessas feitas. A ideia do anel rodoviário do Fogo remonta aos anos de 1967 ainda no período colonial. No pós independência, principalmente após a abertura política passou a ser objecto de campanha e de voto, juntamente com o porto da Baia do Corvo e aeroporto dos Mosteiros. A situação actual do anel rodoviário do Fogo é absurda. Já ninguém entende mais nada. A explicação do primeiro-ministro não clareou nada pelo contrário complicou tudo. Houve ou não estudo antes da elaboração do projecto - anel rodoviário? A obra tinha ou não financiamento garantido antes do seu início? Há verba para pagar os 750 mil contos da dívida com a empresa empreiteira? E os presidentes das Camaras, os presidentes das Assembleias Municipais, os deputados municipais, os deputados nacionais eleitos pelo Fogo vão falar ou continuarão calados? A sociedade foguense, residente e na diáspora, tem algo a dizer ou prefere ficar calado? E os que por causa do Fogo estão ricos, não vão pagar o tributo ou preferem ficar calados? Onde estão? Na Praia – como costuma dizer Cláudio Fonseca? Afinal, não ouviram nada? Paciência! Puro “Xuxalismo.” Alberto Nunes Cidade de Cova Figueira, 22 de Dezembro de 2012 |
| 28 Dez 2012 ONDE ESTÃO OS PRESIDENTES DAS CÂMARAS E DEPUTADOS DO FOGO? Em 2009, os Foguenses tiveram a oportunidade de ver, na ilha, uma equipa composta por membros do Governo, dirigentes do partido, responsáveis de algumas instituições e alguns convidados a assistirem o lançamento da primeira pedra do tão falado - Anel Rodoviário do Fogo. Para a cerimónia, foram trazidos os carros dos membros do governo e também usaram os melhores carros do Estado na ilha. Bonito mesmo! A festa do lançamento da primeira pedra teve honra e pompa. Os discursos foram lindos. Nós escrevemos, na altura, um artigo com o seguinte título – Ilha do Fogo – O prelúdio de uma nova era. Pois, tudo indicava, a passagem da ilha das eternas promessas à realidade. Engano nosso. Após o lançamento da primeira pedra as obras arrancaram. Muitas pessoas - jovens, chefes de famílias… encontram emprego. Alguns dias depois, a empresa começou a queixar-se da falta de verba. No entanto, as máquinas devastavam as estradas da época colonial e o piso começou a ficar quase incirculável. Acreditávamos que o ritmo do trabalho do Anel Rodoviário era o mesmo que estava a acontecer nas ilhas de Santiago, São Vicente, Sal, Boa Vista, São Nicolau e Santo Antão. Engano. Três anos e alguns meses já se passaram nem sequer um “pingo” de alcatrão no chão. Os condutores profissionais, (os mais prejudicados) irritados com o piso da estrada, resolveram fazer uma manifestação para ver, se os responsáveis pudessem dar-lhes uma explicação. Nada aconteceu. Ninguém se prontificou para esclarecer-lhes a situação. Parecia que na altura os responsáveis estavam todos ausentes e não ouviram nada. Houve, meses depois, uma outra manifestação. Também ignorada por quem de direito. Todos nós continuamos a pagar imposto de circulação e taxa de manutenção de estrada, assim como os demais cidadãos nacionais. No entanto, continuamos com uma estrada que nos tira todo o prazer de lavar o carro. As oficinas estão movimentadas. Carros com problemas de mola e de suspensão, todos provocados pela péssima condição da estrada. Para piorar, nestes últimos dias, o trabalho no Anel parou. Os jovens, os chefes de famílias… estão desempregados e o piso da estrada ficou pior. Pois, nem água para evitar as poeiras. Os carros circulam com dificuldade e com forte probabilidade de provocar acidentes na estrada. A notícia que circula, há muito, é que já não vamos ter Anel, mas sim, um meio anel, já que não há financiamento do troço - Cova Figueira Mosteiros. Essa informação veio depois da festa do lançamento da primeira pedra. Apesar desses problemas sérios que afectam as famílias na ilha do Fogo, os nossos presidentes das câmaras ficaram/ficam calados e no absoluto silêncio, pois, são todos, da mesma cor do partido no poder e como tal devem respeitar a disciplina partidária. Triste. Os deputados também ficaram/ficam em silêncio e todos preocupados com viagens e ajuda de custos. Aliás, a maioria vive na capital do país e como tal não convive com o problema referido aqui. O deputado Jorge Nogueira que reside na ilha parece-nos o único que merece o apreço no combate contra a discriminação da ilha nesses últimos anos. A história registará, sem distorção, a contribuição de cada um no desenvolvimento da ilha. No Fogo poucas pessoas sabem quem foram ou são os outros deputados eleitos para defenderem os interesses da ilha. Os outros preocuparam-se com o salário, status, viagens, ajuda de custo e a autopromoção. As instituições religiosas não interferem nos assuntos políticos quando existem problemas, mas quando há soluções, aí sim. O problema da ilha só é visto pelo deputado Jorge Nogueira e professores Fausto do Rosário e Alberto Nunes… Neste momento a ilha precisa de uma resposta relativamente à paralisação do trabalho do Anel Rodoviário. Alguém terá de responder por isso. Os eleitos Municipais- presidentes das câmaras, presidentes das Assembleias municipais, vereadores, deputados municipais e nacionais são eleitos para quê? Onde estão? Queremos ver-vos! A ilha vos chama! Afinal, são eleitos para quê? Alberto Nunes Cidade São Filipe, 10 de Dezembro de 2012 |
| SR. ALBERTO NUNES REESPONDE A COMUNIDADE ENTREVISTA ALBERTO NUNES CANDIDATO PRESIDENTE CAMARA SANTA CATARINA FOGO CABO VERDE 1 - Alberto Nunes, o Sr. podia falar-nos um pouco de si mesmo, da sua carreira profissional e porque julga que será eleito Presidente da Câmara do Concelho de Santa Catarina? Claro. Chamo-me Alberto Nunes – Betinho - natural de Mãe Joana, Concelho de Santa Catarina – Ilha - do Fogo. Filho de Francisco Nunes (Mãe Joana) e de Eugénia Andrade Nunes (Cova Figueira). Nasci a 05 de Agosto de 1969. Sou filho de uma família pobre, humilde e, sobretudo, honesta. Sou casado e pai de dois filhos. Fiz 4ª classe em Mãe Joana aos 10 anos de idade. Aos dezoito anos resolvi estudar, por conta própria, o ciclo preparatório. Conclui esta etapa em 1989.Fui seminarista durante seis anos na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos. Em 1995 conclui o Ano Zero em São Vicente. Fui co-fundador de uma Escola Secundária Privada em Cova Figueira em 1995, juntamente com os senhores José António Veiga, António Santos Gonçalves, Ângelo Fontes, Pedro Gregório Fontes, Manuel Mendes, entre outros. Iniciei, nessa escola, a minha carreira profissional em Outubro de 1995, em Cova Figueira. Leccionei Inglês, História e Ciências Naturais, durante aproximadamente 5 meses - Outubro de 1995 a Fevereiro de 1996. Em Fevereiro de 1996 ingressei-me na Universidade de São Paulo – Brasil – considerada maior e melhor Universidade da América Latina. Em 1999 conclui o curso de História – ramo científico e ensino, isto é, historiador/professor. O referido curso tinha, na altura, a duração de cinco anos, todavia, conclui – o em quatro anos e com a média de 8 valores na escala de zero a (0-10). Em Janeiro do ano 2000 entrei como professor e coordenador de economia do 11º e 12º anos, na Escola Secundária Dr. Teixeira de Sousa. Fui também coordenador da disciplina de Actividade Económica e professor de história no Ano Zero, no pólo de São Filipe. No ano lectivo 2001/2002 assumi a coordenação de Mundo contemporâneo e História e leccionei a disciplina de história no 11º e 12º anos de escolaridade. No ano lectivo 2002/2003 assumi o cargo de Subdirector Pedagógico da Escola – cargo que desempenhei até ao ano lectivo 2007/2008. Nesse ano, passei a desempenhar o cargo do subdirector para Área de Assuntos Sociais e Comunitários, até o ano Lectivo 2009/2010. No ano lectivo 2010/2011, até esta data sou Director da Escola Secundária João Paulo II. Fui presidente da Assembleia da Associação Regional de Futebol do Fogo durante 2 anos e vice-presidente da mesma Associação durante 2 anos. Sou autor de dezenas de artigos publicados em diversos jornais do país. Sou autor também dos seguintes livros: Cabo Verde – A Situação de Classe Vulnerável – Aguarda a publicação; Ilha do Fogo e Cabo Verde – Uma Visão Critica e Multifacetada – a ser lançado nos próximos meses; História de Igreja de Santa Catarina Ilha do Fogo – na fase final; A questão do (Sub) desenvolvimento da ilha do Fogo – na fase avançada de pesquisa; Julgo, como é óbvio, poder ser eleito presidente da Câmara de Santa Catarina pelos seguintes motivos: sou natural deste concelho; conheço muito bem a sua realidade; seus pontos fortes e fracos, suas ameaças e potencialidades; estou em condições de formar uma equipa que se identifica com o nosso concelho, capaz de transformar estas potencialidades em oportunidades para o município e munícipes; sinto-me firme na minha decisão pois, reúno as condições técnicas, científicas e, sobretudo humanas para desempenhar função do presidente da câmara municipal do nosso município; estou em condições de congregar, numa equipa coesa e qualificada, os quadros e pessoas de boa vontade e com perfil do concelho; irei ter a melhor equipa para administrar o concelho, a melhor plataforma e o melhor projecto para serem implementados no concelho; a minha equipa terá uma visão de desenvolvimento e não de manutenção no poder como a actual equipa tem feito; possuo idoneidade, responsabilidade e moral suficientes para concorrer para tal função; fui chamado pelos munícipes e, nas sondagens feitas pelos partidos políticos, sou o melhor posicionado, razão porque estou a responder a um pedido na qualidade de cidadão e munícipe. 2- Caso ganhar as eleições, que discurso teria em relação ao seu adversário e, se por acaso não conseguir ganhar apoiaria o candidato vencedor e, se for assim, de que maneira faria isso? Permita-me o seguinte: em primeiro lugar, espero ter um adversário com sentido de responsabilidade e que prima por um “código de ética”- valores e princípios - durante a pré-campanha e campanha eleitorais; espero ter um adversário que tenta sempre apresentar projectos concretos e exequíveis; e uma equipa capaz de resolver os principais problemas do concelho; espero ter um adversário que respeite a Constituição e as demais leis da República, designadamente o Código Eleitoral; espero ter um adversário capaz de concentrar seus esforços na busca de soluções para os reais problemas do Concelho; espero ter um adversário que não secundarize as questões prioritárias e nem coloque no centro das suas preocupações a resolução de problemas pessoais, partidários e familiares etc.; espero ter um adversário de nível, que durante a pré-campanha e campanha eleitorais, se disponibilize para debatermos, publicamente, os problemas e as nossas propostas para a resolução das questões essenciais do concelho; espero encontrar um adversário diferente daquele que o concelho de Santa Catarina teve no passado e tem neste momento. Essas são, no meu ponto de vista, condições necessárias para que haja um bom relacionamento não só no discurso, mas também na governação do município. Cumprido esses pressupostos, caso eu ganhar as eleições, o meu discurso de vitória em relação ao meu adversário será o de felicitação pela sua contribuição democrática a bem do concelho, de humildade, sentido de responsabilidade e respeito.Terei um discurso integracionista e, sobretudo, de aproximação; um discurso que visa fundir os aspectos interessantes e necessários das duas plataformas eleitorais, a bem do município e dos munícipes; um discurso que visa pedir a colaboração de todos, independentemente das posições políticas e partidárias defendidas. Todavia, caso eu não ganhar as eleições estarei disponível, juntamente com a minha equipa, como sempre estivemos, para colaborar em tudo que for bom para o desenvolvimento do meu/nosso município. 3- Como Presidente da Câmara, quais seriam as primeiras medidas que implementaria e quais seriam as áreas prioritárias? Como presidente da Câmara tenciono, em primeiro lugar, combater a partidarização da instituição camarária e, juntamente com a minha equipa e a sociedade civil, combater a partidarização da sociedade e o esbanjamento; farei de tudo para combater o medo instalado no município e promover o mérito e a competitividade; prometo também, combater o desemprego e a pobreza através do empreendedorismo, da cooperação com o governo central e com outras instituições públicas e privadas, através de um melhor aproveitamento das geminações, entre outras estratégias. Trabalharei incansavelmente na construção de uma sociedade muito activa, segura, participativa e respeitadora dos direitos do homem e dos princípios da liberdade e da democracia; Privilegiarei, sobretudo, as enormes potencialidades existentes nas áreas do turismo, agricultura, pecuária e emigração para servirem como alavanca para um desenvolvimento sustentável do concelho, gerando riquezas e oferecendo emprego qualificado para a esmagadora maioria de jovens e chefes de famílias. Esse modelo de desenvolvimento que a nossa candidatura projecta, requer, como disse atrás, a qualificação da nossa mão-de-obra, razão porque uma especial atenção será dedicada à educação e formação profissional. A infra-estruturação do concelho, que foi vista no Programa de Instalação apresentado aos munícipes em 2005 mas nunca foi materializado, um Programa Habitacional para responder às demandas do parque habitacional do concelho, que necessita de enormes melhorias e novas construções, e uma maior e melhor oferta no plano sanitário, são, entre outras, as medidas que merecerão a nossa prioridade. 4- Como é do nosso conhecimento, o concelho de Santa Catarina é o mais pobre de Cabo Verde. Apesar de ter uma diáspora vigorosa mas, mesmo assim, o seu desenvolvimento socioeconómico e o nível de vida da sua população são baixos. Teria algo a dizer a este respeito ou quais são os factores determinantes desta situação? Na verdade, o concelho de Santa Catarina é o mais pobre de Cabo Verde. Dados do INE de 2006 confirmam isso. O paradoxo reside no facto de termos no nosso concelho algo mais rico do país – o vulcão do Fogo, pouco ou quase nada explorado pela autarquia local. Há também, como disse, um outro factor determinante no agravamento da pobreza no concelho: o subaproveitamento da vertente emigração – a actual equipa ignorou simplesmente a emigração. Enormes potencialidades existentes, como a agricultura, pecuária, pesca e artesanato são também subaproveitados pela nossa autarquia. Por estas e outras razões que irei ter oportunidade de apresentar noutras ocasiões, Santa Catarina continua sendo o concelho mais pobre do país. A actual equipa trabalhou muito pouco para alterar tal realidade. Falta-lhe uma visão estratégica, uma política de integração e capacidade de aproveitamento dos recursos disponíveis no e / do concelho. Um outro elemento importante que deve ser levado em conta é que neste concelho, considerado mais pobre do país, o nível de vida dos governantes locais e os esbanjamentos das rés pública são incompatíveis com a realidade vivida aqui. Devo referir ainda que um dos maiores pecados da actual equipa é a partidarização da instituição camarária e da própria sociedade – a divisão - PAICV/MpD – “di nós e ca di nós”. A equipa camarária não fomentou uma boa relação com os munícipes residentes, quadros distribuídos pelas ilhas e pela diáspora. Houve falta de diálogo. A equipa que ganhou as eleições em 2008, talvez pelos resultados obtidos, foi muito arrogante e excluiu mais de metade da população no processo de desenvolvimento do concelho. Excluiu a emigração no processo do desenvolvimento do concelho. A Câmara foi fechada à sociedade. A equipa em pleno século XXI entendeu que com cinco elementos eleitos – presidente e vereadores -, era possível desenvolver o concelho. Fechou ouvido às criticas de oposição, aliás, a oposição foi vista durante este tempo todo como indivíduos apelidados de críticos, ignorantes, frustrados, MPdistas, contra, entre outros. A principal causa da exclusão dos emigrantes no processo de desenvolvimento do concelho foi a ARROGÂNCIA da equipa eleita. Entendeu que os emigrantes não tinham nada a dar ao concelho. Como exemplo, é só contabilizar o número das viagens feitas aos EUA: apenas uma vez durante 7 anos da governação. A minha equipa entenderá sempre que a emigração é um dos nossos parceiros privilegiados no processo de desenvolvimento do concelho. Aliás, não é por acaso que no dia 10 de Março estarei nos EUA para fazer a minha apresentação pública como candidato à presidência da Câmara de Santa Catarina. 5- O primeiro ano do mandato é sempre crucial para um Presidente e para os munícipes. Como pensa ser avaliado no primeiro ano do mandato? É claro que irei fazer de tudo para que eu seja avaliado positivamente não só no primeiro ano, mas sim, durante o mandato todo. Por isso, vamos dar uma atenção especial à elaboração da nossa plataforma eleitoral, de forma a concentrar as nossas acções nas prioridades do concelho. Tendo em conta a nossa plataforma, os nossos projectos e parceiros já identificados, estou convicto que a avaliação do meu desempenho será positiva. Aliás, pretendo fazer uma gestão participativa, ter uma câmara aberta, dialogante e despartidarizada, diferente da actual, é claro. Pretendo uma câmara aberta à sociedade e à diáspora, que integra todas as competências e vontades. Só assim, será possível conseguir este objectivo. Prometo, como já disse, tudo fazer para que eu seja avaliado positivamente durante os quatro anos de mandato e não só durante o primeiro ano. 6- Porque é que decidiu candidatar-se deixando a sua actual profissão no ensino e como pensa reconciliar com a comunidade caso for eleito? Decidi aceitar a proposta de candidatura porque gosto muito de desafios. As pessoas me pediram e eu aceitei. Aceitei porque gosto muito do meu concelho e como cidadão cabo-verdiano sinto-me na legitimidade de me candidatar à presidência da câmara no meu concelho. Aceitei porque sou conhecedor da realidade do concelho: das suas forças, fraquezas, ameaças e oportunidades. Aceitei porque reúno as condições técnicas, científicas e humanas para desempenhar tal função. Aceitei porque estou em condições de formar uma equipa com quadros qualificados do concelho e com gentes comprometidas com o desenvolvimento do concelho. Aceitei porque comigo é possível fazer uma gestão participada, transparente, justa, onde todos se sintam integrados e incluídos. Aceitei disponibilizar todo o meu capital técnico e humano, para, juntamente com os demais quadros do concelho, catapultarmos Santa Catarina para a senda do desenvolvimento. Aceitei porque entendi que se trata de um acto de cidadania e assumo como um candidato de causa e da cidadania. 7- Como qualifica o desempenho do actual autarca Sr. Aqueleu Amado? Seria injustiça tremenda avaliar apenas o presidente Aqueleu Amado. Aliás, a grande questão que se coloca neste momento é, sem dúvida, quem é o culpado para o tal desmando do concelho? A equipa culpabiliza o presidente o presidente faz o contrário. Tenho que ser muito sincero e, ao mesmo tempo, frontal para dizer que a avaliação, neste contexto, deve ser da equipa, isto é, do Aqueleu e dos seus colaboradores que ele mesmo escolheu e que sempre defendeu ser uma equipa competente e comprometida com Santa Catarina. E, a avaliação da equipa é negativa, não só do meu ponto de vista, mas do ponto de vista dos munícipes e do próprio sector do partido que suporta a equipa. Aliás, todos nós ouvimos e vimos na comunicação social o actual autarca a desistir de se candidatar a um segundo mandato, alegando falta de apoio político do comité do sector em Santa Catarina e por a população avaliar negativamente o desempenho da equipa. Assim como os demais munícipes, eu também avalio negativamente o desempenho, não só do presidente, mas da equipa. Consequências de muitas promessas e mentiras com objectivos de angariar os votos e chegar ao poder a todo custo e de, portanto, poucas realizações. Tudo isso provocou, nestes últimos anos, um clima de descontentamento e de descredibilização da equipa eleita. Como são muitas, vou tentar em breves linhas enumerar, e sem pormenores, as piores falhas da actual equipa, pois terei a oportunidade de a fazer mais detalhadamente noutras ocasiões. São elas: gestão partidarizada, exclusão dos quadros e dos munícipes; prioridades na importação/recrutamento de quadros sem concursos públicos; total desprezo da população emigrada; falha na política de incentivo aos investidores públicos e privados; falta de informação e incentivo junto dos emigrantes do município; realização de algumas obras sem concurso público; atribuição de subsídios ou bolsas de estudo sem critérios transparentes; aquisição de vários serviços fora do município, esbanjamentos propositados dos recursos económicos e materiais do município, arrogância, abuso do poder, excesso do individualismo, despotismo; exportação duma grande fatia do rendimento do município através de pagamento de salários aos funcionários que não residem no concelho; falta de visão na construção de espaços para formação, lazer e ocupação dos tempos livres dos jovens; fraca capacidade de realização; falta de transparência na gestão de coisa pública; falta de capacidade para gestão dos solos – incapacidade negocial para desencravar a situação dos terrenos em Santa Catarina devido à falta de dialogo com os reais proprietários -; falta de transparência na distribuição dos lotes para a construção; falta de planificação das actividades recreativas, desportivas e culturais para a juventude; despesa excessiva com a instalação e funcionamento dos serviços municipais; falta de incentivo e sensibilização da população para a necessidade de preservar os valores culturais; ausência de uma política de incentivo para os investimentos privados; falta de incentivo ao artesanato local; inexistência do fomento do empreendedorismo jovem; de uma forma geral, falta de políticas sérias para os principais sectores de desenvolvimento como: turismo, agricultura, pecuária, emigração, educação, juventude, infra-estruturação, habitação, emprego, saúde, entre outros. Os não residentes no concelho, muitas vezes são iludidos com alguns trabalhos realizados no município, mas, na verdade, ao se separar os trabalhos do Governo central e das associações comunitárias, o trabalho da Câmara resume-se à cobrança de imposto, pagamento de salários aos funcionários e pagamento de transporte ilegal e imoral de uma viatura que transporta duas vezes por dia, e durante quatro anos, vereadores e técnicos que vivem foram do concelho. 8- O Sr. Alberto Nunes, podia esclarecer para os munícipes se de facto é militante do MPD ou de outro partido político? Não sou militante nem do MpD e nem de outro partido político. Sou um candidato sem filiação partidária, nas listas do MpD. Uma atitude quer minha e quer deste partido que extravasa a mentalidade de muitos cabo-verdianos. 9- Muitos concelhos em Cabo Verde, sofrem de um alto índice de desemprego e crime como é o caso do concelho de Santa Catarina. Que faria para reverter esta situação? No que concerne ao desemprego no nosso concelho, a câmara tem a sua quota-parte de responsabilidade. Mas esta deve ser compartilhada com o Governo Central. A câmara preocupa-se muito em criar postos de trabalho só nos últimos quatro meses que antecedem as campanhas e eleições, como por exemplo, agora já começam a abrir-se pequenas frentes de trabalho em cada localidade. A actual equipa no concelho faz uma gestão não de desenvolvimento, mas sim, de manutenção no poder. Por isso, não está muito preocupada em cooperar com o governo e nem na busca de parceiros públicos e privados. Pois, o objectivo é deixar a população na pobreza, portanto muito vulnerável, para assim poder dominá-la na altura da pré-campanha e campanha eleitorais, como forma de angariar votos. A minha equipa pretende, como já disse, fazer uma gestão que visa o desenvolvimento, promover a criação do emprego, através da cooperação com o Governo Central, com parcerias publico- privadas, empreendedorismo, para que haja mais emprego, produtividade, rendimento e consequentemente distribuição equitativa desse rendimento. A nossa visão de desenvolvimento deverá ser diligenciada com base na garantia da sua sustentabilidade. Iremos primar pela garantia da permanência das futuras gerações e isto passa por uma racionalização dos recursos locais. Em relação aos crimes, a câmara deverá trabalhar para a minimização das desigualdades sociais, com políticas claras voltadas para as camadas mais desfavorecidas, deverá promover actividades de inclusão da juventude e ainda desenvolver no seio da nossa juventude uma mentalidade de responsabilidade, de participação efectiva no desenvolvimento do município. É importante fomentar na comunidade actividades de incentivos pela paz, alegria, convívio, respeito e resgate dos valores básicos de uma sociedade. Neste particular, o incentivo da família, das Igrejas, associações e escolas são importantes. Por outro lado devo realçar que a colaboração com as instituições ligadas à criminalidade deverá ser constante, visando encontrar os melhores caminhos para minorar o problema, elevar cada vez mais, o nível de justiça e segurança no concelho. Sou de opinião que esses índices podem melhorar se o trabalho de casa for bem feito, contando com a participação de todos, sem culpabilizar ninguém. 10- Nos últimos dias a Ilha toda foi abalada com o assassinato do Sr. Djon Boca Pato, na cidade de Sao Filipe, em menos de 48 horas as autoridades já tinham encontrado o alegado criminoso; como é do seu conhecimento um outro crime ocorrido no Concelho de Santa Catarina, transformou a consciência da população que foi o caso do assasinato do Sr. Manuel Soares Rosa, mais conhecido por Nini de Maria Gato, até esta data o caso ainda não foi solucionado e oculpado continua a monte sem ser capturado e julgado; que diria sobre este caso e o que faria sobre isso se for eleito para que a justiça seja feita? O senhor, inúmeras vezes, já se mostrou preocupado com a morte do nosso ilustre filho de Santa Catarina o Sr. Manuel Soares Rosa. Na verdade, vejo também com muita preocupação esse caso e essa questão já foi levantada várias vezes pelos munícipes junto do próprio Primeiro-ministro de Cabo Verde e do actual Presidente da República de Cabo Verde, nos encontros oficiais ao concelho. Julgo que as autoridades locais fizeram as diligências necessárias para apurar o caso, embora, sem resultados palpáveis. Não posso precisar as condições da morte do nosso concidadão, pelo que tudo farei, caso vier a ser eleito, conforme espero ser, para que a ilha do Fogo possa vir a dispor, com a maior brevidade possivel, de uma delegação da polícia científica – Policia Judiciária -, o que seguramente irá repercutir-se numa maior eficiência da investigação criminal. Devo dizer também que o tratamento foi desigual, embora cada caso seja um caso, mas os cidadãos são iguais. Garantias dadas pela nossa Constituição da República. 11- Como analisaria a presente situação que se vive noconcelho de Santa Catarina, tanto social e economicamente falando? A situação vivida nestes últimos anos em Santa Catarina não é fácil. Trata-se, pois, de um concelho pobre, todavia, com grandes potencialidades desperdiçadas que podem ser aproveitadas a bem do município e dos munícipes. Santa Catarina é um concelho rural com grandes potencialidades agrícolas, turísticas e piscatórias. Estes três sectores chaves do desenvolvimento do concelho foram intactos durante estes sete anos da governação aqueliana. Uma outra vertente importante do concelho mas subaproveitada pela actual equipa foi a diáspora santacatarinense. Com o subaproveitamento daquilo que temos de melhor nada restava ao concelho a não ser adquirir o estatuto do concelho mais pobre do país, com alta taxa de desemprego, com um nível de vida extremamente baixo. 12- Algumas pessoas do concelho perguntam porque é que o Sr. Alberto Nunes, resolveu candidatar-se mesmo não tendo muita experiência administrativa, deixando a sua profissão docente? Os motivos da minha candidatura já estão expostos na resposta da pergunta 6. Dispenso apresenta-los aqui de novo. Todavia, devo dizer o seguinte: na altura da vinda do actual presidente da câmara para o concelho uma das justificativas apresentadas era que o senhor tinha grande experiência administrativa, hoje, os munícipes, de Santa Catarina que vivem a realidade do concelho na pele estão todos decepcionados e frustrados com a actual gestão. Todos os actuais presidentes tiveram que iniciar com pouca experiência e hoje estão com larga experiência. Tal pergunta fez-me lembrar de Luís Inácio Lula da Silva, o ex-presidente do Brasil, que diz numa entrevista o seguinte: “a minha gestão foi positiva porque acreditei que não tinha muita experiência e não sabia tudo, por isso, recorri às pessoas com mais experiências e que sabem mais para me apoiarem e darem seus contributos. Os governantes que me antecederam não tiveram o mesmo sucesso porque achavam que sabiam tudo e que não precisavam de ninguém para os apoiar”. Eu, pessoalmente, já desempenhei cargos importantes na administração e com sucessos comprovados. Não é, por acaso que, a maioria dos meus colegas de profissão que convive comigo diariamente entende que sou pessoa ideal para o cargo destinado. Pois, sabem que não tenho medo, nem receio e tão-pouco complexo de encontrar grandes colaboradores. Pretendo quando ganhar a câmara promover, antes da tomada de posse, uma formação para as duas equipas eleitas – Câmara e Assembleia, com o objectivo de evitar o que tem vindo a acontecer na Câmara e na Assembleia. Farei todos os possíveis de não cometer o mesmo erro do actual presidente ao fazer lista com pessoas apenas para lhe garantir votos das suas famílias. Pretendo, sim, apresentar à população de Santa Catarina uma lista de vereadores efectivos e suplentes com condições técnicas, científicas e, sobretudo humanas para desempenhar a função ao mais alto nível. Pretendo também fazer uma lista para Assembleia Municipal onde os deputados municipais votem a favor ou contra os instrumentos municipais em função técnico-científica e não em função da ideologia político partidária, prática essa que vem sendo rotineira no nosso concelho. 13- Uma ideia que está sendo muito ventilada tanto no município como especialmente na diáspora, é a possibilidade de o próximo Presidente da Câmara, escolher um Presidente da Assembleia na diáspora, fazendo com que haja mais interligação e total transparência. o Sr. Alberto Nunes, teria algo a dizer sobre isso? Penso que seria uma mais-valia para o nosso concelho, pois contribuiria, como disse, para que haja mais interligação entre a diáspora e o concelho. Só que esta realidade teria de ser pensada com uma certa antecedência. Pois o código eleitoral exige que os candidatos aos órgãos municipais residam seis meses antes das eleições no território nacional. Pelos vistos, não iremos ter tempo suficiente para que esta possibilidade venha a ser uma realidade. Confesso que não tenho nada contra, aliás, estou plenamente de acordo que nas equipas deveriam constar elementos da emigração, mas infelizmente neste momento temos essa barreira a nível das leis. 14- Qual vai ser a mensagem que vai trazer para comunidade aqui nos EUA especialmente aqui em Nova Inglaterra? Caros santa-catarinenses, na qualidade do candidato à presidência da Câmara Municipal de Santa Catarina, conto, em primeiro lugar, nesta fase importante de decisão, com apoio de todos os residentes e na diáspora. Quero, também, garantir a todos que contem comigo, após as eleições, independentemente de me apoiarem ou não, pois, o meu projecto é do município, e é para todos. Prometo de tudo fazer para tirar o concelho da situação a que foi relegado nestes últimos anos. Prometo constituir as listas com pessoas capazes, competentes, abertas ao diálogo, com visão, com espírito de trabalho em equipa e, sobretudo comprometidas com o concelho. Prometo ser um presidente de todos os santa-catarinenses independentemente da sua opção política, religiosa ou pessoal. Prometo trabalhar incansavelmente na identificação dos problemas do concelho e consequentemente na busca de soluções reais e em tempo útil. Prometo fazer o que a actual equipa não fez – incentivar e apoiar os emigrantes a se organizarem em sociedades comerciais e associações, capazes de investir em projectos ambiciosos e estruturantes para o desenvolvimento do concelho. Não queria que ninguém após as eleições venha dizer-me que fulano “é de nós” ou beltrano “é ca de nós” “ comigo o lema será sempre “SANTA CATARINA PARA TODOS”. Contem comigo porque conto convosco. Não vos frustrarei. Muito obrigado da parte da equipa do www.topicos123.com e desejamos sucesso na sua carreira Joaquim Fontes Randolph MA EUA Feb 27, 2012 |
|  AUTARQUICA 2012 Candidatura Dr. Alberto Nunes e Dr. Luís Alves À CÂMARA E ASSEMBLEIA MUNICIPAIS DE SANTA CATARINA FOGO Slogan: Santa Catarina Para Todos MISSÃO DA NOSSA CANDIDATURA Servir com qualidade os munícipes nos vários domínios de intervenção da Câmara Municipal - urbanístico, social, cultural e económico. TIPO DE GESTÃO A nossa gestão municipal deve assentar-se num modelo baseado na: Colegialidade, Dedicação, Honestidade e probidade, Responsabilidade Proximidade e sentido de serviço à comunidade, Legalidade, Objectividade, não discriminação e transparência, Descentralização e desconcentração POTENCIALIDADES DO MUNICÍPIO A nossa candidatura elege como alavanca do desenvolvimento de Santa Catarina o aproveitamento das seguintes potencialidades: Turismo, Emigração, Agro-pecuária e Pesca ÁREAS DE INTERVENÇÃO PRIORITÁTIA A nossa candidatura vai priorizar as seguintes áreas de intervenção, propondo: Promover actividades económicas locais e do emprego; Assegurar uma permanente requalificação do espaço urbano; Defender e promover o património histórico e cultural construído; Organizar a actividade comercial formal e informal, promovendo as feiras e mercados; Promover e dinamizar a economia do artesanato, a economia solidária e o empreendedorismo; Apoiar as organizações de defesa do consumidor; Criar oportunidades aos artistas e agentes culturais para a obtenção de rendimentos económicos; Criar e promover pontos de interesse turístico do município; Promover parcerias público-privadas através de concessões de exploração e de direitos de superfície para investimentos com impacto sobre a economia do município; Promover acções que visam a inclusão e a prevenção social através da promoção de iniciativas de criação de emprego e rendimento; Atender os direitos das crianças e dos adolescentes, entre outras, através das políticas sociais básicas de educação; Dar uma especial atenção à juventude, na educação, cultura e desporto, bem como, no empreendedorismo jovem, na aquisição da primeira habitação e no emprego; Apoiar as pessoas idosas carenciadas e desprotegidas de qualquer sistema de segurança ou apoio social ou familiar; Garantir a inclusão social no domínio, urbanístico, dos transportes, da saúde, da educação, do emprego, do desporto, lazer e cultura; Elaborar e executar planos municipais de igualdade, equidade e género; Contribuir para uma plena integração e cidadania dos imigrantes; Defender e executar uma nova abordagem de relações com as associações; Apostar fortemente na educação ambiental junto das escolas, das crianças, dos jovens, das famílias e das comunidades; Regulamentar e investir na reabilitação de habitações degradadas através de apoios dirigidos a famílias mais pobres; Gerir os solos de forma responsável e actuar de forma pedagógica para pôr cobro às construções clandestinas; Dotar o município de uma boa rede de infra estruturas desportivas e culturais e apoiar o desporto e os desportistas. ACÇÕES CONCRETAS Turismo: Elaboração de um Plano de Desenvolvimento Turístico para o Concelho em parceria com São Filipe e Mosteiros; Aproveitamento do enorme potencial turístico da zona de Bombardeiro: negociar a criação de uma ZDTI nessa zona, de forma a ser aproveitada para investimentos no ramo da hotelaria e da pesca desportiva; Incentivo ao turismo de habitação - apoiar tecnicamente os moradores de Chã das Caldeiras na elaboração de projectos e na procura de financiamentos, de forma a terem quartos devidamente equipados destinados a turistas; Contactos com agências de viagens e agentes turísticos no sentido de ir-se colocando os principais atractivos turísticos do Concelho nos seus roteiros turísticos. Pesca: Elaboração de um programa de botes melhorados - maiores e forrados de fibra de vidro; Busca do co-financiamento junto dos parceiros da Câmara; Aquisição de sondas de pesca destinadas aos pescadores do Concelho; Aquisição de uma máquina de gelo para apoio à pesca no Concelho; Introdução de dispositivos de concentração de pescados. Juventude / Desporto: Financiamento de equipamentos de rega gota-a-gota aos jovens que se dediquem a horticultura; Assessoria jurídica e económico-financeira aos jovens na constituição de suas empresas e na elaboração e busca de financiamento de projectos geradores de rendimento e criação de postos de trabalho; Abertura de salas de informática e acesso á Internet nas diversas localidades do Concelho, com acesso gratuito; Encontro com os jovens e suas associações, visando o estabelecimento de programas especiais para juventude; Realização, anualmente, da Semana da Juventude; Construção de um Parque de Campismo; Elaboração de um Plano para a construção de Centros Multi-Usos nas diversas localidades do Concelho; Construção do Estádio Municipal relvado e colocação de relvado sintético em 1 campo de futebol; Construção de Placas desportivas iluminadas nas localidades onde não existem; Apoios com materiais e equipamentos desportivos aos clubes federados e de zonas; Fomento e apoios á prática das várias modalidades; Incentivos ao desporto infantil, juvenil e feminino; Incentivos á participação das equipas de Emigrantes Foguenses nas actividades desportivas do Concelho; Construção de um Centro para recepção de caravanas juvenis, culturais e desportivas em intercâmbios/férias; Habitação: Levantamento e análise do estado de conservação do parque habitacional do Concelho; Construção de habitações sociais para as famílias mais pobres e que não dispõem de casas próprias; Reparação das habitações degradadas do Concelho pertencentes às famílias mais necessitadas; Dotar todas as habitações pertencentes às famílias mais pobres, de casas de banho e de ligações domiciliárias de água e energia. Obras de Referencias: Paços do Concelho; Estádio Municipal; Polidesportivo coberto na cidade de Cova Figueira. Caros Munícipes Este programa será transformado, durante este mandato, em projectos concretos e exequível. Para a sua concretização precisamos do seu voto no dia 01 de Julho. Votem Dr. Alberto Nunes e Dr. Luís Alves  |
| 6 Setembro, 2012 Santa Catarina do Fogo – Retrato das eleições autárquicas de 2012 “Eu sou PAICV. Meu voto é no Sr. Ulisses Correia e Silva. Pois, reconheço o bom trabalho levado a cabo por ele durante este mandato.” - Um Cidadão da Praia. “O candidato que o PAICV escolheu não serve e não tem nada a dar, mas voto nele, pois, sou PAICV”. Um Cidadão de Santa Catarina do Fogo. A Escola, e sobretudo nós os professores, temos uma missão nobre: a de (in) formar e transformar os cidadãos que passam, por nós, durante uma parte da vida deles. Todavia, para (in) formar e transformar esses cidadãos, precisamos estar preparados em termos científicos, pedagógicos e humanos. Precisamos ter equilíbrio e nunca perder a noção da realidade e da verdade. Precisamos estar junto da verdade e conhecer os factos e, a partir daí, tomarmos uma posição objetiva que beneficie o colectivo, o todo, e nunca a parte - altruísmo. No entanto, constata-se, com evidência, a carência de homens prudentes, sérios e honestos cujo comportamento não esteja condicionado a circunstâncias, interesses pessoais e/ou partidários. Nós, os professores, devemos ser exemplos/modelos de ética, de moral, de coerência, de ciência, de humanismo, de altruísmo, de seriedade, de honestidade, de responsabilidade… Estes atributos devem prevalecer, em nós, em todas as circunstâncias. Destarte, o ódio, a inveja, a perseguição, a vingança, o abuso, a violação dos direitos do homem não devem ser usados, como meio, para atingirmos ou ocuparmos lugares de destaque na sociedade que exige de nós responsabilidade, respeito, honestidade, seriedade, competência, etc. Este introito serve, perfeitamente, para ilustrar, de certa forma, o comportamento de muitos “cidadãos” de Santa Catarina do Fogo no período eleitoral ora findo. A verdade é verdade. Ela é diferente de calúnia e difamação. Ela doe. Penso que, a maioria dos santacatarineneses grudará, na sua memória, para posteridade, os actos criminosos e desonestos praticados durante a campanha autárquica no nosso concelho. Foram actos que deixaram crianças, jovens e velhos boquiabertos. Que mistério!!!? Aliás, aqui ninguém tem dúvida jamais de prática desonesta e criminosa que põe em causa a dignidade da pessoa humana, no momento, das eleições por parte de pessoas e/ou partido bem identificados. Todos os santacatarineneses viram e acompanharam a distribuição de lote de terreno, projectos de arquitectura, ligação domiciliar de luz e água, distribuição de dinheiro, compra de bilhete de identidade, frente de trabalho aberto, distribuição de tubos para implementação do sistema gota-a- gota, distribuição em massa de facturas de cimento e verguinha para serem levantados na cooperativa em Cova Figueira e/ou São Filipe, distribuição de portas, construção de casa de banho, uso de carros do Estado na campanha, uso de bens do Estado para armação do palco de campanha, uso de funcionários da câmara como guarda-costas, uso de funcionários de camara para trabalharem em campanha do partido e de indivíduos… Tudo com um único objectivo - ganhar as eleições autárquicas de 01 de julho. Os homens de mentalidade do Partido-Estado dirão, de certeza: mas o que isso tem de mal? Peço ao meu amigo, Pedro Paulo Veiga, para não perder seu precioso tempo a explicar porque não se deve usar bens do Estado para fins pessoais e/ou partidários! Lembrem-se que há dias, um jovem/quadro de Santa Catarina do Fogo defendeu, no Facebook, que é normal usar carros do Estado para transportar materiais para armação do palco para festa de vitória do partido. Engraçado!!! Problema do conhecimento. A maioria dos santacatarinenses ouviu, em voz alta, da boca de alguns militantes/amigos e simpatizantes do PAICV residentes e na diáspora, durante um ano e meio, que, Aqueleu é o pior candidato; que não tem mínimas condições para governar uma câmara. Uns diziam que é malandro; outros diziam que não votariam nele mesmo com 1.000.000$00 (um milhão de escudos); outros diziam que se o PAICV não escolhesse um outro candidato, mesmo sendo PAICV não votariam no Aqueleu; outros diziam que ele foi o pior autarca de Cabo Verde; outros diziam que prejudicou muito o nosso concelho; outros diziam que por nada deste mundo votariam Aqueleu Barbosa; outros diziam… Aqueleu - que conhece, muito bem, os seus camaradas - disse em voz alta - que sabia o preço de cada um desses indivíduos, que na altura certa, todos estariam ao seu lado. A maioria dos santacatarinenses viu alguns camaradas a lutarem para escolher um novo candidato alternativo dentro do partido. Escolherem. Todavia, no momento da escolha do candidato do partido, Aqueleu mostrou que alguns dos militantes têm preço. Venceu seu adversário quando tudo indicava que ia perder. Venceu nas últimas horas fazendo valer seus truques com conivência de homens/mercadorias. Nas eleições autárquicas na hora “H”, quando tudo indicava a derrota do Aqueleu, vimos nas ruas e zonas de Santa Catarina, aqueles senhores que juravam não votar no Aqueleu a usar todos os meios e mecanismos desonestos e, sobretudo criminosos para manterem no poder o homem mais detestado da última eleição. Tudo foi feito, mas tudo mesmo. Ninguém ficou convencido desta “vitória”, inclusive os próprios eleitos. Trata-se de - uma “vitória” sem glória - e que manchou a vida de muitos que participaram nesse acto. Aqueles que acompanharam de perto todas essas práticas desonestas/criminosas que levaram esses senhores ao poder, dizem publicamente que não têm mínimo respeito por esses indivíduos, pois, não são dignos de conduzirem seus destinos e os do município. No rosto desses eleitos e de muitos cúmplices, lê-se: pouca vergonha, falta de carácter, desonestidade, crimes, corrupção, incoerência… Trata-se de uma “vitória” surpresa que manchou toda a história de eleição e as pessoas eleitas e os cúmplices. Ninguém, mesmo a nível local, regional, nacional ou internacional tem dúvida do que foi feito para se ganhar as eleições em Santa Catarina. Os mais desonestos estão com dinheiro no bolso e no banco, bons cargos e alguns bens para exibirem. Os mais pobres têm, neste momento, uma porta, um lote, um projecto de arquitectura, uma casa com betão. Outros possuem 20, 30, 40, 50 ou 100 sacos de cimento. Outros possuem apenas verguinha. Sem condições de usar esses materiais, pois, sem emprego e sem dinheiro, não há como comprar areia, brita e pagar trabalhadores e pedreiros. Assim os mais “sabidões” – os mesmos capatazes - que foram usados para distribuírem facturas estão a aproveitar comprando esses mesmos matérias nos pobres a metade do preço. Aqui o nosso adversário não foi somente a equipa de Aqueleu e Alexandre Fontes. Foram Câmara Municipal, Água Brava, Electra, Luta Contra a Pobreza, Associações Comunitárias e algumas instituições públicas e algumas entidades que já desempenharam alto cargo no Estado de Cabo Verde. Assistimos indivíduo hipócrita, sem escrúpulo que se auto/proclama defensor dos interesses de Santa Catarina e que até já foi professor a incentivar cidadãos de Santa Catarina a venderem seus votos em quem tem dinheiro e que compactua com acto desonesto. Assistimos indivíduo bem identificado e de má-fé, usando anonimato no jornal, a pôr em causa formação e diploma adquirido à base de estudo árduo em Universidade de renome, só porque o PAICV deveria ganhar as eleições. Após as eleições começaram as perseguições e vinganças políticas no nosso concelho: corte de subsídio aos alunos no ensino secundário e superior, suspensão ao BCA de pagar renda ao Sr. José Vieira Lobo de Pina (Chéché qui fra)… Individuo, bem identificado, maquiavélico no verdadeiro sentido do termo, não cidadão em temos da ciência politica, passou a tentar desviar os incautos dos reais e sérios problemas como sempre fez. – trabalho de KGB. Um mês depois das eleições, num dos restaurantes em São Filipe, encontrei um “cidadão” - que só aparece em Santa Catarina e no Fogo no momento das campanhas para ajudar seu partido a se manter no poder – a todo custo - a afirmar, pública e hipocritamente o seguinte: “fico ofendido, irritado e triste quando oiço alguém dizer que no Fogo as pessoas compram votos e outras vendem votos”. Intervim e dizendo-lhe logo: quem pretende enganar aqui, meu caro? Sorte. Apareceram três jovens de Santa Catarina que presenciaram os actos acima descritos a confirmarem compra e venda de votos. Ainda duas semanas após votos, havia, na cidade de Cova Figueira, fila para tomar cimento e verguinha na cooperativa com facturas distribuídas durante a campanha. Apesar de todos esses actos, criminosos e sobretudo, desonestos mantivemos firmes, tranquilos e fortes para continuarmos a esclarecer os nossos munícipes, concentrando-nos, como sempre, naquilo que é importante para o nosso concelho e nunca em discussões estéreis que visam auto-promoção ou desviar atenção das pessoas. Seremos, de certeza, candidato nas próximas eleições, conscientes de novos actos, talvez, mais modernos e mais desonestos. Com coragem e determinação de sempre enfrentá-los-emos a bem do nosso povo. Alberto Nunes Agosto de 2012 |
| 21 Setembro 2012 O Canino e Eterno Ódio de Napoleão Vieira de Andrade Não foram Betinho e nem chéché que disseram - foi Napoleão Vieira de Andrade que disse: “Peço a todos os santacatarineses que vendem seus votos. Quando aparecem pessoas quer do MpD quer do PAICV dizem-nas que o vosso voto está a venda para quem pagar mais. Vendem o vosso voto! Hoje tudo está a venda e o voto deve ser vendido e caro ”. Napoleão Vieira de Andrade -In Facebook Napoleão Vieira de Andrade citou, no facebook, dois trechos meus publicados nos jornais on-line e imprenso. Trechos esses, frutos da observação directa. Atenção! A observação é uma técnica e fase do método científico. É a partir dela que se constrói a verdade científica. As afirmações contidas nos meus textos publicados são duras e doem muita gente, pois, são puras verdades e que mutos sabem e concordam. No entanto, têm medo de dizer, porque estão atrás de tachos e ao serviço do partido. Dizer a verdade, pode até doer as pessoas, mas nunca pode ser ofensa. Confundir ou tentar confundir verdade com ofensa é pura demagogia. Verdade é o que eu digo, pois, estou e vivo sempre no meio do povo. Continuarei a dize-la, desde que tenho comigo provas. Quando disse nos meus artigos que no Fogo o poder local tenta empobrecer as famílias, para poder aproveitar delas no momento das eleições isso é pura verdade constatada por todos aqueles que aqui vivem e cultivam honestamente o seu intelecto. Quando disse que ainda duas semanas após as eleições havia fila de pessoas em frente da cooperativa de Cova Figueira para tomarem cimentos e verguinha com facturas distribuídas na campanha, estava a dizer pura verdade. Este facto foi presenciado por dezenas de munícipes. As pessoas que receberam esses materiais e os condutores que os transportaram confirmam isso e nós temos documentos que comprovam esse acto desonesto, criminoso e vergonhoso. Negar tudo isso ou tentar rotular esse facto com ofensa é pura demagogia de quem mandou publicamente aos munícipes para venderem seus votos. Negar essa verdade cristalina não é ser sério. Só pode ser feito por individuo bem identificado como não sério e que vive a servir partido e não as pessoas. Pegando todos os textos que eu escrevi e pegando nos de Napoleão e confrontá-los com a realidade vivida no concelho e na ilha do Fogo tira-se uma boa conclusão. Penso que as pessoas saberão quem tem valor e quem não tem. Quem fala a verdade e quem sempre cometeu erros gravíssimos. Aliás, convivo com pessoas de personalidade forte e firme que questionam sempre como Napoleão Vieira de Andrade consegue dormir, sabendo o que anda a fazer usando meios tão mágicos para atingir as pessoas serias e do bem. Conseguimos trazer para a nossa candidatura 1162 eleitores e nenhum deles recebeu - projecto de arquitectura, lote de terreno, saco de cimento, verguinha, dinheiro, promessa falsa; não levamos energia eléctrica e água a nenhuma casa, não perdoamos dívida de Electra a ninguém para votar em nós, não intimidamos ninguém para votar em nós, não construímos nenhuma casa de banho, não demos portas a ninguém, não… Todos votaram em nossa candidatura – Alberto Nunes, Dr. Luís Alves e no MpD porque viram em nós seriedade, competência, honestidade, projectos e equipa. Da minha parte sempre tive a coragem e determinação de assumir aquilo que penso e digo. Assino meu nome próprio e coloco minha foto. Nunca usei anonimato para ofender pessoas sérias e nunca usei anonimato para dizer as pessoas coisas que não tenho coragem de dize-las na cara, pois, sempre tive a coragem de dizer, dizer a verdade. Em 2008 quando o senhor José António Veiga e Valdemiro Alves resolveram se candidatar à presidência da câmara e da assembleia municipal de Santa Cataria como independentes e apoiados pelo MpD - eis que surgiu - Napoleão Vieira de Andrade desorientado e nervoso incapaz de produzir um texto coerente a vasculhar a internet plagiando textos dos outros tirando seus nomes e colocou o seu para se posicionar como pseudo-intelectual. Graças ao Arquitecto Nuno Ferro Marques, todas essas manhas e desonestidade intelectual foram desmontadas na hora colocando Napoleão no lugar “ o Rei vai nu” isto é, no seu lugar devido. Não intelectual. Podem ter acesso a esses textos no site liberal on-line no blog do arquitecto Nuno Ferro Marques. Que vergonha! Em 2011, quando ouviu que sou candidato, Napoleão usou todos os meios - os mais desonestos possíveis para atingir a minha pessoa. Foram ataques pessoais. Esses ataques podem ser consultados no facebook. Vários amigos meus, humanistas por excelências, vendo o grau de ódio com que Napoleão nutre contra a minha humilde pessoa resolveram tirá-lo da lista de amigos e me pediram para que eu fizesse o mesmo. Penso que Napoleão já percebeu que tem menos amigos hoje. Quando percebeu do meu peso político, apesar de ser estreante Napoleão desorientou. Passou a arquitectar a maior mentira nos jornais on-line dizendo que meu diploma é falso. Produziu centenas de comentários com nomes falsos para desacreditar – me juntos dos eleitores, do Ministério da Educação da Escola onde trabalho. Que baixaria! Os meus alunos que me conhecem como profissional saíram a minha defesa. No dia em que o Dr. Carlos Veiga veio ao Fogo para apresentar a candidatura do MpD aqui no Concelho quando as fotos foram postas no site – eis que surgiu Napoleão desorientado outra vez a fazer aquilo que nenhum cidadão que merece esse título faria. Napoleão disse o seguinte cito: “Peco a todos os santacatarineses que vendem seus votos. Quando aparecem pessoas quer do MpD ou do PAICV dizem-nas que o vosso voto está a venda para quem pagar mais. Vendem o vosso voto! Hoje tudo está a venda e o voto deve ser vendido e caro”. Paradoxalmente é este mesmo individuo que mandou pessoas a venderem voto que estranha a denuncia que faço sobre compra e venda de votos. Que hipocrisia, demagogia, desonestidade, incoerência, incompetência …! Biblicamente individuo deste tipo chama-se demónio. Demónio é aquele que induz as pessoas do bem ao mal. Peço as pessoas para ouviram o debate radiofónico - Alberto Nunes e Aqueleu Amado e depois vejam o comentário escrito por Napoleão sobre o debate publicado no Facebook. Peço-vos a lerem todos os comentários de Napoleão Vieira de Andrade no Facebook antes e depois das eleições sobre a minha pessoa. Podem concluir-se logo que esse individuo tem um ódio canino contra Alberto Nunes – Betinho de Tete. Muitos jovens me alertaram cedo para esse particular e a partir daí pude perceber. Sei que nos EUA há boas escolas e bons livros. Aproveito para pedir ao Napoleão Vieira de Andrade que se matricule numa dessas escolas para aprender coisas boas e diferentes das que aprendeu na URSS. É possível. Aproveito ainda para pedir-lhe que deixe de lado um pouco o manual político e do partido para dedicar a leitura de outros tipos de livros, talvez, mais interessantes e importantes. Assim como fizeram muitos amigos e colegas que vivem nos EUA dos quais me orgulho de ser amigo. Sou um homem muito ocupado, com trabalho, com minha família e com os meus próximos. As aulas já começaram. Vou ter de me dedicar como sempre ao trabalho á família e ao próximo – meus deveres de cidadão e de cristão. Sei, de certeza, que o meu tempo será encurtado com o início das aulas, por isso, peco a compreensão de todos se eu não responder coisas que visam apenas desviar atenção das pessoas daquilo que é importante. Cidade de Cova Figueira, 16 de Setembro de 2012 Alberto Nunes . |
| Santa Catarina do Fogo, quo vadis? A ausência de Michel Montrond, na festa do seu/ nosso concelho, é um assunto que atinge a todos os santacatarinesnes que amam o concelho e a nossa cultura. A câmara encontrou um argumento após as eleições para negar e excluir todos aqueles que não se alinham na cartilha aqueliana. O argumento é “problema financeiro”. Foi o que usou para cortar subsídio aos alunos do ensino secundário e superior logo após às eleições do dia 01 de Julho do corrente ano e foi o que usou para excluir o artista Michel Montrond de participar na festa do município. Lembrem-se que, no dia três de Julho, dois dias após às eleições, Aqueleu, desconhecendo ou violando intencionalmente a lei assinou documentos administrativos para, cortar os alunos que votaram no MpD o subsídio de estudos; mandou suspender a renda no BCA ao sr. Cheche qui fra. Além dessas medidas draconianas e vergonhosas, pôs a circular, no sábado dia 07 de julho, várias viaturas da câmara para transportar panelas e camaradas para a festa de “vitória” na cidade de Cova Figueira –“ confundindo” assim meios do Estado com os do partido a que pertence. Alguns dias depois, mandou despedir Amílcar de Pina do seu trabalho na câmara municipal, deixando esse jovem promissor numa situação complicada. Lembrem-se que esse jovem contraiu um empréstimo bancário para construir a sua primeira habitação na cidade de Cova Figueira, dando deste modo, seu contributo no desenvolvimento do concelho! Pensamos que, em santa Catarina, os munícipes sabem bem quem é esse homem e o que ele é capaz. No entanto, muitos em troca de dinheiro, bom salário, cargo, lote de terreno, projecto de arquitetura, porta, casa de banho, eletrificação e água domiciliaria, cimento, verguinha… outros em nome do partido, outros por causa do ódio etc acabaram por hipotecar o nosso município por mais 4 anos numa equipa da qual os elementos integrantes e os apoiantes um mês antes das eleições acusavam o líder de incompetente, desonesto, mau, sem visão etc. Aqueleu entendeu, de certa forma, a situação da vulnerabilidade de Santa Catarina e a desonestidade de alguns santacatarinenes. Por isso, quando se encontrava naufragado, na pré-campanha e campanha diz, em voz alta, que sabia o preço de cada santacatarinenese e que, no momento certo, conseguiria os votos dos pobres e dos desonestos. De sexta (29 de junho) ao domingo (01 de Julho) fez-se operar, no concelho, aquilo que um adolescente de Santa Catarina apelidou de” operação Lancha Voadora conduzida pelo Aqueleu, sua equipa e seus colaboradores residentes e na diáspora”. Essa operação sexta, sábado e domingo deixou as pessoas de boquiaberta. Esse homem confirmou o que é, na verdade, na primeira sessão da Assembleia convocada após às eleições autárquicas do dia 01 de Julho quando, questionado, por nós, sobre o corte dos subsídios de estudos aos alunos supramencionados em que ele afirmou o seguinte - cito: “ O senhor arma-se em Papa, mas, não és mais Papa do que ninguém. Eu não apoio alguém que não me apoia. Aliás, não vou dar ninguém pau, para depois vem-me bater”. Aí reside o que sempre denunciamos. Muitos santacatarinenes não estão preocupados com as verdades contidas aqui, pois, para muitos, o que conta é PAICV no poder, independentemente de quem é seu representante e isso consubstancia naquilo que sempre ouvimos dizer no Fogo : “ami ,mesmo que PAICV põe um cão como candidato n ta vota na el”. Pois é, este tipo de atitude irresponsável tem seu preço. A exclusão de Michel Montrond da festa do seu próprio município, numa altura da sua projeção, o corte do subsídio de estudos aos alunos, as várias perseguições e vinganças são consequências de comportamentos maldosos e desonestos. Mesmo sem a brilhante atuação de Michel Montrond desejo a todos os Santacatarinenes uma boa festa quer a nível do profano e quer a nível religioso. Um Abraço a todos os Santacatarineses sem excepção. Cidade de Pequim – China, 23 de Novembro de 2012 Alberto Nunes |

| 12 Fev 2013 Santa Catarina do Fogo – As consequências do inconsequente “Fram mantenha, campanha dja caba”. Há, aproximadamente, oito anos que o concelho de Santa Catarina na ilha do Fogo foi criado (Maio de 2005). A criação deste concelho foi uma resposta a uma revindicação antiga dos santa-catarinenses - residentes e na diáspora. Os santa-catarinenses acreditavam que, com a elevação da Freguesia ao Concelho, o povo estaria mais unido e coeso no sentido de catapultar a região rumo ao desenvolvimento. Acreditavam que quem ficaria à frente do concelho seria (m) indivíduo (os) que conhece (m) as potencialidades e a realidade do concelho. Acreditavam ainda que, os dirigentes colocariam, na linha de frente, os soberanos interesses do município e dos munícipes, promovendo, mérito, competência e sobretudo união dos santa-catarinenses. Acreditavam que os dirigentes iriam planificar as atividades em função das prioridades do concelho e, tendo em conta, os interesses comuns, visado assim, o bem-estar desta população que reside numa parcela do território cabo-verdiano com grandes potencialidades e recursos, mas que no entanto, alberga a população com menos rendimento no país. As espectativas do povo de Santa-catarina foram defraudadas pelo governo, na pessoa do Ministro - Júlio Correia - que resolveu nomear um camarada do partido, rejeitado, no concelho que se diz pertencer, para administrar nosso. Que destino triste, oh Santa Catarina! Júlio Correia deve ter sido o pior inimigo que Santa Catarina já teve. Hoje, muitos santa-catarinenses perguntam: “pamodi Júlio”? A tomada de posse da equipa que veria instalar o concelho aconteceu a 25 de Julho de 2005. A partir desse dia, o presidente começou a recrutar quadros ligados ao partido fora do concelho, alegando sempre que aqui não há quadros e quadros qualificados para prestar serviço no concelho. Em nome do partido muitos santa-catarinenses corroboram com esta opinião e criaram condições para a implementação de um sistema onde os vassalos podem prestar vassalagem ao sistema e ao senhor presidente. Para os que recusaram ser vassalos do sistema e do senhor há forte tentativa por parte do senhor e do sistema a excluí-os de participar no desenvolvimento do concelho. Ao terminar o período da Comissão Instaladora, no nosso concelho quase tudo ficou por instalar. Analisando o programa de instalação do nosso município e ver as verbas que foram transferidos durante aquele período é caso para dizer paciência. Durante esse período, houve vogal da Comissão Instaladora que enriqueceu muito mais rápido que o próprio município. Só não vê quem não quer. Aliás, já tivemos a oportunidade de relatar esses assuntos num artigo cujo título é: “ Santa Catarina do Fogo, Historicidade” publicado nos sites www.manduco.net, www. topicos123.com, asemanaonline etc. Ao aproximar as eleições autárquicas de 2008 em que o no nosso concelho iria participar pela primeira vez apareceu um grupo de jovens- quadros composto de residentes e de munícipes que vivem na diáspora para concorrer à Camara e à Assembleia Municipais. Em nome do sistema e do partido insurgiram munícipes contra os jovens-quadros do próprio concelho. Para derrubar essa equipa fez-se tudo, mas tudo mesmo. Essas eleições deixaram marcas indeléveis no nosso concelho. Ainda hoje muitos munícipes falam dessas eleições com muita mágoa e tristeza. Essas eleições deixaram os munícipes retalhados e muitos continuam com relações cortadas até hoje e com promessa que jamais irão unir. Alguns tomaram consciência dos exageros e andam a pedir desculpas, no entanto, do outro lado ficou cicatrizes que não são fáceis de curar. Das promessas feitas em 2008 nem 40% foi comprido. Essa constatação não é apenas da oposição, é também dos munícipes e dos elementos da actual equipa da câmara. O mau desempenho da anterior equipa mostrava necessário a criação de uma equipa com maior visão e que conhece a realidade e potencialidades do concelho e, ao mesmo tempo, que prioriza os interesses do concelho em detrimento dos interesses pessoais e partidários. Eis que surgiu esta equipa com uma plataforma e projectos concretos, sérios em função da realidade do concelho. Em nome do sistema criado, do partido, dos interesses meramente pessoais e de uma política de calúnia, difamação, injuria, de retaliação… insurge de novo um grupo formado para derrubar esta equipa. Assim aconteceu. Para manter o sistema e o partido no poder tudo foi feito. Tudo mesmo. As pessoas foram instruídas: para fazer tudo; prometer tudo - mesmo, sabendo de antemão que não será possível cumprir; ofender - que depois da campanha tudo volta ao normal; não cumprimentar as pessoas que não prestam vassalagem ao sistema e ao senhor - como forma de mostrar a esses sujeitos que estão a apoiar a outra equipa; pôr no meio da rua o candidato adversário e seus apoiantes… Foram instruídos para, depois da campanha, se alguém vier a falar sobre as práticas da campanha para dizerem numa só voz: “por favor, campanha dja caba na mês de Julho - ago du papaia de otu cusa”. Tudo isso como forma de apagar as práticas desonestas, antiéticas e imorais da campanha. Deveras, a campanha acabou, todavia, a história permanece e não vai ser apagada. No início, todos acreditávamos que a elevação da nossa Freguesia ao concelho seria um elo de união entre os munícipes, mas não. Na prática, verifica-se o contrário. Nunca se viu em Santa Catariana tantas pessoas com relações cortadas como agora. Pai contra filho, filho contra pai, tio contra sobrinho, sobrinho contra tio, irmão contra irmão enfim uma verdadeira profecia bíblica. Não faz sentido omitir esta verdade. Triste, mas é realidade vivida no concelho hoje. Está estampada á vista de todos e faz manchete do dia-a-dia no concelho. De há algum tempo para cá as expressões mais ouvidas no nosso concelho são: “fram mantenha, campanha dja caba!” Undi nstaba cu cabeça quando n’ vota na quel homem e naquel equipa”; ami nhos, nhos ca dam nada és dam tanto saco de cimento e tanto fio de arame, mas hoje n’ sta arrependido; como é possível um arguem vota contra sê família só porque el tem de vota na sê partido ou uma promessa falsa?! Muitos foram doutrinados no sistema e no partido e não conseguem enxergar para além dos seus interesses pessoais e do partido onde estão inseridos não por motivo ideológico, mas por laços comestíveis. A manutenção do sistema é para esses indivíduos um imperativo, pois sem este sistema a funcionar não conseguem sobreviver neste mundo competitivo e de mérito. Esses indivíduos (do sistema e do partido) não conseguem enxergar que num concelho como nosso onde os jovens enfrentam graves problemas o presidente priorizou a construção da RESIDÊNCIA OFICAIL e com PISCINA para ele e sua família, deixando assim, os nossos jovens e as famílias carenciadas a Deus dará. Assim continuará. Já sabe os truques nas vésperas das eleições e, de certeza, contará com apoio dos missionários e acólitos do sistema e do partido. Bem-haja, Santa Catarina Cidade de Cova Figueira, 08 de Fevereiro de 2013 Alberto Nunes |
| 17 Junho 2013 SANTA CATARINA DO FOGO – ASPETOS QUE IMPOSSIBILITAM SEU PROGRESSO E DESENVOLVIMENTO Estivemos, nestes dias, a refletir, seriamente, sobre determinadas práticas e atitudes em Santa Catarina e sobre Santa Catarina e concluímos que há algumas que nos deixam boquiaberto. Aliás, nestes dias, refletimos sobre algumas práticas e atitudes levadas a cabo no concelho, pelos governantes locais que, de certa forma, prejudicaram/prejudicam grandemente o seu progresso e desenvolvimento. Fizemos também uma retrospeção acerca de muitos textos escritos, uns por nativos residentes, outros por nativos na diáspora, e outros por pessoas estranhas à nossa realidade. Tacitamente, entendemos os motivos da participação desses indivíduos na manutenção dessas práticas e atitudes. O comportamento de alguns desses indivíduos assemelha-se-nos ao das elites africanas que colaboravam ativamente na exploração dos africanos aquando da invasão da Africa pelos europeus nos séculos XV e XIX. Os exploradores europeus tinham, aparentemente, objectivos nobres para a África e seus filhos. Mas, tacitamente, os objetivos iam ao encontro dos interesses dos exploradores e dos seus colaboradores. Essa realidade triste e vergonhosa, da há séculos, pode ser constatada hoje no nosso concelho. Aqui, com a elevação da Freguesia a Concelho, em Maio de 2005, e consequente tomada de posse no dia 25 de julho do mesmo ano, sob o consolado do Presidente, instalou-se um sistema composto por três categorias de indivíduos: exploradores, colaboradores e explorados. Os exploradores foram trazidos com objetivo máximo de montar um sistema pernicioso e, sobretudo, vergonhoso para manter o partido no poder, a todo custo, com apoio dos caciques e colaboradores locais. Estes, em troca, recebiam/recebem tachos. Nas reuniões do partido foram instruídos aos caciques e colaboradores que o partido tem de estar no poder, acima de todas as coisas, todos devem submetê-lo, adorá-lo e, por ele, podem e devem fazer tudo: ofender, caluniar, difamar, desinformar, destorcer verdade, criar inimizade, destruir famílias, vingar, perseguir, etc, etc. A mensagem passou. Hoje, no concelho, na verdade, os exploradores, no poder, têm boa vida. Têm casa com piscina, com banheira de hidromassagem e misturadora que custa 232.620$00, à custa dos pobres. Os caciques recebem todos os trabalhos da Câmara e do Governo sem concurso, seus filhos têm subsídio para estudar mesmo reprovando, todos seus membros podem ser empregados direta ou indiretamente na e pela Câmara, etc. Aos outros colaboradores, não se sabe, com precisão, o que recebem, mas ficam satisfeitos ao verem o partido no poder, independentemente das práticas que o levam lá. A vergonha, para eles, é coisa do passado. Os pobres - explorados pelos exploradores com auxílio dos seus colaboradores nativos residentes e na diáspora - são conduzidos ao limiar da pobreza para que nos momentos chaves aparecem esses exploradores auxiliados pelos colaboradores afrontando-os, e assediando-os com objetos e outros meios desonestos para os colocarem do lado deles. A árdua situação vivida por esses pobres no nosso concelho impele-os a obediência, a chantagem, independentemente de concordarem ou não. Trata-se de uma realidade chocante para um homem de áreas de humanidade. Acontecem coisas absurdas aqui. Todavia, não são reconhecidas pelos caciques e pelos colaboradores originários do concelho, ou se calhar, como para eles, o importante é colocar o partido no poder, não estão interessados com problemas e clamor dos pobres. Os pobres para eles só são importantes na altura das eleições. Disso ninguém tem dúvida. Ver o partido no poder lhes basta. A questão do progresso, desenvolvimento do concelho, da ilha e do país; a democracia, liberdade fraternidade e respeito pelos adversários são coisas secundárias. Ao longo da administração aquiliana, no nosso concelho, foram gastos dinheiros dos nossos pobres em coisas fúteis e com toda a naturalidade colocam despesas nas contas gerências, apresentado obras que no terreno, simplesmente, não existem. Assim, encontramos na conta gerência de 2008 uma despesa de 324.578$00 usada na construção de 2 currais concelho e a obra não existe no terreno; na conta gerência de 2009 encontramos uma despesa de 52.000$00 usada na construção de um Centro-multiuso de Estância Roque e a obra não existe no terreno; ainda em 2009 mais uma despesa de 267.600$00 usada na construção de mais um curral concelho e a obra não existe no terreno; na conta gerência de 2010 encontramos uma despesa de 666.590$00 usada na construção de um Centro-multiuso em Monte vermelho e a obra não existe no terreno; ainda em 2010 encontramos uma outra despesa de 96.000$00 usada na requalificação do Centro-multiuso em Estância Roque e a abra não existe no terreno; na conta gerência de 2011 encontramos uma despesa de 48.000$00 usada na construção de jardins em Dacabalaio e Monte Vermelho e esta obra não existe no terreno; na conta gerência de 2011 uma despesa de 2.259.945$00 usada na requalificação do centro-multiuso de Estância Roque e esta obra não existe no terreno. Despesas elevadíssimas na compra de mobiliários para a casa do presidente desde 2008 a atualidade, despesas elevadíssima no arruamento de Maria da /Cruz e Domingos Lobo e nessas duas localidades a estrada é péssima. Despesas inadmissíveis na requalificação de estrada em Queimada-Baixo - Cova Figueira. Não há como fugir dos dados. Estes estão plasmados nas respetivas contas de gerência. Já foram matérias de denúncias nas sessões de Assembleia Municipal, nos órgãos da comunicação social e já se encontram no Tribunal de Contas para serem averiguados. Essas contas foram aprovadas pelos filhos de Santa Catarina. Mas, os caciques e os colaboradores deste sistema estão interessados em saber isso? Claro que não! Ao invés de atacarem problemas ficam a atacar a oposição como forma de desviar a atenção dos mais inocentes, em relação aquilo que constitui reiais problemas a combater. Uma pena ter cidadão desta natureza! Há estudantes universitários que tinham subsídio de estudos da Câmara e que por motivos meramente político-partidários, após as eleições, o presidente mandou cortar. Uns ficaram privados de fazer exames e outros privados de diplomas e certificados por estarem com propina irregular. Como, mas como, meus caros, desenvolver um concelho pobre com governantes deste tipo!? Os exploradores e caciques estão preocupados com isso? Claro que não. O Importante é partido no poder e consequentes tachos daí advenientes. Desenvolveram aqui uma cultura de que a política é interesse pessoal. Quando um indivíduo aponta o dedo a uma situação de injustiça é calado com um tacho e passa a ver as coisas ruins como boas. Há que combater males que afetam o nosso concelho. Os jovens têm responsabilidades nisso. Afinal, o futuro poderá ficar seriamente comprometido se continuarmos a pôr o partido e o interesse pessoal no primeiro lugar. Bem-haja o bom senso! Alberto Nunes Mãe Joana, 8 de Junho de 2013 |
| SANTA CATARINA – FOGO - CRÍTICA, SILÊNCIO, SOLIDARIEDADE E MEDO Uma sociedade desenvolve-se a partir do momento que nela se interagem fatores propiciadores do desenvolvimento e crescimento. O desenvolvimento é aqui entendido no seu sentido qualitativo e moderno. Dos fatores subjacentes à nossa análise, a existência de dois tipos de elite constitui condição sine qua non para que o fenómeno desenvolvimento aconteça. Estamos aqui a postular a existência de uma elite intelectual e uma elite económica independentes de quem detém o poder. A elite intelectual deve pactuar-se para a criação de um ambiente crítico e propiciador de um sistema justo e equilibrado, identificando e orientando caminhos mediante estudos aprofundados da realidade. A elite económica cria, por sua vez, um ambiente favorável de oportunidades e igualdades para os cidadãos em função do mérito, competência e excelência. Estas elites não devem estar na dependência do poder. O poder terá, assim neste contexto, a função de regular as atividades sem, no entanto, influenciar isso ou aquilo. Pois, para que haja desenvolvimento sustentável é necessário apostar-se no mérito, competitividade e excelência. Estas elites criam-se de forma espontânea e organizada. O objetivo primário deve ser primar pelo mérito, competência e excelência. Estes requisitos são importantes para a criação de base onde se alicerça o Estado de Direito Democrático. O Estado de Direito Democrático é incompatível com a sonegação dos direitos do cidadão. A nossa Constituição, no seu art.º 24º, defende a igualdade dos cidadãos. Por isso, não se pode falar de desenvolvimento onde os cidadãos são prejudicados, perseguidos, humilhados e sonegados seus direitos, por causa da sua opção. Não se pode falar de desenvolvimento onde a justiça funciona com morosidade, onde a critica não impera, etc. A existência destas elites são importantes para o desenvolvimento de qualquer sociedade. Pois, é difícil encontrar hoje países ou sociedades que se desenvolveram sem crítica. É difícil encontrar algo bom onde a crítica não imperou ou impera. A crítica é, no nosso entendimento, a corda dorsal do progresso de qualquer sociedade. Todos os países desenvolvidos e os que para lá caminham foram e são alvos de críticas por parte de uma elite intelectual. Postular uma sociedade sem crítica e sem uma elite intelectual e económica independente é sinónimo de contribuir para implementar a corrupção, o abuso do poder, o desvio de coisas públicas, a gestão danosa, etc. Nestes últimos tempos, acompanhamos, com respeito, algumas publicações de santa-catarinenses nas páginas do Facebook. Uns são universitários, outros já formados e outros não tiveram esta oportunidade. Realidade de qualquer sociedade. Alguns entendem que o nosso concelho poderá desenvolver-se se adotarmos uma postura de união e acrítica. Entendemos que devemos unir sempre para defender o que é bom para o desenvolvimento do nosso concelho, como também, devemos estar unidos para combater o que prejudica o seu desenvolvimento. Nesta lógica, contem sempre connosco. Todavia, não devemos esquecer que há, aproximadamente, vinte e poucos anos que vivemos numa sociedade plural. Ao postularem uma sociedade anti -crítica, esses nossos conterrâneos estão, distraidamente, a criticarem a nossa postura crítica. A crítica, no nosso entender, visa corrigir o que está errado. Os críticos postulam sempre uma sociedade justa e equilibrada e, para isso, lutam sem cessar, mesmo que para isso terão de passar por “caminhos espinhosos e tortuosos“. A elite intelectual não deve ter medo de ficar só, como também, deve trabalhar incansavelmente para denunciar e combater tudo que visa promover mediocridade, corrupção, gestão danosa, favoritismo, clientelismo, etc. Por um lado, devemos reconhecer, com apreço, o que foi feito de bom para beneficiar os munícipes. A iluminação pública das diversas localidades do concelho é um dos exemplos. Isso é bom e ninguém deve duvidar disso. Há, por outro lado ainda, no nosso concelho, despesas avultadas na conta gerência e, no terreno, não há obras; atribuição de subsídios de estudos apenas aos estudantes afetos ao partido no poder; corte de subsídio de estudos aos estudantes que entenderam votar na oposição; manutenção de subsídios aos alunos reprovados afetos ao partido no poder; perseguição e vingança aos munícipes por parte de quem está no poder; jovens sem espaço de lazer, principalmente na cidade de Cova Figueira; demolição do único estádio do concelho com condições para a prática de futebol desde 2009 sem, que no momento, tivessem projeto e ou financiamento; despesas avultadas na construção da residência oficial - 36.000.000$00 (400 mil dólares); compra de uma banheira hidromassagem para a residência oficial no valor de 232.620$00 - (3 mil dólares); uso de carros do Estado para fins pessoais e partidários; carro do Estado usado para transportar filho do presidente de um concelho para outro para assistir aula e realizar provas; adjudicação de obras da Câmara a camaradas sem concurso; sonegação de documentos a investidores do concelho por questões partidárias; tentativa de exclusão dos munícipes dos atos importantes do concelho; compra e manipulação de consciências; incapacidade de negociar com os privados; invasão de terrenos privados; três guardas e duas funcionárias ao serviço da “família real” de Santa Catarina; etc, etc. Apesar desta realidade, muitos munícipes entendem que não se deve criticar e outros até pedem união e solidariedade. Um dos deveres dos munícipes e da oposição é fiscalizar a gestão dos seus recursos que são postos nas mãos dos governantes. Estes devem fazer gestão transparente e justa e quando isso não acontece deve haver chamada de atenção e denúncias. Esta atitude deve ser exercício de qualquer cidadão que se preocupa, minimamente, com seu município e país. Entendemos, com clarividência, o comportamento de muito dos nossos conterrâneos. Uns calam-se em nome do partido, outros em nome de tachos e outros por MEDO de represália; outros vivem a dizer e a (des)dizer em função da conveniência pessoal e partidária, pondo em causa a sua intelectualidade. Neste quadro confuso, os críticos devem juntar - se a esses indivíduos hipotecando a sua capacidade crítica e o seu dever de criticar e denunciar ou os passivos vão ter que abdicar de interesses pessoais, partidários e abdicar do MEDO para se juntarem aos críticos a bem do desenvolvimento harmonioso e sustentável do concelho e/ou país? E se Nelson Mandela deixasse de criticar e unir aos racistas sul-africanos só porque estes se encontravam no poder? E se Amílcar Cabral deixasse de criticar e unir aos colonialistas só porque estes se encontravam no poder? E se…? Entendemos que o exercício da cidadania é um ato permanente e deve objectivar o bem-comum. Mantenha a todos os santa-catarinenses residentes e na diáspora. Cidade de Cova Figueira, 1 de Julho de 2013 Alberto Nunes |
| SANTA CATARINA DO FOGO-UM ANO DE MANDATO - AQUELEU E SUA EQUIPA Agosto 2012- agosto 2013 Nas sociedades modernas, os gestores, mormente, os da coisa república, são obrigados, por lei, a planificar, orçamentar, apresentar os relatórios e a conta de gerência no final de cada ano, ou de facto, fazer um balanço de um ano de mandato. A gestão da coisa pública é feita pela equipa da situação e fiscalizada pela oposição e população de um modo geral. Cada uma (situação e oposição/população) tem a sua função específica. A equipa da situação deve ter a capacidade técnica e discernimento suficiente para empregar os recursos públicos em função das prioridades tendo em conta o bem estar das populações. A satisfação das necessidades da população em função das prioridades de cada momento e o diálogo contínuo devem ser, entre outros, as prioridades da equipa da situação. Para que isso aconteça na realidade é necessário que a equipa da situação seja composta por políticos/técnicos com capacidade técnica e científica. Esses políticos/técnicos devem possuir valores democráticos, éticos e morais; devem ter visão que extravasa o partido que os sustenta e as pessoas que contribuíram para levá-los ao poder. Sem esses e outros preceitos necessários a situação fica impossibilitada de fazer uma gestão que promova o desenvolvimento no sentido moderno do termo. A oposição e a população, por sua vez, têm uma responsabilidade acrescida neste contexto, pois, são os responsáveis pela fiscalização dos recursos das famílias que são postos nas mãos dos gestores da coisa pública. A oposição, no exercício de fiscalização, deve acompanhar os detalhes da administração e gestão das coisas públicas para poder estar às alturas de denunciar e dar encaminhamento necessário as eventuais irregularidades cometidas pela situação. Neste sentido, estamos em condições de afirmar que em Santa Catarina do Fogo, a oposição tem estado a cumprir a função que lhe cabe, apesar de muitas manobras da situação, no sentido de afastá-la da gestão levada a cabo pela atual equipa. A atual equipa completa este mês (Agosto) um ano de mandato frente ao município. Durante este ano o município esteve parado e sem dinâmica. A juventude e as famílias foram dois setores altamente atingidos com a inércia da equipa camarária. A prioridade do presidente foi, como sempre, a sua pessoa e sua família, isto é, a única família que se sente à-vontade no concelho em termos econômicos e viagens é a do presidente. O presidente é reformado e trabalha como presidente e recebe. Nestas condições recebe a reforma e salário. A esposa é secretária do presidente, algo inédito em Cabo Verde, e recebe salário de um técnico superior, sem que tenha habilitaçao para tal. Não paga rendas e usufrui das outras regalias do presidente. Parece que não está preocupado com as outras famílias e juventudes do concelho. Sabe, de certeza, como ganhar as eleições aqui, por isso não está preocupado em fazer algo para os munícipes. Estes que se cudem! No entanto, há que dizer que a equipa liderada por João Aqueleu Barbosa Amado, começou a trabalhar no dia três de Julho de 2012, antes da tomada de posse. Nesse dia, João Aqueleu, sem tomar posse, tomou algumas medidas administrativas de forma ilegal, mostrando, deste modo, sua fúria aos munícipes: cortou subsídio de estudos a um grupo de estudantes do ensino secundário e superior, por questões político-partidárias e justificou esta atitude com crise; mandou de má-fé, cancelar a renda no ATM ao senhor Jose Vieira de Pina (Chéché qui fra) por motivos político-partidários; despediu Amilcar de Pina do trabalho, com a pura intenção de levá-lo a perder a moradia familiar que construiu com empréstimo bancário; tentou impedir ilegalmente os proprietários e exploradores de boites e discotecas de realizarem atividades lucrativas nas festas do município e da padroeira por uma questão de querelas políticas; concluiu a Rresidência Oficial do presidente e contratou três guardas e duas funcionárias para trabalharem para ele e sua família e, nestes últimos dias, aumentou mais uma empregada totalizando seis funcionários ao serviço da “família real” de Santa Catarina; mandou noticiar, logo após as eleições que a estrada que dá acesso ao “porto” de alcatraz iria ser construída e que o valor total é de 35 mil contos e na altura, segundo o presidente, já havia luz verde de 2 mil contos; tudo isso não passou de noticias e propagadas; mandou construir, em Cova Figueira e em Enseada Helena uns quebra-molas que só servem para desviar o percurso dos condutores e investidores; Sonega dia após dias documentos aos investidores alegando dívida destes com a instituição camarária; aumentou imposto (IUP) 400% sem analisar a situação socioeconômica das famílias no município; deslocou-se duas vezes a Portugal e uma vez acompanhado da esposa e um vereador e viajou também sozinho aos EUA com recursos públicos, sem no entanto, trazer algo que compense essas viagens e estadias; na altura que fez sua viagem aos EUA e como se aproximavam as festas do município, sabendo que muitos emigrantes voltariam a terra natal, resolveu enganar alguns colocando máquina no estádio municipal fingindo que estivesse a cumprir uma promessa da campanha; a construção do estádio de Monte Pelado que devia ser prioridade das prioridades está sem dia de arrancar, pois ele sabe que não é jogador, preferiu, como sempre, priorizar tudo que ele ocupa como sujeito principal como por exemplos: Residência Oficial e Paços do concelho, etc. A juventude e a família de Santa Catarina não estão no Plano desta câmara; apresenta uma conta gerência de 2012 carregada de despesas no gabinete do presidente e nas outras rubricas; nesses últimos meses, decidiu promover um concurso público para recrutar quadros para a câmara, o concurso é prenha de ilegalidade, vício e irregularidades do início ao fim; percebeu que durante o primeiro ano deste mandato não tinha feito algo que justificasse sua permanência e da sua equipa frente à instituição camarária, resolveu lançar a primeira pedra para a construção do paços do concelho; distribuiu alguns lotes por forramentos aos camaradas e para fingir de democrática introduziu um ou dois do lado da oposição. Seria bom que alguém resolvesse fazer um trabalho nesta matéria para ver a proporcionalidade. Portanto, se por um lado a equipa camarária se regozija com este ano de mandato, porque, alguns membros da equipa conseguiram remodelar moradias próprias, outros concluíram moradias próprias, outros tiveram oportunidade de usar e abusar do carro do Estado, outros ainda passaram a residir na Residência Oficial com seis funcionários e com direito de viajar à custa dos pobres sem trazer algo que justificasse essas viagens, por outro lado, os munícipes viveram os 12 meses com enormes dificuldades. As famílias não viram as suas condições de vida a melhorarem; não conseguiram emprego porque não há iniciativa da câmara em dinamizar a economia local; a juventude não viu o Estado Municipal a ser construído assim com foi promessa de campanha, isto é, o campo iria estar pronto logo no primeiro ano do mandato; os investidores foram perseguidos ao longo do ano; os estudantes viram o subsídio cortado; muitos jovens quadros foram excluídos do concurso mesmo com formação superior alegando falta de requisitos quando consegue admitir jovem a frequntar o curso médio, etc. Mantenha a todos os munícipes residentes e na diáspora. Cidade de Cova Figueira, 12 de Agosto de 2013 Alberto Nunes |
| 2 Oct 2013 PAICV ESCOLHEU E QUIS APRESENTAR AS 7 MARAVILHAS NATURAIS DE SANTA CATARINA Os partidos totalitários têm tendência natural de interferir e controlar as instituições, serviços e pessoas que ocupam o mesmo espaço geopolítico. É neste quadro ideológico que a Câmara Municipal de Santa Catarina - Fogo escolheu os elementos que fazem parte da comissão responsável para identificar as sete MARAVILHAS NATURAIS DO CONCELHO. A constituição desta comissão violou a essência e os princípios do projeto 7 maravilhas do concelho. A Deputada e coordenadora nacional do projeto deixou claro como é que a comissão devia ser formada. Segundo as orientações a Câmara, a Assembleia e a sociedade civil deviam trabalhar em conjunto na escolha dos membros. A comissão devia ser composta por um elemento da câmara, dois elementos da Assembleia Municipal - isto é, um de cada bancada, por professores, operadores turísticos e outros elementos da sociedade civil. A Deputada Eunice Silva tinha frisado que a comissão devia integrar - professores ligados às disciplinas de história, geografia e ciências da Natureza com conhecimentos profundos da realidade do concelho e com capacidade de argumentação. Para a escolha de um eleito da bancada do MPD devia-se contatar o líder da bancada - Dr. Luís Alves para indicar quem devia fazer parte desta comissão, no entanto, ele não foi - nem tido e nem achado. O presidente da comissão entendeu ele mesmo indicar um elemento da bancada da oposição. Este comportamento é típico de regime monopartidário e totalitário. A Comissão foi constituída a 100% por PAICV. Quatro elementos afetos à câmara municipal e os restantes amigos e simpatizantes do PAICV. A competência e os outros requisitos e exigências simplesmente foram postos de lado. Para culminar a situação, a comissão resolveu apresentar as 7 maravilhas no mesmo dia e hora em que na igreja católica decorria o Sacramento do Crisma. Intencional? Não se sabe. Mas para quem conhece a história de Cabo Verde durante a primeira Republica o Partido/Estado sempre coincidia a sua atividade com missas, confissões e outras atividades do tipo. No ato que deveria ser de apresentação só estiveram presentes os elementos da comissão. Adiaram a apresentação. Todavia, se isso vier a acontecer estaremos lá como rusga. OBS: Aqui no nosso concelho, as pessoas com capacidade são sempre excluídas de atividade do tipo porque usam o seu direito de crítica ou parafraseando o humanista e professor Fausto do Rosário - recusam ser vassalos do presidente ou dos responsáveis do regime. Mantenha a todos os Santa-catarinenses residentes e na diáspora Cidade de Cova Figueira, 29 de Setembro de 2013 Alberto Nunes |
| 7 Jan 2014 “HOMENAGEM AOS NOVENTA ANOS SOBRE O NASCIMENTO DE AMÍLCAR CABRAL E AO HOMEM POLITICO - NELSON MANDELA” “Por uma educação inclusiva e de qualidade”? No mês de Janeiro em Cabo Verde há duas datas importantes que merecem respeito e comemoração. Treze e vinte. A primeira - marca a realização das primeiras eleições pluripartidárias, implementação da democracia e da liberdade; a segunda - marca dia dos heróis nacionais, aniversário da morte de Amílcar Cabral – considerado pai da nossa nacionalidade e um dos mentores da luta de Libertação da Guiné-Bissau e Cabo Verde. O Estado e seus representantes têm uma responsabilidade no respeito e nas comemorações desses dias. O exemplo deve partir dessas entidades como forma dos cabo-verdianos residentes e na diáspora conseguem agir no mesmo diapasão evitando assim algumas discrepâncias notórias nas últimas décadas em relação a algumas datas e outras questões similares. O Ministério da Educação é uma entidade que deve primar para desfazer e clarear tudo que na nossa sociedade deixa transparecer injustiça, omissão, exclusão, etc. Aliás, no dia em que este Ministério deixa ser levado para o outro lado da moeda é o país todo a cair de podre. Ontem, primeiro dia da preparação metodológica - nós os professores de história e cultura cabo-verdiana recebemos do subdiretor pedagógico uma nota proveniente da Direção Nacional da Educação - datada de 18 de Dezembro de 2013 cujo assunto é: “Semana Amílcar Cabral: uma homenagem aos noventa anos sobre o nascimento do pai da nossa nacionalidade e ao político Nelson Mandela”. E no corpo da nota diz o seguinte: “ a Direção Nacional (DNE), pretende, durante a Semana Amílcar Cabral, de 14 a 18 de Janeiro de 2014, desenvolver atividades que homenageiam os noventas anos do nascimento de Amílcar Cabral enquadrando-se simultaneamente homenagem ao homem e politico Nelson Mandela…” Ao ler o documento e plano de Acão quisemos, no momento, dar conhecimento aos colegas de disciplinas de história e Mundo Contemporâneo. Alguns professores de outras áreas quiseram saber também do assunto. Começamos a explica-los o que a Direção Nacional da Educação pretende realizar nas escolas a partir do dia 14 deste mês. Alguns ficaram estupefactos quando perceberam que o documento não incluía a comemoração do dia 13 de Janeiro. São duas datas de relevâncias históricas para o povo de Cabo Verde. Ambas as datas estão historicamente ligadas à luta, à determinação e ao sacrifício de um povo que sempre acredita que a mudança é possível e para tal lutou. Por isso que muitos professores não entenderam o porquê da Direção Nacional da Educação assume a dianteira para orientar anualmente, nestes últimos anos, a comemoração do dia 20 e excluir o dia 13 sabendo da importância histórica destas datas para a nação cabo-verdiana. Temos por convicção e por norma que a educação é um sector estratégico que alberga no seu “seio” profissionais que na ótica do psiquiatra - Jorge Augusto Cury, exercem a profissão mais nobre da sociedade. Se assim é, quem nos chefia deve concertar e articular com todos os subsistemas educativos e intervenientes antes de tomar medidas parciais, omissas e duvidosas. Na Educação não deve haver espaço para exclusão, medo, ignorância, favorecer ou prejudicar. Deste sector deve partir exemplos práticos que servem para clarear e unir a nação assim como aconteceu com os Tubarões Azuis. Esta atitude da Direção Nacional da Educação incentiva surgimento de grupo particular constituído por cidadãos residentes e na diáspora a criar um outro ambiente para comemorar o dia 13 de Janeiro e isso não abona em nada o Estado e seus representantes. Esta atitude fere gravemente o lema do Ministério da Educação e Desporto. “Por uma educação Inclusiva e de qualidade”. Bem-haja diálogo, concertação, articulação, etc. antes de decidir. Um bom ano de 2014 a todos os colegas professores, alunos, pais/encarregados da educação e outros intervenientes no sector. Cidade de São Filipe, 04 de Janeiro de 2014 O Professor Alberto Nunes |
| 23 Jan 2014 VINTE DE JANEIRO – DIA DOS HERÓIS NACIONAIS & E MANIFESTAÇÃO GERAL DOS TRABALHADORES – O CASO DO ILHA DO FOGO Hoje 20 de Janeiro comemora-se - em Cabo Verde - dia dos heróis nacionais. É também aniversário da morte de Amílcar Cabral – figura que despensa apresentação. O Dr. Mário Silva trouxe um outro elemento que sorrateiramente é comemorado neste dia. A fundação do PAICV. Verdade ou não – este partido passou a existir em Cabo Verde com esta sigla a partir do dia 20 de Janeiro de 1981. Este ano a data é marcada, também, por um outro acontecimento importante. A Manifestação Geral Dos Trabalhadores convocada pelos sindicatos. A manifestação é, no nosso entender - um direito constitucional e, ao mesmo tempo, constitui uma forma de luta dos trabalhadores - nas sociedades democráticas. O objetivo desta manifestação segundo os sindicatos é a revindicação de alguns direitos dos trabalhadores cabo-verdianos. Os trabalhadores deste país perderam, ao longo destes últimos anos, o seu poder de compra. O Governo, nestes últimos anos, decidiu, de forma unilateral, e, muitas vezes, com conivência dos deputados da situação - aumentar os impostos e taxas, como também, criou novos impostos e novas taxas. No entanto, há aproximadamente, cinco anos que o salário dos trabalhadores não sofreu aumento. A atitude do Governo provocou uma quebra no poder de compra dos trabalhadores. O governo decidiu unilateralmente a congelar a progressão e reclassificação dos trabalhadores; não devolveu o IUR aos trabalhadores desde 2009, etc. Apesar desta realidade, muitos não compareceram na manifestação - pelo menos - aqui na ilha do Fogo. Houve carros disponíveis para transportar os trabalhadores para o local da manifestação, todavia, não sabemos se a divulgação teve o impacto que deveria ter, pois, aqui houve ausência na manifestação até de quem trabalha no sindicato. Pensamos que 20 de Janeiro - dia dos heróis nacionais - deveria servir de base para todos os trabalhadores darem exemplos de luta e combate contra tudo que espelha injustiça, prejuízo e que causa mal aos desfavorecidos da nossa sociedade. Ao invés disso, assistimos os pseudo-cabralistas a se desdobrarem em “MISSIONÁRIOS” para desmotivarem as pessoas que ainda desconhecem os seus direitos a não participarem na manifestação porque segundo eles a manifestação não tem razão de ser. Tudo está bem para esses “MISSIONÁRIOS”. Na verdade, para esses pseudo-cabralistas que viveram a vida toda ao serviço do partido, mas pagos com dinheiro do ESTADO e hoje muitos deles na reforma com cento e poucos não há motivos para manifestação. Aliás, sempre pensaram/am em si e no partido. O paradoxo de tudo isso é que esses “MISSIONÁRIOS” não perceberam que o verdadeiro Amílcar Cabral lutava contra práticas idênticas a estas praticadas por eles. Um dia os inocentes e os que são obrigados a não participarem no ato do tipo por uma questão da pobreza ou de medo; aqueles que têm a plena consciência dos seus direitos e deveres mas que por uma questão de fidelidade ao partido no poder não puderam participar ou ainda aqueles que venderam os seus direitos e liberdades por cargos importantes e de prestígios hão-de entender a tamanha falsidade cultivada por pessoas bem identificadas cujo objetivo é ludibriar a mente dos menos atentos e sobretudo tirar benefícios próprios. Pensamos que a pouca aderência das pessoas da ilha do Fogo à manifestação e tendo em conta os complexos problemas que a ilha enfrenta dá plana razão ao Dr. Olavo Correia sobre a questão do MEDO na ilha como deixa sem suporte os discursos líricos do Dr. Júlio Correia. Bem-haja 20 de Janeiro - dia dos heróis nacionais e da Miniestação geral dos trabalhadores São Filipe, 20 de Janeiro de 2014 Alberto Nunes |
| 16 Fev 2014 O SISTEMA “Heróis são aqueles que fazem o que é necessário fazer independentemente das consequências.” William Shakespeare Um sistema pode ser entendido como um conjunto de elementos que se interagem e combinam para formar um todo organizado difícil de ser entendido e desmontado. Em tese, o sistema traz sempre consequências benéficas para minoria em detrimento da maioria. A minoria, beneficiada pelo sistema, manipula tudo ao seu bel-prazer para ludibriar a mente dos menos preparados que existem dentro da maioria. Todavia, é dentro desta maioria que surgem cidadãos que dão conta desta tática e, ao mesmo tempo, labutam incansavelmente pondo em causa a sua paz social, oportunidades, inclusive - alguns direitos para contrariar o sistema. É dentro deste quado difícil em que cidadãos conscientes lutem a favor da dignidade humana, justiça, liberdade e democracia que surgem os verdadeiros heróis. Na nossa ilha natal – a do Fogo existe um sistema montado desde 1975 e que veio a ser reforçado a partir de 1992 com a implementação do municipalismo. Esta ilha tem uma história peculiar no período após a independência. Na altura da independência, enquanto, as outras ilhas se posicionavam a favor da liberdade da pátria, aqui, as suas gentes teimavam para a manutenção do colonialismo. Houve necessidade dos novos governantes fazer vir de Santiago um grupo de cidadãos para vir convencer o povo desta ilha da importância da independência. Esse trabalho não foi passivo e nem tampouco fácil. Os foguenses demoraram em aceitar a independência. Em 1990 houve a abertura política e em 1991 houve as primeiras eleições pluripartidárias. O partido que se encontrava no poder desde 1975 (apesar de cansaço e desgaste) saiu vitorioso aqui apesar de a ilha ter sido ignorada pelos então governantes ao longo dos 15 anos do partido único. As eleições autárquicas realizadas em 1992 ditaram a vitória ao partido da independência aqui no Fogo. Com esta vitória o sistema montado saiu reforçado e renovado com novos truques. O referido sistema só aceita as pessoas que se alinham com ele. Quem não se alinha terá de arcar com as consequências. Para manter o sistema tudo foi e está sendo feito independentemente de pôr em causa ou não os valores, a ética, a democracia, a liberdade, etc. O importante é manter o sistema. Este tem como objetivo máximo manter o partido no poder. Estando, o partido no poder confunde-se com o Estado. Usa os bens do Estado como se fossem bens do partido. Esta realidade é impregnada na consciência dos homens do sistema como ato legal e moral. Ai daqueles que se ousarem chamar atenção no sentido de separar partido e Estado! Nestes e noutros casos em que a verdade do sistema pode ser desvendada o sistema utiliza a “máquina do partido” para impedir o desvendamento. A “máquina do partido” funciona em alguns casos como KGB, PIDE/DGS, etc. Tudo para manter o partido no poder e criar condições para um “punhado” de cidadão que se autoproclama como “melhores filhos da terra” como aconteceu no momento da independência. Na altura dizia-se: “nós terra é pa nós povo e pa tudo fidjos de Africa”. Hoje se não tomarmos os devidos cuidados ela passa ser exclusivo dos homens do sistema. No labirinto criado pelo sistema, os homens que cultivam valores, como: a liberdade, a democracia e outros princípios são excluídos, ameaçados, chantageados, etc. Muitas vezes, são obrigados a aderirem ao sistema, mesmo contra a sua vontade porque estando nele é a única forma de ter acesso ao seu direito consagrado na Constituição e adquirir outros privilégios independentemente dos requisitos exigidos. Esta realidade, claro que, põe em causa a dignidade da pessoa humana como intimida e mete medo as pessoas. O sistema montado aqui visa o partido no poder e bem-estar material de alguns homens (os do sistema). Este sistema leva alguns indivíduos a confundirem política com sei lá o quê? Talvez, doença. Há, deveras, sintomas claros de doenças na política foguense. Algumas expressões como: “ami n ca gosta de MpD e de guentes do MpD”; ou quando alguém manda desfazer petição dos familiares porque o membro da família não votou no partido do sistema entre outras práticas similares. Aqui as pessoas do sistema encaram os adversários como inimigos e fazem de tudo para prejudica-los. Para levar o partido ao poder e proporcionar o bem-estar material esses homens perdem todos os seus valores e, inclusive - a vergonha. Outros até põem em causa a sua honestidade intelectual e formação académica. Esta atitude é revelada nas defesas absurdas que muitos fazem frente à realidade nua e crua e no desvio que se fazem cujo objetivo é exclusivamente desviar a atenção dos menos atentos das realidades árduas que afligem a nossa sociedade, principalmente, a classe mais desfavorecida. Entrar e lutar para manter o sistema exige desses homens perda de dignidade, vergonha, consciência, cortar relações com outras pessoas, ficar insensível aos problemas de quem está fora do sistema, perda de valores, etc. Em suma, este sistema torna o homem - mau, cruel, vingativo, mentiroso, odioso, caluniador, etc. Segundo um ex-militante do partido da independência estas realidades não são visíveis pelos homens do sistema. Só fora deste sistema se consegue perceber essas coisas. Julgamos que muitos não têm mínima noção do perigo deste sistema. Todavia, entendemos que muitos têm a plena consciência deste perigo, mas persistem e insistem na sua manutenção com objetivo de prejudicar o próximo e apoiar aqueles que louvam e fomentam o sistema. Conversando com um amigo nosso sobre este sistema implementado no Fogo e sobre comportamento de alguns homens que julgávamos ser equilibrados e honestos, este nosso amigo disse que caso deste tipo faz sentido pedir a Deus – “Pai condenai-os porque sabem o que fazem e dizem”. Como somos cristão procedemos no sentido inverso concordando com Jesus Cristo pedindo: - “Pais perdoai-lhes porque não sabem o que fazem e tampouco o que dizem”. Mantenha a todos os cabo-verdianos residentes e na diáspora. São Filipe, 10 de Fevereiro de 2014 Alberto Nunes |
| 30 Abril 2014 ILHA DO FOGO – O SISTEMA E O SEU PARADOXO “Não irás atrás da maioria para o mal, e não intervirás num processo para te inclinares atrás da maioria, violando a justiça”. Ex. 23, 2 - 3 Em 2008 tínhamos publicado no jornal A Semana e no site www.topicos123.com o artigo “ Fogo – o prelúdio de uma nova era” e em 2010 publicamos nos mesmos espaços um outro “Ilha do Fogo - Conquistas e desafios” ambos inseridos no livro “Ilha do Fogo e Cabo Verde – Uma visão critica e multifacetada” da nossa autoria. Nesses textos reconhecíamos, depois de muitas revindicações, início de lançamento de algumas pedras para o arranque de algumas obras nesta ilha. Exigíamos, também, a necessidade da ilha ultrapassar alguns desafios para que possamos entrar no “comboio” de desenvolvimento assim como algumas das outras ilhas. Nestes últimos meses, assistimos a inauguração do Liceu de Ponta Verde, Sede do Parque Natural do Fogo, Porto dos Vale dos Cavaleiros, etc. Nos próximos meses, acreditamos que vão ser inaugurados - o Liceu dos Mosteiros, uma parte do tão propalado “Anel Rodoviário” e os complexos “Casa para Todos” em São Filipe, Santa Catarina e nos Mosteiros. Outras obras foram inauguradas no parentese do tempo 2008 – 2012: Centro de Saúde dos Mosteiros, Liceu de Cova Figueira, Aeródromo de São Filipe e Estrada asfaltada Salto a Curral de Asno, etc. A aquisição do navio - Faste Ferry “Crioula” é um outro acontecimento importante para a tão propalada “região” Fogo e Brava. Esses acontecimentos marcam, sem sobra de dúvida, algumas conquistas no Fogo. Convém realçar que em Janeiro de 2012 numa conversa informal com um cidadão e militante ativo do PAICV numa das localidades de Santa Catarina sobre algumas infraestruturas construídas e em construção na ilha este foi categórico em afirmar o seguinte: “Reconhecemos o esforço do deputado nacional - Sr. Jorge Nogueira, nestes últimos anos, a lutar incansavelmente para a concretização destas obras aqui na ilha. Reconhecemos, também, o silêncio dos deputados do PAICV eleitos para o Fogo face ao atraso da ilha. Por isso que seria justo no dia da inauguração dessas obras a presença do Deputado Sr. Jorge Nogueira, mas a dos deputados do PAICV será um ato de hipocrisia. Infelizmente os do PAICV vão ter, de certeza, o convite de honra e vai haver a tentativa de excluir o deputado Sr. Jorge Nogueira como tem sido hábito nesta ilha”. Ao ouvir estas declarações percebemos que o povo desta ilha entende e bem as manobras do sistema montado na Ilha desde a independência e reforçado a partir de 1992. Falta, como já dissemos no livro supramencionado - a mudança de atitude em relação a essas manobras. A mudança pode tardar, mas acontece no seu tempo. Nesta ilha ao longo destes vinte e dois anos da implementação do municipalismo já foram gastos em indemnizações, aproximadamente, cento e dez mil contos. A câmara municipal de São Filipe já indemnizou, quase, cem mil contos e há mais para serem indemnizados nos próximos tempos. São no total - quarenta e poucos processos perdidos no tribunal. Esses presidentes sempre tiveram assessores jurídicos que receberam/recebem salários para prestar serviços de assessoria jurídica. Essas indeminizações causaram, causam e causarão grandes prejuízos aos municípios e munícipes. O dinheiro usado para pagar essas indeminizações é fruto dos impostos que todos os munícipes pagam nas câmaras, as verbas transferidas do Governo para os municípios e outros financiamentos adquiridos pelos próprios municípios. Os municípios pagam essas indeminizações devido, à tentativa, por parte dos homens do sistema que ainda ocorridos vinte e quatro anos da democracia, continuam a vingar, perseguir, chantagear e ameaçar todos aqueles que descordam da cartilha do partido no poder. Esta pratica viola barbaramente o artigo 24 da Constituição da República de Cabo Verde. Relativamente a essas indeminizações fruto de práticas inconstitucionais poucas vozes desta ilha têm gritado. Muitos filhos desta ilha, residentes e na diáspora, ao invés de denunciar e dizer um” STOP” ao abuso do poder, à vingança, à perseguição à exclusão, etc. vivem inventando inverdades, desvirtuando as verdades/realidades para ludibriar a mente dos pobres, dos fanáticos e dos incautos. Pena ter em pleno século XXI “cidadãos” do tipo! Aqui, em Santa Catarina no início de 2013 - a câmara lançou quatro “concursos” publicado no jornal - A Nação - para contratar novos técnicos. Dois dos “concursos” eram internos e dois externos. Nos internos só os funcionários da referida instituição podiam se candidatar. Nos externos exigiram alguns requisitos que violam, de novo, a Constituição da República. Um dos requisitos exigidos é que os candidatos teriam de residir em Cova Figueira. Em Cova Figueira, assim mesmo. Isto é, tudo foi feito em função dos candidatos pré-identificados e que participaram ativamente na campanha autárquica a favor da manutenção do sistema. Os munícipes de Chã-de-Caldeiras, Mãe Joana, Figueira Pavão, Tinteira, etc. que pagam seus impostos neste município, paradoxalmente, não podiam participar. Alguns meses depois a câmara de Boa Vista lançou um concurso para contratar técnicos na mesma areia e o concurso era de âmbito nacional, isto é, qualquer cidadão de Cabo Verde podia participar. Na última sessão da Assembleia perguntamos à Camara e ao presidente o porquê do formato daquele concurso? O presidente recusou prestar-nos este esclarecimento. Voltaremos, de certeza, na próxima sessão a exigir uma explicação cabal deste tão caricato “concurso” que excluiu candidatos com formação superior e admitiu pessoa em formação. Continua aqui, neste que é - um dos municípios mais pobre do país, o uso abusivo do carro de Estado para reunião partidária e fins pessoais e familiares. Na mesma sessão de Fevereiro questionamos à câmara e ao presidente sobre o uso deste carro e a resposta que obtivemos do presidente foi a seguinte: “ O senhor Alberto Nunes deve perguntar porque na Praia os vereadores usam também o carro do Estado? Eu se tivesse mais carro daria um para cada vereador usar diariamente porque na Praia é assim”. Um dos eleitos do MpD ao usar da palavra pediu ao presidente que devia deixar de justificar crime com crime. Se na Praia os eleitos do MpD usam carros do Estado para fins pessoais e partidários - os eleitos do PAICV devem denunciar essa prática - assim como nós sempre fizemos/fazemos aqui. Agora permitir o uso ilegal do carro do Estado no nosso concelho para fazer trabalhos partidários, pessoais e familiares porque na Praia também fazem, não pode ser argumento para convencer os eleitos, munícipes ou outras entidades. Um outro problema grave levantado é o corte de subsídio aos estudantes na sequência das eleições autárquicas de 2012. Depois de um aluno dissertar sobre o corte de subsídio houve uma tentativa, por parte da câmara, a dar uma explicação que não convenceu ninguém. Pois, nós temos conhecimento de que alunos que fazem parte do sistema ou que os pais são do sistema reprovaram e continuam com subsídios e alunos que transitaram/transitam de anos, mas que não compactuam com tal sistema - os subsídios são cortados. Pior, é o silêncio dos deputados da situação perante todos esses caos que ocorreram/ocorrem no município. Esta questão já foi levada por nós várias vezes na Assembleia e nunca tivemos apoio desses deputados. No entanto, recebem senha e outros subsídios para fiscalizarem o trabalho da câmara. ÉTICO!? Questiona-se. Este é um dos paradoxos do sistema montado e alimentado por esses homens. Apesar de muitas lutas contra esses crimes e outros praticados aqui no nosso concelho assistimos a invasão sistemática, por parte da câmara, de propriedades privadas, julgando com este expediente, tomar terrenos em que o próprio dono tem Certidão Matricial para anexar à câmara e depois doar aos amigos, militantes e simpatizantes do partido e do sistema. Lemos algures um texto do professor Paulo de Pina a questionar o por quê da câmara municipal de Santa Catarina não conseguiu apoiar a única equipa de Basquetebol do município com apenas vinte e quatro mil escudos para participar no campeonato? No final do texto o professor pergunta - porque quando se aproxima das campanhas eleitorais há sempre apoio deste género por parte desta instituição aos desportistas de diversas modalidades e este ano como não é ano das eleições este apoio não existe. Tínhamos publicado um artigo no Jornal Terra Nova no ano de 2013 onde havíamos afirmado que para o sistema montado no Fogo denota-se que - os pobres só têm valor nas vésperas das eleições. Terminando essa época estes não têm valor. Triste, mas é a realidade vivida e constatada por todos e ditos por alguns. Sócrates havia dito que “A maldade é fruto da ignorância”. A nossa tarefa é árdua, todavia, com gosto continuaremos a trilhar este diserto espinhoso vendo toda esta realidade triste e vergonhosa estampada á vista de todos e, ao mesmo tempo, assistir este silêncio e a tentativa vã de muitos quadros deste concelho e não só - a arquitetar confusões para desviar e confundir a opinião pública em nome do sistema e do fanatismo partidário. Mantenha a todos os Foguenses residentes e na diáspora. Cidade de Cova Figueira, 30 de Março de 2014 Alberto Nunes |
| 21 Maio 2014 ILHA FOGO – O SISTEMA E OS SEUS TRUQUES “Quando dares esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a direita”. Evangelho São Matues Cap 6, ver 3- Ser esclarecido e viver numa sociedade governada por homens que nunca se sentaram no banco da escola para aprender sequer o elementar das leis e, ao mesmo tempo, conviver com quem chega ao poder à base de viciação eleitoral ou ainda de quem se apoia na legitimação de alguém que não compreende muito bem o normal funcionamento da administração é - DURO E DIFÍCIL; viver numa sociedade onde poucos se interessam por aquilo que é o bem-comum, que é do interesse coletivo, que é do Estado é, simplesmente, TRISTE; viver numa sociedade onde as pessoas pensam apenas no partido e nos interesses meramente pessoais, onde quem se encontra no poder faz de tudo para beneficiar os seus pares e prejudicar intencionalmente os que não se alinham em atos que os envergonham é, no mínimo, FRUSTRANTE… Esta é a realidade vivida nesta nossa ilha do Fogo. Há coisas que só aqui se passam. Senão vejamos: Há, aproximadamente, dois meses estivemos no concelho dos Mosteiros encontramos um jovem numa viatura marca Toyota, último modelo - cabine dupla e caixa aberta a circular depois das cinco horas da tarde. A referida viatura tem chapa de matrícula preta. Logo pensávamos que se tratava de um carro pessoal. Logo alguém nos informou que o jovem era vereador na cãmara municipal dos Mosteiros e que o carro pertence a cãmara. Atenção! Trata-se de um carro da cãmara com chapa matrícula preta a ser conduzido por um jovem vereador depois das cinco horas da tarde. Menos de um mês fomos de novo aos Mosteiros - encontramos com um Prado zero quilómetro na localidade de Campanas de Baixo. Perguntamos de quem era aquele carro. Informaram-nos que era do presidente da cãmara dos Mosteiros. Ele com um prado novo entendeu por bem comprar mais um e fazer coleção de carros caros num dos concelhos mais pobres do país. Que dizem/pensam os munícipes mosterenses? No concelho vizinho de Santa Catarina o vereador e responsável pelo Partido no poder tem também na sua responsabilidade um carro com chapa matrícula preta que pertence à cãmara municipal. Ele usa tal viatura - noites e dias, feriados e não feriados, para fins pessoais, partidários e familiares. O presidente do mesmo concelho de entre as várias prioridades do município resolveu construir a RESIDÊNCIA OFICIAL e com piscina para ele e sua família. Em São Filipe - os carros do Estado são usados por alguns vereadores, condutores e chefes de serviços para fins pessoais partidários e familiares. Claro que alguns desses senhores sabem que estão a cometer crime. Todavia, fazem-nos conscientes porque aparecem os fanáticos do partido que inventam argumentos baratos para os defender; fazem-nos porque acreditam que o povo que os poderiam julgar no final do mandato se encontra numa situação de vulnerabilidade e por isso é fácil manipulá-lo na hora certa; fazem-nos conscientes porque poucas pessoas sabem como as coisas funcionam legalmente… Como se pode ver é difícil ter democracia a funcionar numa sociedade onde o povo ainda não é esclarecido; onde os governantes usam bens dos Estado para fins pessoais, familiares e partidários e continuem impunes; onde não há transparência… Os demagogos (serviçais) de sempre e defensores dos indefensáveis vão dizer que estamos a ofender as pessoas. Todavia, já devem ter percebidos que o nosso compromisso é com a verdade. Sempre dissemos isso. Continuaremos nesta linha a chamar as coisas pelo seu nome e acreditando que esta atitude nos libertará. Nesses últimos anos, apesar dessas trapalhadas administrativas, temos assistidos uma tentativa por parte desses homens no poder a aproveitar-se de tudo para tirar dividendo e protagonismo político de algumas instituições. As instituições, mormente, as religiosas que fiquem bem atentas a essas manobras! Aliás, tivemos conhecimento que no verão do ano de 2013 um religioso desta ilha foi fazer uma visita aos EUA e um dos presidentes de uma das cãmaras também foi. Houve uma tentativa embora frustrada de fazer um programa comum entre a igreja e a cãmara municipal. A estratégia caiu por terra e sem fruto. Nestes últimos meses numa das paróquias do Fogo - os setores e movimentos da igreja têm estado a funcionar lindamente. Os responsáveis têm estado a promover atividades que envolvem muitas pessoas. A cãmara, por sua parte, tentou fazer algumas atividades e poucas pessoas têm estado a frequentar. A igreja, no entanto, tinha em agenda uma atividade para comemorar o dia das mulheres no dia 8 de Março. Os homens no poder usando a estratégia muito bem montada trasvestiram-se em cãmara e fizeram de tudo para aproveitar a presença das pessoas para fazer passar a sua mensagem. Nestes últimos tempos, sempre que haja uma festa os homens no poder inventam um donativo para apoiar as atividades e no dia da festa aparecem no culto - sentados na linha de frente e aqueles que sempre frequentam a igreja são relegados para os bancos traseiros e no final o responsável da igreja agradece a cãmara e os responsáveis pelo apoio concedido. A igreja pode até estar a fazer isso de uma forma (in) consciente, mas os homens no poder sabem bem o que estão a fazer como sabem bem aonde querem chegar. A igreja que se cuida! Já tínhamos afirmado em outro momento que temos uma forte convicção e crença na igreja e nas universidades. Essas duas instituições são, no nosso entender, por essência de excelências. Prevemos, porém, se um dia vierem a ser usadas por quem quer que seja em proveito perverso das suas essências - será - o fim de tudo - caos. A igreja que, através da Sagrada Estrutura, nos ensina o real sentido da caridade “Quando dares esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a direita” não deve, nesses últimos tempos, a querer nos desviar do sentido original do Amor de Deus. Deus Caritas Est. A Igreja e as universidades devem ser dirigidas por responsáveis competentes que saibam ler os sinais e em tempo útil usar os antivírus e evitar que sejam contaminadas. Que Deus nos acuda! Cidade de São Filipe, 21 de Abril de 2014 Alberto Nunes |

| ILHA DO FOGO – AS “ROUPAS” QUE PRECISAM SER LAVADAS “A esquerda é, nestes termos, a encarnação perfeita da revolta e da tirania. A matriz do totalitarismo. A sua essência é a mentira, o crime em série. O “doublespeak”. Dr. Casimiro de Pina. O intelectual foguense - Dr. Casimiro de Pina - num excelente artigo “Direita e esquerda: a relevância de uma distinção (1ª parte) ” publicado no Jornal - Expresso das Ilhas – afirmou: “a essência da esquerda é a mentira e crime em série”. O articulista fez uma dissertação brilhante sobre a origem e as práticas da esquerda desde o aparecimento do conceito - 1792 em França até atualidade. Demonstrou, com factos, que a esquerda cometeu, ao longo dos séculos, as maiores atrocidades da história em vários países. O texto, de acordo com o título, é incompleto. Pois, acreditamos que haverá novos textos na mesma sequência lógica. O tema foi trazido a tona pelo Dr. Casimiro como forma de desconstruir as inverdades arquitetadas - a partir do século XVIII e, em Cabo Verde, após a nossa independência política. Na verdade, faz sentido ler - não só este, mas todos os textos escritos por este intelectual sem par na nossa sociedade. Recorremos à nossa memória, alguns artigos publicados nos jornais da praça e alguns livros publicados nestes últimos tempos, e deparamo-nos com práticas de várias mentiras e crimes que, de certa forma, comprovam a tese do Dr. Casimiro. Ao ler o artigo supracitado vem-nos à cabeça as práxis na ilha do Fogo levadas a cabo pelos homens do partido de ideologia esquerdista. No Fogo, mais precisamente em São Filipe, há, quase duas décadas, o responsável do partido de esquerda é, simultaneamente, vereador e representante da ONG - Sol de Fogo - com direito a viatura própria. O carro no seu poder não se sabe, com clareza, se é pessoal ou se é do partido ou ainda se é de ONG. Pois, o uso da referida viatura para todos os fins origina esta falta de transparência e, ao mesmo tempo, confusão na mente das pessoas. Ainda em São Filipe, um funcionário de um departamento da camara municipal utiliza a viatura do estado, com chapa matrícula amarela, durante toda a semana, 28 ou 29, 30 ou 31 dias por mês, feriados, sábados e domingos - para todos os fins. De tanto usar o carro do estado, as pessoas fazem juízo de que o carro lhe pertence. Este mesmo senhor que vive usando e abusando deste recurso do estado coordena o programa de POSER e na ilha, assina contratos com as associações comunitárias e é candidato a liderar o partido em Fão Filipe. Aqui assistimos, triste e vergonhosamente, deputados municipais eleitos num grupo político a votarem sistematicamente a favor do partido de esquerda contrapondo tudo o que foi defendido pelo grupo ao longo da sua criação e da campanha eleitoral. Toda essa mudança de comportamento de forma repentina, após as eleições, por parte desses deputados, está envolvida de favores pessoais e esta atitude põe em causa a seriedade, dignidade e outros valores desses deputados. Uma pena! Depois das eleições autárquicas de 2012, com mudança do presidente, pensávamos que as vinganças, perseguições e indeminizações teriam chagado ao fim. Apesar do atual presidente ter tomado posse com a Bíblia na mão, assistimos, frequentemente, a novos despedimentos - sem justa causa - e consequentes indeminizações de forma sistemática. Simplesmente foi engano! Trata-se do mesmo sistema: Mudou o presidente, mas manteve-se o sistema e a sua ideologia. Aí reside a razão de continuarem as perseguições, vinganças e indeminizações. Em Santa Catarina do Fogo, uma figura do partido de esquerda, professor, conseguiu acumular, por alguns tempos, de forma simultânea o cargo de vereador, primeiro secretário do partido e presidente da associação comunitária da sua localidade. O sempre secretário da Assembleia Municipal em Santa Catarina - eleito no partido de esquerda, é professor reformado e presidente da associação comunitária da sua localidade. O sempre presidente de comissão de recenseamento no concelho é professor, presidente da associação comunitária e aufere três salários; tem três filhos empregados que moram com ele debaixo do mesmo teto… Tudo isso acontece num concelho onde há dezenas de licenciados e jovens com o 12 º ano de escolaridade desempregados. Convém realçar que - os senhores acima mencionados são militantes do partido de esquerda. Seus filhos estudam quer no ensino secundário quer no ensino superior com subsídio de estudo pago pela Câmara Municipal. É a oferta da casa! Esta prebenda é reservada apenas aos amigos e correligionários. No concelho dos Mosteiros a realidade é “sui generis”: Ali tudo funciona na contra-mão. Não há fiscalização. A oposição e a sociedade civil quase não funcionam. Aparentemente tudo é lindo. Receamos o rasgar do véu. Ali vê-se veículos do estado - com chapa matrícula amarela – conduzidos por simples funcionários da camara ou por um simples cacique militante do partido de esquerda. Vê-se viatura do estado - com chapa matrícula preta a circular fora do horário do serviço. Assiste-se à aquisição de carro da última gama cujo objetivo é de proporcionar luxo ao presidente de um dos concelhos mais pobre do país. Pois, o concelho dos Mosteiros agora acumula dois novos “Toyota- Prado”. Muito chique mesmo! Nesse concelho, sempre que se inicia a campanha eleitoral, o candidato do partido da esquerda manda colocar uma máquina na Baia do Corvo com a promessa de construir o acesso e um cais no local. Engraçado! Após as campanhas - a máquina é retirada do local sem que o acesso e cais sejam construídos. O aeroporto do concelho é sempre prioridade para os candidatos. Ganham: logo, esquecem-se de tudo. O povo do concelho também se esquece. Os políticos locais não cumprem o seu papel. Não exigem, a quem de direito, a fazer. Se alguém de oposição exigir é rotulado logo como contra o desenvolvimento da ilha. Assim ninguém fala e tudo cai no silêncio e no esquecimento! Em Santa Catarina do Fogo sempre que se aproxima a eleição reúnem-se os membros da esquerda para arquitetar as mentiras e as calúnias contra os adversários. Poem de lado os projetos e partem pela difamação, calúnia e mentira com clara ideia de que mentira repetida várias vezes transforma-se em verdade. Em 2008 quando se aproximavam as eleições autárquicas um jovem desse concelho disse que tínhamos dito, anos antes, que os alunos do interior (de fora) não podiam estudar a área de Ciência e Tecnologia (CT); em 2012 disseram que tínhamos sido convidados para trabalhar em Santa Catarina e declinamos o convite dizendo que o concelho é pobre e não tem condições para que trabalhássemos ali; diziam que tínhamos dito que se ganhássemos as eleições tomaríamos aos agricultores os seus terrenos e entregá-los- íamos aos proprietários. Esta última mentira foi arquitetada em 1991 como argumento para derrubar o partido recém-criado e, a partir dessa data, é usada sempre nas campanhas eleitorais. Terminando as campanhas elas desaparecem. Em São Filipe sempre que começam as campanhas o argumento/mentira é que o deputado da nação e ex-presidente da Câmara Municipal da Brava - Sr. Jorge Nogueira fez uma administração danosa no concelho/ilha e fugiu de barco para o Fogo. A partir dessa mentira atacam as pessoas e esquecem-se de projetos para o concelho e para ilha. Em 2009 com pompa e circunstancias - o Primeiro-Ministro de Cabo Verde - ladeados dos seus pares circulavam nos três concelhos a fazer o lançamento “DAS PRIMEIRAS PEDRAS” para a construção do tão propalado “anel rodoviário”. Garantiu em público que a mobilização do financiamento para sua construção já era uma realidade. Tudo estava posto, segundo o Primeiro-ministro, para que a ilha do Fogo tivesse o seu anel rodoviário. Todos acreditaram. Pena é que foi mais um engano! Do orçamento previsto para a implementação do “anel” já se gastou o quase dobro e não se conseguiu construir sequer - 40%. A construção do “anel” alberga - no seu seio - a maior corrupção da história de Cabo Verde. A indeminização à empresa construtura de um milhão e dez mil contos e o caso do contrato entre o Ministério e uma família do Fogo são exemplos paradigmáticos. Casos que bradam aos céus. Em tudo isso ouviu-se a voz exclusiva do deputado Jorge Nogueira. Júlio Correia, Joanilda Alves e Lívio Lopes que deveriam ser deputados da nação assumem-se como deputados do partido de esquerda por isso não podem falar por uma questão de fidelidade e lealdade ao partido. Pena! Em 2013 houve um concurso promovido pelo Ministério chefiado pela Ministra Sra. Janira Almada. O concurso visava recrutar um coordenador do programa da CRP na ilha e alguns animadores e outros funcionários. O “concurso” foi uma vergonha! O júri constituído admitiu uma pessoa que não preenchia os requisitos estipulados nos critérios. Curiosamente esse indivíduo apresentava um certificado de pós-graduação - passado pela UNICV sem que o mesmo tivesse a graduação. Todavia, foi ele o fausto do concurso. Para o seu favorecimento o júri teve de excluir candidatos que preenchiam os requisitos e que na prova escrita também demostraram maior capacidade e talento. Para o cargo de animadores o júri excluiu pessoas com licenciatura e admitiu candidatos que estão na licenciatura na mesma área de quem já a tinha concluído e/ou com nota superior. Acreditamos que a ilha do Fogo é a única onde se abre um “concurso” e as pessoas pré-selecionadas e identificadas (militantes do partido da esquerda) começam a trabalhar meses antes da realização do concurso. O “concurso” promovido pela camara de Santa Catarina do Fogo no final do mês de Maio para recrutar um condutor de autocarro é muito elucidativo. Na ilha do Fogo temos três vice-presidentes um em cada uma das camaras. Dois dos quais com habilitações inferiores ao 9º ano de escolaridade e um inferior ao 12º ano. Alguns até aspiram o cargo de presidente da camara. É… Os vários casos de perseguição e vingança - como despedimento de funcionários, corte de subsídio de estudo aos alunos no meio do curso, cancelamento de renda, corte de relacionamento, burocracia, ameaça, etc. para com as pessoas que não se alinham na ideologia e práticas de esquerda têm causado clima de MEDO na ilha. O favorecimento com recursos do estado, o apadrinhamento, o jeitinho, etc. para com as pessoas do partido de esquerda, mormente, àqueles que prestam vassalagem e que se alinham nas práticas esquerdistas têm contribuído para que muitos que antes não faziam parte da esquerda hoje estejam integrados; tudo com objetivo de beneficiarem-se das prebendas postas à disposição de quem se vende. É claro que esta última realidade poe em causa a reputação, moral e outros valores desses indivíduos. Muitos entendem que é a única via de conseguir algo de forma fácil e sem trabalho. O partido de esquerda é encarado aqui como Deus para os seus militantes, amigos e simpatizantes. Para mantê-lo no poder ou fazê-lo chegar ao poder estão sujeitos a tudo: viciar resultados com atestados médicos falsos, votar em nomes de pessoas falecidas, em nome de pessoas ausentes… (ver o que aconteceu nas eleições presidências de 2001). A lógica é -partido acima de tudo e nada fora dele. De acordo com a prática - o partido é para esses indivíduos - na escala dos valores – o valor supremo. Acima de Deus, das famílias, etc. Assistimos - com atenção – as políticas de assistencialismo implementadas na ilha a partir de 1992 pelo partido de esquerda. As assistências são canalizadas para as famílias bem identificadas e selecionadas. Essa política é implementada - com recursos do estado, no entanto só se beneficiam as pessoas obedientes e que não usam o seu espírito crítico e que nunca contrariam os homens da esquerda. As famílias beneficiadas com assistências - quando se aproximam as eleições são proibidas - pelos homens de esquerda - de falar ou cumprimentar os elementos da lista do adversário. Esta atitude contribui para a criação de um clima crispado que faz escola na ilha - onde uma boa parte das pessoas inclusive – esposo, esposa, pai, filho, irmãos, primos, etc. estão com relações cortadas. Pedir votos ao pai ou a mãe do candidato adversário e cortar relações com eles porque votaram no candidato/filho é, no mínimo, agir sem limites. Agir para destruir as famílias e outras instituições por uma questão de poder é, no mínimo, condenável no Estado de Direito. Política sem ética e na contramão da Constituição e do Estado de Direito- constitui, ao nosso ver, um perigo à democracia e à geração vindoura. Os que sobrevivem nesta ilha fora do sistema e da ideologia da esquerda são os seus verdadeiros heróis. Bem-haja e venha mais, Dr. Casimiro de Pina! Alberto Nunes São Filipe, 02 de Julho de 2014 |
| 21 Agosto 2014 A ILHA DO FOGO - PRECISA DE UMA VOZ - QUE BRADA: NÃO! PAREM! Assistiu-se - a menos de um mês - a inauguração do furo d’ água em Chã das Caldeiras - ilha do Fogo. Segundo os presentes - o discurso do edil de Santa Catarina - foi racheado de indireta (piada). Tal discurso deixou o primeiro-ministro preocupado. Parece que houve chamada de atenção por parte do primeiro-ministro para que nos próximos atos do tipo - os discursos sejam melhorados. A inauguração foi feita com pompa e circunstancia; com discursos agressivos e indiretos. A camara ofereceu, naquele dia, o seu gerador para bombear água. A comunicação social do Estado noticiou o acontecimento. Tudo era lindo! Desde - o dia d´ inauguração - a população da Chã das Caldeiras não viu o precioso líquido nas torneiras, por falta de energia elétrica. Lembrem-se que - no dia 24 de Junho de 2012 - em pleno campanha eleitoral - violando grosseiramente o código eleitoral - o PAICV e a sua “máquina” fizeram chegar em Chã das Caldeiras dois carros com painel solar dizendo à população que depois das eleições do dia - 1 de Julho daquele ano - a localidade passaria a ter energia elétrica. O povo votou - o PAICV ganhou. O povo continua - ainda hoje - depois dois anos e dois meses - sem energia e sem água. Pena! Em Santa Catarina sempre que o presidente faz uma viagem aos EUA - manda colocar no campo de Monte Pelado a máquina e alguns trabalhadores. Neste devido momento estão aí. Fazendo os discursos para os emigrantes vai afirmado que as obras no Monte Pelado já foram retomados e que a conclusão é para breve. Esse campo foi destruído em 2009 pela camara - e impediu a realização dos jogos e treinos durante cinco anos. Tudo leva a crer que nos próximos tempos os jogadores vão receber o mesmo campo de terra batida. Certamente - os presidentes vão pedir aos emigrantes para investirem nos concelhos e no Fogo. Há - aproximadamente seis anos - na cidade de Cova Figueira – os senhores – Cheche ki fra, Manuel de Artur e Branquinho de Fátima, munícipes de Santa Catarina resolveram investir em restaurante e alguns deles até em pensão. A camara, numa das atividades promovidas, mandou encomendar - comida cozida - nos Mosteiros - num compadre e amigo - excluindo e ignorando os nossos investidores. Como é possível pedir aos emigrantes para investirem no concelho onde tal coisa acontece? Hoje não há - no concelho restaurante e nem pensão a funcionar. Nestes últimos dias assistiu-se nos Mosteiros as três camaras a comemorarem um ano de uma parceria tripartida com debate sobre o tema: Regionalização. Todas as camaras convidaram - apenas militantes do PAICV, vereadores e presidentes. Os Oradores foram os próprios presidentes. Uma pena e uma vergonha para o país e para ilha do Fogo. Muitos poemas e repetições. Cansam-se! No dia 14 deste mês - foi realizado o chamado “II fórum do desporto em Santa Catarina” os convidados foram de novo - os militantes e o orador do concelho - foi o vereador do desporto, o mesmo do ano passado. A oposição e a sociedade civil foram simplesmente ignorados. Pena - é que eles acreditam que - com essas atitudes - gastando os parcos recursos dos municípios e dos munícipes – estão a promover desenvolvimento. Nesses dias um carro do Estado - com chapa matricula amarela- acidentou-se e estava carregado de cerveja. O carro era do Hospital. A pergunta que fica no ar é: Os doentes estão agora a beber cerveja nos hospitais? Em que país do mundo - onde o Estado do Direito é respeitado - pode acontecer coisas do tipo? Essas e outras questões devem ser encaradas - fora do âmbito partidário. Devem constituir preocupações de todos e numa só voz todos devem dizer: NÃO! PAREM! A ilha do Fogo é, hoje, uma ilha triste para viver, principalmente, para quem cultiva a sua mente diariamente e possui uma atitude altruísta e uma visão que extravasa as ideologias partidárias. As vozes unem-se aqui apenas para defender o partido inclusive com mentira. Na tentativa de defender os absurdos praticados pelo partido - muitos estão a assassinar o seu próprio caracter. Bem-haja - Consciência, Dignidade e Respeito. São filipe, 18 de Agosto de 2014 Alberto Nunes |
| 14 Set 2014 LHA DO FOGO E SANTA CATARINA – AS TÁTICAS DOS ALIMENTADORES DE UM SISTEMA “Honestidade é um presente muito caro. Não espere isso de pessoas baratas.” Warren Buffet A ilha do Fogo e Santa Catarina vêm assistindo, nos últimos anos, a existência d´um grupo de indivíduos bem identificados - com uma mentalidade rígida, fechada, mal instruída (parafraseando Dr. Dr. Casimiro de Pina) e sobretudo perigosa a querer a todo custo e em vão a descredibilizar alguns cidadãos da ilha e do concelho que vêm batalhando incansavelmente, pondo em causa a sua paz social, para denunciar algumas práticas lesivas - levadas a cabo pela situação (local e nacional) que põem em causa a democracia e as coisas públicas. Quando, ao menos, se esperava um comportamento diferente e sobretudo responsável da parte de alguns homens desta ilha e deste concelho - eis que aparecem esses indivíduos desarticulados da realidade e da verdade e sem dados – entolhados - num fanatismo e cegueira sem paralelo - a deixar transparecer resquícios de analfabetismo funcional - a produzir discursos vazios, espalhando - ódio e desespero numa vã tentativa de defenderem a situação (local e nacional) e ludibriar a mente dos idiotas. O desespero para mantar o partido no poder é tão evidente que não falam dos graves problemas que afetam a ilha e o concelho, mas sim, só falam exclusivamente do partido. Uma doença. O grupo permanece com a estratégia do sistema do qual pertence que é a de tocar pessoas pelo lado emocional/sentimental e não racional. Este tipo de mentalidade secundariza ou melhor terceiriza a ilha apesar das potencialidades existentes (turismo, agricultura, emigrantes, etc.) em benefício do partido e seus clientes - como também - tem jogado a ilha - no sexto lugar em termos de desenvolvimento e alimenta ainda - dois dos três concelhos mais pobres do país: Santa Catarina com 59% de pobres e Mosteiros com 51,7 % - censo 2013. Esta mentalidade retrograda, fechada, rígida e perigosa, é também geradora de uma das camaras que mais gasta com indemnização no país. A camara de São Filipe que já gastou, aproximadamente, 100 mil contos em indemnização. Oh meu Deus! Certo é que - a oposição na ilha e no concelho de Santa Catarina fazem afirmações graves provenientes das práticas graves cometidas pela situação local e nacional. Disto ninguém duvida. Pois, ninguém da situação – nem quem governa (local ou nacional) nem quem os fiscalizam (deputados municipais e nacionais) nem quem os defendem (clientes) - conseguem desmentir o cidadão e Deputado Nacional Jorge Nogueira sobre denúncias relacionadas com as falcatruas do “anel rodoviário”. Ninguém consegue desmentir a oposição de Santa Catarina sobre os assuntos denunciados. Pois, é grave, ou melhor é muito grave - as falcatruas relacionadas com a obra do “anel rodoviário”. Esta obra ficará - como símbolo - da maior corrupção na história deste país. Senão vejamos: No dia 22 de Janeiro de 2008 saiu no jornal A Semana online que a Ministra - Cristina Duarte deslocou-se a Sudão para assinar um acordo de crédito com BADEA para a construção do “anel rodoviário” do Fogo. O projeto estava avaliado em 29,4 milhões de dólares (2,2 milhões de contos) e a obra na altura era de 100 quilómetros da estrada. O anel ligava - São filipe – Cova Figueira – Vila da Igreja – Atalia – Campanas e Ponta Verde. http://www.asemana.publ.cv/spip.php?article29099 No dia 6 de Novembro de 2008 em São Filipe Fogo - o Primeiro-ministro garantiu aos jornalistas e ao público presentes que o financiamento para a execução do “anel rodoviário” já estava mobilizado na totalidade. http://www.fogo.cv/index.php?option=com_content&task=view&id=1258. Do total do dinheiro destinado para a construção do “anel rodoviário” do Fogo - 150 mil contos foram usados para construir uma aldeia para os amigos e camaradas do partido no poder; um milhão e dez mil contos foram usados para pagar indeminizações à empresa construtura; milhares de contos foram usados para comprar 15 carros de alta cilindrada e do topo da gama para a empresa de fiscalização: três desses carros foram levados para cidade da Praia; um milhão de escudos foram usados diariamente para pagar a empresa construtora sempre que as obras fossem paralisadas, etc. Em suma dos 100/80 quilómetros de estrada que deviam ser construídas - construíram apenas 31 quilómetros faltando por contruir 69 ou 49 quilómetros, etc. SOCORRO! Os deputados da situação (local e nacional) os presidentes das três camaras e os clientes não viram e nem ouviram nada disso. Que pena! Aliás, os deputados nacionais da situação têm em mãos o mesmo relatório sobre o “anel rodoviário” que contém - os dados vergonhosos - denunciados pelo cidadão e deputado Jorge Nogueira - só que por questão de fidelidade ao partido preferem ficar surdos e mudos. A ilha foi ignorada como sempre por esses senhores e senhoras que estão bem da vida à custa desta ilha e deste concelho. Pena! Como fica a consciência desses deputados da situação que deviam assumir-se como deputados da ilha e de Cabo Verde e que, no entanto, assumem- se como deputados do partido e como tal viajaram nestes últimos dias juntamente com os três presidentes das camaras da ilha para representar Fogo nos EUA? O discurso poético e lírico do Sr. presidente da camara municipal de São Filipe no ato da inauguração do “anel rodoviário” não foi mais do que uma mera tentativa de branquear a maior corrupção da história do nosso país. Haja paciência e tolerância! Em Santa Catarina houve, ao longo desses últimos anos, a denúncia sistemática que recai sobre os dirigentes da camara municipal que colocam - nas contas gerências despesas efetuadas em obras que não existem no terreno. Tais como: Na conta de gerência de 2008 – há uma despesa de 324.578$00 usada na construção de dois currais concelho; em 2009 uma despesa de 267.600$00 usadas na construção de um curral concelho; no mesmo ano ainda uma outra despesa de 52.000$00 usada na construção de um centro multiuso de Estancia Roque; na conta de gerência de 2010 uma despesa de 666.590$00 usada na construção de um Jardim infantil e centro multiuso em Monte Vermelho; em 2011 uma despesa de 48.400$00 usada na construção de jardins de Dacabalio e Monte vermelho; no mesmo ano uma outra despesa de 2.259.940$00 usadas na requalificação do Centro Multiuso de Estancia Roque. Todas essas despesas pagas e no terreno não há essas obras. Sério? Só conferir! Em 2012 há uma despesa de 870.400$00 usada para pagar subsídio de reintegração e ninguém recebeu essa quantia no gabinete do presidente; ainda no mesmo ano há uma despesa de 232.620$00 usada para comprar uma banheira para a casa do presidente. Na sequência das eleições autárquicas de 2008 e 2012 a camara cortou subsídio de estudos aos munícipes/estudantes que votaram na oposição; questionado o presidente da camara sobre essas práticas antidemocráticas numa das sessões de Assembleia municipal ele respondeu que enquanto presidente não apoia ninguém que não lhe apoia. Desde início da instalação do município implementou no concelho o nepotismo onde o caso mais gritante é a esposa do presidente com apenas 6ª classe a ocupar o cargo da secretaria do presidente; na sequência das eleições autárquicas a camara paga uma indemnização de 110 contos/mês por um período de 10 meses - fruto da vingança e perseguição politica; a camara mandou impedir os privados de explorar discoteca e boîtes nas festividades do Município de Santa Catarina em 2012. Uma atitude absurda e sem nenhum fundamento legal. São essas e outras práticas gritantes - que a oposição da ilha do Fogo e do concelho de Santa Catarina tem vindo a denunciar - cumprindo, assim, escrupulosamente o seu dever de fiscalizar que não lhe é exclusivo, mas também de todos aqueles que conscientemente usam o seu estatuto de cidadania. Todavia, muitos demitiram-se desse estatuto e assumem-se como clientes do partido ao ponto de pedirem publicamente na rede social os cidadãos para venderem os seus votos como forma de manter o partido no poder a todo custo. É o cúmulo da falta de ética, do desnorte, da desonestidade, da insinceridade, é tudo - inclusive o maquiavelismo no seu mais elevado grau. Esses indivíduos (não cidadãos) clientes do partido - são especialistas em desviar do essencial; normalizam, comparam e naturalizam o absurdo; fingem ser vítimas, etc. praticam - aquilo que o filósofo Brasileiro - Olavo de Carvalho chama de – “princípio da acusação invertida” - numa vã tentativa de enganar homens prudentes, mas no entanto, manipulam só e exclusivamente a mente dos idiotas. Enquanto esses clientes tentam em vão deturpar a verdade, desviar do essencial, normalizar, naturalizar e comparar o absurdo - trazendo discursos ofensivos, baratos e sem fundamentos - a oposição da ilha do Fogo e de Santa Catarina - recebe dezenas de mensagens e telefonemas de pessoas ligadas a academia, de pessoas idóneas e responsáveis, de autores de grandes obras, de intelectuais conceituados a parabenezirem-na pela atitude, desprendimento e ousadia em enfrentar um sistema perigoso que alimenta ódio, mentira, crime e sobretudo desonestidade. Em abono da verdade a oposição no Fogo e em Santa Catarina faz todo este abnegado trabalho porque aprendeu a conquistar tudo na vida a base do mérito e da competência e nunca conquistar algo à base de bajulação, expedientes ou usando o cartão de militância partidária. Eis a diferença. Esta oposição vive livre, dorme tranquila e anda de cara levantada conscientes das conquitas que a ilha e o concelho alcançaram/alcancem, dos atrasos provocados e dos obstáculos que tem de enfrentar para pôr a ilha e o concelho num patamar equiparado das suas potencialidades. Difícil, todavia - possível. Bem-haja oposição! São Filipe, 09 de Setembro 2014 Alberto Nunes |
| 25 Set 2014 OS SAPATOS QUE OS E SANTACATARINENES E FOGUENSES PRECISAM DESCALÇAR* Os recursos disponíveis devem ser aproveitados pelos homens de forma racional e inteligente no sentido de satisfazer as necessidades da população atual sem, no entanto, comprometer o futuro das gerações vindouras. Pelo menos é o que a maioria dos gestores e estudiosos defende quando se fala de desenvolvimento sustentável. Há, no entanto, regiões com mais recursos do que outras. Também há regiões com predominância de um tipo de recursos em detrimento de outros. Assim, nos países como Angola, Nigéria, Guiné-Equatorial, etc., a economia é baseada no petróleo; nos países como Congo, Guiné- Conacri, Burundi, Angola, etc., a economia é baseada em diamantes, ouro, alumínio, cobre, etc.; nos países como Togo, Ruanda, Benim - onde Cabo Verde pode ser inserido -, a economia é baseada na agricultura, exportação de algodão, café, chá, etc. (Cf. José Luís Livramento, 2013, pág. 89). Os recursos humanos, materiais, naturais, etc. são, sim, importantes. Precisam, porém, ser identificados e sobretudo aproveitados racional e inteligentemente por forma a contribuir para catapultar o desenvolvimento. Os recursos materiais e naturais devem ser articulados com os recursos humanos capacitados e qualificados para poderem surtir os efeitos desejados. Sem esses requisitos e articulações fica difícil promover o progresso e desenvolvimento no sentido mais moderno do termo. Dentro desta lógica pretende-se com este texto fazer uma reflexão sobre o concelho de Santa Catarina e a ilha do Fogo. Qualquer trabalho sério que visa tributar-se exige do seu produtor o conhecimento. É por isso que antes de proceder à escrita deste texto houve a necessidade de percorrer o território de Santa Catarina e do Fogo no sentido de ter acesso aos dados e estudos relacionados com o concelho e a ilha. Ao fazer este trabalho prévio, depara-se com uma quantidade enorme de recursos ligados à agricultura, à pesca, ao turismo, bem como uma valência forte ligada à emigração. Santa Catarina e o Fogo possuem também recursos humanos qualificados espalhados no concelho, na ilha, nas outras ilhas e na diáspora. Existem recursos humanos originários do concelho e da ilha formados em áreas diversificadas. Por esse caminho descobriram-se grandes potencialidades que - se bem aproveitadas – podem catapultar o concelho e a ilha para um patamar superior ao que se verifica neste momento. Relativamente aos recursos humanos, deteta-se que uns residem no concelho e na ilha, outros nas ilhas e outros, ainda, na diáspora. Trata-se de uma ilha com fortes recursos nos setores de agropecuária, piscatório, turístico e com uma valência forte na emigração. Conhecendo essas realidades, é caso para dizer que o concelho e a ilha não podem continuar com o nível da pobreza que têm agora e com a sequente fuga dos seus recursos qualificados. Pois denota-se que, apesar dessas potencialidades reconhecidas pelos filhos do concelho e da ilha, pelos diversos governantes locais e nacionais, bem assim pelos estudiosos, o Fogo ocupa hoje o sexto lugar a nível nacional. Aliás, hoje fala-se em termos de desenvolvimento: Santiago, São vicente, Sal, Boa vista, Santo Antão, Fogo, etc. Lembrem-se que no passado já houve tempo em que se falava de Santiago, Fogo e das demais ilhas. O concelho de Santa Catarina tem, segundo dados do INE referentes a 2013, uma taxa de pobreza de 59 por cento (%). Como entender então a existência desses recursos no concelho e na ilha e o lugar que o Fogo ocupa em termos de desenvolvimento no contexto nacional e os dados da pobreza existentes em Santa Catarina? Há um claro paradoxo que precisa ser resolvido, sob pena do concelho e da ilha continuarem sistematicamente a assistir a um processo de desenvolvimento adiado. Dados recolhidos em conversas com as pessoas nas diversas localidades do concelho e da ilha, bem como as conversas travadas com quadros que vivem fora, indicam alguns fatores que têm estado a travar o progresso e o desenvolvimento do concelho e da ilha tais como: - A excessiva partidarização. Esta realidade constitui um entrave forte e dificulta sobremaneira a conciliação entre as potencialidades naturais e materiais existentes e os recursos humanos disponíveis. A ilha e o concelho foram administrados, nestes últimos anos, por militantes - muito deles sem qualificação técnica e científica e sobretudo sem uma profissão específica -, numa perspetiva de voto e de eleição como forma de defender o emprego. Não houve - como não há - uma visão clara do que se deve fazer para atingir determinadas metas ou determinados objetivos que visam o progresso e o desenvolvimento do concelho e da ilha. Os instrumentos de gestão existentes, como PDM, PDU, PED, PAM, etc., que são importantes orientadores de promoção de gestão qualificada, orientada, rigorosa e que têm como finalidade promover critérios uniformizados, espelhar estéticas e justiça são postos nas gavetas após a socialização. Todavia se, porventura, houver necessidade de implementa-los e na sua execução acontecer algo que põe em evidência interesse coletivo com interesse deste ou daquele militante que é uma fonte de voto para quem se encontra no poder, os decisores privilegiam sempre o militante em detrimento do interesse coletivo. Muitas vezes, as orientações plasmadas nesses instrumentos são aplicadas não em função do que está escrito, mas sim na lógica de beneficiar este e prejudicar aquele. Tendo em conta que o conceito de desenvolvimento é qualitativo - e não quantitativo -, este tipo de comportamento e mentalidade reinante atropela de que maneira o progresso e o desenvolvimento do concelho e da ilha. - Endeusamento do partido e de figuras partidárias. É, sem dúvida, um outro elemento bloqueador do processo de progresso e desenvolvimento do concelho e da ilha. O partido, que deveria ser entendido como um instrumento do bem ao serviço das pessoas, tendo em conta o nosso sistema, é encarado no concelho e na ilha do Fogo como um meio para atingir determinada realização pessoal e de provocar infelicidade de quem fica fora dele. - A ausência de debates sérios e francos. No concelho e na ilha do Fogo, os detentores do poder, bastas vezes manipulam e bloqueiam qualquer iniciativa promovida fora do âmbito do poder como forma de serem eles os únicos promotores de eventos e atividades. Quando as atividades são levadas a cabo por eles selecionam os recursos humanos que devem participar e normalmente primam sempre para os quadros que quando o palestrante termina a sua intervenção batem palmas e congratulam com a ideia exposta e não podem fazer crítica e nem tão-pouco descordar. O encontro no concelho dos Mosteiros no mês de Agosto para comemorar um ano da parceria tripartida entre as três camaras da ilha é um exemplo ilustrativo destas práticas. Os quadros de descenso são excluídos. Pois, a exclusão destes contribui para a promoção daqueles. Quando a iniciativa de promoção de evento parte de cidadão estranho ao poder aparecem homens no poder a entrar no evento no sentido de meter partido no meio. Esta prática é visível mais nos concelhos de Santa Catarina e dos Mosteiros. - Uso de Recursos do Estado para fins partidários e pessoais. A promoção de atividade com recursos do Estado encarada como atividade do partido. Esta tem sido uma prática recorrente praticada pelos homens no poder visto e contestado por todos. Uns contestam ao público e outros as escondidas consoante a dependência. Aqueles que não dependem do poder e que são livres manifestam livremente o seu descontentamento em relação a este ato repudiado no estado de direito e os que dependem e que são intimidados e chantageados manifestam-se com medo e não no público. Vencer o Mendo. O concelho e a ilha precisam vencer o Medo e combater fortemente a manipulação da consciência. As práticas de corte de subsídios de estudos aos estudantes; de despedimentos de funcionários e depois pagar indeminizações com dinheiro do Estado; a tomada de terreno e de casa, etc. têm colocado os pobres do concelho e da ilha numa situação delicada. Sem outra saída, esses pobres são obrigados a votarem para manter esses militantes do partido no poder conscientes que estão a prejudicar o concelho e a ilha. Porém, entendem que é uma forma de evitar a perseguição e vingança no período pós-eleições. Viciação eleitoral. É de sobejo conhecimento que o processo eleitoral no concelho e na ilha é uma farsa. De tantos vícios eleitorais, as pessoas da ilha e do concelho estão a desvalorizar equipas e plataformas para apoiarem os potenciais vencedores, mesmo sabendo de antemão que esta vitória é baseada em fraude só para poderem comemorar no fechar das urnas e chorar durante o período do mandato. Aliás, o Jurista, José Henrique Freire num dos seus artigos disse e bem que na ilha do Fogo muitas pessoas votam só para poderem queimar pneus e depois chantagear os elementos da oposição. União à volta do partido e não à volta dos problemas e soluções da e para ilha. As pessoas do concelho de Santa Catarina e da ilha precisam unir-se à volta da ilha, do concelho e dos problemas que entravem o progresso e o desenvolvimento ao invés de se unirem para defender o partido. Enquanto a prioridade das pessoas do concelho e da ilha do Fogo continuar a ser - partido e o partido no poder - independentemente do candidato e da plataforma – o concelho e a ilha vão ver os recursos existentes a adormecerem e o progresso e desenvolvimento do concelho e da ilha a serem adiados. Quem está no poder já afirmou que não está interessado que a situação do concelho e da ilha munda, pois, assim como está para eles é melhor. A situação real de Santa Catarina e da ilha do Fogo exige, pode até parecer exagero mas não é, de missionários altamente vocacionados para trabalharem dia e noite no sentido de desmontar toda essa teia que, por sua vez, criou uma mentalidade perigosa e uma cultura político- partidária doentia. Bem-haja missionários para essa Messe! São Filipe, 19 de Setembro de 2014 Alberto Nunes | albertonunesia@gmail.com *Título adaptado de um artigo do escritor moçambicano Mia Couto |
| 1 Out 2014 Uma análise do livro: NUNES, Alberto: Ilha do Fogo & Cabo Verde uma visão crítica e multifacetada. [S/Editora] São Filipe. 2013. Quero iniciar essa análise tecendo dois comentários sobre o autor, Alberto Nunes. Tenho a honra de ter sido o seu aluno na Escola Secundária Dr. Teixeira de Sousa (São Filipe, ilha do Fogo). Primeiro, lembro-me de suas aulas de História, desviando do cânone, ensinando e instigando-nos a refletir além daquilo programado nos livros - estes que já vinham com uma história contada-; e hoje, lhe sou muito grato! Segundo, após a leitura deste livro confirmei a minha suspeita, trata-se de um intelectual dinâmico: escreve com e para o seu povo, com as demandas do seu tempo e do seu espaço; e ainda, sai na luta para defender aquilo que ele entende de compromisso político, firmado em um regime democrático. Entretanto, me foi estendido outra função; não de exaltar as qualidades intelectuais e pessoais do autor que são muitas; mas sim, elaborar uma análise crítica sobre a sua referida obra. Peço permissão/desculpa para fazer uma análise, não seguindo a apresentação sumária dos artigos, mas, a data em que eles foram escritos. Isso me permitirá visualizar certos padrões/rupturas de pensamento do autor que explorarei em seguida. O livro é um produto de vários artigos publicados em diversos meios de comunicação social (internet, jornais impressos e virtuais e página pessoal nas redes sociais); isso ilustra o quanto o autor gosta de partilhar as suas reflexões; e se colocar ao serviço do povo. É um livro que não se titubeia na sua empreitada, apresenta-se de imediato: uma obra política; sendo assim, o compromisso com o cunho político é levado muito a sério. O primeiro artigo (A Criação dos Novos Municípios em Cabo Verde) inaugura de forma involuntária a discussão sobre o que pode ser o processo político como forma de alcançar o consentimento; quando o autor desenterra a Conferência de Berlim (1884-1885) rememorando um dos aspectos mais importante da política: o processo de tomada de decisão. No caso da conferência de Berlim sabe-se o que houve: os interesses atenderam exclusivamente às potências da época que ignoraram totalmente o povo africano; este, por sua vez, foi obrigado a assistir o seu território e a si mesmo serem esquartejados e a sua soberania ser assaltada. Ao longo dos séculos essas potências impuseram seus valores no continente, inclusive o modelo de democracia. Obviamente que a proposta do autor não é sobre isso. A obra concentra-se na vida política de Cabo Verde em geral, e na ilha do Fogo em particular. Mas, não é um relato, ou, um desabafo sobre o assunto. Trata-se de uma denuncia sobre a ausência da política. E o que é a política? De forma inaugural, significa a liberdade, citando Hannah Arendt, “a política baseia-se na pluralidade dos homens” (ARENDT, 2013, p. 21); homens que se dialogam livremente e em pé de igualdade. Portanto, toda a vez que a liberdade, a pluralidade e a igualdade forem obliteradas, os membros da comunidade tem o dever de lembrar aos políticos esses valores. É isso que o Nunes faz no referido livro; ao lembrar que o poder político deve ser partilhado, não por que indivíduos têm de ser solidários; porque de fato trata-se de uma arena temática na qual impera o estado de natureza hobbesiano. Porém, partilha-se o poder porque a sociedade deveria funcionar como uma engrenagem, movimentando-se de maneira sincrônica; caso contrário, uma peça solta leva ao descarrilamento social; “sem o trabalho de todos nós, cada um na sua área, não podemos crescer e tão-pouco desenvolver.” (NUNES, 2013, p. 61). Nesta linha de raciocínio, ter poder é ter responsabilidade. Ao comparar o poder político com o ovo, Joseph Ki-Zerbo aponta que “o poder quando apertado com muita força parte-se nas mãos, mas quando não é agarrado com firmeza, pode deslizar da mão e partir-se também... é necessário exercer o poder, nem com demasiada severidade, nem com demasiada negligência.” (KI-ZERBO, 2006, p. 64). Ele contrasta o poder a algo muito importante: a um ovo que “encerra um germe: a vida.” Ou seja, “quem está no poder detém a vida das pessoas”. Sem embargo, isso não quer dizer que é o povo que depende do político; muito antes, o contrário. Contudo, ao lembrar os políticos sobre esses valores, ou denunciar os abusos por eles cometidos, paga-se um preço alto “… a nossa pessoa passa a ser alvo de esteriotipação, de difamação, de calúnia. Muitos que nos cumprimentam não nos estendem a mão… fingindo que não somos ninguém!” (NUNES, 2013, p. 16). Isso porque o Nunes desafia o povo a participar da Res publica, coisa pública, que lhe é de direito em um regime político democrático. No entanto, o povo nem sempre sabe que pode participar. Acha que a sua obrigação é só na eleição. E o processo de participação vai além do mero exercício de voto; “constitui a participação na escolha daqueles que tomam as decisões… a sua função é a da proteção do indivíduo contra decisões arbitrárias dos líderes eleitos e a proteção de seus interesses privados.” (PATEMAN, 1992, p. 25). Em sociedades com poucas informações, de entre elas, as africanas, o povo desconhece o poder que tem nas mãos: o poder de colocar e triar um político, ou, exigir dele maiores compromissos quando os interesses da maioria não estão sendo contemplados. Neste sentido, é preciso, de acordo com o Nunes, que se assume a responsabilidade, ou, “assumir com responsabilidade a sua atitude”. Haja vista que é a sociedade a malabarista dos atores políticos; equilibrando-os para não tropeçarem e caírem na corrupção. Assim como o boneco depende do malabarismo do ator/bonequeiro, assim também o político depende do povo. Sem ele o político não tem voz e nem autonomia para se movimentar. Porém, vive-se num espaço em que “a sociedade civil deixa de ter a sua ‘vez’ e a sua ‘voz’” (NUNES, 2013, p. 40); desse modo, em um palco marcado por monólogo perde-se todo o espetáculo democrático. Isso porque foi roubada ao povo a liberdade de votar de maneira consciente e livre; vota-se pelo medo, ou pelo “saco de cimento” recebido. Em vários países da África, o povo acha que carros bonitos, comida boa e “Palácio Presidencial e do El-Rei” são privilégios somente dos políticos. Isso foi uma inverdade, inculcada no povo para que se perene na sua miséria, enquanto o político desfrute dos privilégios do poder que lhe foi delegado, e não dado. Não à toa, que Amílcar Cabral, na luta de libertação nacional sugeriu que o Palácio do Governo de Guiné Bissau fosse transformado numa casa da cultura para o povo; isso era importante, o povo precisava entender que venceu o colonialismo. (VILLEN, 2013); mas também, precisava desfrutar do sossego conseguido ao custo do seu sangue. Em uma democracia isso é crucial, o povo precisa viver a democracia e os benefícios proporcionados por ela. A democracia como um sistema político “que tem como uma de suas características a qualidade de ser inteiramente, ou quase inteiramente responsivo a todos os seus cidadãos.” (DAHL, 2005, p. 26) e é fortemente inclusivo e amplamente aberto à contestação pública. Contesta-se não porque “Bó ê Kontra”, mas, porque não se pode contentar com a mísera falácia democrática. Contesta-se também silenciosamente, e isso não pode ser confundido com o consentimento (NUNES, 2013). Para o Nunes, contestar tem o seu preço; ser ignorado pela sua própria gente, em razão do autor não ficar riba kutelo, embora anseie pela neutralidade; mas, a política não permite a neutralidade. E de onde ele fala? Fala na maioria das vezes, a partir de dois municípios da ilha do Fogo (São Filipe e Santa Catarina). A sua denuncia é sobre a não importância atual da ilha do Fogo no quadro cabo-verdiano. Sabendo que outrora (Séc. XVIII) foi a segunda ilha mais importante do país, após a ilha de Santiago, “inícios do século XVIII, a ilha do Fogo começou a perder algumas prerrogativas, mormente com o povoamento de São Vicente… e, em particular, com a construção do cais na Baía do Porto Grande.” (Ibidem, p. 19). Mas, na sua visão o entrave maior à ilha tem sido a gestão política do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-1981-), levando ao seguinte questionamento: “o Fogo ganhou ou está a ganhar com o PAICV?” (Ibid., p. 21). No embalo desta pergunta, a indagação parece muito mais profunda; ela se assenta nos indivíduos a frente do partido, e não meramente no próprio partido; pois, “criticamos durante muito tempo, não o PAICV… mas sim o sistema montado por alguns homens afectos a este partido aqui no Fogo e em Santa Catarina.” (Ibid., p. 45); “estes indivíduos são os maiores responsáveis pelo atraso e entrave desta ilha.” (Ibid., p. 29), criam para si um mundo paralelo, “o clientelismo, o “amiguismo”, a ideia de perpetuar o partido e algumas pessoas no poder... esses aspectos são, sem sombra de dúvidas, elementos que impedem o progresso da ilha.” (Ibidem, p. 34). Porém, quem são esses partidos? PAIGC, PAICV e MpD. No seu livro, seria esclarecedor um enquadramento introdutório sobre cada um deles. Pois, entender o papel do PAIGC na luta de libertação de Guiné e de Cabo Verde é tão importante quanto entender o que a liberdade política simboliza para o povo cabo-verdiano em geral, e para a ilha do Fogo em particular. Obviamente que o “PAICV de hoje tem pouco ou nada a ver com o PAIGC que foi fundado por Cabral e outros camaradas.” (Ibid., p. 28); e o autor reconhece a mudança do PAIGC de Amílcar Cabral e outros, ao PAICV comandado pelo Aristides Pereira - como o seu primeiro Secretário-Geral em 1980 -; inclusive, “a nossa inspiração ideológica tem como fonte principal Amílcar Cabral (altruísta revolucionário).” (Ibidem, p. 49). No entanto, nem todas as pessoas, no caso da ilha do Fogo percebem as diferenças e ou mudanças decorridas a partir de 1980. Ainda se escuta muito: PAICV ki danu liberdadi. Seria interessante também, aproximar estes partidos (PAICV, MpD) ao espectro ideológico. O que são partidos de direita, de esquerda, centro- esquerda, centro-direita? Na verdade, estes termos antitéticos não dizem respeito somente ao pensamento ideológico. “Esquerda e Direita indicam programas contrapostos com relação a diversos problemas cuja solução pertence habitualmente à ação política.” # (BOBBIO, 1995, p. 33). A oposição diz respeito à “união de pessoas ou grupos que objetivam fins contrastantes com fins identificados e visados pelo grupo ou grupos detentores do poder econômico ou político.” (BOBBIO et al, 2004, p. 846). No que tange à sua função, convencionalmente ocupou-se da crítica. No entanto, a crítica não é o ponto de partida da oposição. A crítica deve ser vista como o resultado, proveniente das ações, manobras e das propostas realizadas pela oposição no seu ativismo político. No referido livro quem critica, não é a oposição - o que rubrica a ideia da fraqueza da própria oposição na democracia contemporânea-; é o Nunes como intelectual, já que ele afirma: “o nosso comportamento neutro relativamente a esses partidos…” (NUNES, 2013, p. 43), - por estar no plural, entende-se MpD e PAICV-. “Não somos e nada temos contra o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV).” (Ibidem, p. 48). Se assim o autor é, faltou análise também sobre a gestão do MpD, despido de timidez; da mesma maneira, criticar com mais veemência, o baixo engajamento crítico de seus demais colegas intelectuais em refletir sobre o estado da política na ilha do Fogo, e em Cabo Verde de uma maneira geral. Mas o debate está sendo lançado por ele; faltam mais pessoas a engajarem nesta empreitada. Talvez, à sua visão, ninguém quer ser visto como contra, “os foguenses estão presos ao binómio PAICV-MpD e acabam por “matar” a sociedade civil.” (Ibidem, p. 39). No entanto, o autor não é um crítico solitário, reconhece também quando as coisas se deslancham (ver o artigo: Fogo-O Prelúdio de uma nova Era, p. 63; A Verdade Como Arma da Liberdade, p. 145). Na sua atividade crítica, Nunes se respalda nas ideias de Cabral, que foi um dos grandes combatentes da liberdade, principalmente a liberdade intelectual e política na África, pensador, crítico do colonialismo; foi um expoente da educação como o motor de mudança. Infelizmente, “homens desse calibre estão a desaparecer.” (Ibidem, p. 129). Pode-se complementar, não só homens, mas, a própria escola, como o espaço de crítica e de reflexão está a desaparecer. A escola, agora, moldada para atender as demandas do mercado, esqueceu-se do seu compromisso de reflexão e da crítica sobre o estado da sociedade; “as escolas precisam ter professores reflexivos, brilhantes e, sobretudo fascinantes.” (CURY apud NUNES, 2013, p. 138). Cabral criticou o sistema colonialista, imperialista (e eram tratadas como faces de uma mesma moeda), tema também estudado pelo Nunes, no âmbito da política local. Mas o que é o sistema? Do qual o autor fala, não é o sistema político. Nunes denuncia o sistema que é muito maior que isso tudo e não pode ser visto. Mas, os seus efeitos são visivelmente sentidos. Porém, o sistema não foi criado agora. É uma ramificação de outrora. Quando se disse que “o negro não apresentava condições para autogovernar.” (NUNES, 2013, p. 134); quando ludibriou o povo que não tinha nem heróis e nem intelectuais, nem arte, e nem literatura:” foi-nos inculcado por alguém que o Dr. Henrique Teixeira de Sousa era mau escritor, aliás, que era o pior de Cabo Verde.” (Ibidem, p. 55). É o mesmo de agora, que aliena o povo, enclausurando-o numa miséria estrutural. De fato, é “um sistema injusto, vergonhoso, vingador, racista, preconceituoso.” (Ibid., p. 47). Só se reverte o sistema mexendo na sua estrutura. Contudo, não se inicia a reversão pelo seu núcleo duro, e sim pelas camadas superiores, pelas beiradas. Encurralar o sistema, até se chegar ao centro. Isso só se faz, por meio da maior participação da sociedade na política, exigindo a prestação de conta do seu representante e fiscalizando o seu trabalho. Pedro Matos Doutorando em Relações Internacionais (PUC-Minas) Correio eletrônico: matooscv@hotmail.com Obras referenciadas ARENDT, Hannah. O que é Política? Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013. BOBBIO, Norberto et al. (Orgs)- Dicionário de política. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1 la ed., 2004. BOBBIO, Norberto. Direita e esquerda: razões e significados de uma distinção política. São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1995. DAHL, Robert. Poliarquia: Participação e Oposição. Editora da Universidade de São Paulo, 2005. KI-ZERBO, Joseph. Para quando a África? : Entrevista com René Hollenstein. Rio de Janeiro: Pallas, 2006. PATEMAN, Carole. Participação e teoria democrática. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992. VILLEN, Patricia. A crítica de Amílcar Cabral ao colonialismo: Entre a harmonia e a contradição, 1. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2013. |

| ILHA DO FOGO E SANTA CATARINA – A QUESTÃO DO (SUB) DESENVOLVIMENTO “Não apague a lâmpada do outro para que a sua possa brilhar!”. Mahatma Gandhi O sucesso da administração, das coisas públicas, nas sociedades modernas está relacionado com estudos prévios, recolha de subsídios, socialização de estudos, debates de ideias, elaboração de planos e orçamentos de forma participativa. Esta estratégia praticada hoje em vários países do mundo e com sucesso precisa ser implementada na ilha do Fogo com urgência a bem da instituição de uma sociedade diferente desta onde vivemos. Pois, aqui quem se encontra no lugar da decisão exclui intencionalmente quadros qualificados (por estes pensarem diferentes e criticam o que está errado) e absolve quadros/militantes bem como promove concursos viciados deixando de lado mérito e competência, criando espaço para o cultivo da mediocridade como forma de alimentar o próprio ego. Os dirigentes investem-se na mediocridade no intuito de trazerem para si indivíduos obedientes, sem opinião, sem posição, que endeusem o chefe e que são obrigados a bater palmas e sempre dizer sim senhor. Esta prática perversa à excelência e ao mérito, levada a cabo por esses homens que ocupam circunstancialmente o poder, contrasta com uma das máximas de John Maxwell acerca da liderança onde o autor afirma que “grandes líderes escolhem bons colaboradores” no entanto, combina também com uma outra máxima do mesmo autor que diz “líderes fracos escolhem péssimos colaboradores”. Pensa-se que as pessoas que assumem lugares de decisão não devem ter medo de debates, ou de ideias contrárias, principalmente no Estado de Direito Democrático como o nosso. Afinal, esses requisitos são ingredientes da democracia e Cabo Verde é um país democrático desde 1991. A implementação da democracia no nosso país custou caro ao povo cabo-verdiano. Este povo que batalhou, contra seca, fome, ditadura, etc. deve continuar a lutar para evitar que um grupinho amante da ditadura põe em causa a liberdade e democracia – bens raros neste nosso continente – a África. Este introito leva-nos a refletir seriamente sobre a Sessão da Assembleia Municipal de Santa Catarina do Fogo, decorrida no dia 27 de Setembro do corrente ano. Para ser sincero saímos daquela sessão, na qualidade de munícipe, triste e preocupado com o rumo que o nosso concelho tomou. Durante e depois da sessão refletimos e perguntamos a nós mesmos: como compreender uma pessoa do tipo do nosso presidente de Assembleia Municipal que apesar de possuir tanto conhecimento e experiência na administração consegue, no entanto, aceitar, conviver, apreciar e aprovar documentos carregados de irregularidades, ilegalidades, etc. com toda tranquilidade!? Será que no disco duro desse e dos outros senhores do sistema existe o único ficheiro que contem a palavra – PODER? Esse poder serve para resolver interesses pessoais e partidários independentemente da lei, moral ou ética. Quem vive em Santa Catarina percebe, sem muito esforço, que aqui, a nível da administração pública, perdura apenas o interesse pessoal e partidário. Aliás, os interesses do concelho e dos munícipes foram subordinados, pelos homens no poder e seus apoiantes, ao interesse pessoal e partidário. Pena que muitas pessoas percebem este mal que tem assolado o nosso concelho, porém, preferem ficar caladas por uma questão de salvaguardar os seus interesses e os do partido. É, deveras, preocupante a dimensão desta realidade! Meu Deus do céu, como é possível, em pleno século XXI, apreciar e aprovar uma Deliberação como a que aprova a criação e cobrança de uma taxa de entrada ao Parque Natural do Fogo através do serviço de Portagem em Curral d´Asno, sem estudo prévio, sem socialização, sem ouvir a população da Chã das Caldeiras (localidade no interior do Parque) sem ouvir os operadores económicos, turísticos, etc., sem que os deputados lessem e entendessem convenientemente o conteúdo do documento e sem prever seriamente o impacto que isso poderá causar à localidade da Chã das Caldeiras, ao concelho, à ilha e ao país! O argumento do líder da bancada da situação de que a introdução desta taxa irá aumentar o fluxo do turismo é, no mínimo, ridículo. Pois, trata-se de um argumento sem fundamento sabendo que não existe um estudo que nos oriente para tal. Trata-se, simplesmente, de uma afirmação especulativa que visa justificar o voto a favor da bancada da situação. Como pode um cidadão do tipo do presidente da Assembleia não perceber que a Câmara mandou cortar água para os munícipes presentes na sessão garantindo assim este liquido apenas aos eleitos? Na Sessão anterior pedimos a funcionária da Câmara uma garrafa de água e percebemos algo de anormal, pois, ela fingia não ver e nem ouvir o nosso pedido. Demos, no entanto, o benefício da dúvida. Chegando nesta última sessão entrou de novo na sala da Sessão com uma caixa de água e começou a distribui-la apenas aos eleitos e os munícipes ficaram de queixo caído com essa atitude tão mesquinha. Um munícipe presente chamou a atenção dos presentes para este facto e a Câmara nas respostas como sempre ignorou a preocupação desse munícipe. Um outro aspeto que tem sido prática nas sessões da Assembleia tem a ver com a omissão por parte do Sr. Secretário da Assembleia relativamente às afirmações ofensivas e pouco pedagógicas do Sr. presidente da camara. Na Sessão anterior, nós, os munícipes, colocamos um conjunto de preocupações à Câmara e ao Sr. Presidente e este em respostas disse publicamente que não iria responder PORCARIAZINHAS. Este facto foi posto na ata da seguinte forma, citamos: “-A certa altura da sua intervenção o Presidente utilizou a palavra “ porcariazinha “ e imediatamente foi chamado atenção pelo Presidente da Mesa da Assembleia e reconsiderou-se pedindo desculpas pelo que disse;” Tem sido recorrente por parte do Sr. Presidente da Câmara usar expressões do tipo para responder aos munícipes. O Sr. presidente já apelidou as intervenções dos munícipes de – “Discursos de Macaquinhos”, bem como, já afirmou em plena reunião da Assembleia que NÃO APOIA QUEM NÃO O APOIA e o secretário da Assembleia intencionalmente omitiu tal expressão na ata, alegando que é irrelevante. Pena é ver esse mesmo secretário a introduzir suas intervenções nas sessões da Assembleia apelando pela ética! As atividades promovidas pelas Câmaras da ilha com recursos públicos onde são convidados apenas indivíduos obedientes e do sistema para ouvirem discursos do chefe, bater palmas e propagando nas ruas que o palestrante é inteligente é, no mínimo, absurdo no mundo de hoje. A comemoração do aniversário da parceria tripartida nas festividades do dia do município dos Mosteiros; o II fórum do Desporto em Santa Catarina; o programa “Djarfogo na Merca” e o ato de empossamento do Curador e os respetivos membros, etc. são exemplos que ilustram sobremaneira a exclusão de quadros a favor dos militantes. Todavia, como já dissemos, hoje quem tem medo de debates, de ideias adversárias e que cirurgicamente excluem quadros qualificados de fórum, palestras, Workshops, etc. não elabora estudos, não planifica, não define estratégias e metas está condenado ao fracasso e ao insucesso, pelo menos a longo prazo. Toda essa manobra vigente na nossa sociedade que visa escamotear a verdade/realidade serve apenas para adiar o desenvolvimento e o progresso dessas regiões. A prática de desviar de questões essenciais e trazer para o centro do debate questões da superfície, que faz escola na nossa sociedade, deve ser banida com urgência. Ao excluir mérito e competência o medíocre triunfa. A partir desta prática pode-se compreender perfeitamente o alerta do pacifista Mahatma Gandhi: “Não apague a lâmpada do outro para que a sua possa brilhar!” Cidade de Cova Figueira, 12 de Outubro de 2014 Alberto Nunes |
| “NÃO TENHAIS MEDO”! “Pois Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio”. 2 Timóteo 1:7 Nas minhas visitas, vivencias, estudos e sobretudo observações críticas tenho estado a constatar que muitos homens e mulheres desta nossa terra não querem deixar o poder. Aliás, o poder tornou-se, para eles, um vício e para manter-se nele estão disposto a fazer de tudo: vingar, perseguir, chantagear, manipular, caluniar, comprar, cortar, sonegar, bloquear, mentir, etc. Ao conversar com algumas pessoas no intuito de analisar a mentalidade reinante percebe-se, com muita clareza, que muitos já estão tão habituados a sentar-se na fila de frente e já não conseguem se sentar no meio da multidão e tampouco na última fila; Uns já habituaram-se a cargo de chefia que já não sabem ser súbditos e nem querem voltar ao cargo da carreira; Uns deram início à carreira profissional no topo, têm, hoje, o complexo de irem à base; Uns habituaram-se a viver com dinheiro para além do seu salário, chegando ao ponto, que o pouco não lhes satisfaz; Uns habituaram-se a andar de carro do Estado com combustíveis pagos com impostos dos contribuintes até ao ponto que já têm medo de andar à pé ou comprar carro pessoal e usar combustível com o dinheiro do próprio salário. Uns habituaram-se a favores que não conseguem lutar pelo mérito e competitividade; Uns habituaram-se a usar coisas do Estado para fins pessoais e familiares e ficam incomodados quando têm de usar recursos próprios para satisfazerem seus próprios problemas; Uns habituaram-se a obrigar os seus funcionários a chamarem-lhes de Doutores, etc. Esta realidade é preocupante se se comparar com a dos jovens e chefes de famílias desempregados há vários anos; com a dos jovens recém- formados que recorreram à banca para obter empréstimo e fazer formação superior e consequentemente liquidar a dívida após a formação e que infelizmente se encontram no desemprego; com a realidade vivida pelos habitantes de Chã das Caldeiras após a última erupção vulcânica; com a redução do poder de compra das famílias nestes últimos anos; com a estagnação do salário e sobretudo com a falsa implementação do PCCS; com os acordos assumidos entre o Estado e os parceiros e não cumpridos pelo próprio Estado; com o atraso na devolução do IUR aos funcionários e às empresas; com o crescimento económico anémico; com empresas falidas, principalmente, as de construção num período em que houve muitas obras de infraestruturação do país; com a corte de bonificação de habitação a algumas famílias bem identificadas, etc. Temos estas duas realidades. É claro que os homens que querem manter-se no poder a todo custo vão usar as artimanhas supramencionadas violando todas as Normas da República porque o que está em jogo é a perda do poder e consequentemente as mordomias. Usarão, de certeza, como sempre usaram, os fanáticos partidários (pobres) para a concretização dessa “missão”. Porém, os que estão a viver em situação difícil devem lutar incansavelmente e SEM MEDO para derrubar este status quo montado por esses homens e mulheres que detém o poder e que primam sistematicamente para a criação de um abismo entre os homens em termos de oportunidades e de liberdade de opção como forma de se perpetuarem no poder. É a técnica de empobrecer para dominar. Meu apelo é: Que ninguém se deixe ser condicionado com recursos públicos! Afinal, esses recursos não pertencem a nenhum partido político. Um cidadão esclarecido é muito importante no desenvolvimento de uma nação. Cidade São Filipe, 01 de Setembro de 2015 Alberto Nunes |
| 15 Out 2015 O GOVERNO ESTÁ SEM SOLUÇÃO PARA AS FAMILIAS DE CHÃ DAS CALDEIRAS É preocupante a situação das famílias de Chã das Caldeiras, dez meses e dezanove dias, depois da última erupção vulcânica. O governo, as câmaras municipais da ilha do Fogo, algumas instituições públicas e ONGs receberam donativos (dinheiro, portas, madeiras, cimento, verguinhas, TV palmas, etc.) cujo objetivo, é resolver os problemas dos desalojados na sequência da última erupção vulcânica. Aproximadamente, dez meses e dezanove dias se passaram, muito pouco, a população de Chã, o povo de Cabo Verde sabem sobre o paradeiro dos donativos. Os responsáveis, ao receberem, os primeiros donativos, prometeram, publicamente, o apoio aos empreendedores de Chã que havia perdido bens, prometeram, também, a construção, em tempo record, da Adega provisoria do Vinho (inclusive o governo lançou com pompa a primeira pedra), prometeram divulgar trimestralmente a quantia dos donativos, prometeram ser transparente, prometeram enfim tudo, na verdade, não passou de promessas. Aliás, este governo habituou-nos às promessas incumpridas. Pena é que muitos continuam a acreditar neste governo e no primeiro-ministro! Há ainda quem os defendem, mesmo sabendo das promessas falsas. Com os parcos recursos, após a erupção, a população de Chã das Caldeiras construiu o acesso à Portela e Bangaeira. Muitos estão a construir, com recursos próprios, suas novas habitações. A empreendedora - Mariza de Pina, sem pensar nas promessas do Primeiro-Ministro, resolveu em tempo record, construir o maior empreendimento turístico de Chã das Caldeiras, no período pós erupção vulcânica, de 23 de Novembro de 2014. Há sim, forte engajamento da população de Chã das Caldeiras na reconstrução dessa localidade e no Auto realojamento. O governo, as câmaras locais e as ONGs que detêm os donativos destinados aos habitantes desalojados mostram-se indiferentes e menos preocupados. Esta atitude de desleixo por parte de quem deveria ter uma atitude proactiva é, no mínimo, grave e induz às pessoas do bem a desacreditarem nas instituições. O governo de Cabo Verde com todos os donativos recebidos não conseguiu, até este momento, dar uma resposta cabal em termos de realojamento definitivo a essa população. Mas, meu Deus do céu, como as famílias de Chã conseguem fazer construções com parcos recursos e o governo com tanto dinheiro e material arrecadados não conseguiu construir uma moradia inda sequer!? Os fóruns realizados não passaram de teatro para gastar os donativos e trazer amigos para ilha do Fogo sem que houvesse um resultado positivo para a população de Chã das Caldeiras. O gabinete da reconstrução da ilha do Fogo não passa, também, de expressões bombásticas, do nosso primeiro-ministro que resultam sempre em NADA. Os seus membros estão espalhados, outros de férias a aproveitarem o bom da vida e o povo de Chã a sofrer e esperar pelo bel-prazer desses senhores. Ao aproximar as eleições aparecem como “milagrosos” com esses donativos alheios a chantagear, manipular e perseguir pessoas, em troca da manutenção de poder. Aqui, nesta ilha, tudo é medido pelo poder. Tudo é feito para manter-se no poder. Para entender os reais problemas das pessoas de Chã das Caldeiras, ao longo deste período, urge a necessidade de se colocar na situação delas. Pessoas que viviam com muita independência, a trabalhar sistematicamente garantindo assim a sua auto-suficiencia, e de um momento para outro, perderam tudo que possuíam, e passaram ao desemprego, dependência prolongada e sobretudo humilhadas. Ontem tive a oportunidade de ouvir de novo os clamores dessas pessoas é, deveras preocupante. Pena é que muitos perderam a sensibilidade humana em troca de interesses pessoais e partidários! É necessário, nesta ilha, a união de vozes para bradar pelo respeito para com as pessoas, bem como, perguntar aos responsáveis que detêm os donativos dos desalojados, onde estão esses donativos? São Filipe, 12 de Outubro de 2015 Alberto Nunes |
| 11 Nov 2015 A DOLOROSA SITUAÇÃO DAS FAMÍLIAS DE CHÃ DAS CALDEIRAS Estivemos, nestes últimos dias, a refletir sobre a última erupção vulcânica (23 de Novembro 2014) e as consequências advenientes para as famílias de Chã das Caldeiras. Na sequência dessa reflexão, sentimos a necessidade de falar com algumas famílias oriundas daquela localidade, residentes há aproximadamente um ano, em Achada Furna e Monte Grande com objetivo de nos inteirar da situação atual. Na verdade, nada melhor do que um posicionamento com base nos dados, a fim de evitar, o quanto possível, especulações. A referida erupção engoliram - os povoados de Portela, Bangaeira e uma parte de Ilhéu de Losna, bem como, uma boa percentagem de terrenos agrícolas. As famílias perderam suas moradias e alguns pertences. Face a esta cruel realidade natural, os cabo-verdianos residentes e na diáspora, individuais ou integrados em organizações ou associações, vários países amigos, organizações não-governamentais, etc., de forma solidária, resolveram colaborar com apoios financeiros e materiais com objetivo de suavizar os danos causados. O governo central, as câmaras municipais da ilha do Fogo, algumas igrejas, ONGs, etc. foram os responsáveis para receber os tais donativos e fazê-los chegar aos destinatários. Durante, vários meses, os meios de comunicação social não pararam de anunciar os apoios que entravam no país. Há quem acreditava que, com estes apoios, as pessoas de Chã recuperariam os danos causados e a ilha até sairia a ganhar. Quando muitos esperavam que os trabalhos de realojamentos iriam começar, eis que surgiu o famoso “Fórum de Reconstrução do Fogo”. Este fórum trouxe à ilha do Fogo dezenas de pessoas e gastou milhares de contos. Porém, onze meses e alguns dias se passaram, o resultado ainda não se vislumbra e as famílias continuam a viver com sérios problemas. Em seguida criaram - o Gabinete de Reconstrução do Fogo. A expressão - Reconstrução do Fogo - não passa de um exagero. Os resultados das ações deste Gabinete ainda não são vistos pelas famílias de Chã e tampouco pelos habitantes do Fogo. As famílias continuam, em Achada Furna e Monte Grande a viver em casa com péssimas condições. O período de “azagua” foi horrível para essas famílias. Tivemos a oportunidade de visitar algumas famílias no tempo das chuvas. Assistimos, neste momento, a câmara municipal de Santa Catarina a distribuir em todo o concelho - roupas e outros bens destinados exclusivamente às famílias de Chã das Caldeiras. A nossa pergunta é: quem autorizou a câmara a fazer esta distribuição? Será que os doadores sabem deste desvio? As pessoas de Chã das Caldeiras foram informadas desta realidade? Com que objetivo a câmara faz esta distribuição? Será que houve desvios de outros donativos sem o consentimento dos doadores e dos beneficiários? Na última sessão de Assembleia (31 de Outubro) questionado o presidente sobre os donativos recebidos pela câmara ele nos garantiu que as câmaras do Fogo receberam aproximadamente 18 mil contos provenientes de várias entidades e instituições, porém, garantiu que 16 mil contos já foram usados. Ao falar com as pessoas de Chã que vivem nos Mosteiros, Chã das Caldeiras, Achada Furna, Monte Grande e São Filipe, a realidade é outra. Confirmam-nos que não receberam nada dessas instituições. Vão ter de justificar onde gastaram tanto dinheiro! A situação das famílias de Chã das Caldeiras é preocupante, pois, são famílias que sempre tiveram uma vida autónima e independente e que hoje vivem na dependência das câmaras, do governo central e das outras instituições e organizações que têm retidos seus donativos. Apesar desta realidade calamitosa assistimos a tentativa por parte dos HOMENS DE PLANTÃO a querem defender que ninguém se deva pronunciar. Pior é quando alguém tenta imputar toda a culpa ao partido da oposição! Nada mais desonesto. É ingrato e sobretudo desonesto especular à distância e criar fatos para caluniar o conhecedor da realidade e defender o que não se pode defender só por causa ideológica. Pois, a realidade das famílias de Chã das Caldeiras não é e nunca deve ser uma quizila político-partidária, mas sim, um problema que afeta a PESSOA HUMANA e que deve ser resolvido com prioridade. É absolutamente inaceitável que um dos membros do gabinete de Reconstrução do Fogo se ausente, por mais de três meses, deixando o trabalho que deveria ser feito com urgência, paralisado e as famílias a sofrerem. Ninguém fala mais dos geradores, inclusive dos que foram extraviados, da TV Palmas que alguns também foram extraviados, do campo de futebol relvado destinado aos jovens de Chã, da escola de futebol, da compensação às famílias que perderam fontes de rendimentos, etc. Mesmo assim, os homens de PLANTÃO (“meninos de mandado”) ao serviço do sistema querem que ninguém fala para não atrapalhar o já atrapalhado problema de Chã das Caldeiras. Cidade de São Filipe, 08 de Novembro de 2015 Alberto Nunes P.S. Em Santa Catarina do Fogo, os trabalhos públicos são feitos através de adjudicação direta e recaem sempre sobre as mesmas pessoas e/ou Associações Comunitárias. Onde o presidente da Associação é um ativista do partido no poder o contrato é celebrado com ele e onde o presidente se identifica com a oposição o contrato é celebrado com um cacique do sistema. Esses presidentes das associações e os caciques usam os recursos públicos em nome das associações e da câmara para manipular e condicionar o voto das famílias, pondo em causa a livre escolha do cidadão. Este artigo é dedicado ao cidadão - Sr. Danilo Fontes - em reconhecimento da luta travada ao longo deste ano em prol das famílias e da localidade Chã das Caldeiras. |
| 4 Dez 2015 CRÍTICA & CIDADANIA “Pecar pelo silêncio, quando se deveria protestar, transforma homens em covardes”. Abraham Lincoln Jorge Carlos Fonseca, atual presidente da República de Cabo Verde, ao ser confrontado na campanha presidencial de 2011 sobre o seu posicionamento dentro do quadro partidário, defendeu que foi sempre CIDADÃO DE CAUSAS. Esteve ao lado do PAIGC no momento da independência e ao lado do MPD no momento da democratização e liberdade no país. Dois momentos cruciais da nossa história recente. Nesta lógica, Fonseca privilegiou o país – Cabo Verde e o bem-estar da sua gente ao invés do partido A ou B. Os partidos, como é lógico, foram apenas instrumentos usados para materializar ESSES OBJETIVOS SUPREMOS. Hoje, somos um país independente, democrático e livre. Fonseca, na altura da sua candidatura presidencial aceitou o apoio partidário, porém, justificou que desde 1999 manteve uma vida maís académica do que partidária, pois, estava, ao longo desses anos, afastado de qualquer partido. Essa nobre postura, porém, rara na nossa sociedade garantiu-lhe a confiança de muitos bons cabo-verdianos na altura das eleições. Desde 2011, Cabo Verde tem um presidente às alturas, equilibrado e com sentido de Estado e que domina a Constituição. As suas competências estão plasmadas na Constituição e assim sendo deve ser o primeiro a dar exemplo do seu cumprimento. Elegeu o lema “Presidente junto das pessoas”. Após a sua eleição fala de uma “Magistratura de Influência”. Tenho acompanhado e lido as compilações dos seus discursos durante esses quatro anos. Tem demostrado estar “junto das pessoas” e tem exercido uma “Magistratura de Influência”, porém, penso que deve exercer mais a sua influência junto às instituições no sentido de resolver a penosa situação das famílias de Chã das Caldeiras. Suplico. Na sequência da última erupção vulcânica de 23 Novembro 2014, tenho estado a acompanhar e a refletir seriamente sobre a situação das famílias de Chã das Caldeiras. Confesso a minha revolta e indignação. Pois, não é admissível assistir a entrada de tantos donativos neste nosso país, oriundos de várias latitudes, destinados às famílias de Chã e, decorrido todo esse tempo, ainda temos famílias desalojadas a dormirem em casas sem mínimas condições e sobretudo a dependerem diariamente de quem detém os seus donativos. É chocante saber que houve desvios dos donativos (as latas de sardinhas, geradores, plasmas, etc. por parte dos responsáveis) sem que ninguém fosse responsabilizado; É chocante ver o Primeiro-Ministro de um país, a justificar o desvio de latas de sardinhas destinadas às famílias desalojados de Chã, por parte da Proteção Civil; É chocante o silêncio dos quadros de Chã das Caldeiras, das instituições, das igrejas, e sobretudo da população da ilha do Fogo; É chocante saber que em Chã das Caldeiras há um eleito municipal e uma já candidata à Assembleia Nacional a viverem em absoluto silêncio perante esse que pode ser considerado o maior desrespeito para com a população de Chã por parte dos governos local e central; É chocante saber da dolorosa e penosa situação vivida pelas famílias de Chã das Caldeiras e assistir cultos religiosos onde os responsáveis deveriam, por missão e obrigação, denunciar a inércia dos governantes, porém, optam por elogiar e agradecer publicamente esses governantes esquecendo que Barack Obama nos alertou que os políticos não são mais do que simples funcionários públicos. Afinal, a missão da igreja é: Falar Verdade, anunciar a Boa Nova e denunciar a injustiça. Foi o que o mártir São Lourenço e muitos outros fizeram ao longo da história da humanidade. Se há um objetivo claro de fazer este país avançar e desenvolver somos chamados a combater afincadamente o comportamento de avestruz que assola esta nossa sociedade. Muitos cidadãos enfrentam algumas dificuldades em assumir uma postura critica em relação a determinados acontecimentos neste país. Uns têm medo de criticar e desafiar o seu partido. Outros têm medo de perder apoios e financiamentos, etc. O exemplo do Dr. Jorge Carlos Fonseca é paradigmático (CIDADÃO DE CAUSAS) e penso que é útil para uma sociedade onde alguns cidadãos defendem mais o seu partido e seus tachos do que o próprio país e o bem-comum. Winston L. Spencer Churchill alerta-nos para alguns males da sociedade atual quando diz “Alguns homens mudam de partido por amor aos seus princípios, outros homens mudam de princípios por amor ao seu partido”. É bom que mudemos do partido por amor aos nossos princípios e não o inverso. Cidade de São Filipe, 01de Dezembro de 2015 Alberto Nunes |
| PERGUNTAS & RESPOSTAS PARA A COMUNIDADE 1 Sr. Alberto Nunes, tendo em vista a sua aceitação de ser o escolhido do partido do MpD para liderar a novel Câmara Municipal de Santa Catarina, caso vier a ser eleito, como pensa trabalhar para unir as gentes de Santa Catarina e dar uma alternativa satisfatória? Alberto Nunes: No concelho de Santa Catarina precisamos de um bom ambiente político e consequentemente económico e de negócios. Porque, durante esses onze anos da governação camarária infelizmente não tivemos à frente da câmara pessoas comprometidas em promover um ambiente social, cultural e familiar e por conseguinte não foi possível a criação de um ambiente político e de negócio sadio. A excessiva partidarização no nosso concelho prejudicou e muito o seu desenvolvimento. Aqui houve a partidarização de tudo: dos serviços do estado, da família e inclusive de amizade. Esta prática contribuiu para dividir e fragilizar os munícipes bem como dificultou o progresso e desenvolvimento do município. Por isso, comprometemos com os munícipes que depois do dia 04 de Setembro a nossa equipa irá trabalhar de forma incansável para criar um ambiente político saudável no sentido de incluir todos os munícipes independentemente da sua opção político-partidária, fomentar a coesão, criar condições para o desenvolvimento. Entendemos que não se pode falar do desenvolvimento com exclusão dos quadros/munícipes. Neste sentido comprometemos fazer uma política de proximidade e estar mais perto dos munícipes e das famílias respeitando sempre a opção de cada cidadão e reconhecendo o mérito e a competência de cada um e trabalhar no sentido de integrar cada cidadão no processo do desenvolvimento do município em função da competência e mérito, como forma de proporcionar um bom ambiente para a dinâmica da economia local, criar emprego aos jovens e rendimentos para as famílias. A nossa meta é transformar Santa Catarina num concelho atrativo, desenvolvido e competitivo. 2 No Município de Santa Catarina, existe um alto índice de desemprego, a maioria dos jovens e famílias estão sem trabalho; podia explicar qual é a razão e como pensa dar volta a esta tão grave situação social? Alberto Nunes: Infelizmente esta é uma realidade no nosso município. Alta taxa de desemprego jovem, nível de pobreza elevado. Segundo os dados do INE de 2010, 59,9% das famílias em Santa Catarina é pobre. Esta realidade contrasta com as potencialidades do concelho. Diz-se que este concelho é pobre. Todavia, conhecendo-o dá para perceber que não o é. Porém, está pobre. Trata-se de um concelho com grandes potencialidades turística, (PEDMSC elegeu o turismo como alavanca do desenvolvimento deste município), agropecuária, piscatória e com forte valência na emigração, contudo subaproveitadas pelo governo local. Essas potencialidades precisam ser conhecidas e aproveitadas. Faltava a equipa atual uma visão estratégica e a competência necessária no sentido de congregar todas essas potencialidades e tornando-as em oportunidades, mas isso não foi feito e deu no que deu. A política de divisão e de partidarização que excluíram quadros qualificados do processo do desenvolvimento do município constituem fatores determinantes desta alta taxa de desemprego e do nível da pobreza que afetam o município. Neste sentido a nossa equipa formada por pessoas comprometidas e conhecedoras da realidade do concelho compromete levar a cabo uma política diferente, uma política inclusiva, de proximidade, de diálogo promovendo emprego através de fomentação de investimentos públicos e privados. Temos já nessa fase de pré-campanha estabelecido contactos com potenciais investidores para o nosso concelho. Esperamos ter uma oportunidade para pôr em prática a nossa plataforma eleitoral. 3 Ao formar a sua equipa de trabalho como pensa reconciliar a política partidária do seu partido concernente aos vários empregados que trabalham atualmente na referida câmara municipal? Alberto Nunes: A equipa constituída pelo presidente e vereadores assume os lugares ocupados antes pela anterior equipa. Iremos, como é óbvio, restruturar a câmara como forma de pôr em prática o nosso programa e produzir com eficiência e aumentar a produção e a produtividade a fim de dar resposta em tempo útil as demandas dos munícipes. Queremos aqui em nome da equipa comprometer com todos os funcionarios da câmara municipal que se formos eleitos no dia 04 de Setembro, ninguém será perseguido ou prejudicado pela sua opção politica. Seremos um presidente junto dos funcionários, criando sempre melhores condições para o diálogo e um ambiente saudável para melhor servir a nossa gente. Somos candidatos para servir as pessoas. 4 Referindo a sua gratificante profissão de trabalho como professor liceal, qual é o motivo que lhe levou a candidatar se desta vez para representar o seu município? Alberto Nunes: O que nos move a ser candidato e consequentemente presidente da câmara do nosso município não é e nunca poderia ser o prestígio do cargo e nem tão pouco os louros que daí podem vir, mas sim, servir o nosso município, aproveitando dos recursos aqui existentes, porém até agora subaproveitados e transformá-los em oportunidades para os munícipes e contribuir para tirar o concelho da lista dos mais pobres do país. Devemos dizer que para além das nossas motivações, há também uma forte corrente de apoio de todos os quadrandes da sociedade à nossa candidatura, perspetivando sempre que ela é necessaria urgente e irreversível para tirar Santa Catarina da situação em que se encontra. 5 De que maneira pensa melhorar o nível de vida no Concelho de Santa Catarina sem basear muito em promessas mas sim em resultados concretos e páticos? Alberto Nunes: Somos conhecedores da realidade do nosso concelho. Conhecemos a sua história, sua cultura, potencialidades, fragilidades e ameaças. Só a partir desses pressupostos é possível criar um programa credível para ter o resultado prático. A atual equipa não soube planificar de forma científica, razão pela qual os resultados previstos nunca chegaram ultrapassar os 36%. Em média a taxa de realização ficou entre 30 a 36 % ano. Um resultado medíocre. Esses resultados justificam de certa forma porque temos um presidente que nunca dominou nem a história e nem a cultura do município. Não conhece a realidade. Os elementos que constituem as equipas não são estudiosos da realidade do município. Resolveram os problemas dos apoiantes e tudo ficou por ai. A nossa equipa compromete trabalhar no sentido de produzir resultados práticos e com efeitos positivos na vida das famílias e das empresas. 6 Dada a situação critica resultante da última erupção vulcânica em Chã das Caldeiras, cuja a população ainda continua num estado precário em muitos aspéctos, como pode explicar na sua óptica o motivo que levou a uma não resolução satisfatória desta catastrofe e o que vai fazer para melhorar tudo isso? Alberto Nunes: A situação de Chã das Caldeiras é deveras complicada mas possível de ser resolvida em tempo útil. O anterior governo não deu a devida atenção a este problema e a câmara local demitiu-se dessa função. Uma pena! Catorze meses o governo da República sustentado pelo PAICV e a câmara municipal também sustentada pelo mesmo partido arrecadaram muito dinheiro e outros donativos, porém, pouca coisa fizeram para tirar o povo desta localidade do sofrimento. O novo governo aprovou o orçamento no final de Julho e entra em vigor no início do mês de Agosto. Neste orçamento há um valor de seiscentos e cinquenta e quatro mil contos destinados a resolver uma parte desta situação tendo em conta que este orçamento é para cinco meses. No próximo ano este governo já garantiu que vai haver mais verbas para solucionar o problema de Chã das Caldeiras. Quanto a nossa proposta para Chã das Caldeiras vamos estar em sintonia com o governo no sentido de juntos – câmara e governo resolver todos os problemas desde acessibilidade, assentamento e definição de perímetros de risco, sistema de proteção civil e reativação da vida económica das populações. Comprometemos assumir todas as nossas responsabilidades em relação a essa localidade ao contrário da atual equipa que a abandonou. 7 Como é do conhecimento geral, a burocracia em Cabo Verde nos serviços de atendimento público não satisfaz as necessidades, o concelho de Santa Catarina não é excepção, como o Sr. Alberto Nunes, pensa em melhorar e tornar mais eficientes os serviços públicos de atendimento? Alberto Nunes: Nós temos uma visão clara, uma plataforma exequível e uma equipa competente em termos político e administrativo. Nossa missão é servir com qualidade os munícipes, por isso, que estamos a garantir que ganhando as eleições comprometemos reestruturar e organizar os serviços camarários em função das metas e objetivos pretendidos. Queremos um concelho atrativo, competitivo e desenvolvido. Comprometemos promover varias açoes de formação de capacitação dos funcionários na matéria de atendimento público, vamos adequar os tecnicos do gabinete de acordo com as suas áreas de formação, vamos desconcentrar alguns serviços da Câmara criando serviços autónimos como é caso de saneamento, transporte etc. 8 A emigração, sem margens para dúvidas é um dos fatores ou se calhar, o principal fator de sobrevivência da população do seu município; como vai fazer ou incentivar o emigrante para investir neste concelho e esperar ter resultados que incentiva outros a fazerem o mesmo? Alberto Nunes: A nossa emigração, mormente, nos EUA tem sido um parceiro importante no processo do desenvolvimento deste município. Não foi por acaso que antes do início da campanha fizemos uma deslocação para este país apresentando a nossa candidatura e comprometer com os nossos emigrantes que tudo iremos fazer depois do dia 04 de Setembro para que eles possam investir no concelho dando assim oportunidade de emprego aos jovens e famílias. A nossa bancada sempre solicitou a câmara da necessiade de criação de um Gabinete de Apoio aos Emigrantes (GAE). Comprometemos criar esse Gabinete com técnico superior tecnicamente preparado estritamente ao serviço da emigração. Um emigrante que vem passar férias de duas semanas não pode nem deve ir à Câmara e ficar na fila de atendimento ou à espera de uma marcaçao da audência para resolução de um problema. Este gabinete irá incubir de todos os processos e em tempo útil dar satisfação ao requerente. Da nossa parte prometemos também criar um Gabinete de Emigração que visa facilitar a vida dos que vão emigrar e dos que vem para o Torrão natal. 9 A ilha do Fogo onde a maturidade politica muitas vezes foi contestestada devido a hegemonia e o trabalho político do PAICV que durante muitos anos, manteve a sua ideologia política viu se este ano nas eleições legislativas mudar completamente, qual foi a razão principal que o Sr. Nunes atribui a esta mudança? Alberto Nunes: O povo está cansado da política de assistencialismo praticada pelo PAICV na ilha. O povo quer uma política que fomenta o emprego, rendimento e liberdade individual. Politica essa que o PAICV não oferece. Houve mudança na ilha do Fogo porque as pessoas acreditaram na pessoa do Dr. Ulisses e no MPD. O PAICV trouxe propostas, mas ninguém mais nesta ilha acredita nelas porque foram tantas não cumpridas. A juventude esclarecida derrubou o PAICV na ilha e vai continuar a derrubar até que este partido comece a aprender respeitar o povo. A política de distribuição de cimento, verguinha, de alugar dezenas de carros para desfile na campanha, etc. já não dá votos. A juventude quer uma política de propostas e resultados. Uma politica centrada nos problemas e soluções. 10 A sina política de Djarfogo frequentemente chamada está relacionada com o baixo nível de vida económico da sua população, desemprego em massa, dependência externa e muitas vezes manipulação politica em tempos de votos; tudo isso são factores que não ajuda a democracia, será que se for eleito, tudo isso vai mudar ou vai dar prioridades bem diferentes? Alberto Nunes: Pensamos que com a eleição do Dr. Ulisses Correia e a nossa como presidente da câmara municipal de Santa Catarina este problema irá ser resolvido, pois, a partir de 04 de Setembro iremos substituir a política assistencialista por uma política voltada para o emprego e rendimento. O assistencialismo coloca o Homem na dependência do poder e dos partidos. O emprego liberta o homem da dependência e quaisquer tipos de manipulação. Somos para o emprego e liberdade. O PAICV é um partido de assistência, vingativo e condiciona a liberdade das famílias. 11 Em Santa Catarina, Fogo, a percepção social politica muitas vezes esta ligada como é lógico a individuos que fizeram, fazem e estão a fazer influencias positivas dentro da comunidade, para referenciar, o Sr. José Vieira, conhecido por toda gente em Cabo Verde e na diáspora por Chêchê Ki Frá influenciou sempre os partidos politicos como aconteceu desta vez nas legislativas neste concelho, grande parte da população está convencido que se o Sr. Nunes chegar a victória, Mr. Che KiFra, estará oficialmente num gabinete da camara municipal devidamente assesorado ou pensa que isto desta maneira não vai beneficiar muito o seu mandato; ou ele estará numa outra posição de conselheiro como tinha previamente dito? Alberto Nunes: O senhor José Vieira (Chéche ki fra) deu sempre contributo para o seu concelho independentemente de estar ou não na lista. A ideia de colocá-lo na lista ou em lugar elegível surgiu de um grupo com um único objetivo: provocar confusão na nossa candidatura e tentar nos dividir. Essa intenção é percebida por todos nós. Felizmente o Sr. José Vieira sabe o que quer e não se deixou influenciar por essas gentes. Decidiu dar seu contributo da forma como sempre deu. Estando na lista ou fora dela. A atitude do Sr. Chéche perante essa manobra foi positiva e inteligente. A juventude de Santa Catarina também entendeu esta manobra. É necessário acreditar na juventude e dar-lhe oportunidade de pôr na prática seus conhecimentos. Realmente foi o que fizemos ao constituir a nossa lista. Uma lista que visa resultados positivos para o bem do município. 12 Para terminar esta gentileza de responder estas perguntas relacionadas com a sua campanha e também com a comunidade, podia dizer ou dar uma síntese de que como vai ser formada o seu quadro politico de trabalho e se pensa escolher algumas pessoas for a da comunidade Santacatarinense para completar o seu team? Alberto Nunes: A lista já está pronta. Uma lista com duas mulheres efetivas na câmara e uma suplente. Com 4 mulheres efetivas e 4 suplentes na Assembleia. Composta por candidatos de todas as localidades do concelho. Jovens com formação em diversas áreas do conhecimento distribuídos em função do resultado almejado pelo concelho. Propomos para o fim do mandato um concelho competitivo, atrativo e desenvolvido. Estamos conscientes que com estes jovens atingiremos a nossa meta. Precisamos apenas de uma oportunidade. Djunto nós é mais forte. Em nome da comunidade e do meu nome pessoal muito obrigado. Joaquim Fontes Randolph USA |